fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


uma safadeza atrás da outra

Não tem jeito. Talvez eu deva procurar ajuda. Mas não posso deixar de olhar esta foto acima sem deixar de rir com a cara de felicidade do sujeito, que aproveitou a classificação de Portugal para a final da Eurocopa para dar uma acunhada na bela "rapariga". E se for cunhada mesmo, a expressão fica perfeita.



Escrito por goethe às 18h42
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quer sexo? venha ao recife!

Repararam? Não vai ser difícil os pilotos das aeronaves, principalmente as estrangeiras, localizarem o novo Aeroporto dos Guararapes. Principalmente à noite, com tudo iluminado. O risco é o prédio ganhar um apelido, daqueles terminados em ão. Lembrei agora que, por um daqueles golpes de bajulação póstuma, o aeroporto recebeu o nome de Gilberto Freyre. Vai ver foi por isso, já que o velhinho narrava safadezas históricas. Recife tem fama de ser uma das capitais de turismo sexual no Nordeste. Pelo novo portão de entradas (e de saídas também) vai deixar de ser a Veneza Brasileira para ser a Amsterdã tupiniquim. Requisitos nós temos, graças a Nassau e companhia. Sem falar na maconha. Pelo menos os arquitetos da nova obra fizeram justiça. Porque Recife estava sendo conhecido somente por outra peça, fincada bem na parte histórica: o "mondrongo de Brennand".

Agora tem para todo gosto. Welcome.



Escrito por goethe às 00h55
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não tenho culpa do meu faro para pechinchas

  

Quem frequenta esta humilde morada já percebeu que não resisto a uma boa promoção, principalmente em artigos culturais. Mesmo com uma fila de livros esperando término, coloquei mais três na sacola. Cada um custou R$ 9,90, uma pechincha em se tratando de exemplares novos. Saí na segunda-feira carregando este peso pelo Centro (a Imperatriz está vendendo estes e outros títulos, a maioria da Companhia das Letras, o que já é chancela de qualidade). Como cortesia, um breve resumo.

1) OS ELEITOS (Tom Wolfe) - O jornalista Tom Wolfe usa recursos literários para contar a história dos sete pilotos de caça convocados para dar início, nos primórdios da década de 60, ao programa espacial norte-americano. Para quem trabalha na área, é um bom instrumento para estudo. Este livro, publicado originalmente em 1979, serviu de base para um filme bastante recomendável. Meu objetivo primordial é analisar o estilo do autor, um dos seguidores do new journalism. Coisa fina.

2) ASFALTO SELVAGEM - ENGRAÇADINHA (Nelson Rodrigues) - Os 112 capítulos desta obra foram publicados originalmente no jornal carioca Última Hora, de agosto de 1959 a fevereiro de 1960. Esta edição da Companhia das Letras dá o tom definitivo das aventuras da protagonista, sem os erros acumulados pela pressa do prazo curto que o mestre nascido em Pernambuco dispunha na época. Também existe um filme com esta história, onde Lucélia Santos faz o papel principal e enfrenta o Cadelão. Não viu?

3) OS ESCOMBROS E O MITO - A CULTURA E O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA (Boris Schnaderman) - Professor de russo e teoria literária da Universidade de São Paulo, Boris traça um painel sobre a produção cultural no período comunista. Traça pequenos perfis de escritores e seu destino diante de uma realidade controlada. Muitos intelectuais da época foram perseguidos, principalmente no período de Stalin, porque não se adequavam ao padrão estabelecido. Agora pode-se contar a história. E ter acesso a um mundo que já nos deu Tolstoi e Dostoiévski.

P.S. Minha meta é um livro por semana. Acabei ontem mais um: NOITES TROPICAIS (Nelson Motta). Para quem gosta de música é bom saber de detalhes de quem viu vários movimentos surgirem, como a Bossa Nova e o Tropicalismo. Mas se tem uma coisa que me irritou foi o fato do autor não fazer uma boa revisão. Em todo o livro pulula a expressão "...e a multidão pulou feito pipoca". Vai ver estava fazendo propaganda subliminar da Karintó.



Escrito por goethe às 00h18
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hai-kai da solucionática

como tornar fácil

a ameaça difícil?

simples retorno ao princípio



Escrito por goethe às 18h38
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espinha ereta, coração tranquilo e barriga cheia

Noite de segunda-feira, fomos eu e meu amigo Luiz para o Central, um bar recém-inaugurado no centro decadente do Recife. Lá, num ambiente bem cuidado, acabei sabendo das peripécias do amigo nas férias, quando ele cruzou a fronteira e tomou umas carraspanas no Uruguai. Depois de três chopes, hora de experimentar o cardápio. Entre as opções, comida indiana. Arroz com limão, chutney de abacaxi, almôndegas de legumes e pão. Boa opção para começar a semana. Sobre o Central, maiores informações no blog da Rainha do Maracatu Roubada de Ouro (http://www.enlouquecer.blogspot.com/). Quem puder que experimente.



Escrito por goethe às 18h21
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nada como uma semana após a outra...

... porque sempre tem novidade no lotta!

http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 23h22
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resolução de meio de ano

Decidi mesmo terminar todos os livros que ficaram pela metade. São muitos, porque sempre encontro algo interessante para folhear (quase sempre em promoção, para se ressaltar). Sábado, dia de mais chuva, finalizei "Eichmann em Jerusalém - Um Estudo Sobre a Banalidade do Mal", da jornalista e filósofa Hannah Arendt. Judia de família alemã, nascida em 1906, refugiou-se em 1941 nos Estados Unidos, fugindo da perseguição nazista. Em 1961, ela foi para Israel, como correspondente da revista The New Yorker para o julgamento de Adolf Eichmann. Raptado em Buenos Aires, na Argentina, no ano anterior, onde vivia com nome falso, Eichmann era o oficial da SS responsável pelo transporte dos judeus aos campos de extermínio. O governo israelense tencionava fazer do julgamento um grande fato internacional, mas o tiro acabou saindo pela culatra. Eichmann sempre argumentou que apenas cumpria ordens e Hannah Arendt demonstra, neste livro, que o monstro está justamente no risco de qualquer pessoa comum cometer o mal extremo. O julgamento durou quase dois anos e Eichmann acabou enforcado. Mas serviu para mostrar que vários judeus também colaboraram para o extermínio de seu próprio povo. Perturbador.



Escrito por goethe às 01h26
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aracy de almeida e olivia byington são coisas nossas

 =

Lançado em 1997 e considerado um dos melhores discos daquele ano, "A Dama do Encantado" é, para mim, um item básico na discoteca de quem valoriza a música brasileira. Olivia Byington consegue incorporar a alma de Aracy de Almeida, a primeira e favorita intérprete da obra de Noel Rosa. O resgate é fundamental, porque a nossa memória nos trai, associando Aracy àquela velha rabugenta que só dava apenas "cinco mangos" para os candidatos do "Show de Calouros" do Silvio Santos. O disco da Olivia traz 20 sambas das décadas de 30 e 40, devidamente interpretados pela cantora e uma banda de respeito, liderada por Maurício Carrilho. A gravadora Biscoito Fino bancou o relançamento, mas acho que a capa original era bem melhor, ilustrando a "metamorfose" de Olivia em Aracy. Ainda assim vale a pena.



Escrito por goethe às 20h03
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desejo de um trabalhador de domingo...



Escrito por goethe às 15h30
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hai-kai do retorno

Era forte, hoje é pequena

e ainda assim esta onda

quando bate me arrebenta



Escrito por goethe às 21h40
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o melhor som do cinema depois do barulhinho de pipoca

"Over the Rainbow", do Mágico de Oz (1939), foi escolhida a melhor canção da história do cinema norte-americano. O critério lá é deles. Para quem gosta de imagem e som, segue a relação das mais votadas:

"As Time Goes By" (Casablanca)

"Singin' in the Rain" (Cantando na Chuva)

"Moon River" (Bonequinha de Luxo)

"White Christmas" (Duas Semanas de Prazer)

"Ms. Robinson"  (A Primeira Noite de Um Homem)

"When You Wish Upon a Star" (Pinóquio)

"The Way We Were" (Nosso Amor de Ontem)

"Stayin' Alive", (Embalos de Sábado a Noite)



Escrito por goethe às 21h19
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quem é aquela grande atriz do final de novela?

Primeiro, um esclarecimento: escrevo em tempo real falando de um capítulo final de novela porque estou no trabalho. Metade das pessoas que não fazem nada no momento está ligada na trama da telinha. Eu não posso nem escapar, porque o som da televisão está no máximo.

E aí, meus caros amigos, é que está divertido. Novela mexicana perde. Enredo fajuto, interpretações precárias. O mais hilariante foi o confronto entre os vilões. A menina pequena que foi raptada chorando e depois fazendo caras e bocas revelou-se como a melhor performance. É ver e morrer de rir.

A Globo tentou de tudo para criar uma comoção nacional com uma novela. Se muita gente passar mal, é por causa da comédia involutária. Bem-feito.



Escrito por goethe às 20h53
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poesia ligeiramente concreta

1. alforria

2. asno

3. cilindro

4. gelada

5. marcador

6. parapente

7. porquanto

8. pendida

9. potros

10. protege

11. prometida

12. reduzida

13. semanas

14. refleti

15. rato

16. xadrez

Modo de Usar: Com cada palavra obtida através de palavras-chave no envio de mensagens nos blogs de amigos, monte uma estrutura concreta. Leia em várias sequências até ficar ligeiramente tonto. Tome um copo d'água e peça ajuda. Ou melhor, procure emprego na construção civil. Do alto de um prédio, tudo vai ficar mais claro.



Escrito por goethe às 15h58
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future's so brigth, i gotta wear shades

"Things are going great, and they're only getting better
I'm doing all right, getting good grades
The future's so bright, I gotta wear shades"

Notaram a coincidência? É o terceiro post consecutivo onde aparece um burro. Só falta jogar no bicho e ficar rico pra burro. É o que vou fazer. Mas, na verdade, esta música originou tudo. Consegui encontrá-la na internet e fazer o download. E agora estou ouvindo-a repetidamente. Timbuk 3 era uma dupla que fez um relativo sucesso no meio alternativo na década de 80. Comprei um disco importado e, como todo canceriano besta (burro?), emprestei-o. "Future's So Bright" é um hino. Ou um mantra.



Escrito por goethe às 01h06
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pra ficar verde de inveja

Dificilmente uma continuação consegue segurar o ritmo de um bom filme de estréia. Vai ver por causa da química dos atores. Com animação computadorizada, não há esse problema. E Shrek 2 vale cada centavo do ingresso. Não vou falar do enredo para não estragar as piadas. Mas um filme que apresenta Capitão Gancho ao piano interpretando Tom Waits e Nick Cave não pode naufragar. Onde sabemos que Pinóquio é um cara-de-pau mesmo. E que qualquer maneira de amor vale a pena. Mesmo que seja apenas no desenho.



Escrito por goethe às 00h48
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isso é coisa de ludmila

Agora o Uol inventou de você ter que digitar uma palavra depois de escrever um comentário nos blogs amigos. No de Ludmila, a mulher imoral, caiu de aparecer "asno" para mim. Ela negou alguma participação no ocorrido. Vou fazer uma poesia concreta amanhã, colocando os termos que surgirem após entrar em todos os sites da lista ao lado (aliás, recomendo todos). E, para marcar minha revolta, vou agora assistir Shrek 2. Pelo menos no cinema vai ter um burro de verdade.



Escrito por goethe às 17h07
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hai-kai clariciano

mulheres levam vantagem

literária neste aspecto:

conseguem entender lispector



Escrito por goethe às 23h54
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temporada de inverno no lotta

Seleção especial para dias de chuva...

http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 17h48
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uma vida em poucas linhas

Primo Levi - 1919/1989

Se não me defendo, quem me defenderá?

Se não for assim, como será?

E se não agora, quando?



Escrito por goethe às 17h32
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céu de estrelas, sem destino

Pelo menos no Nordeste, esta semana é de festa, a principal do ciclo junino. Da devoção dos santos, o povo se encarregou de torná-los mais próximos, quase parentes. No sincretismo então, eles se transformam em orixás de respeito. Santo Antônio, protetor dos pobres e casamenteiro corresponde a Ogum. São João, dono da festa, é Xangô. São Pedro, protetor dos viúvos, dos pescadores, dono das chuvas e chaveiro do céu, atende por Exu. Que todos nos pretejam. Saravámem.



Escrito por goethe às 00h06
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now and forever

Foi Paul quem fez aniversário recentemente, mas ainda prefiro John. Ainda mais com este DVD, que continua sendo um grande presente. Ele está bem vivo nestes 20 clipes (podemos chamar assim?) e em mais seis músicas extras. Verdadeiro Working Class Hero. Nestes dias de chuva, parceria perfeita. Lennon e Yoko. O sonho possível. Até a bala chegar. Mas a sobrevivência é possível na arte.(Just Like) Starting Over.



Escrito por goethe às 22h46
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retrato do artista quando jovem

 

"Num almoço com Chico num restaurante na Praça Quinze, no Centro da Cidade, depois de cobrir para o JB a gravação de seu precoce depoimento histórico para o Museu da Imagem e do Som, ele me falou da música que tinha inscrito no festival da Record. Chico tinha 23 anos e parecia assustado com a 'Chicomania': unanimidade nacional, ele vivia sob intensas e cada vez maiores pressões e expectativas, de mais e melhores músicas, de atitudes e declarações fortes. Para alguém discreto e reservado como ele, era terrível ter sua intimidade devassada e todos os seus menores passos fotografados e descritos todos os dias nos jornais. Era um desconforto se apresentar na televisão, um tormento fazer shows ao vivo, nervoso, bebendo, com medo de esquecer as letras, desafinar, errar no violão. Ele não dizia, mas se incomodava com a sensação de que cada um queria um pedaço dele, a televisão, as gravadoras, a imprensa, os amigos e inimigos."



Escrito por goethe às 19h56
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algo que jamais se esclareceu

Inverno

(Adriana Calcanhoto/Antonio Cícero)

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial


Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei?

Lá mesmo esqueci
Que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso, só
Sem amarras, barco embriagado ao mar


Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
Reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes do ocidente se assombrar


O que tem essa música com o livro acima? Culpa de Antonio Cícero, o letrista desta canção, aliás a única que gosto de Calcanhoto. Nestes dias em que chove sem parar no Recife, me bateu uma vontade de ouvi-la. Sim, tem o inverno glacial do Leblon, o local onde foi gravado o clipe eu reconheci de primeira. Mas tem também a citação do leão do livro de Michael Ende, com quem Bastian/Atreyu trava amizade no deserto. O leão condenado a, durante o dia, tornar-se estátua. Se você não leu o livro, perde bastante do sentido da letra. Não custa lembrar que existe um filme, de 1984, mas a imagem, pelo menos para mim, não supera o texto. As sutilezas não-visíveis. E viva a imaginação. O inverno? Este passa logo.



Escrito por goethe às 01h31
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quadrinha niilista

eu não sei o que deus sabe

mas ele sabe tudo de mim

que graça tem esta história

se só ele conhece o fim?



Escrito por goethe às 14h36
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decifra-me ou devoro-te

Madonna agora quer ser chamada de Esther...



Escrito por goethe às 14h32
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nostalgia atemporal

Esta chuva sem parar está me deixando com nostalgia. Já ouvi um bocado de discos que nunca mais tinham saído da caixa de plástico do CD. Agora estou folheando livros de fotografia. Vendo esta aqui, do Recife do século XIX, bateu a vontade de andar por esta rua. Não há nenhuma identificação dela. O autor da imagem, datada de 1895, é Maurício Lamberg, que também, no mesmo ano, fez esta abaixo da ponte Princesa Isabel, com o teatro ao fundo.

O suíço Guilherme Gaensly também fotografou o Recife nesta época. É dele esta imagem da Ponte Provisória, com os barcos ancorados, datada de 1875. Do tempo em que o Recife era navegável. Ou viável. 



Escrito por goethe às 01h34
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manual para habitantes das cidades

Bertolt Brecht - 1898/1956

 

 

APAGUE AS PEGADAS

Separe-se de seus amigos na estação

De manhã vá à cidade com o casaco abotoado

Procure alojamento e quando seu camarada bater:

Não, oh, não abra a porta

Mas sim

Apague as pegadas!

 

Se encontrar seus pais na cidade de Hamburgo

ou em outro lugar

Passe por eles como um estranho, vire na esquina,

não os reconheça

Abaixe sobre o rosto o chapéu que eles lhe deram

Não, oh, não mostre seu rosto

Mas sim

Apague as pegadas!

 

Coma a carne que aí está. Não poupe.

Entre em qualquer casa quando chover,

sente em qualquer cadeira

Mas não permaneça sentado. E não esqueça seu chapéu.

Estou lhe dizendo:

Apague as pegadas!

 

O que você disser, não diga duas vezes.

Encontrando o seu pensamento em outra pessoa:

Negue-o

Quem não escreveu sua assinatura,

quem não deixou retrato

Quem não estava presente, quem nada falou

Como poderão apanhá-lo?

Apague as pegadas!

 

Cuide, quando pensar em morrer

Para que não haja sepultura revelando onde jaz

Com uma clara inscrição a lhe denunciar

E o ano de sua morte a lhe entregar

Mais uma vez:

Apague as pegadas!

(Assim me foi ensinado)



Escrito por goethe às 23h32
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sexo, droga e algum rock'n'roll

Cinema cheio para ver "Cazuza". A cinebiografia, coisa rara em se tratando de Brasil e, principalmente, de ídolos pop, até que não é tão ruim. As músicas dele sobreviveram ao tempo, que não parou desde a época em que se usava jeans, bandana e tênis all-star. O melhor é a interpretação do ator, Daniel de Oliveira, que chega até a cantar em algumas cenas, sem comprometer o resultado. Agora, sinceramente, fica difícil aturar quase uma hora e meio de filme vendo Cazuza se comportar como profeta e filósofo, cheio de frases de efeito. Saí da sala com a sensação de que o cantor era um bêbado chato. É fácil ser rebelde quando o pai paga as contas e a mãe segura as pontas. Ideologia: quero uma para viver.



Escrito por goethe às 02h52
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cesta de cinco pontos

E o Detroit Pistons bateu ontem à noite o Los Angeles Lakers e, merecidamente, levou o título de campeão da NBA deste ano. No intervalo da partida, entram na quadra cinco quase velhinhos. Eram os remanescentes do grupo Temptations. Foi um show rápido, só para lembrar que Detroit é a terra da Motown, a gravadora que redefiniu a black music no final da década de 60. Foi bom vê-los em ação, cantando e dançando, principalmente na interpretação de "Get Ready". O que prova que, na música e no basquete, vence quem trabalha em equipe.

"Inicialmente batizados de The Primes, os Temptations se orgulhavam de serem o único grupo vocal formado por cinco solistas. Eddie Kendricks, Paul Williams, Otis Williams, Melvin Franklin e Eldridge Bryant revezavam-se no liderança de músicas como “The Way You Do The Things You”, “My Girl”, “Get Ready”, “Beauty is Only Skin Deep”. Com a saída de Bryant para a entrada de David Ruffin, o grupo passou a ser orientado por Norman Whitfield. Como compositor e produtor, ele jogou os Temptations em outra dimensão. O lado romântico se manteve em músicas como “Just My Imagination”, mas o lado experimental tomou conta, a exemplo da introdução de “Papa Was a Rolling Stone”. Boa parte do melhor da produção dos Temptations está neste CD. São 20 músicas que mostram a trajetória de um dos maiores nomes da black music de todos os tempos."

Assim estava escrito no lotta.



Escrito por goethe às 02h40
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no varal do lotta tem peça nova

Mesmo com atraso, ainda vale a visita da semana...

http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 01h42
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da série retratos digitais urbanos

Problema em Caruaru pode ser falta de assunto, mas não de comunicação...



Escrito por goethe às 01h27
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negócio da china

Às vezes, a realidade supera muita ficção. Hong Xiuqan, nascido no início do século XIX, depois de ler trechos bíblicos traduzidos para o chinês, cismou de que era o irmão de Jesus e tinha uma missão: combater os demônios e trazer de volta o Paraíso à Terra para seus seguidores. No final da década de 1840, ele já havia conseguido arrebanhar um exército forte, estimado em 100 mil pessoas, a ponto de, em 1853, conquistar a cidade de Nanquim. Até 1864, Hong Xiuqan estabeleceu lá a sua Nova Jerusalém, até ser derrotado pela dinastia manchu. Seria o Rei Celestial, como ele próprio se entitulou, uma espécie de Antônio Conselheiro chinês. Estima-se que, neste período de guerras, pelo menos dois milhões de pessoas teriam sucumbido de ferimentos ou de inanição.

Esta história é contada neste livro, "O Filho Chinês de Deus", do pesquisador norte-americano Jonathan Spence. Para variar, mais uma boa promoção. São 350 páginas numa edição com mapas e reproduções de época. Coisa de outro mundo.



Escrito por goethe às 01h17
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hai-kai de segunda

mesma melancolia:

cabeça cheia de idéia

e a geladeira vazia



Escrito por goethe às 00h52
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pra gostar de ler

  

Sábado, dia dos namorados, fui ao Tacaruna. Acabei me presenteando com três livros. Como sempre, em promoção. Custaram R$ 9,89 cada. Valem cada centavo. Primeiro, por serem novos e em edição bem caprichada da Companhia das Letras. Segundo, pelos assuntos.

O Livro das Frutas, de Jane Grigsen, é um tratado de quase 600 páginas sobre o prazer das frutas, história de seu cultivo e receitas. É delicioso, literalmente. Nesta edição nacional, foram incluídas algumas espécies que não estão nas feiras inglesas, como o sapoti. É para descascar aos poucos, sentindo o cheiro de papel novo.

O Flerte, do também inglês Adam Phillips, é uma coleção de ensaios e conferências feitas pelo psicanalista que procura tornar o assunto acessível para os pobres mortais. E consegue. A paquera, para usar um termo mais local, é um enigma. Dar o passo seguinte são outros quinhentos. Até Freud tratou do assunto. E em época dos namorados, nada mais sutil do que colocar este título em promoção. Mas o flerte aqui é mais geral. É o inesperado, o futuro, o precário. As nossas decisões. Só lendo para entender.

Ka, do italiano Roberto Calasso, é um livro que tenta compilar em uma história as várias narrativas tradicionais hindus. São 340 páginas de texto e mais 50 de índice onomástico, tal a profusão de personagens. Quem gosta se deleita. Quem é Ka? Ka é o nome secreto de Prajápati, o Progenitor. Ka significa “Quem?” – e é a última pergunta que se faz depois que todas as outras já foram feitas. Entendeu?



Escrito por goethe às 23h34
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hang the dj

Para quem está interessado no que aconteceu na sexta-feira, a novela foi a seguinte: cheguei no local por volta das 22h, uma hora antes do previsto, para resolver qualquer contratempo. E houve mesmo. O responsável pelo bar foi logo me perguntando se eu ia botar o som. Respondi que sim. Ele perguntou também se eu havia trazido um aparelho de CD. Disse que não, só estava com meus discos na mochila. Com um player só não daria pra fazer festa. Saí correndo atrás de um táxi, gastei um dinheiro inesperado, fui em casa e peguei meu discman. E ainda um cabo para conexão, porque o bar não tinha. Voltei esbaforido e o dono do bar me joga a aparelhagem toda para eu montar. Isto não estava previsto no contrato que não houve. Ok, vamos lá. Tudo montado em duas mesas, fio para todo lado, chega o segundo cara que também vai colocar som. Dou início ao repertório na maior dificuldade. No escuro, fica difícil ver o tempo das faixas e escolher a próxima música. Ainda mais quando o outro fica exatamente entre o único foco de luz e você. Como se não bastasse, ainda fica dando dicas, geralmente de coisas que você odeia. O pior é quando o player do bar, por ser velho, começa a recusar os discos que eu gravei. Aí foi demais, entreguei os pontos depois de 45 minutos e fui beber chope. Improviso só em gravação de jazz.



Escrito por goethe às 22h24
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mensagem interplanetária

Hoje é noite de festa e, como bom "botador de música", preparei um repertório especial para a véspera do dia dos namorados. A relação abaixo traz apenas as novidades baixadas nas últimas duas semanas. Tem coisas legais que recomendo. Desde a volta de Prince à boa forma até as novidades do bom e velho rock'n'roll, como Jet, Franz Ferdinand e The Zutons. Quase certo também de eu colocar para tocar um cover dos Smiths, bem defendida por uma banda chamada Deluxe. No mais, boas misturas feitas pelos 2 Many DJs e Basement Jaxx. O toque latino é garantido por um remix dos Orishas e a versão bem-humorada do clássico do Deep Purple pelo Señor Coconut. Quem puder ir hoje ao London Pub pode conferir estas "pedras". E depois ainda tem Trash Dance, com os sucessos escabrosos de todas as décadas. Fim da transmissão.

 

Musicology (Prince) 4:22/Move Your Feet (Junior Senior) 3:01/Zuton Fever (The Zutons) 3:08/Shopping For Blood (Franz Ferdinand) 3:34/Filthy & Gorgeous (Scissor Sisters) 3:52/Don't Let Me Be Misunderstood (Santa Esmeralda) 10:28/Intergalactic (Beastie Boys vs INXS vs ACDC) 3:05/Bootleg - Nirvana/Destiny Child (2 Many DJs) 3:26/Amor A 3 (Stereo Total) 3:14/Tumba (Angelique Kidjo) 3:16/Dejate Llevar (Ariana Puello Y Orishas) 3:47/Where's Your Hat At? (Basement Jaxx) 5:11/Seven Nation Army (White Stripes) 3:50/Seven Nation Army Remix (White Stripes) 7:02/Are You Gonna Be My Girl? (Jet) 3:33/Magnificent Romeo (Basement Jaxx vs The Clash) 3:42/I'm A Slave (Britney Spears vs Felix Da Housecat) 3:28/Like A Virgin (Marilyn Manson & Nine Inch Nails) 7:42/Comfortable Numb (Scissor Sisters) 4:26/Robotfunk (Golden Shower) 6:49/Tintarella Di Luna (Stereo Total) 2:35/There Is Light That Never Goes Out (Deluxe) 4:08/Humo En El Agua (Señor Coconut) 4:46



Escrito por goethe às 02h06
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what i say?

E Ray Charles, aos 73 anos, partiu hoje desta para a outra dimensão. Deixou a sua marca em uma carreira repleta de sucessos, mesclando country, jazz, big band, blues, pioneiro de um estilo que acabaria se chamando soul. E alma o artista, que ficou cego aos sete anos de idade, consequência de um glaucoma, tinha de sobra. Negro, lutou contra o preconceito racial. A melhor homenagem é ouvir suas músicas não com tristeza, mas com a alegria característica que ele esbanjava ao vivo. Aliás, aos vivos. Viva Charles, ele é nosso Ray.



Escrito por goethe às 17h55
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porque o momento pede poesia

Emily Dickinson (1830-1886)

Passou quase toda sua vida na pequena cidade de Amherst, Massachusetts. Ganha prêmios de culinária. Arruma suas poesias em pacotinhos amarrados com barbante. Sua linguagem tem poder universal. A imortalidade era um de seus temas prediletos. Sua obra é publicada toda praticamente de forma póstuma. Será que ela sabia que era este o seu destino? “Viver é assombroso, nem deixa lugar para outra ocupação”.


Morri pela Beleza, mas na tumba

Mal me tinha acomodado

Quando outro, que morreu pela Verdade,

Puseram na tumba ao lado.

 

Baixinho perguntou por que eu morrera.

Repliquei, “Pela Beleza” –

“E eu, pela verdade” – ambas a mesma –

e nós, irmãos com certeza.

 

Como parentes que pernoitam juntos,

De um quarto a outro conversamos –

Até que o musgo alcançou nossos lábios

E encobriu os nossos nomes.



“Escolho-te?” indaga o poeta

À palavra antes proposta –

“Fique ali com as candidatas,

Até que eu ponha à prova”.

 

Consulta a Filologia –

Quando vai ser convocada

A candidata em suspenso,

Entra sem ser chamada

 

A parcela da Visão

Que meu mundo pede e espera –

Não vem por nomeação –

O Anjo é que a revela.



Escrito por goethe às 23h30
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um pato vinha cantando alegremente...

O Pato Donald chegou aos 70 anos. Acusado de politicamente incorreto, perdeu espaço nas últimas décadas depois da invasão dos quadrinhos japoneses, das legiões de super-heróis e das temáticas mais próximas da realidade. Quem passou ou está chegando nos trinta viveu bons momentos com os gibis da turma de Patópolis. Ficamos piores com isso?



Escrito por goethe às 15h08
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relembrando o nascimento de weegee, o famoso

Nascido na Áustria em 12 de junho de 1899, Usher Fellig foi para Nova York quando tinha dez anos de idade. O escritório de emigração mudou seu nome de Usher para Arthur. Judeu, passou por vários empregos até se tornar fotógrafo. Adotou o pseudônimo de Weegee, The Famous e passou a vender fotos para os jornais. Seu trabalho era chegar antes da polícia para flagrar os assassinatos, as brigas de rua, os incêndios. Enquanto ganhava o pão desta forma, Weegee também retratava o circo da vida. Garotos tomando banho de hidrante na rua, pessoas se beijando no cinema, celebrações de virada de ano. Ele sabia que era arte, mas os editores achavam que seu trabalho era mesmo de retratar o submundo.

Quando Weegee morreu, deixou como legado cerca de 5 mil negativos. Em 1945, conseguiu publicar o primeiro dos cinco livros com suas fotos. Entre 1948 e 1952 morou em Hollywood, onde chegou a trabalhar como ator e consultor técnico em alguns filmes. Em 1958, Peter Sellers teria confidenciado que seu papel em Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, foi resultado da observação do gestual de Weegee. Em 1959, recebeu um convite para ensinar fotografia na União Soviética. Morreu nove anos depois, vítima de tumor cerebral. Suas fotografias, que eram vendidas a US$ 5,00 para os editores de jornal, passaram a ser mais valorizadas.

Existe um filme estrelado por Joe Pesci que é baseado na vida de Weegee. Chama-se "Testemunha Ocular" (The Public Eye), de 1992. Altamente recomendado como diversão.

Quem quiser conhecer mais sobre Weegee e sua obra pode se enveredar neste site: http://www.icp.org/weegee/ 



Escrito por goethe às 01h05
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rádio fiteiro em tempo de chuva forte

YOU´RE A BIG GIRL NOW

(Bob Dylan)

 

Our conversation was short and sweet
It nearly swept me off-a my feet.
And I'm back in the rain, oh, oh,
And you are on dry land.
You made it there somehow
You're a big girl now.

Bird on the horizon, sittin' on a fence,
He's singin' his song for me at his own expense.
And I'm just like that bird, oh, oh,
Singin' just for you.
I hope that you can hear,
Hear me singin' through these tears.

Love is so simple, to quote a phrase,
You've known it all the time, I'm learnin' it these days.
Oh, I know where I can find you, oh, oh,
In somebody's room.
It's a price I have to pay
You're a big girl all the way.


Time is a jet plane, it moves too fast
Oh, but what a shame if all we've shared can't last.
I can change, I swear, oh, oh,
See what you can do.
I can make it through,
You can make it too.


A change in the weather is known to be extreme
But what's the sense of changing horses in midstream?
I'm going out of my mind, oh, oh,
With a pain that stops and starts
Like a corkscrew to my heart
Ever since we've been apart.



Escrito por goethe às 17h40
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o freguês já conferiu?

Prateleira renovada: http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 21h25
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dia d (parte I)

Há 60 anos, o fotógrafo Robert Capa desembarcava na Normandia, acompanhando uma leva de soldados norte-americanos, canadenses e britânicos que enfrentaram os disparos de metralhadora das fortificações alemãs ao longo de 90 quilômetros de litoral francês. Com três máquinas penduradas no pescoço, foi o único a entrar na frente de batalha neste dia. Ao todo, 175 mil homens enfrentaram o inferno, dos quais cinco mil saíram mortos e feridos. A abertura do filme "Em Busca do Soldado Ryan", de Spielberg, mostra bem o horror. Onze meses depois, as forças de Hitler foram expulsas da França. O mapa do mundo como conhecemos hoje começou neste dia. É sintomático que, nas comemorações da data, Bush tente fazer uma ligação do desembarque na Normandia com a invasão ao Iraque. Não vai conseguir. Os veteranos de uma guerra de verdade merecem respeito.



Escrito por goethe às 03h51
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dia d (parte II)

 

Publicações sobre o Dia D são raras nas bancas de revistas. Selecionei duas. A primeira, da National Geographic Brasil, foi publicada em junho de 2002 e traz um extenso material sobre o desembarque das tropas na Normandia. Até reproduções dos mapas que os soldados levavam para não errar o ponto de ataque.

A edição extra da Super Interessante está novinha. Pode ser encontrada e recomendo a sua aquisição. Tem um bom material sobre todo o conflito, inclusive com fotos de Robert Capa, infográficos e tudo que se possa imaginar para entender a guerra que mudou a cara do mundo. É para ler de uma vez só, do início ao fim.



Escrito por goethe às 03h39
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o imprevisível prévert

Jacques Prévert (1900-1997)

Autor de diálogos de filmes, compositor, companheiro dos surrealistas, provocador, criador de contos infantis. O revoltado que tinha verdadeiro horror às instituições e que hoje batiza com seu nome alguns colégios e liceus na França. O homem que fazia do bom-humor uma arma quente. Um poeta.


NA LOJA DE FLORES

Um homem entra na loja de flores

E escolhe flores

A florista embrulha as flores

O homem enfia a mão no bolso

Para pegar o dinheiro

Dinheiro para pagar as flores

Mas de repente e ao mesmo tempo

Ele põe

A mão no coração

E cai

Enquanto cai

O dinheiro roda por terra

E depois as flores caem

Ao mesmo tempo que o homem

Ao mesmo tempo que o dinheiro

E a florista fica ali

Vendo o dinheiro que roda

As flores que murcham

O homem que morre

Tudo isso é muito triste é claro

E é preciso que ela faça alguma coisa

A florista

Não sabe o que fazer

Não sabe

Por onde começar.

 

Há tantas coisas por fazer

Pelo homem que morre

Pelas flores que murcham

E com o dinheiro

Esse dinheiro que roda

Que não pára de rodar.

 

A FELICIDADE DE UNS

Peixes amigos amados

Amantes dos que foram pescados em tamanha quantidade

Vocês assistiram a esta calamidade

A esta coisa horrível

A esta coisa terrível

A este tremor de terra

A pesca milagrosa

Peixes amigos amados

Amantes dos que foram pescados em tamanha quantidade

Dos que foram pescados cozidos comidos

Peixes... peixes... peixes...

Como vocês devem ter rido

No dia da crucificação.



Escrito por goethe às 18h33
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cinema, futebol e cerveja

Jano é um desenhista francês que esteve no Rio de Janeiro em 2000, fazendo um retrato da cidade para mais um livro da sua série Cadernos de Viagem. As paisagens permanecem as mesmas, mas as pessoas são retratadas como animais. É o traço característico da obra dele. Meninos de rua tornam-se, então, leopardos. Os nordestinos da Feira de São Cristovão têm aparência de coiotes. O documentário Rio de Jano que passou na mostra do Teatro Apolo flagra o artista no seu processo de criação. É interessante ver como ele percebe o jeito brasileiro de ser. Foi um bom início de noite de quinta-feira, que ainda teve futebol (transferido da quarta por causa do jogo Brasil x Argentina) e uma ida até o Garrafus do meu amigo Samarone, onde o pessoal do sindicato iria lançar oficialmente a chapa única. Sobre a pelada, só resta informar que fiz um belo gol e que saí invicto depois de três partidas. Sobre o bar, ainda bem encontrei amigas numa mesa, porque a festa sindical foi quase um fiasco. A conversa rendeu três cervejas geladas e boas risadas. Depois deste momento "querido diário", agora é hora de dormir, que a insônia tá braba. Mais notícias a qualquer momento.



Escrito por goethe às 02h43
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rádio fiteiro no túnel do tempo

I Only Have Eyes For You
The Flamingos

My love must be a kind of blind love
I can't see anyone but you
Sha bop sha bop


Are the stars out tonight?
I don't know if it's cloudy or bright
I only have eyes for you dear

The moon may be high
But I can't see a thing in the sky
I only have eyes for you

I don't know if we're in a garden
Or on a crowded avenue

You are here and so am I
Maybe millions of people go by
But they all dissappear from view
And I only have eyes for you

P.S. 1) Peguei carona no blog da Marina: http://vindaloo.zip.net/

P.S. 2) Dois filmes onde esta música pode ser ouvida: American Graffitti (George Lucas) e A Bronx Tale (Robert DeNiro)



Escrito por goethe às 02h26
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em clima de olimpíadas



Escrito por goethe às 01h49
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dissipando a névoa

Mal o filme começa e eu já percebo que aquele som de piano é familiar. Os letreiros iniciais confirmam: a música é de Philip Glass. Mais um atrativo neste documentário que ganhou o Oscar deste ano. "Fog Of War", traduzido no Brasil como "Sob a Névoa da Guerra", traça um painel da vida de Robert McNamara, secretário de Defesa dos Estados Unidos na década de 60, que também exerceu as funções de presidente da Ford e do Banco Mundial. Cuba, Guerra Fria, Vietnã e o homem estava lá na Casa Branca, apagando ou aumentando o fogo, de acordo com o presidente da vez. O filme é bem oportuno porque pode-se traçar um paralelo, a partir das observações de uma pessoa que participou do fiasco que foi a guerra do Vietnã, com a ocupação norte-americana no Iraque. Aos 86 anos, McNamara tenta passar um recado que não seguiu na sua época como poderoso: é preciso saber o que outro pensa antes de agir. Antes que seja tarde.

E por falar nisso, antes tarde do que nunca, é bom dizer que nesta semana está havendo uma boa mostra de documentários. "Sob a Névoa da Guerra" foi apenas uma das atrações imperdíveis, até porque filmes como este não entram no circuito aqui. Hoje tem "Na Captura dos Friedman", que também concorreu ao Oscar deste ano e amanhã a atração principal é "Fellini - Sou Um Grande Mentiroso", produção recente, do ano passado. Sem falar em curtas e médias metragens nacionais. É lá no Apolo. É tudo verdade. Mesmo.



Escrito por goethe às 23h55
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