um instante, maestro
Fazia tempo que eu não visitava o fiteiro. Sumi logo depois que prometi que as atualizações seriam mais constantes... Um pouco de trabalho, um tanto de desleixo. Passei parte desse período de sumiço alimentando um ipod, feito um tamagochi musical. O bichim já está com 78 gigas de espaço ocupado, o que já garante pelo menos um mês de festa sem intervalo comercial. No mais, volto com a promessa de atualizar o estoque deste pequeno empreendimento. Quem acreditar, verá.

HAI-KAI DO JOBS como é que pode trocar os amigos por um mero ipod?
p.s. bera e adriana: gracias a la vida.
Escrito por goethe às 23h54
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um pequeno quadro do irã

O que antes era vendido em quatro volumes agora está sendo oferecido em apenas uma brochura. Além da economia (de R$ 120 para R$ 40, em média), é uma excelente oportunidade de conhecer o trabalho de Marjane Satrapi antes da animação que deve entrar em cartaz nos cinemas brasileiros ainda neste ano. Persépolis Completo tem umas 300 páginas (falha grave da edição é não ter numeração delas, sendo necessário usar um marcador para não se perder depois) e conta a história da autora, que tinha dez anos de idade quando estourou a revolução islâmica, em 1979. É a chance de conhecer por dentro a sociedade persa, que fechou-se sob o véu da religião. Para quem quer conhecer o Irã além das ameaças de uma nova guerra nuclear.
O fiteiro volta em 2008 com a promessa de atualizações diárias. E que o céu não caia sobre nossas cabeças.
Escrito por goethe às 15h40
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então é natal e o que você fez?

O homem está bem longe
Da Natureza conhecer
Dos segredos da palavra
Como também, do seu poder
Do valor que tem a terra
No seu enorme proceder.
Como um ser abstrato
O homem vive na terra
Não sabe de onde veio
Em o ponto que se encerra
O seu pequeno caminho
Que qualquer pedra emperra.
Pensa ser absoluto
Mas não passa de um traste
O homem é um orgulhoso
No seu trépido arraste
Não há coisa neste mundo
Que não quebre ou não gaste.
...
O homem é desafeto
Na turvada idolatria
Não se convida a Jesus
Para a nossa alegria
Mas se chama pro comércio
Na manhosa fantasia.
PÁGINAS 1 e 12
Mesmo não sendo católico, tenho uma simpatia pelo menino. Lembro-me de ter sido um, tempos atrás. Feliz natal. São os votos do dono deste fiteiro.
Escrito por goethe às 12h32
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glub, glub, glub, submarino amarelo

Vinte e quatro horas depois do afundamento, o interior do S-5 permanecia uma tumba. A maioria dos tripulantes perdera a consciência ou caíra em estado de apatia tão profunda que apenas os peitos, que febrilmente se erguiam e afundavam, mostravam que estavam vivos. Alguns ainda tinham forças para arrastar-se até a sala da cana do leme, mas nenhum tinha esperança de conseguir cortar uma saída que prestasse. Dezesseis horas de perfuração, corte de arestas e uso de serra haviam produzido uma abertura ligeiramente triangular, de quinze centímetros de largura e vinte centímetros de comprimento. Com ferramentas adequadas e corpos vigorosos o suficiente, talvez pudessem criar uma saída de emergência em mais de vinte horas, mas não tinham essas vinte horas. O único consolo para alguns era que a saída tinha sido sua melhor chance - a única chance - e tinham dado o melhor de si para abri-la.
PÁGINAS 157 e 158

Para Kolesnikov e os outros 22 submarinistas ainda vivos dentro do Kursk, o fim foi misericordiosamente rápido. Quando, na noite de sábado, os níveis de dióxido e monóxido de carbono chegaram a porcentagens perigosas no interior do nono compartimento, os homens resolveram trocar as placas da unidade de regeneração do oxigênio do submarino. Nesse momento o compartimento estava às escuras, gelado, e sendo lentamente inundado. Enquanto recarregavam as placas, elas entraram em contato com a água e o óleo. Provavelmente um dos tripulantes, já bastante entorpecido, deixou cair uma das placas no chão, então muito alagado, do compartimento. Em teoria, essas placas só deviam ser trocadas usando-se luvas de borracha, sobre uma bandeja, na posição vertical e, de preferência, num ambiente seco. Na prática, portanto, tudo acontecia em condições completamente inadequadas, num compartimento naufragado e parcialmente inundado, exatamente quando as placas eram mais necessárias do que nunca. Uma simples gota de óleo que atinja a placa é suficiente para causar uma imediata reação química, e um incêndio. Reagindo com óleo e água, as placas imediatamente desencandearam uma série de faíscas e labaredas que atingiram a temperatura de 300º Celsius.
Três tripulantes tentaram proteger seus companheiros das chamas e acabaram com graves queimaduras no peito. Muitos sofreram queimaduras fatais. A máscara de oxigênio de um deles derreteu-se, colada ao rosto. Selando definitivamente o destino dos outros submarinistas, o fogo sugou o resto de oxigênio que ainda havia no compartimento. Rapidamente, os sobreviventes caíram em estado de inconsciência, envenenados pelo monóxido de carbono. A maioria não teve tempo nem de pensar em colocar suas máscaras. Posteriormente, os médicos russos fixaram a hora das mortes entre 19 e 20 horas de sábado, 12 de agosto.
Dmitri Kolesnikov, um dos tripulantes que tentou proteger seus companheiros das chamas, morreu com sua mão direita sobre o o bolso da camisa, em cima do coração. Dentro do bolso estava a mensagem para sua mulher, Olga. Quando seu corpo foi retirado do submarino, no dia 25 de outubro daquele ano, sua mão ainda estava na mesma posição. A mensagem era o seu último testemunho.
PÁGINAS 59 e 61
Em 12 de agosto de 2000, o submarino russo Kursk naufragou no Mar de Barents, causando a morte de 118 oficiais e tripulantes. No dia 1º de setembro de 1920, o submarino norte-americano S-5 ficou praticamente na vertical no litoral de Nova Jérsei por causa de um problema com uma válvula mal fechada. Depois de 36 horas, os 40 ocupantes conseguem ser resgatados após terem conseguido fazer uma abertura na parte do submarino que ficou acima do nível da água. Estas duas publicações da editora Landscape, que vem colocando uma série de livros-reportagem no mercado brasileiro, apresentam histórias de heroísmo e tecnologia, incompetência de governos e improvisações salvadoras. Pena que, entre as vítimas, esteja a língua portuguesa. A tradução nos dois livros é sofrível, com erros de concordância e outros naufrágios. Mas vale pelo assunto, principalmente para quem queria ser marinheiro e nunca aprendeu a nadar.
Escrito por goethe às 12h32
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fio de poesia nas quebradas do sertão





Esta bela caixa foi comprada numa banca de cordel no mercado popular de Aracaju. São 11 obras da vasta criação de Leandro Gomes de Barros e uma biografia rimada do maior poeta do gênero por Klévisson Viana, que com sua editora Tupynanquim, em Fortaleza, vem reeditando estes clássicos esquecidos. Com uma tiragem numerada de apenas 500 exemplares para colecionadores, é um excelente bilhete de entrada na obra de Leandro, o paraibano visionário que percebeu um grande mercado consumidor de poesia nas feiras do interior nordestino.
Leandro, por não cantar,
muitos livros escrevia:
publicando seus romances,
a sua fama crescia;
vendidos de feira em feira,
litoral, sertão, ribeira,
tinha certa a freguesia.
Leandro também criou
o folheteiro e o agente
pra revender sua lira;
foi um achado excelente!
Nessa genial manobra,
difundiu a sua obra
no seio de sua gente
Pois o agente fornecia
ao pequeno folheteiro,
vendedor de feira em feira
quase sempre aventureiro,
vendendo em todo o Nordeste
do litoral ao agreste,
em festa de padroeiro
Klévisson Viana
Escrito por goethe às 17h01
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uma passadinha em sergipe

Há exatamente um mês, quem vos digita estas atrasadas linhas esteve em Sergipe. Repleto em atrativos, o menor estado brasileiro em território não decepciona o turista, mesmo que este venha a trabalho, como no meu caso. A viagem agora exibida serve para duas finalidades: retomar as atividades do fiteiro e encerrar, com louvor, os trabalhos da minha câmera digital samsung Digimax 300 3.1 megapixels. Por isso, perdão para as fotos sem foco.
No mercado da capital Aracaju, a abundância de cajus e de porquinhos exibindo os cofrinhos.

Na verdade, Aracaju tem dois grandes mercados ligados entre si através de uma passarela. Nos dois prédios, muito artesanato, iguarias e lembranças para quem ficou em algum lugar.

Este monumento depredado em homenagem aos índios nem o guia soube dizer o que é. Imagem de um povo sem cabeça.

A catedral. Cinza sobre cinza.

Este prédio já abrigou de tudo: internato, liceu, bares e agora oferece artesanato. Meios para não justificar o fim.

Cidade relativamente recente, com menos de dois séculos de fundação, Aracaju tem um casario eclético e conservado.

Dos alto dos 60 metros de seu ponto mais acima do nível do mar, pode-se ver um dos mais recentes orgulhos de Aracaju: a ponte construtor João Alves. Devidamente cruzada diversas vezes em uma semana.

A orla de Aracaju tem uma das maiores faixas de areia que já vi. Esta aqui, defronte ao bar onde almoçamos, até que não é longe para se mergulhar. Pena que a aparência do mar não ajuda, pela falta de arrecifes. Tem areia até na água.

Nossa origem no barro.

De Aracaju até Canindé são cerca de 180 quilômetros, o ponto mais distante do estado. É de lá que se pode fazer um passeio de barco pelo rio São Francisco. São duas horas de travessia pelos cânions naturais.

O passeio é feito em catamarãs com serviço de bordo e uma trilha sonora de gosto duvidoso.

Sem pressa, dando tempo de ver a paisagem.

Nesse nicho fica uma imagem de São Francisco, retirada porque era época da festa do santo. Ele também merece se divertir.

Neste trecho, o barco faz uma parada estratégica para banhos e visita, numa canoa, a uma espécie de gruta natural.

Por R$ 2,00 você entra na canoa rezando para não virar. Mas a imagem compensa.

Pedra, samambaias e água parada. Agora é preciso voltar.

Parece cena de filme de piratas, mas nestas bandas só tinha cangaceiros.

Para os que não sabem nadar e nem confiam em coletes salva-vidas, a chance de se banhar com a água do rio. Transposição é isso aí.

Para quem sabe nadar, uma profundidade de doze metros não é problema.

Outra opção de visita em Canindé é a usina de Xingó. Bom para acalmar crianças elétricas.
Escrito por goethe às 14h19
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a fronteira entre fé e fanatismo

Existe um lado negro na devoção religiosa, no mais das vezes ignorado ou negado. Como forma de motivar as pessoas a serem cruéis ou desumanas – como meio de fazer o mal, para usar o vocabulário dos devotos -, não pode haver força mais poderosa do que a religião. Quando o tema do derramamento de sangue por inspiração religiosa é suscitado, a maioria dos norte-americanos pensa imediatamente no fundamentalismo islâmico – algo até esperado em conseqüência do 11 de setembro de 2001. Porém os homens vêm cometendo atos hediondos em nome de Deus desde que a humanidade começou a acreditar em divindades, e existem extremistas em todas as religiões. Maomé não foi o único profeta cujas palavras foram usadas para justificar o barbarismo; não faltam exemplos históricos de carnificina contra inocentes, motivadas pelas escrituras, entre cristãos, judeus, hinduístas sikhs e até mesmo budistas. Muitos destes extremistas religiosos nasceram e cresceram aqui mesmo, são norte-americanos da gema.
A violência baseada na fé existia muito antes de Osama bin Laden e continuará a existir muito depois de ele desaparecer. Fanáticos religiosos como Bin Laden, David Koresh, Shoko Asahara e Dan Lafferty são comuns em todas as épocas, assim como outros tipos de fanáticos. Em qualquer atividade humana, uma parcela de seus praticantes se sentirá motivada a proceder com tal concentração e com paixão de tal forma exclusiva que essa atividade acabará por consumi-los completamente. Basta olhar, por exemplo, as pessoas que dedicaram suas vidas a se tornar pianistas de concerto ou escalar o monte Everest. Para alguns, o extremo encerra uma atração irresistível. E alguns desses fanáticos inevitavelmente se dedicarão a assuntos do espírito.
PÁGINAS 19 E 20
Joseph Smith não foi o único a fazer comparações entre os profetas fundadores do mormonismo e os do Islã. A maior parte de tais comparações veio de gentios que tencionavam denegrir os Santos e sua fé, mas certas similaridades inegáveis foram também assinaladas por simpatizantes da igreja de Joseph. Entre esses admiradores estava Sir Richard F. Burton, famoso libertino e aventureiro do século XIX que conhecia as culturas islâmicas por experiência própria. Ao visitar Salt Lake City pouco depois que os mórmons lá chegaram, Burton observou que o mormonismo, "assim como o Islã", afirmava ser "uma restauração, mediante revelação, da pura e primitiva religião do mundo". Em 1904, o conceituado erudito alemão Eduard Meyer passou um ano em Utah estudando os Santos, o que o levou a predizer: "Assim como a Arábia se tornaria a herança dos muçulmanos, também os mórmons virão a ser os herdeiros dos Estados Unidos". E em 1932, após reconhecer em um livro intitulado Revelation in Mormonism que as "semelhanças entre o Islã e o mormonismo têm sido mal interpretadas e exageradas", George Arbaugh mesmo assim prosseguiu afirmando: "O mormonismo é um dos desenvolvimentos mais inovadores e audazes na história das religiões. Suas reivindicações teocráticas agressivas, as aspirações políticas e o uso da força o fazem semelhante ao Islã".
PÁGINA 118
No início de 1830, um livro de 588 páginas passa a ser vendido ao preço de US$ 1,25. Seria a tradução de um texto sagrado escrito em placas de ouro, tesouro escavado por um homem chamado Joseph Smith, cuja localização teria sido sinalizada pelo anjo moroni (o mesmo que está no alto dos templos dos mórmons pelo mundo). O Livro dos Mórmons deu início a uma nova religião, que em menos de dois séculos criou um enclave dentro dos Estados Unidos e tem sua história marcada por massacres e radicalismos. Para não ser fechada pelo governo, a cúpula da igreja abriu mão, em 1890, do preceito 132 ditado por Smith: a poligamia. Houve deserções e agora pipocam as seitas fundamentalistas que determinam que as mulheres devem servir aos homens como reprodutoras. Pela Bandeira do Paraíso é uma investigação de 380 páginas escritas pelo jornalista Jon Krakauer, mesmo autor do best-seller No Ar Rarefeito (sobre o drama de uma escalada ao Monte Everest). Ele parte de um crime ocorrido em 1984 para contar a história do mormonismo, que cada vez mais terá influência na vida norte-americana. Um tema bem oportuno, porque há duas semanas um líder de uma seita fundamentalista mórmon começou a ser julgado por praticar a poligamia forçando meninas de 14 anos e a se casarem com homens da comunidade. A principal acusação, em resumo, é de estupro. E agora estréia no Brasil, pela HBO, a série Big Love, protagonizada por Bill Paxton, que trata justamente do cotidiano de uma família múltipla mórmon. Este livro foi comprado por R$ 8,99 no Carrefour da Torre. Na manhã seguinte ao início da leitura, zapeando pelo Telecine, no canal Cult estava passando a vida de Joseph Smith, em preto e branco. Filho dos Deuses mostra a fundação da igreja mórmon e as perseguições dos seus seguidores. Uma peça de campanha com nada de clássico. O radicalismo tem suas sutilezas.
Escrito por goethe às 10h45
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salgadinho sabor terra

A multinacional Pepsico, que comercializa salgadinhos sob a marca Elma Chips, lançou recentemente fatias fritas de mandioca e inhame. Resta saber se este mercado, formado majoritariamente por adolescentes, vai valorizar os sabores da terra.
Escrito por goethe às 11h21
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uma fera a gente tem que ser

Beco sem saída
(Silvio César)
Se sou educado
Duvidam da minha masculinidade
Se sou delicado
Perguntam se sou homem de verdade
Se estou sempre sozinho
Dizem logo que não gosto de mulher
Se tenho mil mulheres
A menina de família não me quer
Se ganho dinheiro
Todos vão dizer que não foi honestamente
Se não ganho nada
Sou vagabundo ou pouco inteligente
Num beco sem saída
A gente fica sem saber o que fazer
Uma coisa é certa
No meio das feras
Uma fera a gente tem que ser
Beco sem saída
beco sem saída
Beco sem saída...
http://rapidshare.com/files/57215474/12.Silvio_Cezar_-_Beco_Sem_Saida.mp3
Escrito por goethe às 08h33
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la vida de un pobre no vale na'

El Cilindro (Ruben Blades )
Encontraron el cilindro y a su casa lo llevaron com cuidado, como a una bendicíon
Era Pascuas, y el cilindro su regalo, y los niños se encantaron con su aparición
Abrieron el cilindro y se maravillaron cuando vieron dentro un mágico color
Como una estrella, polvo de cielo, que alegraba su miseria con su luz
Sobre sus cuerpos lo restregaron, y lo adoraron como si fuera Jesús
Los vecinos se enteraron y curiosos visitaron "a la casa en que de noche sale el sol"
El cilindro y la familia fueron la mejor noticia de la Prensa, Radio y la Televisión
"Un milagro de Dios?"; "Otro Mago de Oz"; "Regalo de un Platillo Volador?"
Aquel cilindro, com el polvo de cielo que alegraba su miseria con su luz
Sobre sus cuerpos lo restregaron, y lo adoraron, como si fuera Jesús
La luz del cilindro fue menguando y al irse se fué apagando el amor que lo celebro
Uno por uno fuimos pagando el precio cruel de los que basan su felicidad en error
El gobierno explicó a través de expertos que, "los muertos fueron víctimas de radioactividad"
Le dieron una multa a un hospital local, "por botar substancias tóxicas en un área popular"
No hubo milagro, ni hubo justicia, y esa tragedia no es noticia ya
Ni aquel cilindro, con el polvo de cielo, que alegraba a la miseria con su luz
Ya no es noticia, esa tragedia de la Navidad sin el Niño Jesús
Nadie se acuerda de la familia que, brillando, murió en la oscuridad
El hospital pagó su multa, barata le salió la culpa, pues la vida de un pobre no vale na'

DownloadLink: http://rapidshare.com/files/55196113/Rub_n_Blades_-_Son_del_Solar_-_El_Cilindro.mp3
No dia 13 de setembro de 1987, uma cápsula do césio 137, manipulada por pessoas pobres em Goiânia, provocou a morte de quatro vítimas e outras 706 ficaram expostas a altas dosagens de radiação. Um acidente provocado pelo descaso das leis que ganhou repercussão mundial. Em 1992, no seu disco Amor y Control, em que "celebrava" os 500 anos da chegada de Colombo às Américas, o panamenho Rubén Blades incluiu El Cilindro entre as faixas, talvez a mais perfeita tradução do que ocorreu no Brasil. Nestes 20 anos da tragédia, a trilha sonora permanece.
Escrito por goethe às 13h15
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this must be the place

A capa deste DVD é apenas um plástico fosco, com letreiro clássico, que permite visualizar o colorido do disquinho. Mais um arranjo criativo de David Byrne, o cabeça da ex-banda Talking Heads. Ele gravou este show em 2005, aproveitando a acústica do templo religioso construído em Londres. É neste cenário que apresenta um repertório de 18 composições, pelo menos metade delas da época em que integrava o conjunto nova-iorquino que se antecipou à onda de abrir os ouvidos para os ritmos produzidos em outras partes do mundo. Tanto que, depois com sua gravadora Luaka Bop, Byrne ressuscitou Tom Zé e lançou discos de artistas angolanos, cubanos e venezuelanos. Com direito a instrumentos de corda, este DVD vale os R$ 12,90 gastos no supermercado Extra do Benfica. Pechincha, porque pela internet o preço passa dos R$ 45,00. Os únicos defeitos são a falta de legendas e a incompatibilidade do público com o ambiente. Apesar dos apelos de um Byrne descontraído, poucos tiveram coragem de sacudir o esqueleto em cenário tão solene.
Escrito por goethe às 19h54
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uma história feita de extremos

O alvorecer em 19 de fevereiro proporcionou a primeira visão do sol, e uma fileira de trenós logo se formou à porta do depósito de provisões. Levavam 1.800 quilos de víveres e equipamento, e certa quantidade de pele e gordura de leão-marinho para alimentar os cães, até que Cook encontrasse bois-almiscarados em grande número.
Às oito hora daquela manhã, a última corda foi amarrada e tudo estava pronto – oito trenós com carga total, puxados por 103 cães, conduzidos por Cook, Franke e nove esquimós, “escolhidos a dedo” entre um grande número de nativos que se ofereceram para acompanhá-los. Cook atribuía sua habilidade de “conquistar a amizade e a confiança dos nativos” ao fato de falar sua língua “o suficiente para discutir assuntos corriqueiros”. Também lhe fora útil, desde os primeiros dias no Ártico, ter se interessado por seus costumes e respeitado suas tradições.
As tribos esquimós do norte da Groenlândia não admitiam que a Terra fosse redonda. Em algum lugar da extremidade mais escura do mundo plano, um imenso prego fora cravado no gelo; por isso, “Grande Prego” era o nome que davam ao Pólo. Acreditavam que, de algum modo, esse prego gigantesco tinha caído e desaparecido e, uma vez que ferro era mais importante para eles do que ouro, reconheciam seu valor. Através da tradição oral, sabiam que homens brancos, falando várias línguas diferentes, empenharam-se na busca – em face da constatação do valor do prego -, e também era de seu conhecimento de que muitos desses homens jamais retornaram. Os próprios esquimós jamais saíam à procura do Grande Prego, pois sabiam muito melhor do que qualquer povo dos perigos das longas viagens através do gelo que cobria o oceano mais ao norte do mundo. Preferiam permanecer em terra ou próximo à terra, perto dos campos onde seria possível caçar, obtendo desse modo alimento e roupa. Era de caçar o que entendiam, e quando Cook lhes falou sobre novas terras onde o boi-almiscarado, cuja carne apreciavam, andava à vontade, encantaram-se. Além das ferramentas, armas e outros utensílios que Cook lhes oferecera por seus serviços, eram motivados a tomar parte na expedição em virtude da chance de descobrir novos campos favoráveis à caça.
Ao supervisionar a fileira de trenós que aguardava o sinal de partida, Cook sentiu o “coração disparar”, sabendo que chegara o momento de dar início à sua busca ao Pólo. Os caçadores também demonstravam entusiasmo pelo começo da jornada, e os cães meio selvagens, assimilando a energia dos homens reunidos, latiam, ansiosos por começar a puxar os trenós. Açoites estalaram no ar, e as equipes de cães avançaram.
PÁGINAS 211 E 212
 
Em 1909, dois norte-americanos anunciaram ao mundo que haviam chegado onde nenhum homem havia posto os pés antes: o Pólo Norte, jóia cobiçada entre os exploradores geográficos. O médico Frederick Cook alegava que atingira seu objetivo em abril de 1908. O engenheiro civil Robert Peary dizia que chegou na área em abril de 1909. Quem tinha razão? Neste livro de 347 páginas, o jornalista Bruce Henderson reconstitui a história desta rivalidade que resultou em perdas de vidas humanas, casamentos infelizes e campanhas de difamação. Com o apoio governamental e um marketing sem escrúpulos, Peary acabou ganhando as honras na época, apesar de não ter apresentado nenhuma prova de que realmente havia alcançado o Pólo Norte. Cook, que perdeu seu material utilizado na conquista pelo boicote do próprio Peary, viu a glória imediata transformar-se em infâmia. Só no final do século XX a situação se inverteu, com o reconhecimento tardio ao feito do médico. O degelo, enfim, começou.
Escrito por goethe às 13h29
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foi um sonho, minha gente

Krank (Daniel Emilfork) envelhece numa nebulosa torre aquática por não poder sonhar e tenta resolver a sua limitação seqüestrando as crianças das cidades vizinhas para lhes roubar os sonhos. One (Ron Perlman), um caçador de baleias, forte como um cavalo, sai em busca de Denree, seu irmão mais novo que fora seqüestrado pelos homens de Krank. Com a ajuda da menina Miette (Judith Vitter), logo eles chegam na cidade das crianças perdidas. Parceria fenomenal de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, os mesmos diretores de Delicatessen e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, apresentam um conto de fadas diferente, repleto de personagens curiosos, acrobacias espetaculares e efeitos visuais inesquecíveis.
O texto do verso deste DVD já resume praticamente tudo. Este filme de 1994 era a obra que eu queria ter feito. Com figurinos de Jean-Paul Gautier e música de Angelo Badalamenti, além da parceria Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Filme que fez parte da programação de arte do extinto cinema Veneza. Entre os poucos extras, um minidocumentário de 13 minutos. Para uma produção deste tipo, o sonho não acabou.
Escrito por goethe às 15h03
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apocalipse aqui e agora

Preces no delta, preces nas montanhas, preces nos bunkers dos marines da "fronteira" na frente de uma zona desmilitarizada, a DMZ, e para cada prece havia uma contraprece – difícil saber quem estava com a vantagem. Em Dalat a mãe do imperador jogava arroz em seus cabelos para que os pássaros voassem ao seu redor para comer enquanto ela dizia suas preces matinais. Em capelas com ar-condicionado e paredes forradas de madeira em Saigon, os padres do Comando de Assistência Militar do Vietnã, o MACV, teciam louvores ardentes a um doce Jesus musculoso, abençoando entregas de munições, 105s e clubes de oficiais. As patrulhas mais armadas da história partiam, depois de suas preces, para encher de fumaça um povo cujos sacerdotes se deixavam queimar até se tornarem cinzas consagradas nas esquinas das ruas. Nas profundezas dos becos ouviam-se os sininhos budistas tocando pela paz, hoa bien; sentir o aroma de incenso no meio do mais espesso cheiro de rua asiático; ver grupos de ARVN, o exército regular do Vietnã do Sul, aguardando transporte com suas famílias em volta de uma bandeirola de oração em chamas. Sermõezinhos vinham pelo rádio das Forças Armadas a cada par de horas, uma vez ouvi um capelão da 9ª Divisão começar o dele com "Ó Deus, ajude-nos a aprender a viver convosco de um modo mais dinâmico nestes tempos perigosos, para que possamos servir-Vos melhor na luta contra Vossos inimigos...". Guerra santa, jihad dos narizes-compridos que se parecia tanto com o confronto entre um deus que podia segurar a pele do guaxinim na parede enquanto nós a prendíamos e outro cujo desprendimento podia contemplar o sangue sendo derramado por dez gerações, se esse fosse o tempo necessário para que a roda girasse.
E girasse. Enquanto os últimos combates ainda estavam ocorrendo e as últimas baixas sendo contadas, o comando acrescentou Dak To à nossa lista de vitórias, uma decisão automática apoiada pela imprensa de Saigon, mas nunca, nem por um minuto pelos repórteres que tinham visto o ocorrido a alguns metros ou mesmo centímetros de distância, e mais esta defecção da mídia acrescentou mais amargor a uma mistura que já estava azeda, levando o comandante da 4ª a se perguntar bem alto e bem próximo do meu ouvido se nós, os americanos, estávamos ou não todos juntos nessa coisa. Eu disse que achava que estávamos sim. Estávamos com certeza.
PÁGINAS 52 E 53
Como correspondente da revista Esquire, Michael Herr esteve no inferno de Vietnã em 1967. Dez anos depois, lançou em livro sua experiência no front, com uma linguagem que continha a escrita beatnik e um pensamento rock’n’roll. Despachos do Front, com suas 254 páginas, é um mergulho num universo de lama, calor, medo e drogas em plena selva ou pelas ruas de Saigon. Numa época em que os jornalistas podiam acompanhar as ações e não aceitar as versões oficiais. Depois que leu este livro, Coppola convidou Herr para assessorá-lo na elaboração do roteiro de Apocalypse Now. Depois, Kubrick fez o mesmo quando produzia Full Metal Jacket – Nascido Para Matar. Com a tradução de Ana Maria Bahiana, esta versão brasileira é imperdível. Com certeza.
Escrito por goethe às 17h40
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uma história nada pacífica

Sábado, 22 de agosto.
Esta manhã desci até o Tenaru com o Tem-Cel. Buckley e o Cap. Moran, o intérprete.
O fedor dos corpos espalhados pela Ponta do Inferno e do outro lado da restinga do Tenaru era forte. Muitos deles jaziam na beira da água, e já se achavam inchados e brilhantes, como salsichas cintilantes. Alguns dos cadáveres haviam sido parcialmente enterrados por areia trazida pelas ondas; era possível ver uma cabeça grotesca, inchada, ou um torso retorcido brotando da praia.
Não era agradável olhar as pilhas de cadáveres na restinga. Mas aquela carnificina era uma pintura pálida, comparada à cena no coqueiral do outro lado da restinga. Aquilo lá era um pesadelo macabro. Vimos grupos de corpos de japoneses despedaçados por nosso fogo de artilharia, os restos fritos pela explosão de projéteis. Vimos ninhos de metralhadora que haviam sido dinamitados, e suas tripulações estilhaçadas, por fogo dos nossos tanques. Os rastros das esteiras de um dos nossos tanques corriam diretamente sobre cinco corpos esmagados, no centro dos quais se encontrava uma metralhadora quebrada num suporte achatado de dois pés.
Em todos os lugares para onde olhávamos, víamos pilhas de corpos; aqui um com a coluna vertebral visível pela frente, e o resto de carne e osso descascado por sobre a cabeça, como as folhas de uma alcachofra; ali uma cabeça carbonizada, calva, mas ainda equipada com os globos oculares carbonizados; entranhas rosas, azuis, amarelas escorrendo; um homem com um buraco vermelho de bala no olho; um soldado japonês morto, usando óculos escuros de aros de tartaruga, os dentes salientes expostos num sorriso sem humor, jazendo de costas, o tórax uma confusão de carne moída. Não se sente horror algum com essas coisas. O primeiro que a gente vê é o único choque. O resto são simples repetições.
PÁGINAS 138 E 139
Richard Tregaskis esteve ao lado dos soldados norte-americanos no desembarque em Guadalcanal, cenário de um dos mais sangrentos confrontos da Segunda Guerra Mundial. Como correspondente, não podia andar armado. Escapou de ser alvejado por franco-atiradores japoneses e contou uma história de heroísmo e horror. Seu Diário começa no dia 26 de julho de 1942 e se encerra em 26 de setembro, quando já estava esgotado e louco para sair do inferno. O manuscrito de sua aventura chegou em Nova York no dia 10 de novembro. No início de 1943, era um livro campeão de vendas, mostrando os bastidores de uma guerra travada muito além do Pacífico. Tregaskis depois partiu para a Itália, onde acabou sendo atingido por pedaços de metralha alemã em Cassino, na Sicília. Um fragmento furou seu capacete, atravessando a cabeça de um lado a outro, levando um pedaço de cérebro. Depois de cirurgias e terapia intensiva, conseguiu reaprender a falar e usar a mão direita. Continuou sendo repórter em linhas de frente na Coréia e no Vietnã. Seu legado, no entanto, foi a experiência vivida em Guadalcanal, quando tinha 27 anos.
Escrito por goethe às 13h44
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