para quem já está de saco cheio...

Escrito por goethe às 14h36
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senta que lá vem história

No sábado eu fui a Porto de Galinhas. Fui ajudar uma amiga que tem loja por lá. Enquanto ela participava de uma reunião fiquei na praia. Levei comigo este livrinho. Contos e poemas selecionados por Harold Bloom direcionados para crianças inteligentes e adultos metidos a sabidos. Pedi uma cerveja e tentei me proteger do sol. Abri o livro, comecei a ler o prólogo, quando chega a dupla de repentistas. Digo que sou nativo, apesar da brancura e do jeito de intelectual. Sou abordado ainda por vendedores de óculos, ostras, caldinhos, camisetas, redes, sorvete e toda a tralha que se pode empurrar para um turista desavisado. O livro é fininho, tem 140 páginas com letras grandes. Fiquei folheando as histórias de Lewis Carroll, Shakespeare, Esopo, Chesterton, Kipling, Stephen Crane, Walt Withman, Robert Louis Stevenson e Emile Zola, entre outros. Um texto, um gole, uma olhada no movimento. As portuguesas passavam protetor solar nas partes não cobertas pelos biquínis imensos. As jangadas lotadas. Menino correndo. Gente se exibindo. Acabei lendo o livro todo. Recomendável. Tanto que reproduzo aqui um trecho do prólogo de Bloom.
"A criança solitária com um livro é, para mim, a verdadeira imagem da felicidade potencial, de algo por se tornar realidade mais e mais. Uma criança, solitária e dotada, irá se servir de um conto ou poema maravilhosos para criar um companheiro para si mesma. Esse amigo invisível não é uma fantasmagoria doentia, mas, sim, a mente que aprende a se exercitar com todas as suas forças. Talvez seja também o misterioso momento em que nasce um novo poeta ou novo contador de histórias".
Voltei para o Recife como se fosse menino. E metido a contar historinhas como essa.
Escrito por goethe às 02h38
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bagunça como ordem da perfeição

parei pra pensar:
hora de organizar
ou tempo de
destrambelhar?
deixa pra lá...
Escrito por goethe às 00h55
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você é filho do universo

Resultado da leitura sistemática das agências de notícias:
"Até o início de abril, os cinco planetas visíveis a olho nu estarão reunidos no céu no início da noite. Mercúrio, Vênus e Marte serão visíveis por algum tempo logo após o pôr-do-sol. Já Júpiter e Saturno poderão ser vistos por toda a noite. A Lua Nova facilitará a observação. Segundo astrônomos, só será possível avistar os cinco planetas ao mesmo tempo de novo em abril de 2036".
Escrito por goethe às 18h57
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oração da segunda-feira

os olhos assustados do menino no colo da mãe
roxette tocando no alto-falante do geladinho
a cobradora que não tem troco de R$ 0,45
as duas mulheres que conversam sobre o fantástico de ontem
do lado de fora, o velho que vende envelopes
aqueles com a borda verde-amarela
joga o palito de picolé no chão
na banca onde tenho conta
as manchetes são sangue e futebol
como sempre na segunda-feira
como trabalho, tenho um almoço
onde se vai falar sobre josué de castro
e a preocupação com a fome dos outros
e ainda faltam quatro dias para o final de semana
deus tenha piedade desta pobre alma
também se não tiver, eu sobrevivo assim mesmo
amém
trilha sonora sugerida: "monday, monday" - The Mamas & The Papas
Escrito por goethe às 10h54
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é sempre bom lembrar

Pela primeira vez em um ano de jornal, consegui sair cedíssimo numa sexta-feira. Cedíssimo quer dizer nove da noite, quando os outros mortais estão vagando pelas ruas, tomando seu copo antes de voltar pra casa. Acabei indo para o Panquecas, para a festa de aniversário de um amigo de uma amiga minha. Tinha até dj, que mandava aquele roteiro óbvio: disco music, seguido de samba-rock de Jorge Ben da década de 70, depois rock nacional da década de 80 e um sambão para animar os menos cansados. Tava alegre, mas não feliz. Meio incompleto. Tomei cinco Skols, a R$ 2,00 cada garrafinha, e mesmo assim não me senti completo. Aí me lembrei daquela música do Gil...
COPO VAZIO (1974)
É sempre bom lembrar Que um copo vazio Está cheio de ar
É sempre bom lembrar Que o ar sombrio de um rosto Está cheio de um ar vazio Vazio daquilo que no ar do copo Ocupa um lugar
É sempre bom lembrar Guardar de cor Que o ar vazio de um rosto sombrio Está cheio de dor
É sempre bom lembrar Que um copo vazio Está cheio de ar
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho Que o vinho busca ocupar o lugar da dor Que a dor ocupa a metade da verdade A verdadeira natureza interior Uma metade cheia, uma metade vazia Uma metade tristeza, uma metade alegria A magia da verdade inteira, todo poderoso amor A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
É sempre bom lembrar Que um copo vazio Está cheio de ar
Pois é assim. E tenho dito.
Escrito por goethe às 02h54
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arte enquadrada

Sérgio Aragonés é o autor das marginais da revista MAD, aqueles desenhos minúsculos nas bordas das páginas. Ele também é o autor desta série em três volume de Fanboy, onde ele faz uma homenagem a todos os fãs de quadrinhos. O cara trabalha numa loja que vende revistas usadas e vive num mundo paralelo. Acaba interagindo com seus heróis enquanto, na vida real, não enxerga a realidade direito. Acaba tudo dando certo no final. O bom de Fanboy é que reúne também informação histórica, valorizando os criadores destes personagens que nos acompanham desde a infância. Quem não gosta de quadrinhos bom sujeito não é. As três revistinhas de Fanboy podem ser encomendadas pela internet. O pacote vem voando, para fazer jus ao tema.
Escrito por goethe às 23h31
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com vocês, o patrono do fiteiro (parte I)

Ele foi um aventureiro. Lutou na Guerra Civil, foi procurar ouro nas Colinas Negras e passou uma temporada em Londres. De volta aos Estados Unidos, trabalhou em jornais, onde destilou toda a sua descrença com a humanidade. Em 1913, partiu para o México, onde lutou na Revolução e provavelmente deve ter sido fuzilado. Carlos Fuentes escreveu “Gringo Viejo” baseado nesta última invenção de Ambrose Bierce. Ele passa a ser o patrono deste fiteiro. Que seu exemplo me faça sempre manter o estoque renovado.

Este livro, publicado em 1973 pela artenova, reúne duas obras fundamentais deste velhinho ousado. “Fábulas Fantásticas” dá outro sentido àquelas historinhas com moral. “Dicionário do Diabo” traz definições geniais de palavras tão embutidas do senso comum. Comprei este exemplar na antiga Livro 7, saudosa livraria da rua Sete de Setembro, no final da década de 80. Quando você podia folhear um livro sem chegar um vendedor perguntando o que eu estava procurando. O pouco que eu vi bastou. Que alguma editora tenha a sensatez de colocar Ambrose Bierce nas prateleiras. Os poucos leitores desta terra agradeceriam.
Escrito por goethe às 23h38
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com vocês, o patrono do fiteiro (parte II)
DO “FÁBULAS FANTÁSTICAS”
O HOMEM SEM INIMIGOS
Uma Pessoa Inofensiva caminhava num lugar público quando foi assaltada por um Estranho e severamente espancada.
Quando o Estranho foi levado ao Tribunal, o queixoso disse ao Juiz:
“Não sei porque fui assaltado; não tenho um só inimigo no mundo”.
“Foi por isso”, explicou o acusado, “que bati nele”.
“Que o prisioneiro seja libertado”, disse o juiz. “Um homem que não tem inimigos também não tem amigos. Os tribunais não são para esses”.
QUESTÃO DE MÉTODO
Um Filósofo, vendo um Tolo espancar um Asno, disse:
“Pára com isso, filho, pára; eu te rogo. Os que recorrem à violência sofrerão violência”.
Respondeu-lhe o Tolo, caprichando no espancamento: “É o que tento ensinar ao animal... que escoiceou”.
Afastando-se, disse o Filósofo para si mesmo: “Não há dúvida de que a sabedoria dos tolos não é mais profunda nem mais verdadeira que a nossa, mas, realmente, parecem ter um modo mais convincente de transmiti-la”.
Escrito por goethe às 23h38
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com vocês, o patrono do fiteiro (parte III)
DO “DICIONÁRIO DO DIABO”
ANGÚSTIA – Doença causada por exposição à prosperidade dos amigos.
ANO – Período de 365 desapontamentos.
BARULHO – Produto principal e sinal autenticador da civilização.
CHATO – Sujeito que fala quando queremos que ouça.
CIRCO – Lugar onde cavalos, cães e elefantes têm permissão para ver homens, mulheres e crianças fazendo o papel de tolos.
DANÇAR – Pular ao som da música, de preferência com os braços em volta da mulher ou da filha do vizinho.
DESCULPAR-SE – Cravar o alicerce para outra ofensa futura.
EGOÍSTA – Pessoa de mau gosto, mais preocupada em si própria do que em nós.
FÉ – Crença sem fundamento no que é contado por alguém que fala sem conhecimento das coisas sem paralelo.
GATO – Um autômato mole e indestrutível, proporcionado pela natureza para ser chutado quando as coisas vão mal no ambiente doméstico.
HISTORIADOR – Boateiro de alto gabarito.
INTÉRPRETE – Alguém que permite a duas pessoas de línguas diferentes se entenderem, repetindo a cada uma o que seria vantajoso para si que a outra dissesse.
JUSTIÇA – Produto que, em condição mais ou menos adulterada, o Estado vende ao cidadão como prêmio à sua fidelidade, aos impostos que paga e aos serviços pessoais que presta.
LONGEVIDADE – Extensão incomum do medo da morte.
MÃO – Singular instrumento usado na extremidade do braço humano e comumente metido no bolso dos outros.
NASCIMENTO – O primeiro e pior de todos os desastres.
ORAR – Pedir que as leis do universo sejam anuladas em favor de um peticionário isolado confessadamente imerecedor.
PACIÊNCIA – Forma menor de desespero, disfarçada como virtude.
QUIROMANCIA – O 947º método de obter dinheiro por simulação.
RACIOCINAR – Pesar as probabilidades na balança do desejo.
SANTO – Um pecador revisto e corrigido.
TELEFONE – Uma invenção do diabo, que anula algumas das vantagens de se manter à distância as pessoas desagradáveis.
UNIVERSALISTA – Aquele que antecipa as vantagens do inferno para os crentes de outra fé.
VENCER – Fazer um inimigo.
ZELO – Certa doença nervosa que aflige os jovens e inexperientes.
Escrito por goethe às 23h36
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discutindo o tema com paixão

Ainda não fui ver Cristo apanhando que só Cristo no filme de Mel Gibson. Mas vou. Porque gosto do assunto (apesar de saber que o herói morre no final) e pela própria polêmica em si. Já fui católico, hoje considero-me autônomo. Mas Paixão de Cristo é tema sagrado, para trocadilhar e manter a tradição. Lembro-me de ter visto vários filmes contando a história de Jesus, de musicais, como Godspell e Jesus Cristo Superstar, até aqueles preto-e-branco em que o sofrimento da cruz parece ser pior ainda. Esbarrei ontem numa matéria da Agência Folha que fala sobre isso. Críticos fazem uma lista dos melhores filmes sobre o homem que mudou nosso calendário. Claro que filmes sérios, porque a Vida de Brian, do Monty Phyton, foi desconsiderado.
Rubens Ewald Filho:
O Rei dos Reis (King of Kings, 1961)
A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest History Ever Told, 1965)
Jesus de Nazaré (Jesus of Nazareth, 1977)
O Evangelho Segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo, 1964)
Sérgio Rizzo
A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest History Ever Told, 1965)
Jesus de Nazaré (Jesus of Nazareth, 1977)
A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988)
Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar, 1973)
José Wilker
O Manto Sagrado (The Robe, 1953)
O Evangelho Segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo, 1964)
A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988)
O Rei dos Reis (King of Kings, 1961)
Jesus de Nazaré (Jesus of Nazareth, 1977)
Pode-se ver nesta lista que Franco Zeffirelli e Pasolini dividem espaço com Scorcese, George Stevens e David Greene. O ecletismo predomina, uma vez que a mesma história tem vários enfoques.
Pra mim, o filme de Mel Gibson é fichinha.
Marcelino Pão e Vinho, filme espanhol de 1955, dirigido por Ladislao Vadja, é imbatível. Era criança e nunca senti tanto horror como nessa história. O menino, Pablito Calvo, faleceu aos 54 anos, em fevereiro de 2000. Que Deus o tenha.

Você tem alguma preferência?
Escrito por goethe às 01h38
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usando o tempo a favor
Aconteceu o seguinte: toda segunda-feira depois de um domingo de trabalho é um martírio. E ainda fui para a Assembléia Legislativa, ver deputado discursar. Para espantar o sono e o enfado, comecei a riscar uns hai-kais engraçadinhos. Para ver como a produção foi boa, imaginem o tempo que fiquei ouvindo besteiras dos engravatados. Resolvi publicar aqui, porque blog é para isso. Como tem tanto livro ruim no mercado, quem sabe, no futuro, eu lanço um só de hai-kais produzidos exclusivamente para o fiteiro. É assim que as coisas acontecem.

democracia:
o deputado discursa
para uma sala vazia

decisão salomônica:
nem fixo, nem celular.
dieta telefônica

paralisada, a estátua
morreu de susto:
a criança tocou-lhe o busto

sua foto digital
é como espelho:
reflete os olhos vermelhos

acertando os ponteiros:
compromisso de viagem,
permanência de solteiros

de um ritmo bailado
surgem na tela
as letras do teclado
Escrito por goethe às 23h17
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para quem está distante

SE OS ENAMORADOS VIVESSEM NA LUA?
Se os enamorados vivessem na lua
nas noites de terra cheia
ele se dariam as mãos
e contemplariam o oceano azul
de nosso planeta
e veriam nele uma infinidade
de estrelas-do-mar
(Jairo Anibal Niño, poeta colombiano)
Escrito por goethe às 01h52
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spanish bombs (homenagem póstuma enviesada)

Spanish songs in Andalucia The shooting sites in the days of '39 Oh, please, leave the vendanna open Fredrico Lorca is dead and gone Bullet holes in the cemetery walls The black cars of the Guardia Civil Spanish bombs on the Costa Rica I'm flying in a DC 10 tonight
[Chorus] Spanish bombs, yo te quiero infinito yo te querda, oh mi corazón Spanish bombs, yo te quiero infinito yo te querda, oh mi corazón
Spanish weeks in my disco casino The freedom fighters died upon the hill They sang the red flag They wore the black one But after they died it was Mockingbird Hill Back home the buses went up in flashes The irish tomb was drenched in blood Spanish bombs shatter the hotels My senorita's rose was nipped in the bud
[Chorus]
The hillsides ring with "Free the people" Or can I hear the echo from the days of '39? With trenches full of poets The ragged army, fixin' bayonets to fight the other line Spanish bombs rock the province I'm hearing music from another time Spanish bombs on the Costa Brava I'm flying in on a DC 10 tonight Spanish songs in Andalucia, Mandolina, oh mi corazón Spanish songs in Granada, oh mi corazón

Escrito por goethe às 00h25
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mais uma semana na lotta

Vai lá, é só um clique: http://www.lottacontinua.blig.ig.com.br
Escrito por goethe às 23h53
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na onda dos poeminhas (de novo)

HAI-KAI DO SÍSIFO
castigo divino?
com certeza
trabalhar no domingo
Escrito por goethe às 15h10
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aviso de utilidade pública

Não foi a primeira vez. Comprar cerveja em loja de conveniência é um risco. O dono, para conveniência dele, coloca latinhas com prazo de validade vencido. Neguim que tá com muita pressa ou muita sede acaba bebendo e depois se dando mal. Antes de comprar, ou melhor, pagar, veja a validade das cervas. As lojas Select, dos postos Shell, são reincidentes. Sempre trocam, mas a culpa fica sempre pro funcionário.
Escrito por goethe às 19h17
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promessa de final de semana

Dias tumultuados como esses merecem uma
cerveja gelada no sábado com uma bela visão.
Casa de Banhos. E priu.
Escrito por goethe às 01h54
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na onda dos poeminhas

HAI-KAI DO NAUFRÁGIO
o barco que comprei
pra chegar até a ilha
não era tamanho família
Escrito por goethe às 01h36
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rádio fiteiro também é cultura


Essa vai dedicada especialmente a Milena, que vive dizendo que a coisa anda russa no trabalho, mas desconta tudo depois com Kel e um bom livro. Nesta ordem, para eu não provocar uma revolução.
Escrito por goethe às 02h07
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lula lalá de novo

E novamente eu esbarro em Lula. Acredito que seja mais o contrário. Depois de Caetés (a terra natal) e Petrolina, agora é Olinda, com direito a Fome Zero. Gosto do presidente, mas não do seu cerimonial. Não esqueço o cercadinho que fizeram quando ele esteve em Caetés para conversar com um agricultor. Ficamos das 9h às 11h pastoreados pela segurança. Terminamos todos, repórteres e fotógrafos, mugindo como gado, para deleite (trocadilho infame, mas tem a ver com o tema) do povo que podia andar por tudo o que era lugar. Somos perigosos assim? Em Petrolina, os desabrigados da chuva também podiam circular entre as autoridades. Acho que o problema é o crachá. Desta vez, por ser uma conferência sobre segurança alimentar, com certeza a segurança será bem maior. Não vão deixar a gente se aproximar da mesa de doces e salgadinhos.
Escrito por goethe às 01h45
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engolindo sapo

a semana promete...
Escrito por goethe às 22h21
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conhece o lotta? então passa lá!

http://www.lottacontinua.blig.ig.com.br
ATENÇÃO, ATENÇÃO!
Pelo menos em dois computadores eu não consegui ver a página atualizada do lotta. Se isto também aconteceu com você, não fique desesperado. A solução é clicar em Página Principal, que fica na parte esquerda do blog, logo abaixo dos arquivos. O problema será resolvido, só não sei quando.
Escrito por goethe às 19h22
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freguês do fiteiro sabe antes

Edição da IstoÉ desta semana traz uma matéria sobre o Rumo.
Até o enfoque é o mesmo.
O fiteiro é vanguarda, mesmo quando fala de coisas do passado.
Escrito por goethe às 19h09
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pro dia nascer feliz

de novo. chega a noite de sexta e o estresse do trabalho me deixa sem dormir. aí eu tive a idéia de buscar uma imagem de insônia para ilustrar este texto. tinha mais fotos de gente do que uma ilustração. e brasileiros como nós. neguim faz uma pose, tira uma fotografia e joga na rede. tem umas coisas muito escabrosas, de perder o sono mesmo. achei este velhinho aí de cima num site picareta que promete acabar com o problema. claro, depois de clicar tanto para testar, não tem ninguém que resista. e por falar nisso, vou dormir. tentar acordar antes das 11h para pegar a sessão de arte no cinema boa vista. escrevi tudo em minúscula para não acordar ninguém. boa noite. quer dizer, bom dia. durmam com os anjinhos que hoje eu prefiro sozinho.
Escrito por goethe às 04h19
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falando de sabato numa sexta-feira

A banca de revistas que eu visito diariamente trouxe esta novidade. Custa R$ 16,99, mas seu valor literário é bem mais do que isto. A coincidência é que, numa conversa via comentários de blog (no caso o de Milena, conexão Maceió-Recife) eu já havia comentado que "Sobre Heróis e Tumbas" iria ser lançado nesta coleção "Grandes Escritores da Atualidade". Já tinha devorado outros livros de Sabato, um argentino que, como pessoa, é uma referência no seu país. Chegou a presidir a comissão nacional que investigava os crimes praticados durante o regime militar de lá. Conhecia "O Túnel" e "O Escritor e Seus Fantasmas", mas nunca havia me deparado com as 623 páginas de sua obra-prima. Comecei a ler quase imediatamente, aproveitando a hora e meia de carro que tive que enfrentar na tarde de ontem. Tive que parar quando li este trecho abaixo. Fiquei olhando os canaviais. Tenho que honrar o Sabato.
I. O DRAGÃO E A PRINCESA (Páginas 29 e 30)
Alejandra olhou-o assustada pelo fato de Martín ainda ter coragem de rir. Mas ao ver suas lágrimas certamente compreendeu que o que estava ouvindo não era riso e sim (como Bruno afirmava) esse som estranho que em certos seres humanos se produz, em ocasiões muito insólitas, e que, talvez pela precariedade da língua, insistimos em classificar de riso ou choro, pois é o resultado de uma combinação monstruosa de fatos suficientemente dolorosos para produzir lágrimas (e até mesmo lágrimas desconsoladas) e de acontecimentos suficientemente grotescos para ser transformados em riso. Do que resulta, assim, uma espécie de manifestação híbrida e terrível, talvez a mais terrível que um ser humano possa ter, e talvez a mais difícil de consolar, devido à intricada mistura que a provoca. E diante dela temos muitas vezes a mesma e contraditória sensação que experimentamos diante de certos corcundas e coxos. As dores foram se acumulando em Martín, uma a uma, sobre seus ombros de menino, como uma carga crescente e desproporcional (e também grotesca), de modo que ele sentia ser necessário mexer-se com cuidado, andando sempre como um equilibrista obrigado a cruzar um abismo sobre um fio de arame, mas com uma carga descomunal e malcheirosa, como se levasse enormes fardos de lixo e excrementos, e macacos se esganiçando, e palhacinhos irriquietos e aos berros, que, enquanto ele concentrava toda a sua atenção em cruzar o abismo sem cair, o abismo negro de sua existência, lhe gritassem coisas ofensivas, caçoassem dele e armassem lá no alto, sobre os fardos de lixo e excrementos, uma algaravia infernal de insultos e sarcasmos. Espetáculo que (a seu ver) devia despertar na platéia um misto de pena e imenso e monstruoso regozijo, de tão tragicômico era; e por isso ele não se considerava no direito de abandonar-se simplesmente ao choro, nem mesmo diante de uma criatura como Alejandra, criatura que ele parecia ter esperado um século; e pensava que tinha o dever, dever quase profissional de um palhaço que sofreu a maior desgraça, de transformar o choro numa careta risonha. Mas, à medida que foi confessando essas poucas palavras-chave a Alejandra, sentiu uma libertação e por instantes pensou que sua careta engraçada podia, afinal, se transformar num choro imenso, suave e convulso, e ele enfim desabar sobre Alejandra como se tivesse conseguido cruzar o abismo. E assim teria feito, assim gostaria de ter feito, meu Deus, mas não fez: apenas inclinou a cabeça para o peito, virando-se para esconder as lágrimas.
Escrito por goethe às 23h41
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assim estava escrito

John Reed viveu pouco, pelo menos cronologicamente. Partiu aos 33 anos. Você pode dizer: a idade de Cristo. O cara não acreditava no Deus católico e lutou para implantar a Justiça social. Conheceu Pancho Villa, no México, testemunhou a revolução que levou os comunistas ao poder na Rússia, a ponto de ser enterrado no Kremlin, ao lado de Lênin. Escreveu um relato sobre o conflito nos Balcãs, que originou a primeira Guerra Mundial. Seu texto continua atual até hoje. John Reed andou pelo mundo, mas encontrou um porto seguro em Lousie Bryant, sua mulher. Este livro, “Eu Vi Um Novo Mundo Nascer”, reúne as melhores reportagens de Reed, mas é num trecho, um pequeno parágrafo, que ele revela sua humanidade. É o que transcrevo a seguir. Quem quiser que leia nas entrelinhas.
QUASE TRINTA (PÁGINA 40)
Ao pensar em tudo isso novamente, não vejo muito o que me agarrar nesses meus 30 anos. Não tenho um Deus, e não quero ter; a fé é apenas outra palavra para o encontro consigo mesmo. Na minha vida, assim como na maioria das vidas, creio eu, o amor tem uma importância enorme. Tive casos amorosos, apaixonante felicidade, terríveis desencontros; magoei profundamente e me senti profundamente magoado. Mas, finalmente, encontrei minha amiga e amante, cúmplice e complacente, tão próxima de mim como qualquer outra jamais esteve. E agora não me importa o que vier.

Escrito por goethe às 05h56
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como engordar comendo folha

E a McDonald’s bem que tentou melhorar sua imagem ampliando seu cardápio com saladas. O molho azedou. O próprio site da rede multinacional reconhece agora que as folhas com molho especial engordam mais do que a carne processada. Uma salada caesar com pedaços de frango tem 18,4 gramas de gordura, enquanto um cheeseburguer apresenta 11,5 gramas. O recomendado de ingestão diária de gordura para uma pessoa adulta é de 95 gramas para o homem e 70 gramas para mulher. E eu, no Carnaval, até que optei por este cardápio pensando ser mais natural. Amo muito tudo isso.
Escrito por goethe às 01h37
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rádio fiteiro de volta, queridos ouvintes

Momento (Uma Espécie de Céu)
(Pedro Abrunhosa ) 2003
Uma espécie de céu, Um pedaço de mar, Uma mão que doeu, Um dia devagar. Um domingo perfeito, Uma toalha no chão, Um caminho cansado, Um traço de avião.
Uma sombra sozinha, Uma luz inquieta, Um desvio na rua, Uma voz de poeta.
Uma garrafa vazia, Um cinzeiro apagado, Um hotel numa esquina, Um sono acordado. Um secreto adeus, Um café a fechar, Um aviso na porta, Um bilhete no ar.
Uma praça aberta, Uma rua perdida, Uma noite encantada Para o resto da vida.
Pedes-me o momento, Agarras as palavras, Escondes-te no tempo Porque o tempo tem asas. Levas a cidade Solta no cabelo, Perdes-te comigo Porque o mundo é um momento.
Uma estrada infinita, Um anúncio discreto, Uma curva fechada, Um poema deserto. Uma cidade distante, Um vestido molhado, Uma chuva divina, Um desejo apertado.
Uma noite esquecida, Uma praia qualquer, Um suspiro escondido Numa pele de mulher.
Um encontro em segredo, Uma duna ancorada, Dois corpos despidos, Abraçados no nada. Uma estrela cadente, Um olhar que se afasta, Um choro escondido Quando um beijo não basta.
Um semáforo aberto, Um adeus para sempre, Uma ferida que dói, Não por fora, por dentro.
Pedes-me o momento, Agarras as palavras, Escondes-te no tempo Porque o tempo tem asas. Levas a cidade Solta no cabelo, Perdes-te comigo Porque o mundo é um momento.
http://www.abrunhosa.oninet.pt/
Escrito por goethe às 01h10
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por mares nunca dantes navegados

Começando com um trocadilho: se fosse com outros atores, esse filme iria por água abaixo. O meu vizinho de cadeira resmungou para a namorada que esperava coisa melhor. Sangue e cabeças cortadas não eram o principal objetivo de Peter Weir quando dirigiu "Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo" (Master and Commander - The Far Side of the World). Sua idéia era mostrar a vida dura dos marinheiros a partir das histórias do escritor Patrick O'Brian. O capitão Jack Aubrey (Russel Crowe) tem uma visão de mundo diferente do médico e naturalista Stephen Maturin (Paul Bettany). O jogo de gato-e-rato entre as embarcações HMS Suprise (inglesa) e Acheron (francesa) garantem as imagens que renderam ao filme o Oscar de fotografia. O Brasil não aparece bem nesta fita de US$ 135 milhões. Pensando bem, não mudou nada nestes séculos todos. Continuamos como paraíso sexual para os europeus. A única mulher do filme é Maria, uma morena que lança olhares nada inocentes para os marinheiros sedentos (olha outro trocadilho). Russel Crowe prova que, mesmo gordo e com a orelha deformada (maquiagem ou defeito físico mesmo?), segura a onda (não dá para segurar mais os trocadilhos). Quem se dá bem é Paul Bettany, que emplaca outro bom papel depois de ter feito Dogville. Podemos dizer que ele mergulhou no trabalho (só mais um trocadilhozinho para encerrar). Última dica. Vá ao banheiro antes de entrar no cinema. Com tanta água na tela o tempo todo, você pode ser obrigado a perder algumas cenas. Questão de sobrevivência...
Escrito por goethe às 19h26
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como os computadores se reproduzem
Escrito por goethe às 00h11
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são pinóquio, padroeiro da internet
Escrito por goethe às 00h05
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novidades no lotta...

mais cinco discos para colocar no balaio
http://www.lottacontinua.blig.ig.com.br
Escrito por goethe às 22h36
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fazendo o dever de casa

O filme passou duas semanas em cartaz, confinado no horário das 14h30 numa sala do Shopping Recife. Fui conferir no sábado passado. Ainda bem, porque já saiu da programação. Quem foi, deu nota 10 para Jack Black. O gordinho de "Alta Fidelidade" dá show nesta fita descompromissada, feita para quem gosta de música. Boa parte do orçamento do filme foi para comprar os direitos autorais das pedradas que o professor "ensina" para a garotada. Tem The Who, The Clash e outras coisas bacanas. Talvez "Escola de Rock" cause mais impacto em que já passou da barreira dos 25 anos. As referências são todas nossas. Nada de Christina Aguilera. O negócio é rock'n'roll. Se perdeu, espere o DVD e, principalmente, a trilha sonora. O essencial pode ser invisível aos olhos, mas faz um bem danado aos ouvidos.
Escrito por goethe às 04h06
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saturday morning...

Trabalho estressante me deixa sem dormir. Resultado: perco as manhãs de sábado dormindo. Diferente de quando era criança, quando este dia era pra começar vendo desenhos animados na televisão antes de sair para aprontar com os amigos. Sinal dos tempos. Pelo menos tem o canal Boomerang para matar a saudade daqueles personagens que hoje são ingênuos para a garotada de granja, essa confinada em apartamentos. Agora sempre dou uma zapeada no canal dos desenhos antigos antes de dormir. Virou o contrário. Vai ver que velhice é isso: fazer a mesma coisa da infância, mas só que de trás pra frente. Rewind na vida. Melhor avançar nas linhas, postar este texto e tentar dormir.
Trilha sonora indicada:

Escrito por goethe às 03h55
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e, nesse momento, na rádio fiteiro...

MEU MUNDO É HOJE
(Wilson Batista/José Batista) 1966
Eu sou assim
quem quiser gostar de mim
eu sou assim
meu mundo é hoje
não existe amanhã pra mim
eu sou assim
e assim morrerei um dia
não levarei arrependimento
nem o peso da hipocrisia
tenho pena daqueles
que se agacham até o chão
enganando a si mesmos
com dinheiro ou posição
nunca tomei parte
deste enorme batalhão
pois sei que além das flores
nada mais vai no caixão
Escrito por goethe às 01h10
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não leia por mim, argentina

Pelo menos em um aspecto os argentinos são show de bola: literatura. Os portenhos se destacam nas letras no nosso continente. Borges, Cortazar, Arlt, Sabato, Puig, verdadeiro escrete de ouro. Mas, atualmente, quem se destaca é Ricardo Piglia, autor deste livrinho, "Formas Breves". Li praticamente tudo o que foi lançado no Brasil deste cara que nasceu em 1940 e professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. "Podem ser lidos como páginas perdidas no diário de um escritor e também como os primeiros ensaios e tentativas de uma biografia futura", diz ele das 120 páginas desta obra. São pequenos textos que tratam exatamente da arte de escrever em pouco espaço. O máximo no mínimo. Como neste blog. Que já encerro por aqui para não ficar prolixo.
NOTAS SOBRE MACEDONIO EM UM DIÁRIO (página 16)
"Não gostava de fazer planos para o futuro e nem que lhe chamassem a atenção para as belezas naturais. Já é bastante difícil, dizia, captar os verdadeiros momentos críticos"
Escrito por goethe às 00h45
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aviso aos navegantes

Mais uma vez Pernambuco aparece na mídia como "terra" dos tubarões. Um prato cheio para fomentar o medo e afastar turistas. Tenha piedade de nós. Agora o jeito é usar repelente ou fazer com que aquele tubarão arrependido de comer carne do "Procurando Nemo" apareça para fazer a cabeça dos colegas deste litoral. Senão estaremos condenados a reprocessar as mesmas informações. E a ficar com medo de entrar na água. Até que um novo corajoso resolva ultrapassar os limites e aparecer morto nos jornais. Spielberg perde.
Escrito por goethe às 19h02
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Como nossos pais

Cheguei do cinema com uma idéia na cabeça. Acabo de assistir a "Big Fish", o novo filme de Tim Burton. É um grande filme, que só terá seu valor reconhecido após alguns anos. Burton continua com seu mundo bizarro, mas soube trabalhar uma história de redenção. E aí é que vem a conexão com "The Barbarian Invasions", do canadense Denys Arcand, que ganhou com folga o Oscar de melhor filme estrangeiro. A princípio, são dois diretores de dois mundos diferentes, mas os roteiros de suas últimas obras guardam semelhanças interessantes.
1) Os filmes tratam da incomunicabilidade entre pais e filhos. Para os filhos, os pais vivem num mundo fantasioso, enquanto eles se encarregam de ganhar dinheiro.
2) Os dois filhos casam-se com estrangeiras e vão morar na Europa, uma forma prática de mostrar a distância que os separa da influência dos velhos.
3) Os pais tornam-se doentes terminais (olha o câncer aí, minha gente!) e aí as mães convocam os filhos para as despedidas.
4) Pais e filhos começam a conversar, os amigos dos coroas reaparecem e eles têm uma morte digna. É na ausência que eles vão se tornar referências para os filhos, que agora entendem a real importância dos pais.
É fórmula para se chorar e, nesse aspecto, tanto Burton quanto Arcand são competentes. Os filmes valem o ingresso.
O que é sintomático é notar que as semelhanças terminam aí. O pai do filme do canadense é um espelho da sua própria geração, desiludida com a batalha perdida da contracultura e do paz & amor. O do filme de Tim Burton é da geração anterior, do sonho norte-americano, onde as pessoas são boas e quem trabalha alcança a felicidade. Nos dois casos, a leitura é de que o mundo em que vivemos é uma merda.
Os dois filmes se completam. Arcand é um mestre das palavras. Seu roteiro privilegia os diálogos e neles notamos como ele bombardeia o modelo que os Estados Unidos conseguiu vender para o mundo. Burton mantém sua crença nas imagens e "Big Fish" é o que ele melhor apresenta como mostruário. Mas é conservador em defender que a felicidade é ter uma casa com piscina. Vai ver que ele, por ter sido pai recentemente, fez uma obra que é mais uma compensação pelo que não teve na infância.
Tava com essa comparação na cabeça. Até que não é tão louca assim. Coisa de cinema.
Escrito por goethe às 00h10
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coisa de cinema

biiinnngggggooooo!!
não é que o senhor dos anéis ganhou tudo?
Escrito por goethe às 01h52
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enquanto isso, no lotta continua...

entre e fique à vontade...
http://www.lottacontinua.blig.ig.com.br
Escrito por goethe às 01h37
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