fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


eu vou, eu vou, eu vou pra casa eu vou

Comunico a inclusão de mais um blog na lista dos legais. Desta vez é o de Renata, que já tem casa na internet há um tempinho. Em breve ela terá uma também fora do mundo virtual. Tijolo por tijolo num desenho lógico. Mas por enquanto não tem teto, não tem nada. Só comentários inteligentes. Um alicerce desses facilita muito. 



Escrito por goethe às 00h05
[ ] [ envie esta mensagem ]


saindo do acostamento

O amor é igual a chiclete: estica, enche-se de ar e depois explode

Se o amor é cego, o negócio é apalpar

O cachorro é amigo do homem porque não conhece dinheiro

Se casamento é loteria, o meu deu zebra

Não me faça carinho, a vítima pode ser você

A primeira ilusão do homem é a chupeta

O motorista brasileiro não tem tempo de ir ao banheiro: faz merda no trânsito

Não resisti. Tava em promoção. Peguei carona na pesquisa de Amir Mattos e dei boas risadas. Filosofia aplicada é isso aí. 



Escrito por goethe às 23h51
[ ] [ envie esta mensagem ]


no lugar certo no momento certo

Sim, eu tenho uma camiseta com o Che Guevara estampada na frente. Ela é vermelha, a imagem do revolucionário argentino é preta. Custou-me R$ 12,00 na C&A porque estava em promoção. Só a usei uma vez fora de casa, quando estava indo para Garanhuns no Festival de Inverno, mesmo assim só no percurso de carro. Não se compara ao tempo em que entrei na universidade, no longínqüo ano de 1987. A camiseta naquela época era branca, com a imagem em silk-screen fajuto lá do interior do Ceará. Era quase uma farda, junto com a calça jeans verde (nunca mais vi dessas na rua, mas jeans colorido era moda nos anos 80). Nesses anos todos, uma constatação sem contestação: virei consumista. Capitalista não, porque não tenho dinheiro para tanto.

Corta para o ano de 2000. Março, Rio de Janeiro. Estação Botafogo do Metrô, Cinema Unibanco. Entro sozinho para assistir a "Buena Vista Social Club", o documentário do Win Wenders sobre os velhinhos músicos da ilha bonita. As primeiras imagens do filme são de Alberto Korda, fotógrafo oficial da Revolução Cubana. Esteve ao lado de Fidel Castro e Che Guevara desde os primeiros dias e registrou imagens magníficas de um país em transformação. Foi dele o registro fotográfico de Che olhando o infinito, que depois virou pôster produzido na Itália logo após a morte dele na Bolívia. Um dos ícones do século XX foi fruto do trabalho de Korda, que somente muito tempo depois teve a sua autoria reconhecida.

Avanço na fita. Ontem à tarde. Chego na redação e vejo o livro "Cuba Por Korda", edição luxuosa da CosacNaify recém-lançada no Brasil. Tanto que, nesta terça-feira, a autora dos textos, Alessandra Silvestri-Lévy estará hoje no Recife, autografando exemplares. O livro, na verdade, é um álbum com as belas fotos de Korda, falecido em 2001, aos 73 anos. E não é que eu ganhei de presente? Bela forma de iniciar a semana. E que divido com vocês.

 



Escrito por goethe às 23h34
[ ] [ envie esta mensagem ]


brincando nos campos do senhor

Gosto de comprar discos. Mas às vezes é difícil de encontrá-los, principalmente as versões atualizadas daqueles vinis que marcaram sua adolescência. É o caso desta banda, The Band of Holy Joy. Este álbum, lançado originalmente em 1989, saiu aqui no Brasil no início dos anos 90 pelo selo Stiletto da gravadora Eldorado, que representava por estas bandas bandas como o Durutti Column, Joy Division, New Order, Smiths, Bauhaus, de gravadoras alternativas inglesas como a Factory e Rough Trade. Comprei o LP numa loja de magazine (Pernambucanas? Brasileiras? Americanas? Não lembro mais qual), atraído pela capa e pelo som que escutava, muito diferente do rock em vigor na época. O que me chamava a atenção na TBOHJ era o não emprego de instrumentos elétricos, principalmente guitarra e baixo. A tuba fazia a marcação e violinos solavam. Para um rapaz latino-americano, sem parentes importantes e vindo do interior, a melancolia das letras era um prato cheio. O hepteto, considerado representante do segmento folk psicodélico, era liderada pelo cantor Johnny Brown e pelo multiinstrumentista Alfie Thomas. Depois de me arrepender de ter vendido o vinil, consegui uma fita cassete. Agora baixei finalmente todas as músicas pela internet. O disco, mesmo em CD, é raro até no Japão. Se você, fiel leitor amigo, encontrá-lo num sebo, já sabe o que fazer.



Escrito por goethe às 01h32
[ ] [ envie esta mensagem ]


parada para um lanche rápido

A editora Sextante cumpriu o prometido e já despejou nas livrarias o segundo volume da série "O Mochileiro das Galáxias". São mais 230 páginas de aventuras da turma formada por Zaphod Beeblebrox,Arthur Dent, Ford Prefect, Trillian e o robô Marvin. Douglas Adams é um gênio. Consegue fazer da ficção científica uma diversão. Recomendo para quem ainda não conhece. É puro humor inglês a anos-luz da obviedade. Se quiser saber a resposta, a verdade está aqui. Ou melhor, no quarto livro da série, mas é bom ler devagar para aproveitar cada parada nesta viagem.



Escrito por goethe às 23h36
[ ] [ envie esta mensagem ]


pra não dizer que não falei das flores



Escrito por goethe às 23h27
[ ] [ envie esta mensagem ]


anos 80, charrete que perdeu o condutor

É muito bom ouvir a música que você gosta bem alto, com as pessoas dançando. Mas esta história de ser "DJ" por uma noite tem os seus percalços. A de ontem foi o repertório. Montei um só com pérolas dos anos 80, a pedido do aniversariante. Busquei versões alternativas dos grandes clássicos da década na internet e fiz uma mistura com coisas obscuras, principalmente de bandas nacionais. Só faltou avisar ao público que o clima era de volta ao passado. Aprendi uma lição: leve todos os seus discos, porque sempre vai ter alguém que não vai gostar do que você selecionou. O problema é que a festa era para comemorar dois aniversários e a turma da publicitária estava com vontade de ouvir techno. Não me saí tão mal, mas não pude mostrar o melhor do repertório. Fica para a próxima, com o pessoal devidamente avisado. E por falar em próxima, minha idéia, juntamente com meu parceiro Lula, é fazer uma festa latina. Mais detalhes em breve, no http://locoporti.zip.net.



Escrito por goethe às 10h10
[ ] [ envie esta mensagem ]


ritmo, ritmo de festa...

Amanhã estarei de volta às pick-ups. Desta vez por causa do aniversário de um amigo do jornal. A pedido dele, montei um repertório baseado apenas nos anos 80. Se não foram dos mais inspirados, pelo menos os músicos deste período sabiam ser divertidos, mesmo que involuntariamente. Preparei algumas surpresas, como versões bizarras de clássicos do A-ha e The Smiths. Só espero não passar pelo mesmo estresse da minha última experiência como "DJ". Quero colocar as pessoas para dançar e depois aproveitar a festa. E ficar feliz a ponto de não lembrar que vou trabalhar a partir das 10h do domingo.

Marina, que música dos anos 80 você gosta para eu incluir no repertório? Você, que comemora idade nova no domingo, estará presente desta forma comigo no sábado. Amigos unidos pela música.:) 



Escrito por goethe às 21h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


a tarefa cumprida

Foi a tarefa de amolecer diariamente o tijolo, a tarefa de abrir caminho na lama pegajosa que proclama mundo, esbarrar cada manhã com o paralepípedo de nome repugnante, com a satisfação canina, de que tudo esteja em seu lugar, a mesma mulher ao lado, os mesmos sapatos e a mesma tristeza das casas em frente. Mas os rostos vão nascer quando eu os olhar, quando avançar mais um pouco, quando me arrebentar todo com os cotovelos e as pestanas e as unhas contra a pasta do tijolo de cristal, e arriscar minha vida enquanto avanço passo a passo para ir comprar o jornal na esquina.

Para que dormir se depois seria o estrondo de uma chuvarada no teto ou o amor lancinante dos gatos, os prelúdios aos pesadelos, o alvorecer no qual finalmente as cabeças se esmagam nos travesseiros e já nada as invade até que o sol suba às palmeiras e é preciso voltar a viver. Então é só isso: não fazemos senão fumar e esperar o inesperado.

Gostamos da fanfarronada, das tarefas sem importância, dos simulacros. Fazemos coisas porque falta o mais importante: a ansiedade e a expectativa de estar fazendo coisas e durante os dias não se escuta mais do que lamentações e gargalhadas. Tudo está vazio e ao mesmo tempo estranhamente habitado.

Se vivo fosse, Julio Cortazar, nascido na Bélgica mas argentino de alma, estaria completando 90 anos. 



Escrito por goethe às 20h11
[ ] [ envie esta mensagem ]


uma imagem que vale por um testamento

Calma que não é safadeza. Ou melhor, é sim, mas com propósitos. Os bonequinhos Lego estão dispostos desta maneira num site que traduz a Bíblia de uma forma diferente. Não sou seguidor de religião, mas a idéia é boa. Quem quiser conferir basta entrar no site http://www.thebricktestament.com/. Pecado é não conhecer.



Escrito por goethe às 03h01
[ ] [ envie esta mensagem ]


nota de desaparecimento

Venho comunicar, muito tristemente, o desaparecimento do blog "Oh! Mulher Imoral", produzido por Ludmila. Ela já vinha ameaçando sair da rede há tempos, mas parece que agora realmente é para valer. Uma pena, porque admirava seu senso de humor. Qualquer informação sobre seu paradeiro será regiamente recompensado. Segue abaixo uma descrição da desaparecida, feita pela própria:

"A Mulher Imoral também atende pelo nome de Ludmila e nunca olha se for chamada de "psiu". Conhecida também como "Maria Cua", "Negrona", "Pedra Bóa", "Maria Lud", "Cuzuda" e outros apelidos sem-noção que a sua mãe costuma colocar. Filha única, tem 20 anos nas costas, nada na cabeça e muito álcool no sangue. Dança até cair, usa salto 15, mas ainda não conseguiu uma saia de borracha. Sobrevive em alguma cidade de São Paulo às custas dos pais. Além disso, divide as atenções, o amor, a comida e o leite com um cachorro ninfomaníaco que usa um pino na pata traseira direita que frequentemente, por causa das atividades sexuais intensas, costuma causar dores no pobre bichinho. A Mulher Imoral largou a faculdade de marketing e pretende fazer qualquer outra coisa que dê dinheiro fácil. Apesar de adorar o caos da cidade grande, sonha - muito raramente - em ter uma vida à base de água de coco, mar azul e sol torrando a testa. A Mulher Imoral não vive sem música. Teve, num passado remoto, uma bandinha de "rock" composta apenas por garotas, onde era a vocalista e baixista, apesar de sua praia ser mesmo o violão. A tal banda foi apelidada cruelmente de "Chiquititas". A Mulher Imoral tem séria tendência a se envolver em relacionamentos destrutivos e a se apaixonar sempre pelo cara errado (alguém deve ter feito macumba, talvez), e apesar disso, nunca se deixa envolver com facilidade, mas quando acontece, sempre se fode. Também tem certa facilidade em encontrar e fazer amizade com pessoas esquisitas. Desde o ex-padre - que até hoje ela não consegue entender como aquele cara um dia foi padre -, passando pelo ex-gay e pelo pastor bicha.
Note que a Mulher Imoral absteve-se de qualquer comentário a respeito da sua vida sexual. A situação anda crítica, meu amigo."



Escrito por goethe às 02h32
[ ] [ envie esta mensagem ]


escada do tempo e a construção do mundo

O norte-americano Jack London (1876-1916) protagonizou muitas aventuras nos seus 40 anos de vida. Autor de livros clássicos de ação, como o "Chamado da Selva", foi um sujeito engajado, autor de panfletos políticos que são verdadeiras obras-primas do gênero. No tumultuado início do século XX, ele não ousou firmar sua posição no campo das idéias. E também das ações. Lembrei-me dele após ter visto o filme Olga. E também por causa dos últimos episódios do PT. Será que realmente Lula mudou ao ocupar o andar de cima? O texto de London a seguir é longo, mas vale a pena. Fiquei impressionado quando o li pela primeira vez, lá pelos meus 17 anos. Perto de completar um século, permanece ainda atual. E revela um cara que ainda precisa ser descoberto por muita gente. Escolha seu lado.



Escrito por goethe às 02h35
[ ] [ envie esta mensagem ]


A PAIXÃO DO SOCIALISMO

 

Nasci na classe trabalhadora. Cedo descobri o entusiasmo, a ambição e os ideais; e satisfazê-los tornou-se o problema de minha infância. Meu ambiente era cru, áspero e rude. Eu não tinha nenhuma perspectiva a meu redor, o melhor era olhar para cima. Meu lugar na sociedade era nos fundos. Aqui a vida não oferecia nada além da sordidez e miséria, tanto ao corpo como ao espírito. Por aqui corpo e espírito estavam famintos e atormentados.

Acima de mim se erguia o colossal edifício da sociedade, e para a minha mente a saída era para cima. Dentro deste edifício logo resolvi subir. Lá em cima, os homens vestiam ternos pretos e camisas engomadas e as mulheres usavam vestidos lindos. Havia também coisas boas para comer e havia fartura. Acima de mim, eu sabia, havia despojamento de espírito, pensamento puro e nobre e uma vida intelectual intensa. Eu conhecia tudo isto porque lera romances na Biblioteca Seaside, nos quais, com exceção dos vilões e aventureiros, todos os homens e mulheres tinham pensamentos lindos, falavam uma linguagem bonita e realizavam ações generosas. Em resumo, assim como eu aceitava o nascer do sol, eu aceitava que acima de mim estava tudo que era fino, nobre e gracioso, tudo o que dava decência e dignidade à vida, tudo o que faz a vida valer a pena e recompensa um homem por seu sofrimento e esforço.

Mas não é particularmente fácil para um homem ascender e sair da classe trabalhadora – especialmente se ele está tomado de ambições e ideais. Eu vivia num rancho na Califórnia e era duro descobrir o caminho por onde subir. Cedo indaguei qual a taxa de juros do dinheiro aplicado e preocupava o meu cérebro de criança com a compreensão das virtudes e excelências desta notável invenção do homem, os juros compostos. Mais adiante, conheci os níveis correntes dos salários para trabalhadores de todas as idades, e o custo de vida. A partir de todos estes dados, concluí que se começasse imediatamente, trabalhasse e poupasse até os cinqüenta anos, poderia então parar de trabalhar e desfrutar da pequena porção das delícias e maravilhas que estariam a meu alcance um pouco acima na sociedade. É claro, decidi resolutamente não casar, enquanto esquecia inteiramente considerar esta grande causa da catástrofe no universo da classe trabalhadora – a doença.

Mas a vida que havia em mim exigia mais que uma pobre existência de restos e escassez. Aos doze anos de idade, me tornei um jornaleiro nas ruas da cidade, e descobri a mim mesmo com uma nova perspectiva. Tudo ao meu redor possuía ainda a mesma sordidez e desgraça, e acima de mim ainda estava o mesmo paraíso esperando para ser conquistado; mas o caminho para subir era um caminho diferente. Era agora o mundo dos negócios. Por que poupar meus ganhos e investir em papéis do governo quando, comprando dois jornais por cinco centavos, num piscar de olhos eu podia vende-los por dez centavos e dobrar meu capital? O mundo dos negócios era para mim o meio de subir de vida, e eu tinha a visão de mim mesmo como negociante, careca e bem-sucedido.

Ai das visões! Quando tinha dezesseis anos fui apelidado de ‘príncipe’. Mas este título me foi dado por uma gangue de assassinos e ladrões, por quem eu fui chamado de ‘O Príncipe dos Piratas de Água Doce’.  Naquele tempo eu havia subido o primeiro degrau no mundo dos negócios. Era um capitalista. Possuía um barco e uma tripulação completa de piratas de água doce. Eu tinha começado a explorar meus semelhantes. Tinha uma equipe sob o comando de um só homem. Como capitão e dono, ficava com dois terços da grana e dava à tripulação um terço, embora eles trabalhassem tão duro quanto eu e arriscassem tanto quanto eu suas vidas e liberdade.

Este degrau foi o máximo que subi no mundo dos negócios. Uma noite participei de um assalto a pescadores chineses. Suas linhas e redes valiam dólares e centavos. Era um roubo, eu admitia, mas era este precisamente o espírito do capitalismo. O capitalista toma os bens de seus semelhantes a título de reembolso, ou traindo a confiança ou comprando senadores e juízes de tribunais superiores. Eu era simplesmente grosseiro. Essa era a única diferença. Eu usava um revólver,

Mas meu grupo esta noite agiu como um daqueles incompetentes a quem o capitalista está acostumado a fulminar, porque, sem dúvida, estes incompetentes aumentam os custos e reduzem os lucros. Com sua falta de cuidado, tocou fogo na grande vela principal e a destruiu totalmente. Não houve nenhum lucro naquela noite, e os pescadores chineses ficaram mais ricos pelas redes e linhas que não pegamos. Eu estava arruinado, sem condições sequer de pagar sessenta e cinco dólares por uma nova vela principal. Deixei meu barco ancorado e saí num barco de piratas da baía numa viagem de saques subindo o rio Sacramento. Enquanto estava fora nesta viagem, outro bando de piratas da baía saqueou meu barco. Eles roubaram tudo, até mesmo as âncoras; e mais tarde, quando recuperei o casco abandonado, vendi-o por vinte dólares. Tinha escorregado de volta o primeiro degrau que havia subido, e nunca mais tentei o mundo dos negócios.



Escrito por goethe às 02h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


Desde então fui implacavelmente explorado por outros capitalistas. Eu tinha a força física, e eles faziam dinheiro com isso enquanto que, apesar do meu esforço, eu levava uma vida verdadeiramente indiferente. Fui marinheiro, estivador e grumete. Trabalhei em fábricas de enlatados, indústrias e lavanderias. Cortei grama, limpei tapetes e lavei janelas. Eu não ganhava nunca o produto inteiro do meu trabalho. Eu olhava para a filha do dono da fábrica de enlatados, em sua carruagem, e sabia que eram meus músculos que ajudava a emperrar aquela carruagem sobre seus pneus de borracha. Eu via o filho do industrial indo para a escola e sabia que era minha força que ajudava, em parte, a pagar o vinho e as boas amizades de que desfrutava.

Mas não ficava ressentido com isso. Eu estava inteiro no jogo. Eles eram a força. Muito bem, eu era forte. Podia cavar meu caminho até um lugar entre eles e fazer dinheiro com a força de outros homens. Eu não tinha medo do trabalho. Amava o trabalho duro. Gostaria de me entregar ao trabalho, trabalhar mais do que nunca e eventualmente me tornar um pilar da sociedade.

E justo aí, com a sorte que gostaria de ter, descobri um patrão com a mesma mentalidade. Eu estava querendo trabalhar, e ele mais que querendo que eu trabalhasse. Pensei que estava aprendendo um ofício. Na realidade, havia substituído dois homens. Pensei que ele estava fazendo de mim um eletricista; de fato, comigo ele estava ganhando cinqüenta dólares a mais por mês. Os dois homens que eu tinha substituído estavam recebendo quarenta dólares por mês cada um; eu fazia o trabalho dos dois por trinta dólares.

Este patrão me fez trabalhar até a morte. Um homem pode adorar ostras, mas ostras demais vão deixa-lo enfastiado com a dieta. E assim foi comigo. O excesso de trabalho me deixou doente. Eu não queria mais ver trabalho. Abandonei o emprego. Me tornei um vagabundo, mendigando de porta em porta, perambulando pelos Estados Unidos e suando sangue em favelas e prisões.

Eu tinha nascido na classe operária e, estava agora, aos dezoito anos, abaixo do ponto no qual tinha começado. Estava caído nos porões da sociedade, jogado no profundo subterrâneo da miséria a respeito do qual não é agradável nem digno falar: eu estava no fosso, no abismo, no esgoto humano, no matadouro, na capela mortuária da nossa civilização. Esta é a parte do edifício social que a sociedade prefere esquecer. A falta de espaço me leva aqui a ignorá-la, e eu devo dizer apenas que as coisas que vi lá me deram um medo terrível.



Escrito por goethe às 02h21
[ ] [ envie esta mensagem ]


Eu estava apavorado até a alma. Eu vi as nuas simplicidades da complicada civilização na qual vivia. A vida era uma questão de abrigo e comida. Para conseguir abrigo e comida os homens vendem coisas. O comerciante vende seus sapatos, o político vende seu humanismo, e o representante do povo, com exceções, é claro, vende a sua credibilidade; enquanto quase todos vendem a sua honra. As mulheres também, nas ruas ou na relação sagrada do matrimônio, estão prontas a vender seus corpos. Todas as coisas são mercadorias, todas as pessoas compradas e vendidas. A primeira coisa que o trabalhador tinha para vender era a força física. A honra do operariado não tinha preço no mercado. O operário tinha músculos e somente músculos para vender.

Mas havia uma diferença, uma diferença vital. Sapatos, credibilidade e honra têm maneiras de renovar a si mesmos. Eram estoques imperecíveis. Os músculos, de outra parte, não se renovavam. Quando um comerciante vende seus sapatos, continuamente repõe seu estoque. Mas não havia como repor o estoque de energia do trabalhador. Quanto mais ele vende a sua força, menos sobra para ele. A força física é a sua única mercadoria, e a cada dia seu estoque diminui. No fim, se não morrer antes, ele vendeu tudo e fechou suas portas. Está arruinado fisicamente e nada lhe restou senão descer aos porões da sociedade e morrer miseravelmente.

Eu aprendi, além disso, que o cérebro era da mesma forma uma mercadoria. Ele também era diferente dos músculos. Um vendedor do cérebro está apenas no começo quando tem cinqüenta ou sessenta anos e seus produtos estão atingindo preços mais altos do que antes. Mas um operário está esgotado e alquebrado com quarenta e cinco ou cinqüenta anos. Eu tinha estado nos porões da sociedade, e não gostava do lugar como morada. Os canos e bueiros eram insanos, e o ar ruim para respirar. Se eu não podia morar no andar de luxo da sociedade, podia pelo menos tentar o sótão. Ele existia, a dieta lá era escassa, mas o ar pelo menos era puro. Assim resolvi não vender mais meus músculos, e me tornar um vendedor de cérebro.

Começou então uma frenética perseguição ao conhecimento. Voltei para a Califórnia e mergulhei nos livros. Enquanto me preparava para ser um mercador da inteligência, era inevitável que deveria me aprofundar em Sociologia. Lá eu descobri, num certo tipo de livros, formulados cientificamente, os conceitos sociológicos simples que eu tinha tentado descobrir por mim mesmo. Outras grandes mentes, antes que eu tivesse nascido, tinham elaborado tudo o que eu havia pensado e muitas coisas mais. Eu descobri que era um socialista.

Os socialistas eram revolucionários, porque lutavam para derrubar a sociedade do presente e tirar dela o material para construir a sociedade do futuro. Eu, também, era socialista e revolucionário. Me liguei a grupos de trabalhadores e intelectuais revolucionários, e pela primeira vez entrei na vida intelectual. Aí descobri mentes aguçadas e cabeças brilhantes. Por aqui encontrei cérebros fortes e atentos, além de trabalhadores calejados; pregadores de mente muito aberta em seu Cristianismo para pertencer a qualquer congregação de adoradores do dinheiro; professores torturados na roda as subserviência universitária à classe dominante e dispensados porque era ágeis com o conhecimento que se esforçavam por aplicar às questões maiores da Humanidade.

Aqui descobri, também, uma fé calorosa no ser humano, um idealismo apaixonante, a suavidade do despojamento, renúncia e martírio – todas as esplêndidas e comoventes qualidades do espírito. Aqui a vida era honesta, nobre e intensa. Aqui a vida se reabilitava, tornava-se maravilhosa: e eu estava alegre por estar vivo. Eu mantinha contato com grandes almas que colocavam o corpo e espírito acima de dólares e centavos, e para quem o gemido fraco de famintas crianças das favelas vale mais do que toda a pompa e circunstância da expansão do comércio e do império mundial. Tudo à minha volta era nobreza de propósitos e heroísmo de esforços, e meus dias e noites eram de sol e estrelas brilhantes, tudo calor e frescor, com o Santo Graal, o próprio Graal de Cristo, o ser humano quente, conformado e maltratado, mas pronto para ser resgatado e salvo no final, sempre ardentes e resplandecentes, diante de meus olhos.

E eu, pobre tolo eu, julgava ser aquilo apenas uma amostra das delícias de viver que eu deveria descobrir acima de mim na sociedade. Tinha perdido muitas ilusões desde os dias em que lera os romances da Biblioteca Seaside no rancho da Califórnia. E estava destinado a perder muitas das ilusões que ainda retinha.

Como mercador da inteligência, fui um sucesso. A sociedade abriu seus portais para mim. Entrei direto no andar de luxo e meu desencantamento foi rápido. Sentei para jantar com os senhores da sociedade; e com as esposas e mulheres do donos da sociedade. As mulheres se vestiam muito bem, admito; mas para minha ingênua surpresa percebi que elas eram feitas do mesmo barro que todas as outras mulheres que eu tinha conhecido lá embaixo nos porões. “A senhora do coronel e Judy O’Grady era irmãs debaixo de suas peles” – e vestidos.

Não foi isto, porém, tanto quanto seu materialismo, o que mais me chocou. É verdade, estas mulheres lindas ricamente vestidas tagarelavam  sobre singelos ideais e pequenos moralismos; mas ao contrário de sua conversa mole, a chave dominante da vida que levavam era materialista. E como elas eram egoístas sentimentalmente! Contribuíam em todas as formas de pequenas caridades, e se informavam sobre a realidade, enquanto todo o tempo os alimentos que comiam e as belas roupas que vestiam eram comprados com os lucros manchados pelo sangue do trabalho infantil, do trabalho exaustivo e mesmo da prostituição.

Quando mencionei tais fatos, esperando em minha inocência que aquelas irmãs de Judy O’Grady arrancassem fora de uma vez suas sedas e jóias tingidas de sangue, elas ficaram furiosas e excitadas, e leram para mim pregações sobre o desperdício, a bebida e a depravação inata que causavam toda a miséria nos porões da sociedade. Quando falei que não podia perceber bem como era a falta de economia, a intemperança e a depravação de crianças quase famintas de seis anos que as faziam trabalhar doze horas por dia numa fiação de algodão sulista, aquelas irmãs de Judy O’Grady atacaram minha vida pessoal e me chamaram de “agitador” embora isto, na verdade, reforçasse meus argumentos.



Escrito por goethe às 02h17
[ ] [ envie esta mensagem ]


Não me dei melhor com os senhores da sociedade. Esperava encontrar homens honestos, nobres e vivos, cujos ideais fossem honestos, nobres e vivos. Andei com homens que estavam nos lugares mais altos – os pregadores, os políticos, os homens de negócios, professores e editores. Comi carne com eles, tomei vinho com eles, andei de automóvel com eles e estudei com eles. É verdade, encontrei muitos que eram honestos e nobres; mas com raras exceções, não estavam vivos. Realmente acredito que poderia contar as exceções com os dedos das minhas mãos. Quando eles não estavam mortos pela podridão moral, atolados na vida suja, eram apenas a morte insepulta – como múmias bem preservadas, mas não vivas. Neste sentido, poderia especialmente citar professores que conheci, homens que vivem de acordo com o decadente ideal universitário, “a perseguição sem paixão da inteligência sem paixão”.

Conheci homens que invocavam o nome do Príncipe da Paz em seus discursos contra a guerra, e que botaram nas mãos dos Pinkertons rifles que abateram grevistas em suas próprias fábricas. Encontrei homens incoerentes indignados com a brutalidade de lutas de boxe e pugilismo, e que, ao mesmo tempo, participavam da adulteração de alimentos que a cada ano matavam mais bebês do que qualquer Herodes de mãos vermelhas jamais tinha matado.

Em hotéis, clubes, casas e Pullmans, em cadeiras de navios a vapor conversei com capitães de indústria e me espantei como eles eram pouco viajados nos domínios do intelecto. Por outro lado, descobri que sua inteligência para negócios era excepcionalmente desenvolvida. Descobri também que sua moralidade, quando há negócios envolvidos, nada vale.

O delicado, destacado e aristocrático cavalheiro era um testa-de-ferro de corporações que secretamente roubavam viúvas e órfãos. Este cavalheiro, que colecionava edições de luxo e era patrocinador especial da literatura, pagou chantagem a um chefão político de queixo duro e sobrancelhas escuras da máquina municipal. Este editor, que publicou propaganda de medicamentos licenciados com medo de perder o anunciante, me chamou de canalha demagogo porque lhe disse que sua economia política era antiquada e sua biologia, contemporânea de Plínio.

Este senador foi a ferramenta e o escravo, o pequeno fantoche de uma máquina indecente e ignorante de algum chefão político; assim eram o governador e seu juiz no Tribunal de Justiça; e todos os três tinham passes para viajar de graça na estrada de ferro. Este homem, falando seriamente sobre as belezas do idealismo e a bondade de Deus, tinha recém-traído seus camaradas numa questão de negócios. Este homem, pilar da igreja e grande contribuinte de missões no exterior, obrigava as garotas de suas lojas a trabalhar dez horas por dia por um salário de fome e portanto encorajava diretamente a prostituição. Este homem, que dá dinheiro à universidade, comete perjúrio em tribunais por causas de dólares e centavos. E o grande magnata da estrada de ferro quebrou sua palavra de cavalheiro e cristão quando admitiu abatimentos secretos para um dos capitães de indústria empenhados numa luta de morte.

Era o mesmo em todo lugar, crime e traição, traição e crime – homens que estavam vivos não eram honestos nem nobres; homens que eram honestos e nobres não estavam vivos. Então havia uma grande massa sem esperanças, nem nobre nem viva, mas simplesmente honesta. Ela não podia errar positiva ou deliberadamente; mas errava de maneira passiva e ignorante ao concordar com a imoralidade generalizada e os lucros que ela produz. Se fosse nobre e viva, não seria ignorante,e teria se recusado a dividir os lucros do crime e da traição.



Escrito por goethe às 02h13
[ ] [ envie esta mensagem ]


Percebi que não gostava de viver no andar do luxo da sociedade. Intelectualmente era aborrecido. Moralmente e espiritualmente, eu estava doente. Eu lembrava meus intelectuais e idealistas, meus pregadores sem hábito, professores desempregados e trabalhadores honestos com consciência de classe. Lembrava meus dias e noites de sol e estrelas brilhando, quando a vida era uma maravilha doce e selvagem, um paraíso espiritual de aventuras não-egoístas e um romance ético. E diante de mim, sempre resplandecente e excitante,  eu vislumbrava o Sagrado.

Esta é minha perspectiva. Vejo à frente um tempo em que o homem deverá progredir em direção a alguma coisa mais valiosa e mais elevada que seu estômago, quando haverá maiores estímulos para levar os homens à ação que o incentivo de hoje, que é o incentivo do estômago. Conservo minha crença na nobreza e excelência da Humanidade. Acredito que a doçura e o despojamento espiritual vão superar a gula grosseira dos dias de hoje. E no fim de tudo, minha fé está na classe trabalhadora. Como tem dito um francês: “A escada do tempo está sempre ecoando com um sapato de madeira subindo e uma bota polida descendo”!

 

Newton, Iowa

Novembro de 1905



Escrito por goethe às 02h11
[ ] [ envie esta mensagem ]


chama o pasquale

Novilíngua purtugueza. Facim, facim de intendê.



Escrito por goethe às 23h38
[ ] [ envie esta mensagem ]


a felicidade é uma cama quente?

O sonho acabou. John Lennon e Yoko Ono viraram tema de campanha de motel. A publicidade é mesmo um moedor de ideologias. Aproveitar a fama dos outros para armar a cama. Literalmente. É assim que se faz dinheiro. Mesmo rasgando a fantasia.



Escrito por goethe às 23h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


olga: um filme que preste?

Noite de sábado. Sala com os 193 lugares ocupados. Todos querendo ver Olga. Sinal de que um trailer bem editado e a campanha publicitária de uma rede poderosa de TV podem alavancar a bilheteria do cinema nacional.

Pelo trailer, já se comprovava a capacidade criativa de nossos técnicos. Bela cenografia, objetos de época, figurinos. A neve em pleno Bangu.

Filme começa. Os olhos de Camila Morgado ganham a tela. E tome close. Se os ditos cujos são o espelho da alma, a coitada foi sugada por Jayme Monjardim, o diretor. Dizem que na vida real isto está acontecendo mesmo. Sei não.

A crítica especializada diz que o filme é um novelão. E é mesmo. O enredo se baseia mais na história de amor entre Olga e Prestes e pincela apenas o painel histórico que está por trás disso tudo. O direcionamento é para o choro convulsivo no final. Da mulherada que é maioria na sala.

O problema é que não entrei no clima, apesar de já ter lido o livro de Fernando Morais e saber que é uma grande história. O problema foi a trilha sonora. Vou ficar sem ouvir violino por umas duas semanas. Passei da metade do filme para o final tentando imaginar como seriam as cenas sem a música incidental. Aposto que ficaria bem melhor. Eu nem precisava me preocupar com o que iria acontecer na tela. Se fosse uma cena triste ou de tensão, a violinada se encarregava de antecipar.

Os atores não precisam se esforçar muito. Até porque a caracterização de Prestes, Vargas e coadjuvantes é rasteira. Uns são santos, outros são malvados. A história mostrou que não foi bem assim. Tanto que Prestes se aliou depois a Vargas, o mesmo homem que enviou sua esposa amada grávida para a Alemanha de Hitler. E o filme passa ao largo disso. Olga também não era nenhuma ingênua. Defensora do regime stalinista, estava preparada para o pior. Treinada para matar.

Em todo caso, é bom assistir a um filme na nossa língua, sem precisar de legendas. Como Camila Morgado era mais baixa do que Caco Cioccler, que fez o Prestes, ela precisou usar um salto maior para superar em altura o parceiro. Na cena da prisão, dá para perceber que ela está com um sapato quando é levada junto com Prestes e depois, na sequência, quando está sozinha, usa um pisante diferente.

No mais, por favor, não me dêem de presente a trilha sonora deste filme. Por favor.



Escrito por goethe às 00h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


serviço de achados e perdidos

Procura-se o filho-da-mãe que inventou de ter só para ele este quadro do Munch. Os amantes da arte estão desesperados.



Escrito por goethe às 00h03
[ ] [ envie esta mensagem ]


vai um tubarão aí?

Fui convocado para o plantão deste sábado. Estava eu na redação, com um frio da gota serena, quando o telefone toca. "Vocês estão sabendo de um novo ataque de tubarão?". Então começa a correria: ligar para motorista, localizar fotógrafo, dividir tarefas entre repórteres, fazer busca nos arquivos. Desta vez foi um turista paulista, que avançou além da linha dos arrecifes e saiu do banho de mar sem a panturrilha direita. O estrago maior vai ser na imagem de Pernambuco. Os tubarões estão cada vez mais avançando em seus ataques. Em breve, estarão na areia.



Escrito por goethe às 17h15
[ ] [ envie esta mensagem ]


hoje eu tive um sonho....

"Talvez seja o colchão", disse a minha namorada. O fato é que, nos últimos dias, estou tendo pesadelos diários. Sempre acordo tentando me lembrar de tudo, mas os episódios vão se diluindo ao longo das horas. Geralmente envolvem questões de trabalho. O da madrugada de hoje tinha relação com uma viagem que teria que fazer a Brasília, mas estava em Caruaru e não conseguia chegar a Recife a tempo de fazer as malas e ir ao aeroporto. Todos os meios de transporte, ônibus, táxis e até carroças, passavam lotados e ninguém cedia o lugar. Como vem acontecendo, depois de me angustiar muito, começo a questionar a veracidade da história. "Isto não está acontecendo. Eu estou sonhando", começo a pensar. E aí acordo. Definitivamente, viver é melhor que sonhar.



Escrito por goethe às 21h16
[ ] [ envie esta mensagem ]


quebrando um galho

Yo no sé dónde nací,

Ni sé tampoco quién soy.

No sé de dónde he venío

Ni sé para dónde voy.



Soy gajo de árbol caído

Que no sé dónde cayó.

¿Dónde estarán mis raíces?

¿De qué árbol soy rama yo?


(versos populares de Boyacá, na Colômbia)



Escrito por goethe às 18h59
[ ] [ envie esta mensagem ]


sushi à moda paulista

Às vezes eu cometo o sacrilégio de escrever pequenas troças em forma de hai-kais, a poesia japonesa que é desafio de concisão. Sou apaixonado pelos três versos que tentam resumir o mundo. Matsuó Bashô é meu grande mestre. O primeiro autor de hai-kais no Brasil foi Luís Aranha, modernista de primeira hora. No seu livro "Cocktails", escrito em 1921 mas inédito até 1984, mostrou seu talento mesmo não seguindo rigorosamente a métrica nipônica. Se era modernista era para ser iconoclasta, certo? O que importa é que ele fez história e eu, modestamente, mantenho o hábito de praticar canhestramente a arte dos hai-kais. Tenho uma porção deles no meu inédito "Pipoca". São tão bons e originais que nem ouso publicá-los aqui. O Luís Aranha é melhor, como pode-se conferir aqui. A propósito, o homem é o sentado na cadeira à direita nesta foto dos modernistas em 1922.


Jogaste tua ventarola para o céu

Ela ficou presa no azul

Convertida em lua


Pardas gotas de mel

Voando em torno duma rosa

Abelhas 



Escrito por goethe às 17h29
[ ] [ envie esta mensagem ]


hai-kai do balzaquiano

realmente estou velho,

pude ver no espelho:

orelhas cheias de pêlos



Escrito por goethe às 15h12
[ ] [ envie esta mensagem ]


música na biblioteca

O livro já havia sido lançado no Brasil em 1997. Agora a editora L&PM resolveu bancar uma nova edição, desta vez em dois volumes, na sua série Pocket. É diversão garantida. "Mate-me Por Favor" traz centenas de artistas e outros personagens que fizeram história no movimento musical denominado de punk, que começou a tomar forma ainda em 1967, segundo os autores, com o surgimento da banda Velvet Underground. O mérito do livro é dar voz aos protagonistas de histórias absurdas, engraçadas e comoventes sem uma narrativa que costure tudo. Se alguém fala de outro, este outro vem a logo a seguir contando sua versão. É leitura rápida, como uma boa música de três acordes deve ser.  



Escrito por goethe às 22h35
[ ] [ envie esta mensagem ]


o monstro vem aí

Cuidado: o guia eleitoral vai começar. Tire as crianças da sala. Pensando bem, é melhor prepará-las desde cedo. O show de horror é capaz de nos arrancar boas risadas. O pior só percebemos depois.



Escrito por goethe às 19h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


pelo sim, pelo não, pela venezuela

E a Venezuela decide pela permanência de Hugo Chavez no poder. O homem já esteve em Pernambuco, onde participou da inauguração de um monumento em homenagem a Abreu e Lima, o revolucionário amigo de Simón Bolívar. Por falar em Bolívar, ele também tem sua estátua colocada na fronteira entre Recife e Olinda, mas não é respeitado: sua espada de bronze sempre é roubada. Os dois sonharam e lutaram por uma América unida. Chavez usa este mote, mas não consegue fazer o dever de casa. Os séculos mudaram. Ou será que mudaram os nativos deste continente? Estas questões são discutidas com mais profundidade no http://locoporti.zip.net/. Eu sou apenas um rapaz latino-americano...



Escrito por goethe às 19h50
[ ] [ envie esta mensagem ]


um brinde a quem compete neste domingo



Escrito por goethe às 22h40
[ ] [ envie esta mensagem ]


e as olimpiadas começaram

 

Ok, eu só penso em safadeza. Mas não sou o único... Outros (e outras) também perceberam que a pira olímpica de Atenas tinha um design diferente. Se fosse no Recife, diriam que teria sido concebida por Brennand. Aquele negócio abaixando e depois levantando com fogo na ponta. Vai ver que na grafia grega pira se escreve de outro jeito. No mais, serão duas semanas de trocadilhos infames. Preparados?

Quem disse que Olimpíada

não presta não vê quando a

atleta sueca mostra a tcheca

Chinês que leva raquetada

e perde bola pra sempre

fica com cara arregalada



Escrito por goethe às 22h37
[ ] [ envie esta mensagem ]


a longa corda do destino

Tinha eu sete anos de idade quando a morte me chamou. Acordei no meio da noite com a movimentação na casa. No quarto dos meus pais, minha mãe chorava. Meu irmão mais velho me levou de volta para a sala. Vivíamos numa casa modesta, quase zona rural de São Luís, capital do Maranhão. Meu pai tinha ido para lá tentar criar com dignidade sete filhos. Tornou-se gerente de uma rede de lojas, mas foi demitido depois para dar lugar ao filho do dono. Virou motorista de táxi. Das minhas poucas lembranças, recordo dele chegando à noite em casa com várias notas amassadas, um bolo de dinheiro que acreditava ser muito, a ponto de comentar que meu pai estava rico. Eu, que já havia jantado, invariavelmente ainda filava a bóia dele. Numa de suas jornadas, meu pai sentiu-se mal. Levado para a grande emergência de São Luís, recebeu uma injeção de glicose. Por estar diabético sem saber, acabou ficando cego. Não durou muito depois disso. Na noite em que morreu lembro de ter ido, no carro de meu tio, acompanhar a compra do caixão. Era um passeio para mim, que pouco tinha saído dos domínios da minha casa. Ganhei roupa nova, uma camisa de botão e um calção pretos. No enterro, eu e meu primo da minha idade corremos pelas lápides do cemitério. Só à noite é que, dormindo numa rede na sala por causa da casa cheia de parentes, vi (imaginei?) meu pai debruçado na cama onde estava minha mãe. Gritei e as pessoas acordaram. Meu pai tinha desaparecido de vez da minha vida.

Quando li nas revistas semanais sobre o novo livro do Drauzio Varella lembrei desta minha história. Também fiquei mais interessado em ler os relatos do médico depois de um belo post do bera, no seu imprescindível blog impressões de ontem. O exemplar, encomendado no site da Submarino, chegou ontem. E já no primeiro capítulo dá pra perceber que é um dos grandes lançamentos do ano. Grandes histórias de vida. Como a minha. E como a sua também.



Escrito por goethe às 01h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


sem atalhos, por favor



Escrito por goethe às 01h05
[ ] [ envie esta mensagem ]


cachorrada em atenas

Por causa das Olimpíadas, cães e gatos de rua em Atenas estão sendo exterminados com uma ração letal que inclui até agrotóxicos. Tudo para não perturbar os turistas que chegam ao berço da cultura ocidental. Fico imaginando como será que os governantes do Rio de Janeiro farão em 2007, com a realização dos Jogos Panamericanos...

* fotos retiradas do site da Peta: http://www.peta.org



Escrito por goethe às 15h58
[ ] [ envie esta mensagem ]


artur, merlin e outros camaradas

O GRAAL (1180 - 1470)

O emblema do Cristo no exoterismo é a cruz, sinal de sua morte; o emblema do Cristo, no esoterismo, é o Graal, símbolo de renascimento.

É necessário que nos imaginemos na Idade Média, sentados sobre os calcanhares, prontos para escutar um narrador. Ele começa a contar. No dia de Pentecostes, os cavaleiros estão reunidos ao redor da Távola Redonda. O Santo Graal surge, coberto por um véu de seda branco. Os cavaleiros juram partir em busca do mesmo. Perceval se dirige ao castelo do rei Peles...

O mito do Graal vai pouco a pouco abrindo caminho. Os cristãos afirmam que José de Arimatéia teria recolhido o sangue do Cristo. Por sua vez, os celtas, em suas narrativas, falam de caldeirões mágicos, do rei Artur, do mago Merlin. Geoffrey de Monmouth menciona, em 1135, o rei Artur, conquistador da Irlanda, da Noruega e da Gália, e Merlin, apresentado como o filho de uma princesa e de um íncubo, com o dom das profecias. O mesmo autor, em 1150, fez de Merlin um rei dos demetae angustiado pela morte dos irmãos, apresentando sinais de loucura, refugiando-se nas florestas, vivendo em uma casa com 70 portas, que obtém a cura ao beber de uma fonte maravilhosa. R. Wace evoca a Távola Redonda ao redor da qual se colocam Artur e seus cavalheiros (1155). Chrétien de Troyes foi o primeiro a falar do Graal. Uma vasta aventura cavaleiresca e imaginária é iniciada. O esoterismo cristão acaba por encontrar um meio de expressão.

Sobre o Graal é imprescindível ler O Conto do Graal ou Perceval de Chrétien de Troyes (1180), Parzival, de Wolfram von Eschenbach (1205), A Demanda do Santo Graal (1225-1230).

Sabe-se de Merlin principalmente graças à Vida de Merlin de Geoffrey de Monmouth ( (editado por E. Farei, em A Lenda Arturiana, vol. 3, 1907), ao Merlin adaptado de Robert de Boron (que faz parte, como A Demanda do Santo Graal, dos cinco volumes do Lancelote Graal) ao Lancelote em Prosa, ao Didot Perceval.

Que um Merlin histórico tenha existido é bem possível. Diversos textos falam de um rei, bardo sem dúvida, de nome Myrddhin (em galês) ou Lailokin, que ficou ‘louco’ após a batalha de Arderyd, na Escócia, em 573. Da mesma forma, o rei Artur dos romances conduz talvez a Artus, rei dos bretões, no sul da Escócia, que comandou uma batalha decisiva para a unificação dos bretões em 523. Artur e Merlin são indissociáveis na qualidade de dupla face da soberania indo-européia: Artur detém o poder temporal; Merlin, a autoridade espiritual.

 

retirado do livro resenhado no post abaixo



Escrito por goethe às 00h31
[ ] [ envie esta mensagem ]


até que nem tanto esotérico assim...

Este calhamaço de 850 páginas está em promoção na Livraria Imperatriz. Custa R$ 9,90. O que me interessa nela é a segunda parte, onde estão compilados textos de pensadores desde a Grécia Antiga até o século passado. É uma boa antologia e fonte inesgotável de consulta. O autor e compilador desta obra, o francês Pierre A. Riffard, é doutor em filosofia e letras e também um pouco doido. Mas fez um grande trabalho em juntar num só volume textos como o da "Tábua de Esmeralda". "Os Versos de Ouro de Pitágoras" eu também tirei deste livro. Os mistérios da vida na palma da mão.

A Tábua de Esmeralda *

(Hermes Trismegisto)

1  Isto é verdade, sem embuste, certo e muito verdadeiro.

2  O que vês em baixo é como o que vês no alto, e o

    que vês no alto é como o que vês embaixo, para

    perpetuar o milagre de uma só coisa.

3  E do mesmo modo que tudo vem do um, pela meditação

    de um só, da mesma forma tudo o que nasce vem dessa

    realidade única, por adaptação.

4  Seu pai é o Sol; sua mãe, a Lua; o vento o carregou

    em seu ventre; a terra é sua nutriz.

5  O pai de todo Telesma do mundo inteiro está aqui.

6  Sua energia é íntegra, se ela é dirigida à Terra.

7  Tu separarás a terra do fogo, o sutil do espesso,

    delicadamente, com grande inteligência.

8  Ele se eleva da terra para o céu, e de novo desce

    à terra, e recebe a energia do superior e do inferior.

    Assim, tu terás a glória do mundo inteiro. É por isso que

    toda obscuridade se afastará de ti.

9  Eis a força de toda a força: pois ela vencerá todo

    o sutil e penetrará todo o sólido.

10 Assim o mundo foi criado.

11 Deste serão as admiráveis adaptações, cujo modo é este aqui.

12 E assim sou chamado Hermes Trismegisto, representando

    três partes da filosofia do mundo inteiro.

13 O que eu disse sobre a operação do Sol está completo.

* versão latina c. 1250

A famosa Tábua de Esmeralda sempre foi utilizada como ponto de partida para os estudiosos da alma humana. Segundo dizem, neste pequeno texto, originariamente gravado em uma esmeralda, estão encerrados os mais secretos segredos da vida. Alquimistas, filósofos, magos, cabalistas, basearam suas pesquisas neste fragmento de sabedoria atribuído a um sábio egípcio chamado Hermes Trismegisto. Daí o motivo do nome hermetismo para generalizar as diversas correntes ocultistas ao longo do tempo.

Vale conferir a versão de Jorge Ben ao texto de Hermes Trismegisto no seu disco de 1974. Aliás, o nosso Babulina lançou disco novo em que tenta repetir a experiência do som dourado. Mas a alquimia parece que não funcionou desta vez...



Escrito por goethe às 10h50
[ ] [ envie esta mensagem ]


apertem os cintos

A caixa pequena guarda um tesouro. São cinco DVDs com 578 minutos de depoimentos e apresentações ao vivo de grandes nomes da música que chacoalhou o mundo. São 240 entrevistas mais 250 músicas de gente como Elvis, Chuck Berry, Beatles, Hendrix, The Who, Led Zeppelin, Sex Pistols. Material suficiente para justificar ficar em frente da telinha até os olhos marejarem. Entrei definitivamente para o time dos saudosistas de plantão. Esta série de dez episódios foi produzida pelo músico Quincy Jones, o que justifica a quantidade de artistas que se dispôs a deixar suas impressões sobre seu papel na longa jornada do rock ao longo de três décadas. Lançada em 1995, não ficou datada. E não deixa de ser uma boa sugestão para se lançar algo similar com os nossos arquivos nacionais. Quantas preciosidades musicais estão se perdendo (lembro, de imediato, dos grandes festivais da década de 60) sem que tenhamos a possibilidade de rever quando quisermos?



Escrito por goethe às 10h39
[ ] [ envie esta mensagem ]


chacrinha continua balançando a pança

 

Comprei a Época desta semana para esperar a hora do filme e acabo me deparando com estas fotos dos artistas de Hollywood que fazem muitas donzelas suspirarem. Contra paparazzi não há programa de tratamento de imagem que dê jeito. Se forem um dia passar as férias no Nordeste seriam conhecidos como "bucho-de-lama". Nada que alguns milhões de dólares e preparação intensiva para um filme de ação não resolva. Ainda bem que não preciso de todo este esforço. Do dinheiro, sim, só um pouquinho.



Escrito por goethe às 01h10
[ ] [ envie esta mensagem ]


palma para ele

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "Fahrenheit 9/11" é um bem-articulado panfleto para impedir a reeleição de George W. Bush (na verdade, o moita nem realmente conseguiu o posto de forma legítima). Michael Moore repete a fórmula já usada nos seus dois "documentários" anteriores, "Roger e Eu" e "Tiros em Columbine": aparece em cena, força a barra para garantir sua idéia e tenta coagir os inimigos com uma câmera nas fuças. Mérito mesmo vai para quem conseguiu as imagens de TV que desmontam a teoria de que os norte-americanos iriam dar um passeio no Iraque. Os depoimentos das mulheres que perderam os filhos no conflito (uma norte-americana e outra iraquiana) são o ponto mais forte deste filme. É importante conferir este trabalho na telona, antes que ele fique datado. Ou antes que o Bush vença. Toc-toc.



Escrito por goethe às 23h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


como acontece todas as semanas...

Mais cincos para a coleção do http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 22h35
[ ] [ envie esta mensagem ]


era um domingão, tinha muito sol...

Tradução perfeita para quem trabalha num domingo de sol...


Aliás, em se tratando de Garfield, algumas considerações a respeito do filme do gato:

1) Só existe no Recife uma sessão com a versão original do filme, onde Bill Murray se encarrega de dar voz ao bichano. Assisti ao filme em Caruaru e a dublagem já desanima.

2) Os produtores fizeram um filme mais voltado para as crianças. Algumas piadas são boas, mas não seguram muito na cadeira quem preferia um humor mais sarcástico.

3) Ainda tive o azar de ficar vendo os microfones invadindo a tela. Se já era difícil acreditar num gato computadorizado, imagina ver os seres humanos conversando com um cilindro preto, grosso e peludo seguindo-os na cena.

4) Talvez o filme fique melhor se for visto numa segunda-feira...



Escrito por goethe às 09h56
[ ] [ envie esta mensagem ]


vai lá na banca que tem

Custa R$ 3,50. E aí você leva para casa uma coletânea das melhores charges publicadas nas últimas edições do Pasquim 21. É coisa para rir, chorar e pensar. E para se admirar com a nossa capacidade de se reinventar em pleno processo. Como diria Millôr: "o homem é o único animal que ri. E rindo, ele mostra o animal que é".



Escrito por goethe às 00h13
[ ] [ envie esta mensagem ]


sem perfume, sem rosa, sem nada

No dia 6 de agosto de 1945, o relógio marcava 08h15 quando a bomba nuclear lançada por um B-29 explodiu em Hiroshima, deixando 140 mil mortos e outras 100 mil vítimas da radiação. Três dias depois, foi a vez de Nagasaki. Como aconteceu na recente invasão ao Iraque, os Estados Unidos não deram ouvidos aos organismos internacionais e preferiram fazer um ataque "preventivo".

Um ano depois do ataque, o jornalista John Hersey escreveu exatas 31.347 palavras para relatar histórias dos sobreviventes. No dia 31 de agosto de 1946, a revista The New Yorker vendeu 300 mil exemplares com a reportagem, que depois tornou-se livro, editado recentemente no Brasil pela Companhia das Letras.

Vale a pena conferir os relatos de Toshiko Sasaki, funcionária da Fundição de Estanho do Leste da Ásia, do médico Masakazu Fujii, de Hatsuyo Nakamura, viúva de um alfaiate que se alistara em 1942 e morrera no campo de batalha, do padre jesuíta alemão Wilhelm Kleinsorge, do jovem cirurgião Terufumi Sasaki e do reverendo Kiyoshi Tanimoto, pastor da Igreja Metodista de Hiroshima. Principalmente porque eles refizeram sua trajetória de vida 40 anos depois.

 

“A situação do dr. Fujii, do dr. Kanda e do dr. Machii – e, por extensão, da maioria dos médicos de Hiroshima – logo após a explosão, com seus consultórios e hospitais destruídos, seu equipamento disperso, seus próprios corpos incapacitados em diferentes graus, explica por que tantos feridos não receberam cuidados e por que morreram tantos cidadãos que podiam ter sido salvos. Dos 150 médicos existentes em Hiroshima, 65 estavam mortos e os restantes se encontravam, na maioria, feridos. Das 1780 enfermeiras, 1654 estavam igualmente mortas ou impossibilitadas de agir.”

“Para o padre Kleinsorge, um ocidental, o silêncio no bambual perto do rio, onde centenas de feridos sofriam juntos, foi um dos fatos mais terríveis e espantosos de toda a sua experiência. Ninguém chorava e muito menos gritava de dor; ninguém se queixava; ninguém agonizava ruidosamente; nem as crianças choravam; pouca gente sequer falava. E quando o jesuíta deu de beber a alguns infelizes cujos rostos estavam praticamente desfeitos em função das queimaduras, eles se soergueram e se inclinaram para lhe agradecer.”

Rosa de Hiroshima
Vinicius de Moraes / Gerson Conrad

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada



Escrito por goethe às 14h15
[ ] [ envie esta mensagem ]


pesadelo da madrugada



Escrito por goethe às 03h31
[ ] [ envie esta mensagem ]


ao mestre, com carinho

Com sua Leica, o francês Henri Cartier-Bresson esperava sempre captar "o momento decisivo", instante mágico em que a luz transformava-se em história. "A câmera é o prolongamento do meu olho", disse ele. Aos 95 anos, os olhos de Bresson fecharam-se, mas sua obra vai permanecer como referência por muitos séculos. A sensibilidade é o seu legado. Feliz de quem cumpre sua missão nesta vida. 



Escrito por goethe às 17h40
[ ] [ envie esta mensagem ]


os versos de ouro de pitágoras (parte I)

 

1 Em primeiro lugar, honra os deuses imortais, segundo a classe que lhes é indicada pela lei.

2 Venera também o Juramento. A seguir, honra os heróis gloriosos.

3 E os demônios terrestres cumprindo as prescrições da lei.

4 Honra também teus pais e aqueles nascidos em tua família;

5 Dentre outros, faz teu amigo aquele que é exímio em virtudes,

6 Cede às palavras de bondade e às obras salutares.

7 Não detestes, jamais, teu amigo por causa de uma falta leve.

8 Na medida em que tu o podes: pois a possibilidade habita junto à necessidade.

9 Aceita-o tal como é. Quanto ao que vem a seguir, habitua-te a te tornares senhor:

10 Absolutamente em primeiro lugar, o apetite e o sono, depois a luxúria

11 E a cólera. Jamais comete uma ação vergonhosa: nem com um