fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


pelas ruas que andei

Rua da Cruz, no Recife, retratada em 1855 por Augusto Stahl, que havia chegado a Pernambuco dois anos antes.  Aqui vemos as casas de cinco andares, balcões de grades de ferro e os lampiões a gás. Uma cidade antiga cheia de fantasmas. Muita cruz a carregar. Vou ver se localizo esta rua. Para andar por ela.



Escrito por goethe às 01h42
[ ] [ envie esta mensagem ]


tipos urbanos: ontem, hoje e amanhã

Recife, terra dos mascates. Estava pensando nisso quando me lembrei de Marc Ferrez, que fez estas interessantes fotos de vendedores ambulantes do Rio de Janeiro no final do século XIX. Não mudou muita coisa nestes mais de cem anos. Aqui como lá muita gente tenta sobreviver vendendo de tudo, até a alma se ela ainda tivesse algum valor.

Filho do escultor francês Zeferino Ferrez, que veio para o Brasil em 1816 como integrante da Missão Artística Francesa, Marc Ferrez fez seus estudos preparatórios em Paris antes de ingressar como aprendiz no atelier fotográfico da Casa Leuzinger em 1861. Seis anos depois instalou-se por conta própria na rua São José 96, onde permaneceu até 1837, ocasião em que um incêndio destruiu inteiramente seu estúdio acarretando a perda de seu equipamento e de todos os seu negativos. Entusiasta do formato panorâmico, chegou a mandar produzir câmaras sob encomenda em Paris para atender às suas especificações pessoais, um esmero técnico perfeitamente contrabalançado por um fina sensibilidade estética. Premiado na Exposição do Centenário da Independência dos Estados Unidos, na Filadélfia em 1876, foi o único a merecer o título de Photographo da Marinha Imperial antes de ser sagrado Cavaleiro da ordem da Rosa em 1885. Participou da Comissão Geológica do Império, integrando a expedição comandada por Charles Frederick Hart em 1875, oportunidade em que foi o primeiro a fotografar os índios Botocudo na Bahia. Nesta e em outras viagens anteriores ou subsequentes, Ferrez veio a fotografar as províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul – um périplo sem equivalente na carreira de qualquer outro fotógrafo oitocentista.

copiado de http://www.djweb.com.br/historia/seculo19/seculo19.htm#Branco



Escrito por goethe às 01h29
[ ] [ envie esta mensagem ]


nas olimpíadas com martín chambi



Escrito por goethe às 01h19
[ ] [ envie esta mensagem ]


companhia de viagem

É um livro pequeno, de bolso, 170 páginas escritas pelo italiano Aldo Buzzi. Companhia perfeita de viagem, até porque os temas tratados aqui são das experiências vividas pelo escritor nascido na cidade de Como (tive a honra de conhecer, poucos minutos de trem a partir de Milão). Aldo Buzzi é requintado e sabe descrever, como poucos, lugares, pessoas e tradições culinárias. Um prato cheio para quem gosta de boa literatura. Suas andanças pela Rússia são um primor de estilo. Acabei de lê-lo e já tenho vontade de repetir.

"Nos restaurantes os garçons eram tártaros.

Os russos dizem tataros, mas, como diz Giampaolo Dossena, 'acabamos chamando-os tártaros devido ao medo que provocam, em alusão ao Tártaro, nome clássico do inferno'. Tendo perdido a ferocidade dos tempos remotos, tornaram-se serviçais.

Garçom tártaro, de fraque e guardanapo esvoaçante na mão, para Stepan Arkadyevich Oblonsky, irmão de Ana Karenina: '...o queijo de sempre?'. Oblonsky: 'sim, parmesão'.

Permanecia um resquício da antiga ferocidade. Dizia-se: 'um hóspede inoportuno é pior do que um tártaro'. 'Na viagem', escreve Mandelstam, 'leria o livro mais bonito de Zoschenko e seria feliz como um tataro que roubou cem rublos'.

Contribuição para a cozinha russa (e internacional): molho tártaro (impossível dizer molho tataro) e bisteca à tártara."

Páginas 107 e 108 



Escrito por goethe às 00h38
[ ] [ envie esta mensagem ]


aviso de utilidade pública

Passeando no site do agendinha do recife, deparei-me com esta campanha. Roubei a imagem descaradamente como forma de adesão. Em Caruaru, paguei R$ 8,00 para assistir à versão dublada de Garfield. Preço justo.



Escrito por goethe às 19h37
[ ] [ envie esta mensagem ]


chão, pó, poeira, pé na estrada...

De volta ao Recife depois de uma viagem de três dias. Na bagagem, uma gripe braba. Estou aqui porque a febre me deu insônia. E porque fiquei com vontade de atualizar o fiteiro. O lotta fica para a semana que vem.

Um passo e você já não está no mesmo lugar...



Escrito por goethe às 23h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


desejo aos amigos leitores

Que o nosso fim de semana seja como este quadro de Balthus. Aliás, nele eu sou o de chapéu de mestre-cuca.

Conde Balthazar Klossowski de Rola (1908-2001). Pintor francês, Balthus, como ficou conhecido, foi uma figura reclusa e enigmática, seguindo sempre sua própria ótica, não se deixando influenciar pelos modismos de seu tempo. Ele rejeitou o cubismo e o surrealismo, e ignorou a grande inovação da arte do século XX, a abstração. Autodidata e auto-inventor, criador de um universo poético, porém particular, permaneceu fiel a apenas alguns temas: paisagens envolventes, retratos que revelam o interior dos retratados, jovens garotas e gatos.



Escrito por goethe às 22h10
[ ] [ envie esta mensagem ]


a volta do cinema mudo

O que todos estes filmes têm em comum? O toque de Jerry Goldsmith. O autor destas trilhas sonoras saiu da vida e entrou para a história. Morreu ontem, aos 75 anos de idade. Começou a estudar música aos seis anos. Em 1950, conseguiu um emprego na CBS para compor trilhas de programas de rádio. Depois passou para TV, onde criou as melodias assobiáveis de séries como "Agente 86" e "Perry Mason". No cinema, deixou sua marca em dezenas de filmes dos mais variados estilos. Na lista estão grandes sucessos como "Jornada Nas Estrelas" e Los Angeles, Cidade Proibida". Agora deve estar ao lado de outro grande compositor de cinema, Henry Mancini. Que descanse a batuta em paz.



Escrito por goethe às 18h32
[ ] [ envie esta mensagem ]


it's only rock'n'roll...

Não custa nada lembrar: a edição desta semana da revista Carta Capital vem com uma excelente matéria sobre o meio século de rock'n'roll. Assinada por Sean O'Hagan, da The Observer, traça um interessante painel sobre os episódios que mudaram a cultura musical no mundo. Pena que no site este texto não esteja disponível. Tem somente um artigo assinado por Marcelo Nova. Melhor que nada. O endereço é: http://cartacapital.terra.com.br/site/index_frame.php



Escrito por goethe às 20h25
[ ] [ envie esta mensagem ]


na métrica da poesia popular

retirado de Continente Cultural (Dez/2001)



Escrito por goethe às 00h41
[ ] [ envie esta mensagem ]


um dedo de prosa

Nesta época de eleição, lembrei-me de Jessier Quirino, um paraibano que, segundo ele, é “arquiteto de profissão, poeta por vocação e matuto por convicção”. Este “Prosa Morena’ mantém a tradição dos cantadores de feira, contando e analisando as novidades. E ainda acompanha um CD com músicas e declamações. Bom demais da conta! Um cabra arretado da peste!

 

DE POVO ADENTRO

 

Pra se fazer um partido

Mode empurrar no Brasil

Basta uns quatro filiado

Que coma feito esmeril

Disfarçado de gentil

Que seja bem traquejado

Ou mesmo mal-afamado

Mas com o seguinte perfil:

 

Que só pense em enricar

Mas enricar de verdade

Nem que seja cometendo

Umas três honestidade

Que negue toda a verdade

Até com prova na mão

Com as feição mais ó meno

Que seja bom de aceno...

O resto é televisão.

 

É aí que o candidato

Sai muçum lubrificado

Entrando de povo adentro

Até o dia marcado

Quando os cabra abestaiado

Vai escolher na cabina

A marca da vaselina

Com que vai ser enrabado.



Escrito por goethe às 14h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


escrevendo com a luz

Martín Chambi foi um fotógrafo peruano que morreu em Cuzco em 1973. Antiga capital do império inca, Cuzco tem muitos descendentes do antigo povo dominado pelos espanhóis. Martín Chambi tinha sangue inca nas veias. E sensibilidade de artista. Seu trabalho de retratar a sociedade peruana, principalmente na primeira metade do século XX, é considerado uma das maiores contribuições à cultura latino-americana. Além de registrar casamentos e eventos sociais da elite, ele também fotografava os mais pobres. Sem dinheiro, mas orgulhosos. E prontos para um brinde. Sempre.



Escrito por goethe às 19h59
[ ] [ envie esta mensagem ]


mais uma foto para contar história

Um antropologista se faz fotografar ao lado de mulheres indígenas, por volta de 1930. O local? Patagônia, Argentina. Quase 80 anos depois, praticamente não há mais nativos no país. Resultado direto da mão-boba dos brancos.



Escrito por goethe às 19h48
[ ] [ envie esta mensagem ]


uma foto, uma imagem, uma história

Em 1925, o fotógrafo peruano Sebastian Rodriguez registrou a captura de um raptor de crianças. O acusado e a vítima estão lado a lado, guardados por soldados que mais parecem ser da Polícia Montada canadense. No livro "A Câmara Clara", Roland Barthes afirma que cada fotografia tem um "punctum", o ponto onde nosso olhar se fixa e que não precisa ser necessariamente o foco principal da imagem. Neste caso, o "punctum", para mim, são os pés chaplinianos do velho. Que talvez nunca tenha ido ao cinema.



Escrito por goethe às 19h43
[ ] [ envie esta mensagem ]


jingle bells, jingle bells

A tradição de Natal é levada muito a sério na Noruega. Tanto que as mulheres já começaram ontem a se preparar para a festa deste ano, assumindo a tarefa de encarnarem o Papai Noel. O que comprova que, assim como naquele país friorento quanto nestas bandas de cá, os homens não têm mais saco para esta história.



Escrito por goethe às 14h05
[ ] [ envie esta mensagem ]


eu me transformo em outros

Somente quando eu vi a nova edição da "Outra Coisa" nas bancas que caiu a ficha. Há pouco mais de um ano (mais precisamente no dia 12 de junho) que perdíamos Itamar Assumpção. Era início dos anos 80 e eu, um pré-adolescente, achava estranho aquele vinil colorido que trazia um som diferente do que eu estava acostumado a ouvir nas estações de rádio do interior do Ceará. Chamava-se "Às Próprias Custas S/A" o disco do Itamar. Já no Recife, consegui vê-lo em ação uma única vez, com seu companheiro de vanguarda, Arrigo Barnabé. O show não foi lá estas coisas. Além de gênio, dizem que Itamar era genioso. Não se dobrou às exigências das gravadoras para tocar em novelas e se apresentar em programas de auditório. Sua obra vai ser gravada em songbook e deve ser revisitada por muita gente. Nada mais merecido.



Escrito por goethe às 12h05
[ ] [ envie esta mensagem ]


mantra de segunda-feira (e de outros dias também)

Água de beber

Água de benzer

Água de banhar

Alcohol? Só para desinfetar

(Jorge Ben)



Escrito por goethe às 11h53
[ ] [ envie esta mensagem ]


lotta quentinho no bule

Quer experimentar?

http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 11h50
[ ] [ envie esta mensagem ]


como será o amanhã?

O ambiente é frio. Como todo lugar moderno quando se chega pela primeira vez. Ar-condicionado no máximo. Pessoas ocupadas em seus afazeres. A maioria satisfeita com o novo espaço. Vida nova. Não sou saudosista a ponto de renegar conforto. Tecnologia é para ser usada. Mas como instrumento, não prioridade. Os fantasmas ficaram no outro prédio. Que não sejam molestados.

Ainda há o que se fazer neste novo lar. Mas bem menos do que se imaginava. E as pessoas se adaptam rápido a um novo ambiente. Aprendi isto com Primo Levi.

No lugar da velha praça, o vidro fumê nos permite ver um pedaço de rua. O prédio fica num lugar isolado, cercado de habitações pobres. O medo de sair à noite é forte. Principalmente para bípedes, como eu. Forte candidato a uma redistribuição de renda forçada. O Brasil não conhece o Brasil. SOS Brasil, Salve, Elis.

Há mais computadores, há mais cadeiras. Telefones também. Mas tudo só vai ser devidamente testado na segunda-feira. Quando todos os mortais entrarão neste Olimpo. Basta subir uma escada de granito. Mas ainda sinto uma ponta de saudade daquela outra, de madeira gasta, que pisei por pouco mais de oito anos.

Os banheiros são melhores. Neste ponto, não sinto saudade alguma do outro prédio. Porque aqui os meios justificam perfeitamente os fins.

Não comecei, por isso não terminei ainda. E agora eu tenho que ficar. Espero que por mais algum tempo. A bênção, seu Zé Maria. E a todos os outros que vieram antes de mim. A história continua. Com todo de tipo de festa possível.



Escrito por goethe às 00h05
[ ] [ envie esta mensagem ]


hai-kai da mudança

em lixo não há sobra:

base de inspiração

para novas obras



Escrito por goethe às 10h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


prumode vosmicê intendê

De vez em quando, nestes posts internéticos, solto umas palavras que causam estranheza para meus queridos amigos de outras regiões deste Brasil. Nossa língua é nosso patrimônio. Lembrei-me então que foi recentemente lançado um bom manual de sobrevivência no Nordeste. Em 408 páginas, o pernambucano Fred Navarro compilou cinco mil palavras e expressões faladas por gente da Bahia pra cima. É ler, rir e se admirar com a nossa capacidade criativa e bem-humorada de batizar as coisas. Pessoa baixinha? Pode chamar de jóquei de cabrito.



Escrito por goethe às 10h26
[ ] [ envie esta mensagem ]


retrato de um jornalista quando jovem

HAI-KAI DO REPÓRTER DIARIO

ocupados em contar

dos outros as histórias

esquecemos a própria memória

Devia ser final de julho ou início de agosto. O Brasil já havia sido eliminado pela Argentina na Copa do Mundo de 1990. Cursando simultaneamente jornalismo e publicidade, decidi que me dedicaria à primeira opção profissional que surgisse. Escrever sobre os outros foi a forma mais rápida e urgente de ganhar dinheiro. Já havia trabalhado como redator de pequenas notícias para uma rádio moderninha num horário cruel: tinha que chegar às 4h30 para recortar dos jornais as informações que seriam adaptadas para pequenos "drops" de hora em hora. Amigos da faculdade me deram a dica para um estágio na Secretaria de Imprensa de Pernambuco. Foi lá que José Vieira, que era um veterano repórter tanto do serviço público quanto do mais velho jornal em circulação da América Latina, disse que estavam fazendo testes no Diario de Pernambuco.

Era uma oportunidade única. O Diario estava renovando seus quadros. Muitos foram tentar entrar na editoria de Vida Urbana, que sob o comando de Manoel Barbosa queria gente nova para mandar às ruas atrás de notícias. Roziane Fernandes, Renato Ferraz, Angélica Santa Cruz. Colegas de talento de uma mesma geração. Chegar à Praça da Independência, que para todos os recifenses é a Pracinha do Diario mesmo, subir as escadas (ou será que fui pelo minúsculo elevador com ascensorista e porta corrediça?) e pegar a pauta do teste.

Não entendi nada da dicção do meu futuro chefe. O que me salvou foi uma providencial lauda batida à máquina por Selênio Homem, que exercia a função de pauteiro. Saí com o fotógrafo Fernando Gusmão para o Comando Militar do Nordeste, onde haveria uma solenidade de mudança de generais. Na Kombi branca com a logomarca do jornal, fiquei deslumbrado com a conversa de Gusmão, conhecido também por Gugu, que também trabalhava registrando os vips para a coluna social. Era um mundo de luxo que eu acreditava que teria acesso como jornalista. Levei pouco tempo para descobrir que não.

Havia chovido e, por isso, a cerimônia militar foi cancelada. Sem evento, nenhuma matéria e era uma oportunidade só para mostrar o texto e pleitear a vaga de estagiário no jornal. Fernando Gusmão, usando seus conhecimentos de fotógrafo dos ricos, famosos ou poderosos, convenceu o general que ia deixar o comando a me dar uma entrevista. Voltei para a redação e escrevi não sei mais quantas linhas da história. Perto do meio-dia, o primeiro andar do prédio histórico, inaugurado em 1903, já estava movimentado. Jornalistas, editores, revisores, gente da gráfica, todos interagindo num ambiente poluído pelas batidas das teclas das máquinas de escrever no papel.

Hoje trabalhamos em computador e o silêncio às vezes me incomoda. Muito do meu estilo foi forjado na velha máquina Olivetti, que era alimentada com três laudas e dois papel-carbono para cada matéria. Um texto cheio de erros era um pecado grave, porque a página ainda seria rabiscada pelos revisores e editores, ganhar as anotações técnicas dos diagramadores antes de ser enviada para os digitadores. Devo ter demorado a concluir a matéria dos militares, gasto muito papel, mas Manoel Barbosa, com seu jeito peculiar de expressar sentimentos, apenas me disse para voltar no dia seguinte.

Fiquei no jornal até 1997, quando pedi demissão do cargo de editor de Vida Urbana num rompante romântico de acreditar na ética e no compromisso com a verdade. Durante todo este período o jornal passou por grandes transformações e pude ser testemunha ocular de todas elas, do telex para a internet. Lembro de gente como Zé Maria, o diagramador-chefe que nunca tirava férias e ia para o jornal de domingo a domingo. Pessoas que trabalhavam décadas na empresa. Este prédio centenário está cheio de fantasmas, gente boa que consolidou o nome do jornal. A eles, nesta transição inevitável, presto a minha memória.

Voltei a integrar os quadros dos Associados no ano passado e somente desta forma retornei a este primeiro andar. Agora é hora de definitivamente deixar o prédio. Amanhã será a última vez que a redação, já completamente esvaziada, funciona. Estaremos na próxima semana em um edifício moderno. O velho DP, número 12 da Praça da Independência, vai se transformar num memorial do jornal e na sede do Arquivo Público de Pernambuco.

Pretendo homenagear os antigos colegas de profissão na sexta-feira, dia de tantos "pescoções", quando o silêncio da madrugada do sábado era quebrado pelo gravador de Zé Maria. Animado pelo conhaque Dreher, o velho Zé bradava para quem ousava atrasar o fechamento: "quem terminou pode ir embora!". Penso nisso no momento de descer as escadas pela última vez. Terminamos. Poderemos todos ir embora.

Porque vai se fazer festa e ela é importante. Mas a mudança vai deixar o centro do Recife mais triste. E eu mesmo venho me sentindo cada vez mais um jornal do dia anterior com esta alteração do cotidiano de uma cidade. Respeito os antigos companheiros deste prédio. Este lugar, com suas salas, corredores e banheiros, pertence a eles. E um pouco a mim também. Terminei. Posso ir embora?

  



Escrito por goethe às 00h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


galeria das grandes figuras de todos os tempos

Estava ontem postando pro lotta continua quando fui reler o encarte do disco "Lost Soul". Nem lembrava mais destas fotos estilosas de Jackie Moore e Howard Tate. Os dois não emplacaram nenhum grande sucesso nas paradas, mas estilo tinham pra dar e vender. Tanto que, quase 40 anos depois, figuram aqui na galeria das grandes figuras do fiteiro. E com direito a seguidores ainda hoje.



Escrito por goethe às 23h59
[ ] [ envie esta mensagem ]


safári urbano (poeminha em pedaços)

Avenida Conde da Boa Vista

moro perto do trabalho:

quando o dia está bonito

caminho sem atrapalho

escola vai virar loja: 

a obra em construção

não respeita a tradição

meu caminho eu mesmo traço

embora haja pessoas (não é, gil?)

sempre fora do compasso

são luiz, velho cinema

pra mostrar que não apanha

exibe o homem-aranha

uma dúvida me assalta

logo que chego à ponte:

é lá o novo horizonte?



Escrito por goethe às 23h41
[ ] [ envie esta mensagem ]


para morrer de rir (ou será o contrário?)

Garanhuns é uma cidade com mais de cem mil habitantes. Bastante aprazível e pólo de uma região fronteiriça com Alagoas. Sempre teve população flutuante e, com o Festival de Inverno, tem a chance de receber mais pessoas. E aí é que se justifica a máxima de que a propaganda é alma do negócio. Com publicidades assim, os lucros são garantidos. E não se aceita devolução do produto.



Escrito por goethe às 23h25
[ ] [ envie esta mensagem ]


antes da chuva (mais um hai-kai)

dúvida que da minha

cabeça não sai:

amor é flor ou bonsai?



Escrito por goethe às 18h18
[ ] [ envie esta mensagem ]


não gostar de ver defeitos

AS QUALIDADES DAS PESSOAS

DE NATUREZA DIVINA

 

Inexistência de medo;

Purificação da vida;

Compreensão transcendental;

Caridade;

Autocontrole;

Prática de sacrifícios;

Estudos dos textos védicos;

Austeridade;

Humildade;

Não-violência;

Não irar-se;

Desapego;

Gentileza;

Veracidade;

Renúncia;

Não gostar de ver defeitos;

Determinação;

Modéstia;

Compaixão para com todas as entidades viventes;

Estar livre da cobiça;

Cordialidade;

Clemência;

Vigor;

Pureza;

Limpeza;

Não desejar ser honrado.



Escrito por goethe às 01h03
[ ] [ envie esta mensagem ]


e viva o joão ubaldo ribeiro

Ganhei um presente atrasado, mas de muito bom gosto. Gosto muito de João Ubaldo Ribeiro, principalmente dos seus textos, apesar de ter devorado maravilhado sua obra-prima "Viva O Povo Brasileiro", na época em que recorria à Biblioteca Municipal, ali no 13 de Maio, para ter acesso a publicações sem gastar o que não tinha. Hoje gasto o que não posso, mas aí é outra história. E por falar nisso, vamos voltar ao livro. "Arte e Ciência de Roubar Galinha" é uma coleção de crônicas feitas para o jornal "O Globo" no início da década de 80. João Ubaldo ainda morava em Itaparica e a ilha baiana era pródiga de personagens que habitavam aquele espaço dominical cheio de letrinhas. Texto de João Ubaldo é como almoço de domingo: no capricho. Por isso vai um trechinho de lambuja...

"Acho que posso dizer que conheço jornal. Meu primeiro emprego foi num jornal. Estava sendo fundado o Jornal da Bahia, todo cheio de bossas novas (exceto a impressão, que era uma rotativa antediluviana marca Marinoni e aí a gente dizia que o jornal era impresso em três cores: preto, branco e borrado; uma vez o diretor se retou e proibiu fotografias no jornal, só podia clichê de traço), e então meu pai, democraticamente, entrou no meu quarto e me disse:

-Vá se vestir.

-Paletó, pai?

-Paletó.

Não perguntei mais nada, o velho nunca teve paciência com perguntadores e quem tem pai nordestino desde cedo aprende que é melhor não impacientar o pai. Saímos, ele me levou à redação do jornal, me apresentou e me empregou de repórter - e eis-me jornalista aos 17 anos de idade."

(Página 79)



Escrito por goethe às 00h47
[ ] [ envie esta mensagem ]


novidades quentinhas no lotta

 http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 00h29
[ ] [ envie esta mensagem ]


porque ainda é inverno em nossos corações

Garanhuns, terra das flores e do frio da gota serena. Altitude de 800 metros e distância de 230 quilômetros em relação ao Recife. Levando-se em conta o trecho totalmente esburacado entre Caruaru e São Caetano, a viagem fica mais cansativa. Cheguei à cidade por volta das 19h do sábado, para conferir as atrações do XIV Festival de Inverno. O que me interessava mesmo artisticamente era conferir a parceria entre Ney Matogrosso e Pedro Luís & A Parede, mas o show tinha acontecido no dia anterior.

Depois de recuperar as forças, hora de zarpar para o Parque Euclides Dourado, onde o Faces do Subúrbio estava se apresentando para uma platéia razoável. O hip-hop do Alto José do Pinho iria fazer dobradinha com o Devotos (ex-do Ódio) no palco pop. O cansaço e o repertório já conhecido não me fizeram permanecer muito tempo no local. Só o tempo suficiente para ficar na arquibancada bebendo vinho tinto português e conferindo o Faces às distância. O pessoal é competente na mistura do ritmo e poesia ianque com a métrica nordestina.

Passada rápida para ver, na Praça Guadalajara, Simone cantando para uma multidão. Repertório com Cazuza (aquela música do liquidificador) e Roberto Carlos. Ela de branco e a banda também. Platéia dividida por faixa etária, os mais velhos na frente adorando e os mais jovens atrás sacaneando, pedindo para ela cantar aquela versão infame do protesto natalino de John Lennon. Hora de ir dormir para aproveitar o domingo.

Café da manhã reforçado depois de um banho quente. No Centro estava havendo apresentações de cultura popular. Selma do Coco, Maracatu Batuque Estrelado e Afoxé Alafin Oyó. Sol fazendo efeito. Clima bom entre as pessoas, a maioria de fora da cidade. Depois de cantar louvores a Oxum, hora de tomar uma cachacinha para todos os santos. Não gravei o nome do bar, que pertence a um fotógrafo barbudo que faz umas infusões de aguardente com ingredientes naturais. As caninhas de caju, canela e beterraba com laranja foram aprovadas. Caldo de carne no copão para garantir a segurança. E hora da sesta em pleno domingo porque a noite prometia mais.

O parque Ruber van der Linden é um dos lugares mais aprazíveis de Garanhuns. O holandês que criou um verdadeiro parque florestal dentro da cidade era um visionário. Um verdadeiro santuário para quem gosta de música instrumental. A noite reservava duas atrações: Boniek e Curupira. Não tive tempo de melhor me informar sobre os dois grupos, mas o primeiro tinha um som mais interessante, com uma guitarra conduzindo os trabalhos. Já o Curupira me lembrou Hermeto Paschoal, com um piano na linha de frente.

Pausa entre as bandas, hora de degustação. Bohemia escura e gia gigante na mesa. Quem assistiu ao desenho animado francês "As Bicicletas de Bellevile" fazia o link imediatamente. Carne de gia é muito gostosa, mas estava um pouco salgada demais. E sem falar que a apresentação do prato não ajuda. Talvez o problema seja a alface.

A Praça Guadalara teria uma noite dedicada ao forró. Nada contra Santanna, mas ninguém aguenta mais a "Ana Maria". Fuga para o Euclides Dourado, palco pop por favor. O Mombojó provou mais uma vez que ainda não conquista ninguém ao vivo. Meninada muito verde, performance afetada e um vocalista que não é afinado e nem audível.

Já a banda Eddie garantiu a festa, encerrando a noite. Pena que para um público bem inferior em relação ao sábado. O pessoal está pronto para conquistar o Brasil, ainda mais divulgando um disco como "Olinda Original Style". Aproveitei para fazer a resenha dele lá no lotta continua. No mais, retorno tranquilo na segunda-feira. E casaco de volta ao armário.



Escrito por goethe às 23h32
[ ] [ envie esta mensagem ]


ruedas y plumas

XXXI

A quién le puedo preguntar
qué vine a hacer en este mundo?

Por qué me muevo sin querer,
por qué no puedo estar inmóvil?

Por qué voy rodando sin ruedas,
volando sin alas ni plumas,

y qué me dio por transmigrar
si viven en Chile mis huesos?

(Libro de las Preguntas)

O dia ainda não acabou e então posso prestar minha homenagem a Neruda neste 12 de julho, quando ele completaria 100 anos de existência.

Quer mais do poeta chileno? Então vai lá no soy loco por ty...

http://locoporti.zip.net/



Escrito por goethe às 22h46
[ ] [ envie esta mensagem ]


como se livrar de uma roubada

Acabo de vir de um aniversário. Da amiga da minha namorada. Guaiamum Treloso. Logo um lugar de comida "reimosa". Minha namorada tem outra amiga, que levou os amigos dela. A turma da aniversariante acabou ficando em minoria. Em mesa lotada de desconhecidos, aplico a técnica da long neck. Compartilhar cerveja grande nesta situação dá terríveis efeitos colaterais, principalmente na chegada da conta. Neguim come e bebe até morrer e nesta hora apresenta amnésia seletiva. Não sou Cristo em Santa Ceia para ficar dizendo "tomai e comei todos vós" e dividindo prato que não degustei, ainda mais de crustáceo que está proibido para quem se recupera de uma tatuagem. As long neck me livraram de uma bela despesa. Pena que eram Primus. Dos males o menor.



Escrito por goethe às 00h41
[ ] [ envie esta mensagem ]


classificado de jornal

Estou precisando urgentemente de um Personal Organizator. Pode ser usado, não importa. Gratifica-se bem.



Escrito por goethe às 00h26
[ ] [ envie esta mensagem ]


depois do tubarão, jornalistas

Pernambuco está sediando um encontro mundial de especialistas em ataques de tubarão. Não é para menos. Num estado que se orgulha de ser maior em tudo, foram registradas 44 ocorrências num prazo de 12 anos, com uma mortalidade que chega a 36%. Nos outros países, o índice de vítimas fatais chega a 12%.

Lembrei que, além de serem mordidos pelo tubarão, os sobreviventes ainda têm que escapar dos jornalistas. E me vem à memória uma história que pode até ser uma lenda no meio, mas pode muito bem ter acontecido de verdade. Foi quando um surfista perdeu as duas mãos quando tentou se livrar do bicho dando socos no focinho.

Desconsolado, lamentando a sorte, ele foi interrompido por uma coleguinha, que resolveu lhe dar uma lição de moral. Na frente de todos, disse que ele devia levantar as mãos pro céu e agradecer por estar vivo. O ex-surfista continua vivo até hoje. Ela também.



Escrito por goethe às 19h00
[ ] [ envie esta mensagem ]


futebol como exemplo de vida

 

A idéia me veio no banheiro, quando estava tomando banho (é bom deixar tudo explicado nos mínimos detalhes) depois da pelada da quarta-feira à noite. Cheguei em casa meio chateado pela postura de algumas pessoas que podem até saber jogar futebol, mas não sabem conviver em grupo. Aí me lembrei do "Senhor das Moscas", o livro do escritor inglês William Golding, Prêmio Nobel de Literatura de 1983. Na verdade, visualizei o filme de 1990, dirigido por Harry Hook. Altamente recomendado para quem quer entender a natureza humana.

O "Senhor das Moscas" foi lançado em 1954, a obra de estréia de Golding, nascido em 1911. É a história de um grupo de jovens, quase crianças, depois da queda de um avião no mar, próximo a uma ilha deserta. Sem nenhum adulto por perto, tentam sobreviver seguindo regras democráticas.
Mas logo dois grupos são formados. E os instintos selvagem destruirão a harmonia.

"Senhor das Moscas" é a tradução literal da palavra hebraica "Ba'alzebul", que em português significa "Belzebu". O príncipe dos demônios vai reinar, de maneira figurada, na ilha.

O que isso tem a ver com futebol? Leia o livro e veja o filme. E estamos conversados.



Escrito por goethe às 00h48
[ ] [ envie esta mensagem ]


el nombre del hombre es pueblo

Este mojito é um brinde à entrada de mais um blog, o soy loco por ti. É o início da rede latino-americana de informações pessoais na internet. Recomendo aos meus poucos leitores uma visita. O endereço está logo abaixo, na lista "outros sites". Gracias. Y el nombre del hombre es Luiz.


Mojito

Ingredientes
1 dose de rum branco
1 lance de suco de limão
1 colher (chá) de açúcar
club soda
4 folhas de hortelã frescas

Modo de fazer
Em um copo longo, coloque as folhas de hortelã, o açúcar e, com um socador, pressione levemente. Acrescente o rum, o suco de limão, muito gelo picado e mexa bem. Complete com club soda e decore com um ramo de hortelã.

História do drinque
A mistura de hortelã com bebidas é muito antiga. A exemplo do Bullshot, o Mojito teria sido criado por um inglês em alto-mar. A diferença, nesse caso, é que a história deste drinque era contada nos bares cubanos por ninguém menos que o escritor americano Ernest Hemingway. Segundo ele, o almirante e aventureiro inglês Francis Drake, o primeiro homem branco a aportar em inúmeras ilhas do Pacífico Sul, apaixonado pelos aromas da hortelã, teria sido o primeiro a misturar a planta com boas doses de rum.

A desculpa
Essa mistura seria a ideal para proteger seus marujos dos problemas respiratórios e estomacais, tão comuns nas grandes travessias marítimas. A receita do drinque, tal qual conhecemos hoje, é uma criação dos anos 40, do célebre La Bodeguita del Medio, em Havana, um dos bares mais famosos do mundo. É uma bebida ideal para os dias quentes.



Escrito por goethe às 20h25
[ ] [ envie esta mensagem ]


hambúrguer, alface, pão com gergelim...

 

Mais um informe sobre culinária coreana. Desta vez, a do Norte. O todo-poderoso Kim Jong-il decidiu oferecer comida de qualidade aos estudantes universitários. Aprovou a distribuição de gogigyeopbbang entre a elite universitária de Pyongyang, a capital da Coréia comunista. Em bom português, gogigyeopbbang significa o prosaico "dois pedaços de pão com carne no meio". A carne, no caso, é o hambúguer, um dos símbolos do consumismo. O ditador, cujo corte de cabelo tem seguidores no Brasil (não lembra Chico César?), é considerado um grande gourmet. Apesar da população passar fome, ele costuma contratar chefs internacionais para grandes banquetes. Entre suas manias está o fato do arroz que consome ter obrigatoriamente todos os grãos do mesmo tamanho. Depois do hambúrguer, agora só falta uma boa Coca pra rebater.

* com agências internacionais



Escrito por goethe às 19h43
[ ] [ envie esta mensagem ]


meu cachorro me sorriu latindo...

A casa fica na rua Venezuela, no Espinheiro. A placa tem as cores do país: azul e vermelho. Numa noite de terça-feira, estava vazio. Talvez por isso o garçom tornou-se tão solícito. Recifense adora se orgulhar de que mora numa cidade onde se come bem. Pelo menos em relação a outras capitais a variedade é bem maior. Não se encontra um restaurante coreano com facilidade, principalmente no Nordeste. A aventura de ontem foi a de experimentar o burgogui, o prato que justamente dá nome ao estabelecimento montado pelo médico Kong Pil Choi na capital pernambucana. Burgogui é a tradução literal de churrasco coreano (burgo = fogo e gui = carne).

"Primeira vez aqui?", pergunta o gentil garçom, explicando que está, junto com o irmão, desde o início da casa, há um ano e sete meses. Traz toalhinhas quentes para a limpeza das mãos, porque faz parte do ritual. Pra abrir os trabalhos, uma sopa, semelhante às servidas nos restaurantes japoneses.

A carne é contrafilé cortada em tiras, maturada. Ela é assada na frente do cliente, em uma grelha posta na mesa. Três minutos são o suficiente para ficar no ponto. Os acompanhamentos estão todos presentes: amendoim caramelado, batata caramelada, broto de feijão, acelga picante e arroz unidos-venceremos.

"Preparados para a primeira surpresa?", indaga o cortês garçom, quando a primeira leva de carne fica pronta. Descobre-se, então, que a alface que está ali não é mera decoração. Não vou entrar em mais detalhes porque o prazer de experimentar uma culinária diferente está no respeito aos hábitos locais. E também para não tirar a satisfação quase orgásmica do garçom em repetir a ladainha que aprendeu com o dono.

A comida é muito boa. O burgogui dá para quatro pessoas com uma fome moderada. Ao preço de R$ 29,00, não sai cara. Só a cerveja não ajuda. Uma long neck por R$ 2,60 é para fazer coreano beber água da Compesa. Mas vale a pena. Tanto que eu vou voltar para experimentar outros pratos. Mais baratos, claro.

Antes que eu me esqueça: o garçom avisou que o burgogui tem uma segunda surpresa. Mas esclareceu logo que a carne servida não era de cachorro. Palavra de coreano.

P.S. A ilustração eu peguei no Google. O burgogui do Burgogui é mais apetitoso visualmente.



Escrito por goethe às 00h40
[ ] [ envie esta mensagem ]


queimar na própria chama

Vantagem de ter amigos e namorada inteligentes são os presentes de aniversário: poucos e valiosos. Ganhei um DVD do Marvin Gaye e este livro, que furou a fila e já estou no terceiro capítulo na primeira madrugada. A história é interessante e a forma como o autor, Irvin D. Yalom, escreve facilita tudo. O encontro, em 1882, entre o doutor Josef Breuer (um dos desbravadores da psicanálise) e Friedrich Nietzsche (não sabe quem é?) nunca aconteceu na vida real. Yalom, que é psicoterapeuta renomado nos Estados Unidos, inventou este episódio. A narrativa da fictícia relação das duas grandes figuras do século XIX respeita o pensamento dos protagonistas desta grande história. Não se sai o mesmo depois desta experiência. Espero que não.



Escrito por goethe às 00h26
[ ] [ envie esta mensagem ]


a nova cara sonora do brasil

Interessado? Então visita o lotta...

http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 00h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


rádio fiteiro em transmissão especial pelos "mis cumpleaños"

GRACIAS A LA VIDA

(Violeta Parra)

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes la mujer* que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amada.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco.
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo.
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.

Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.

* Letra levemente adaptada. Sai "hombre" e entra "mujer"



Escrito por goethe às 23h15
[ ] [ envie esta mensagem ]


marca do que se foi

Taí o meu presente. Esta marca definitiva na pele. Este código de barras com a data de nascimento. Altamente original. Fazer o quê? Tava com vontade há meses e resolvi desembolsar R$ 50,00 para o tatuador no último sábado. Durou menos de dez minutos e doeu muito menos do que eu pensava. Agora na base da pomada. Estas duas últimas frases dão margem a leituras sacanas, mas vou deixar assim.

Não sou narcisista, mas resolvi contar a aventura da tatuagem porque achei interessante. Cheguei lá no terceiro andar de um prédio na rua do Hospício (nome condizente esse, não?), por volta das 11h30. O tatuador, que tava ocupado com um desenho monstruoso, no tamanho e na forma, pediu para eu voltar duas horas depois. Fiquei andando pelo centro, comprei uns discos para variar (eles agora estão lá no lotta também) e retornei. Encontrei uma menina de cerca de 20 anos que foi levada pela sogra, esta sim toda tatuada, para se incorporar ao clube. A iniciante nem sabia o que queria, estava olhando o book para ver se tinha algo que gostava. Estava tão indecisa que deixou duas pessoas passarem na frente. Não deixei de olhar para a velha, vendo como fica uma tatoo numa pele enrugada. Quase que desistia da minha.

Tinha também um menininho gordo que esperava a mãe sair da sala de piercing. Quando ela sai eu vi logo a quem o menino puxou. E tentava imaginar onde colocou o metal. Duas da tarde e ainda nada. Chegam duas amigas, em torno dos 30 anos. Uma está de acompanhante. A que vai se tatuar leva um livro, "O Mundo de Sofia". Ela quer copiar um desenho dele. É maior e mais complexo do que o meu, que consiste apenas em barras verticais e números. A tatuagem dela vai custar R$ 30,00. Será que para mulher é mais barato?

Tenho que tirar a camisa. O tatuador e o cara que bota piercing falam da minha pele branca. Fico me sentindo num mercado de escravos. Na quinta-feira começa uma convenção de tatuadores. Eles até brincam me convidando para ser modelo vivo. Minha modéstia me impede. O cara faz o curativo, me entrega a agulha descartável e me alerta que devo evitar "comida reimosa" por uma semana. E eu saio por aí como novo membro do clube. O desafio vai ser sair de uma loja e aqueles trecos apitarem por causa do meu código de barras. O meu medo maior é ser um artigo em promoção.



Escrito por goethe às 22h35
[ ] [ envie esta mensagem ]


contagem regressiva para o ano novo

Preparei uns hai-kais para celebrar meu aniversário, que acontecerá dentro de algumas horas. Ainda bem é que uma vez por ano.

Presente rejeitado:

cada vez mais gosto

dos séculos passados

ela falou dos meus

fios brancos de cabelo:

privilégio ainda tê-los

quanto mais velho

mais me reconheço

em frente ao espelho



Escrito por goethe às 19h20
[ ] [ envie esta mensagem ]


it's only rock'n'roll...

O dia 5 de julho de 1954 é considerado, para os norte-americanos, a data de nascimento do rock'n'roll. Foi quando Elvis Presley entrou nos estúdios da Sun Records, em Memphis, para gravar o single "That's All Right". Para celebrar esta ocasião histórica, o Yahoo preparou um material especial que eu recomendo uma visita. Tem clipes e uma relação de álbuns essenciais por década. Bom proveito. O endereço é http://launch.yahoo.com/promos/50yearsofrock.



Escrito por goethe às 22h11
[ ] [ envie esta mensagem ]


o último tango em hollywood

Apocalipse Now, Last Tango In Paris, Queimada, O Poderoso Chefão, O Grande Motim. Cada um tem sua lista de filmes com Marlon Brando. Estes são os meus. Aos 80 anos, Brando partiu desta para melhor (no caso dele, deve ter sido mesmo) depois de uma longa vida de sucessos na tela e fracassos pessoais. Que descanse em paz. Faço minhas as palavras que ele pronunciou quando incorporou o papel do coronel Kurtz no grande filme de Coppola: "o horror, o horror...". Vai ver ele já sabia.



Escrito por goethe às 18h51
[ ] [ envie esta mensagem ]


olha pro céu, meu amor...

Se duvida, pode olhar agora no calendário de mesa aí do lado do computador. Hoje, 2 de julho, é noite de lua cheia. Full moon. Luna plena. Tava olhando pra ela quando voltava para casa ontem. Lembrei de um amigo meu na época da faculdade que recitava um poema que dizia: "eu vi a bunda da lua, desfilava toda nua...". A rima eu esqueci, só sei que ela, com vergonha, cobria-se com um pedaço de nuvem. Inspiração não falta. Tanto que, somente neste post, já recordei uma série de músicas que tem a lua como personagem ou como parte importante da história. Quem puder que aumente a lista. Dá até para gravar um CD. Cheio.

Lua de São Jorge (Caetano Veloso)

Lua, Lua, Lua, Lua (Caetano Veloso)

Lua e Estrela (Vinícius Cantuária)

Blue Moon Revisited (Cowboys Junkies)

Moon River (Henry Mancini)

Tintarella di Luna (Stereo Total)

A Lua e Eu (Cassiano)

Romance da Lua Lua (Amelinha)

Lua Girou (Milton Nascimento)

Lua Cheia (Toquinho)

Tendo a Lua (Paralamas do Sucesso)

Lua do Leblon (Fagner)

Mar e Lua (Chico Buarque)



Escrito por goethe às 01h07
[ ] [ envie esta mensagem ]


mais uma lista na área

A revista inglesa FHM fez uma pesquisa com cem mil pessoas para saber os melhores discos e filmes lançados no período de 1994 a 2004. Os resultados até que foram meio óbvios. Mas pra quem gosta de listas, vai então mais esta para conferir.

DISCOS

Red Hot Chili Peppers - "Californication"

Oasis - "What's The Story, Morning Glory"

Eminem - "The Marshall Mathers LP"

U2 - "All That You Can't Leave Behind"

FILMES

"Matrix"

"O Senhor dos Anéis"

"Pulp Fiction"

"Um Sonho de Liberdade"

"Clube da Luta".



Escrito por goethe às 20h08
[ ] [ envie esta mensagem ]


rádio fiteiro retorna depois de um longo inverno

PROVEI

(Noel Rosa - Vadico)

 

Provei

Do amor todo amargor que ele tem

Então jurei

Nunca mais amar ninguém

Porém

Eu agora encontrei alguém

Que me compreende

E que me quer bem

 

Quem fala mal do amor

Não sabe a vida a gozar

Pois quem maldiz a própria dor

Tem amor, mas não sabe amar

 

Nunca se deve jurar

Não mais amar a ninguém

Pois ninguém pode evitar