fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


nunca é tarde para escrever

"Desde aquela vez em que ele conviveu durante quase um ano com a sensação de haver perdido a intimidade com a palavra, cada frase que escrevia, e lhe despertava o impulso de uma possível continuação, tornou-se para o escritor notável. Cada vocábulo que conduzia a outro, não verbalmente, mas por escrito, fazia-o respirar fundo e trazia-o de volta ao mundo; para ele o dia só começava verdadeiramente se houvesse uma anotação feliz, uma inspiração que lhe permitisse chegar à manhã seguinte; ou, pelo menos, era isto que se dizia.

Mas será que esse medo da paralisia, do não poder seguir em frente e até mesmo da ruptura definitiva, não estivera presente toda avida, não apenas no que dizia respeito ao ato de escrever, mas também em todas as outras ações: o amor, o aprendizado, a participação - tudo, em absoluto, que exigisse o ater-se à coisa ela mesma? Será que o problema de sua profissão não lhe oferecia a metáfora do problema da sua existência e lhe mostrava, com exemplos evidentes, como tudo estava disposto? Quer dizer, não 'o eu enquanto escritor', mas sim 'o escritor enquanto eu'? E será que ele não se levava a sério como escritor desde aquela época em que pensara ter cruzado, sem possibilidade de retorno, a fronteira da língua, com o risco do conseqüente recomeço dia após dia - logo ele que usava a expressão 'escritor' no máximo de maneira irônica ou constrangida, apesar de haver passado mais da metade da vida com o pensamento posto no ato de escrever?"

Encontrei este livro na última viagem a Garanhuns. Estava lá na calçada de uma loja de armarinho, entre livros de Paulo Coelho e de romances de José de Alencar em versões para estudantes que vão fazer redação no vestibular. Paguei R$ 2,99 por este exemplar de 80 páginas. Nele, Peter Handke, o austríaco que é parceiro de Win Wenders - é dele as obras que viraram filme: Asas do Desejo, O Medo do Goleiro Diante do Pênalti e Movimento em Falso - escreve sobre a tarde de um escritor e a dificuldade deste em escrever. Voltei lendo no carro, nas poucas mais de quatro horas de viagem até o Recife. Os dois primeiros parágrafos verbalizaram o que eu já sentia mas não sabia como dizer. Uma viagem ao interior que rendeu mais do que palavras.



Escrito por goethe às 23h23
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hino para a semana pré-eleitoral

"Que nadie venga a querernos quitar esta triste alegría
Donde la gente se pone a bailar, donde la gente se olvida
Porque hoy estoy peor que ayer pero mejor que mañana
Vamos a gritar señor hasta que no queden ganas"

      (HOY ESTOY PEOR QUE AYER)


Escrito por goethe às 00h48
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pare de tomar a pílula

O livro será a minha próxima aquisição, mas já comprei o disco para adiantar. São 14 músicas de artistas como Waldik Soriano (Tortura de Amor e Eu Não Sou Cachorro Não), Odair José (Em Qualquer Lugar, Uma Vida Só - Pare de Tomar a Pílula, Viagem e Vou Tirar Você Desse Lugar), Paulo Sérgio (Não Creio Em Mais Nada), Evaldo Braga (A Cruz Que Carrego), Benito di Paula (Retalhos de Cetim), Agnaldo Timóteo (A Galeria do Amor) e Balthazar (Garoto de Rua). Na década de 70, eles faziam sucesso nas rádios mas eram desprezados pela crítica. Eram bregas, diziam. Mas as canções que iam parar na boca do povo tratavam de temas como sexo, drogas, racismo, homossexualismo e exclusão social. Seus autores também foram alvo da censura. O encarte deste disco traz a história de cada faixa. Uma forma de mostrar que o que é desprezado merece respeito. A seleção foi feita por Paulo César Araújo, o autor do livro que trata sobre o tema. Ele não é cachorro, não. E nem nós.



Escrito por goethe às 00h14
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pelas tuas que andei

Você anda pela cidade. O mesmo percurso até o trabalho. Até que percebe um rastro de destruição. As referências alteradas sutilmente ao longo de semanas. O que era uma casa agora é uma loja ou um prédio residencial. Pior ainda, um terreno vazio.

A segunda-feira foi de constatação. O que verei dentro de poucos anos. Casas do século passado darão lugar a espigões? Quem vai contar a história delas e de seus ocupantes?

O bairro da Boa Vista (o Recife é cheio de nomes poéticos. Moro na rua das Ninfas, perto da rua da Soledade, no mesmo trecho da rua da Aurora que é paralela à rua do Sol) foi uma das primeiras ocupações da outra margem do Capibaribe. Espaço ocupado por comerciantes judeus e famílias que não tinham posses para morar em lugares mais distante e aprazíveis como o Poço da Panela. Pouco resta para se ver, além de ruínas.

Aliás, cada vez menos. O progresso nos leva a algum lugar. Espero que a algum endereço com gente morando decentemente.



Escrito por goethe às 22h43
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é uma partida de futebol

Este livro eu fui conhecer fazendo uma busca por outro título no site da Submarino. Interessei-me pela história e acabei adquirindo este ao invés do que estava originalmente pretendendo. São 201 páginas de um verdadeiro roteiro cinematográfico de uma história real. Em junho de 1941, os alemães invadem a Ucrânia. Todos sofrem com o horror do nazismo, inclusive os jogadores do Dínamo de Kiev, um dos melhores times da União Soviética e da Europa no pré-guerra. Os que sobrevivem acabam trabalhando numa padaria e têm a permissão para voltar a jogar futebol. Vencem todos os jogos contra os escretes dos dominadores, o que acaba resgatando o orgulho dos ucranianos. A situação não iria durar muito. Em 9 de agosto de 1942, o time do Start, cujo nome tem o mesmo significado da palavra inglesa, entra em campo para enfrentar da Luftwaffe, a força aérea alemã. O resultado? Só vendo no livro. Não é difícil de imaginar. O escocês Andy Dougan fez um belo trabalho de pesquisa e acabamos vestindo também a camisa do Start. É futebol, mas também a vida em jogo.  



Escrito por goethe às 21h16
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conexão caribe-áfrica-brasil

São Pedro não colaborou muito e a chuva parava e voltava no Marco Zero. Mas foi uma noite histórica neste último sábado no Marco Zero. Uma noite do mundo. Shows gratuitos e a oportunidade de conferir ao vivo um variado cardápio musical. Graças à multinacional holandesa Philips, Recife foi a primeira escala de um festival que vai ter versões em São Paulo e Rio de Janeiro. Por causa da chuva perdi o início, com as apresentações de Sivuca e Orquestra Sinfônica do Recife e o cantor sul-africano Vusi Mahlasela. Quem estava lá antes disse que se esbaldou de dançar. Cheguei quando estava tocando a figura aí da foto, o cantor e guitarrista Manecas Costa, de Guiné Bissau. Pelo fato de falar português e pela alegria, foi para mim o melhor show da noite. Ficou difícil para a banda cubana Los Jubilados, formada por velhinhos acima de 60 anos e depois para o pianista, cantor e compositor Ray Lema, da República do Congo, continuar animando a multidão molhada pela chuva. O evento foi criado para comemorar os 80 anos de criação da empresa, mas o som estava uma lástima para todos. Nem dava para ouvir direito o que cantavam, principalmente na hora dos Los Jubilados, que passaram pouco mais de uma hora no palco. Simpático, Ray Lema contou com o auxílio luxuoso do cantor paraibano Chico César. Toca muito bem, tem uma voz marcante, mas o repertório era mais para um concerto do que para um show ao ar livre. Entre mortos e feridos, Recife ficou por algumas horas conectado com o mundo. Ainda precisamos de muito mais.



Escrito por goethe às 20h39
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cada cidade tem o monumento que merece

Recife

 

Nova York



Escrito por goethe às 03h21
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valei-me, frei Damião

São Joaquim do Monte é uma cidade localizada no Brejo pernambucano, a 137 quilômetros do Recife. Foi uma das cidades por onde nesta última jornada. Situado a 463 metros acima do nível do mar, é um lugar com clima agradável, habitado por cerca de 20 mil almas que se orgulham do ponto turístico existente: o santuário de frei Damião.

Frei Damião de Bozzano foi um missionário italiano que ficou famoso no Nordeste por sua catequese. Andava belas brenhas mandando o povo rezar e construir igrejas. Para ele, quase tudo era pecado. Morreu velhinho, aos 98 anos de idade, no Recife, em maio de 1997. O povo devoto de São Joaquim do Monte ergueu uma estátua para o capuchinho. Tem 3,8 metros de altura e pesa 3,5 toneladas. O artista deu um jeito na postura do frei, que viveu os últimos anos com o queixo colado no peito. A corcunda era sua marca registrada.

No dia 28 de agosto, consagrado a São Joaquim, a cidade recebe muitos romeiros que vêm fazer promessa ou agradecer alguma graça alcançada através de frei Damião. Alguns amarram fitas coloridas aos pés da estátua, com o pedido especificado.

Nossa Senhora ainda ajuda os mais necessitados. O escultor desta imagem, que fica em outro mirante. Nessas horas, um reforço vai bem, principalmente se o pecado for grande.

Logo na entrada, uma pequena fonte reúne esculturas de animais da fauna nordestina. Se você ainda se questiona o porquê de um golfinho fazer parte do cenário, definitivamente não acredita em milagres.



Escrito por goethe às 02h38
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cristo redentor, braços abertos sobre a guanabara

O trailer do filme prometia. E "Redentor" realmente desponta como um dos melhores filmes brasileiros desta retomada do cinema nacional. O diretor, Cláudio Torres, filho dos atores Fernando Torres e Fernanda Montenegro, demorou quase uma década para levantar o dinheiro necessário para bancar os efeitos especiais que não decepcionam. Aliás, com os US$ 6,5 milhões que juntou, realmente operou milagres. A história é muito boa e o elenco não compromete. E, no final, ninguém se salva. Ou melhor, todos se redimem. Quer dizer, aparentemente. Ou será que ninguém? Não entendeu? Não vou contar a história aqui. Posso ser castigado, ainda mais porque sou desta espécie que desacredita por profissão.



Escrito por goethe às 01h23
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aperte o botão para subir

 

Se realmente se converteu depois que saiu da cadeia, o José Carlos dos Reis Encina, vulgo Escadinha, agora pode negociar um quartinho no andar de cima. O bandido que ganhou notoriedade na década de 80 por suas fugas espetaculares esteve pela última vez em evidência. Ao ouvir a notícia da sua morte, lembrei-me de uma música do Big Audio Dynamite, a banda que o guitarrista Mick Jones montou depois que saiu do The Clash, que homenageia Escadinha. A letra está aí do lado da capa do CD. "Sambadrome" tem ainda trechos da narração de um gol do Brasil na Copa de 86, diálogos do filme "O Bandido da Luz Vermelha", do Sganzerla e notícias de programas policiais. Pensando bem, não mudou muita coisa nestes quase 20 anos. O crime organizado abandonou escadinha e agora vai de elevador.



Escrito por goethe às 00h39
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pra ver se um dia descanso feliz

De novo na estrada. Minha vida é mesmo andar por este país... Além de "Vida de Viajante", do Luiz Gonzaga, amigos estão coletando músicas que tenham relação com o fato de estar fora de casa. A relação está crescendo. Participe, mande sua sugestão. Gravarei um CD que fará companhia nas longas horas de asfalto. Vale até de outros países também. A lista preliminar já tem pérolas como "Bye, Bye, Brasil", de Chico Buarque, "Born To Be Wild", do Steppenwolf, "Caminhoneiro", do Roberto Carlos, "BR-3", do Tony Tornado, "I Drove All Night", do Roy Orbison, "Infinita Highway", dos Engenheiros do Hawaii...Você lembra de mais alguma?

Até a volta novamente.

Vida de viajante

(Luiz Gonzaga)

Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei
Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro, mais uma estação
E alegria no coração


Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei
Mar e terra, inverno e verão
Mostro o sorriso
Mostro alegria, mas eu mesmo não
E a saudade no coração



Escrito por goethe às 00h07
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vocês querem rock'n'roll?

Este livro de 480 páginas me fez companhia durante as 18 horas de viagem entre São Paulo e Nova York. Trata-se de um estudo feito por um professor justamente de... História do Rock na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. De uma forma didática, traça um painel deste tipo de música do início dos anos 50 até metade dos anos 90. É um excelente complemento para a caixa de cinco DVDs que está citada logo abaixo. Todos os nossos heróis estão citados aqui, com direito a pequenas biografias de artistas e bandas que influenciaram nosso comportamento. Digo nosso porque, mesmo num país periférico, fomos atingidos pelo som das guitarras. Adquiri este exemplar na Submarino porque não encontrei nada nas livrarias convencionais. É material de consulta. E de prazer também.

"O rock'n'roll é veneno posto no som" - Pablo Casals, violoncelista

"Rock'n'roll é somente rhythm and blues. É a mesma coisa que tenho tocado há 15 anos em Nova Orleans" - Fats Domino, pianista

"Para mim rock'n'roll é música folk. Música de rua. Não se aprende na escola. Tem que ser captada" - Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin

"O melhor rock'n'roll armazena uma alta dose de energia - uma certa raiva - tanto no estúdio quanto ao vivo. É isso, rock'n'roll só é rock'n'roll se não for seguro" - Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones

"Você pode teorizar o quanto quiser sobre rock'n'roll, mas ele é essencialmente uma coisa não intelectual. É música e só!" - Jann Wenner, co-fundador da revista Rolling Stone



Escrito por goethe às 23h53
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o que é isso, companheiro?

Muita justa a escolha de "Olga" como o filme brasileiro que vai disputar uma indicação para a festa do Oscar no próximo ano. Afinal de contas, vamos apresentar aos gringos o que nós sabemos fazer de melhor: um grande novelão em tela grande. Com exceção da direção de arte, "Olga" é um dramalhão que conta uma história sem profundidade e que tem uma das piores trilhas sonoras dos últimos tempos. Se a intenção era fazer chorar, agora conseguiu. Mais uma prova também de que a Globo Filmes, que vem monopolizando a produção nacional, tem poder de fogo para convencer, seja de qual forma for.



Escrito por goethe às 23h31
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vai um filme brasileiro com legendas?

 

A IstoÉ lançou uma coleção de DVDs com filmes nacionais. A relação mostra que ainda existe uma diferença entre o que pensa os diretores e nós, os pobres mortais espectadores. Pelo menos nesta semana a opção é interessante. Trata-se de "Desmundo", a versão de Alan Fresnot para o livro de Ana Miranda. A história de Orbela, uma órfã portuguesa enviada para o Brasil em 1570, para gerar filhos brancos dos súditos que labutavam nesta terra, é um primor de trabalho de arte. Nada parece que foi improvisado e sim resultado de muita pesquisa histórica. Os atores também fazem sua parte. Mas o charme do filme é o português arcaico, que resulta na necessidade de se utilizar legendas para se entender o que os protagonistas falam. Uma boa aula de história desta nação ainda jovem.

Por falar em legendas, recomendo também uma espiada em "Hans Staden", outro filme nacional onde é preciso acompanhar as falas por escrito. Desta vez o que mais se escuta é tupi, a língua dos índios que capturam o viajante alemão Hans Staden, que naufragou, em 1550, no litoral de Santa Catarina. Conseguiu chegar, dois anos depois, onde passou a trabalhar como artilheiro do Forte de Bertioga. Em janeiro de 1554, a poucos dias antes de sua volta à Europa, resolveu procurar seu escravo, um índio Carijó, que havia desaparecido. Acabou sendo aprisionado por índios Tupinambás, inimigos dos portugueses. Levado para a aldeia de Ubatuba, ele seria morto e devorado em um ritual antropofágico. Acaba convivendo com os índios, adiando a execução até ser trocado por mercadorias e poder voltar para a Europa. É um relato importante e o diretor Luiz Alberto Pereira tomou o cuidado de construir uma aldeia para dar veracidade ao enredo.



Escrito por goethe às 21h58
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o mundo é uma grande prisão

O que você faria se fosse comunicado, de véspera, que iria receber uma medalha? E se ela fosse, além do mais, referente ao "mérito penitenciário"? Vai ser hoje à noite e parece que estou mesmo condenado a comparecer à cerimônia. Vou acrescentar no meu currículo: "recebeu a medalha de mérito penitenciário de 2004". Até explicar que não passei férias atrás das grades...

OBS: Atualização às 15h28. Decidi não ir mesmo. Graças à amiga Renata (ela tem um blog legal, confira na lista ao lado), acabo de ver que grafaram meu nome como Paulo Coelho na lista publicada no Diário Oficial. Achei o motivo que eu queria. Estou livre. 



Escrito por goethe às 14h24
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quem visita o fiteiro sabe antes

Esta caixa da história do rock já havia sido recomendada por aqui. Está na Veja desta semana. Aproveito para fazer propaganda novamente...



Escrito por goethe às 00h34
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livros à mancheia para bolsos vazios

Na Livraria Imperatriz pode-se encontrar agora bons livros por R$ 5,00. São edições antigas que, sabe-se lá como, ficaram nos estoques. Como bons assuntos não são perecíveis, interessei-me por este, "Operação Trostki", que é um relato jornalístico sobre a operação montada pela polícia secreta russa para eliminar o inimigo de Stálin no México. O perfil do assassino, o espanhol Ramon Mercader, é bem traçado no livro. Ele recebeu o mesmo treinamento que a Olga do Prestes. Foi solto depois de vinte anos na cadeia. Sempre negou sua real identidade, mesmo com todas as evidências.

Outro livro que vale R$ 5,00 bem gastos é este pequeno volume contendo três histórias de Patrick Süskind, alemão que emplacou um best-seller chamado "O Perfume", que aliás nunca li. São apenas 80 páginas aqui. Concisão e bons temas são o segredo do sucesso de Süskind. Dele eu recomendo o monólogo "O Contrabaixo". A procura de novas promoções continua. 



Escrito por goethe às 00h15
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a dois passos do paraíso

Propaganda explícita na beira da estrada. Ao mesmo tempo poética. Tudo ao mesmo tempo agora.



Escrito por goethe às 00h00
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a farinha do presidente

A placa avisa: Várzea Comprida, o sítio onde o presidente Lula deu os primeiros passos está bem perto. São dois quilômetros em estrada de terra até chegar numa casa de farinha, administrada pelos irmãos Ferreira, primos legítimos de Lula. Gente boa, hospitaleira e orgulhosa do parente.

Parece neve, mas é a fécula da mandioca pelos ares. Uma casa de farinha é uma volta aos tempos coloniais. A família trabalha unida. As mulheres geralmente se encarregam de descascar a mandioca.

Depois a mandioca é triturada numa máquina.

Os pedaços serão molhados e prensados para liberar a manipueira (ácido cianídrico), o líquido venenoso que é bom para adubo. A mandioca se transforma numa pasta que vai ser seca num tacho gigante.

Para se chegar à farinha comestível ela tem que ser esquentada a uma temperatura acima de 90 graus celsius. É preciso mexer continuamente para não queimar. Nossa herança indígena ainda presente nas mesas nordestinas.



Escrito por goethe às 23h55
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um rei chamado capão

 

Há 20 anos, o encanador João Ferreira da Silva, mais conhecido como João Capão, resolveu que deveria morar em um castelo. Começou a construir com as próprias mãos um edifício que fosse parecido com aqueles das histórias que gostava. Garanhuns ganhou um ponto de visitação turística. João Capão mora nele, mas também aluga para eventos. O apelido é que afasta os curiosos.



Escrito por goethe às 23h39
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pequenos grandes negócios

Uma coisa em comum une os comerciantes no interior de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Basta o camarada abrir qualquer negócio que já pensa grande. Já monta uma organização. Pode ser um açougue, um salão de beleza ou um pequeno armazém. Bom mesmo é quando colocam os apelidos. Não se pode acusar Galego de Vú de não ser empreendedor. Em Caetés é um dos maiores.



Escrito por goethe às 23h29
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apresente suas armas

Esta loja em Caruaru tem um luminoso que é um primor do não ser politicamente correto nos dias de hoje. Só não consegui identificar se o alvo marinho era uma baleia ou golfinho.



Escrito por goethe às 23h23
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aviso aos navegantes

Atualizei bastante o blog com todas as notícias de Nova York porque vou viajar novamente. Desta vez para o interior do Estado. Terei uma certa dificuldade em postar até sexta-feira, quando devo estar de volta. Até lá, deixem comentários.

Por falar em Nova York, não posso deixar de registrar a morte de Fred Ebb, letrista consagrado de vários musicais da Broadway e co-autor de "New York, New York", um quase hino da cidade. Ele faleceu no sábado, 11 de setembro (data triste para NY) de um ataque do coração. Estava com 76 anos de idade. A principal parceria de Ebb foi com John Kander, com quem escreveu 11 musicais. "New York, New York" foi composta para o filme dirigido por Martins Scorcese. Liza Minelli foi a intérprete, mas sucesso mesmo foi com a versão de Sinatra. A dupla foi responsável pelas músicas de "Cabaret" e "Chicago". Bom descanso, Ebb.

E boa viagem para mim. Mas eu volto.



Escrito por goethe às 01h55
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uma foto e sem palavras

A livraria Barnes & Noble é uma referência em Nova York. Um paraíso para quem gosta de letras. Também publica vários livros de arte e de fotografia. Acabei achando este em promoção. Os quase vinte dólares representam muito pouco diante das mais de 900 fotografias distribuídas em 600 páginas de papel de luxo. São imagens marcantes do maior conflito do século passado, que ainda reverberam nos dias de hoje. Valeu a pena carregar todo este peso na bagagem.

Desembarque na Normandia. Dia D.

Francesas que colaboraram com alemães sofrem represálias 

No final da guerra, soldados alemães de 14 anos de idade são capturados

Sobrevivente de um campo de concentração. Sobrevivente?



Escrito por goethe às 01h39
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jogando pérolas aos poucos

 

Para quem gosta de música, Nova York é quase um paraíso. Dezenas de bares com shows aos vivo (muitos deles gratuitos) e gigantescas lojas de discos. Estive em duas, a Virgin e a Tower, mas não estava muito propenso a gastar meus poucos dólares por causa do preço. Mudei de idéia aos 45 minutos do segundo tempo, no dia de ir embora. Foi na Tower. Logo na entrada havia um tabuleiro com discos a US$ 7,99, todos do que convencionaram chamar de world music. Tinha algumas coisas do Brasil, como álbuns do Tchan e algumas bandas de pagode. Encontrei estas quatro preciosidades acima. Dois discos de Franco Battiato (um músico italiano de formação clássica que é adepto do budismo), um de raridades latinas das décadas de 60 e 70 e um exemplar da Lafayette Afro Rock Band, um hepteto novaiorquino que cruzou o Atlântico e viveu boa parte da década de 70 em Paris, misturando soul music com a florescente batida afro. Levando-se em consideração a raridade e a procedência (os discos foram produzidos na Itália e na Inglaterra) até que valeu a pena. Franco Battiato merece destaque por causa da modernidade do seu som, o que me surprendeu, e pela profundidade das letras. Já os outros dois discos são estratégicos para qualquer festa com gente de ouvidos abertos para uma boa mistura de ritmos. Sou bom mesmo de tabuleiro, aqui e lá fora. Modéstia à parte.



Escrito por goethe às 00h53
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chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor

Uma coisa que chama a atenção em revistas e jornais de Nova York são os anúncios de churrascarias brasileiras. Parece que os norte-americanos não resistiram à tentação da carne. Mas nós já providenciamos também o antídoto. Tive um susto quando, em plena madrugada, surge a logomarca da Igreja Universal e um pastor com um portunhol horrível tenta consolar os insones. Fiz a foto pra ninguém cometer o pecado de dizer que estou mentindo. Os clipes com músicas religiosas são de fazer sair do quarto. Só não fiz isto porque o hotel parecia locação do filme "O Iluminado". Foi mais fácil desligar a TV.



Escrito por goethe às 00h38
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algo de inteligente na telinha ianque

 

Estava eu descansando de um dia intenso de trabalho de trabalho (na verdade, foi na última quarta-feira, mas é sempre bom romancear um pouco no início) em Nova York. Os canais de TV oferecidos pelo hotel não são grande coisa. O que me chamou a atenção foi um talk-show comandado por ninguém menos que o ex-tenista John McEnroe. Até que ele dá conta do recado. A atração musical ao vivo é mais surpreendente ainda. Trata-se The Trachtenburg Family Slideshow Players. O pai, Jason, toca guitarra e teclados. A filha, Rachel, é a baterista. A mãe, Tina, cuida da projeção de slides. As músicas são compostas a partir das imagens reais adquiridas em leilões, encontradas no lixo ou doadas por famílias que querem ver os parentes como temas de histórias surreais. Os slides, principalmente das décadas de 60 e 70, servem de ilustrações para as histórias criadas pela família. O que é mais legal é que Rachel tem apenas dez anos e dá conta do recado nas baquetas. E ainda canta. Vale a pena fazer uma visita ao site deles (http://www.slideshowplayers.com/). Lá já está disponível a performance no programa do McEnroe. Uma sacada legal.



Escrito por goethe às 00h16
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the only living boy in new york (parte dois)

Antes de narrar o final de minhas andanças por Nova York, esclareço o título deste post. Não trata-se de nenhum convencimento de minha parte. É apenas uma citação a uma belíssima canção de Simon & Garfunkel. Vale a pena conhecer.

Sexta-feira era o dia da volta ao Brasil. Só tinha a manhã livre e resolvi encarar o passeio de barco por duas horas pelo rio Hudson. O programa já estava incluído nos US$ 48,00 desembolsados pelo Citypass na terça-feira, quando subi o Empire State. Fui andando até o píer onde sairia o barco, na altura da rua 42. Cheguei às 10h07 e o barco já havia saído. O próximo só às 11h. Resolvi então passar o tempo em outra atração incluída no pacote: o Intrepid Sea-Air-Space Museum. Trata-se de um porta-aviões de 1943, com 275 metros de comprimento, que abriga aeronaves, submarinos e até módulos espaciais.

 

Fiz uma visita rápida. Muitos norte-americanos com crianças. O gosto pela armas aprende-se cedo por lá. Dentro da embarcação encontra-se até uma homenagem aos bombeiros e policiais mortos no 11 de setembro de 2001, com a queda das duas torres do World Trade Center. Por causa da hora, fui logo para o passeio de barco.

Esta é a imagem do porta-aviões visto do rio Hudson. O passeio de barco é um sucesso entre a terceira idade. Sentei na parte coberta, porque todos correram para a área superior, para fazer as melhores fotos. Fiz tudo da janelinha mesmo.

Esta é a Ellis Island, o local onde os imigrantes eram recebidos antes de entrar nos Estados Unidos. Fica próximo da Estátua da Liberdade e esta visão enchia de esperança quem vinha para terra prometida no final do século XIX e início do século XX. Os tempos mudaram.

Presente dos franceses, a Estátua da Liberdade é o monumento mais fotografado durante todo o passeio de barco. Ela nem é tão grande quanto eu imaginava. A estátua do padre Cícero é maior. Mas pra quem saiu do interior do Ceará é um grande avanço.

Wall Street e seus edifícios portentosos. E lembrar que boa parte desta riqueza veio do Recife.

Das pontes que ligam Manhattan ao continente, a do Brooklyn é a mais conhecida. Pena que não deu tempo de andar por cima dela.

Este é o livrinho que me acompanhou pelas ruas que andei. O copo de plástico chama-se mug, coisa de norte-americano. Você compra e tem o direito de reabastecer quantas vezes quiser, ou melhor, puder, de refrigerante. Bebi uns dois litros de coca durante as duas horas de passeio de barco. Depois disseram que voltei americanizado. É mentira.



Escrito por goethe às 23h32
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the only living boy in new york (parte um)

Foram nove horas de viagem ao lado de uma mulher descendente de indianos. O problema não era que ela tinha problemas nas pernas e tinha que usar muletas. A questão é que ela roncava. A viagem de Nova York a São Paulo demorou por este pequeno detalhe. Tive tempo de assistir a dois filmes dublados e ficar pensando em como é bom estar de volta ao Brasil. Ok, foi uma oportunidade única. Mas já pensava nas nossas possibilidades como nação, fiquei mais ainda otimista depois de ver como as coisas funcionavam no andar de cima. De São Paulo, onde desta vez houve uma pequena escala, avisei à minha irmã que preparasse o arroz, o feijão mulatinho, a carne de panela e um ovo frito para coroar todo o prato. Entre uma big apple e um arrumadinho, sou mais o segundo. Mas vamos a uma crônica fotográfica que não estou ainda recuperado da viagem...

Com a destruição do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, o Empire State Building passou a ser o local mais disputado por turistas para se ter uma visão privilegiada de Nova York. O edifício construído em 1931 ficava situado bem próximo ao hotel onde eu estava e foi a minha primeira experiência como turista. Para chegar até o 86º andar é preciso desembolsar dinheiro e ser revistado pelo menos duas vezes. Preferi pagar US$ 48 por um cupom do Citypass, que daria direito a seis atrações na cidade. No Empire State, além de poder subir até o 86º andar, pude assistir a um filme interativo no 2º andar, onde você tem a impressão de voar sobre a cidade. A cadeira se movimenta como se você estivesse numa montanha-russa a agradeci ao fato da diária do hotel não oferecer café-da-manhã.

O Empire State Building demorou 410 dias para ser concluído e custou o equivalente a US$ 42 milhões. Tem 410 metros de altura e recebe 35 mil visitantes por dia. Eu fui um deles. A visão realmente é privilegiada. Como sou um artista, tentei fazer fotos diferenciadas como esta do pombo. Se alguém fez merda logo em seguida, não fui eu.

Resolvi não pegar nem táxi e nem metrô. Não foi nem por uma questão de economia, é porque eu gosto de andar e ver paisagens além dos cartões-postais. A cartografia de Nova York facilita muito. É impossível alguém se perder entre ruas e avenidas numeradas.

 

O Empire State fica na rua 34. Oito quadras acima você encontra a Grand Central Station, inaugurada em 1913, de onde partem os trens que ligam Manhattan às outras partes dos Estados Unidos. Ver este local me fez lembrar vários filmes, principalmente "Os Intocáveis", de Brian de Palma, onde acontece um grande tiroteio nas escadarias que dão acesso ao grande salão com piso e paredes de mármore.

Na mesma rua 42, no cruzamento com a 5ª avenida, você encontra New York Public Library. Só pude mesmo fazer a foto e seguir em frente, mas um lugar cheio de livros é uma recomendação para quem dispõe de mais tempo.

 

Subindo pela 5ª avenida até a rua 50 você se depara com a Saint Patrick's Cathedral, a maior igreja católica norte-americana, com 2.400 lugares. Foi erguida entre 1858 e 1878 pela comunidade irlandesa. Talvez para pedir perdão pelas bebedeiras.

Da calçada da catedral dá para ver os fundos do Rockfeller Center. São 18 edifícios projetados por uma equipe comandada pelo arquiteto norte-americano Raymond Hood. Foi o primeiro local onde eu vi um carro de polícia. Ainda bem que eles não me viram.

 

No centro do Rockfeller Center (gostaram do trocadilho?) encontra-se a Rockfeller Plaza. O destaque é a grande estátua dourada de Prometeu. Todos os turistas procuram este local. É bonito, mas me chamou a atenção a profusão de bandeiras dos Estados Unidos por todos os lados. Então eu me mandei antes que virasse um eleitor de Bush.

Já estava anoitecendo quando desci pela 7ª avenida. As luzes da Times Square estavam acesas. Se quiser encontrar alguém de fora dos Estados Unidos, com certeza estará tirando fotos deste lugar. Nas proximidades deste local estão restaurantes e todos os teatros da Broadway. Também ficam as lojas que engabelam os turistas com produtos falsificados. Tirei apenas este registro e fui para o hotel, porque estava cansado da viagem.

Por falar em hotel, ele ficava entre as ruas 33 e 34, na altura da 7ª avenida. Sua entrada principal dava de frente com o Madison Square Garden. Se era bem localizado, ficou a dever no serviço e no quarto.

Depois de um dia inteiro de trabalho, onde só pude ficar livre às 16h30, rumei da rua 42, onde gastei meus dólares num cybercafé, até a rua 72 leste, ao lado do Central Park. É lá que está situado o edifício Dakota, o prédio que serviu de locação para o filme "O Bebê de Rosermary" e em cuja calçada foi atingido por um tiro John Lennon. Percorri todo este longo percurso a pé e ao me aproximar do local eu me emocionei. Tinha 12 anos, em 1980, quando soube da notícia da morte do ex-Beatle. Agora estava no ponto do fato. Construído em 1884, o Dakota foi o primeiro edifício de luxo em Nova York. Agora é bem mais do que um conjunto de tijolos.

   

A noite já estava caindo quando entrei pela primeira vez no Central Park, uma ilha de verde entre os prédios de Manhattan. São 34 mil metros quadrados com ciclovias, lagos e áreas para descanso. Andei por entre dezenas de novaiorquinos que corriam, pedalavam e patinavam.



Escrito por goethe às 22h48
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terceira carta de paulo aos discipulos

Carissimos,

Tenho apenas meia hora disponivel neste computador e vou ter que ser rapido mesmo. Pagar US$ 3,50 por sessenta minutos neste cybercafe ta saindo muito caro. So hoje ja gastei US$12,00 porque tinha que mandar as ultimas materias para o jornal. Agora so escrevo algo se acontecer alguma coisa fora do normal. Espero que nao. Sinceramente. Pelo menos enquanto eu estiver aqui. Por falar neste cybercafe, e uma estrutura imensa. Sao mais de cem computadores disponiveis e gente de todo mundo mandando e-mails, fotos e filminhos da viagem. Acho que o unico idiota trabalhando mesmo sou eu. O unico porque voce compra o tempo nas maquinas e recebe um tiquete. Pois a maquina engoliu meus cinco dolares e nao deu a x%&*@# da senha numerica. Rodei muito para achar alguem que me ajudasse. Quando apareceu uma tecnica foi com uma cara feia que se fosse um dolar eu deixava para la. cinco, nao. Isso me lembrou a saudade que eu tenho da simpatia da nossa gente. O pessoal que trabalha atendendo gente e muito emburrado. Eu sei que todos sao artistas que esperam uma chance na Broadway, mas retribuir um bom dia nao faz mal a ninguem. Quer dizer, eles sao solicitos quando voce mostra dinheiro. Taxi, entao, se nao rolar gorjeta e capaz do passageiro ser expulso a pontapes. Informo logo que isso nao aconteceu comigo porque gosto de andar a pe e porque tambem me informei antes sobre os habitos desta cidade. Vim aqui para trabalhar. Por causa da volta as aulas, os museus reduziram o horario em que estao abertos. Fecham as cinco da tarde. Eu ainda nao almocei. Entao vou trocar um Guggenheim por um pretzel. Sorry, meu pobre cerebro, estomago tem prioridade neste momento. E falando nisso compartilho o momento engracado de ontem. Todos que participaram desta viagem sairam satisfeitos da abertura da exposicao com o dever cumprido. E vamos comemorar jantando na Times Square. Uma parte podia gastar pouco e a outra parte menos ainda. Decidimos entrar num restaurante que parecia ser interessante. O cardapio e variado, mas o preco desconhecia valores abaixo de dez dolares. Pedi um espaguete ao molho de tomate e uma cerveja e morri em vinte dolares (putz, gastei sessenta reais nesta gororoba). Pior foi minha amiga de outro jornal. O sanduiche de peru dela era feito com duas fatias finas de pao e meio quilo de peito de peru fatiado. E mais nada. Nem uma alface para enfeitar. Uma porcao avantajada que explica porque os norte-americanos quebram balanca. Ficamos rindo da desgraca do outro. Todo mundo deixou comida no prato. Sem contar que, de entrada, o garcom deixou repolho e picles de pepino a disposicao. Acho que decidi: vou de comida tipica hoje. E mais seguro e barato. Aqui em frente tem um McDonald`s.

O tempo esta acabando. So volto a escrever no Brasil. I'm now the only living boy in New York.

Descobri como falr ingles com motorista de taxi e vendedor de jornal. Basta grunhir. Como nao sao nativos, a comunicacao fica mais facil. Nao adianta soletrar.

Tomara que esteja fazendo um pouco de sol quando eu sair agora desta prisao.

hasta la vista



Escrito por goethe às 15h48
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segunda carta de paulo aos discipulos

Carissimos,

Um homem sem acento e uma lastima. Mas o dever de mante-los informados e maior do que todas as dificuldades. Alias, o dia esta sendo assim ate o momento. Acordei cedo porque hoje teria uma reuniao de negocios, um dos motivos de ter recebido o convite de visitar esta pequena cidadezinha do norte da America. As 7h15 ja estava no saguao do Hotel Pennsilvania. Alias, o hotel e um caso a parte. Bem localizado, em frente ao Madison Square Garden, possui corredores extensos e acarpetados, me lembra bastante os do filme " O Iluminado"  do Kubrick com Jack Nicholson como o doido assassino. Me deu vontade de comprar um velocipede so para lembrar aquela cena. Por falar em filme de horror, tenho que falar do quarto. Decadente, cheirando a mofo e com uma janela que nao fecha direito. Ainda bem que a temperatura esta amena. E por falar em temperatura, vejo que esta caindo um toro. Para pegar um taxi e ir ate o escritorio situado na terceira avenida tenho que disputar um taxi. Ou melhor, ficar na fila com umas 30 pessoas na minha frente, que aqui a bagunca e organizada. Nao teve jeito, tive que comprar uma "ambrela" vendida por um negao com sotaque jamaicano. O salafrario estava explorando todo mundo, cobrando US$ 5,00 pelo objeto. Ate parece que fez estagio no Recife. A " ambrela" nao resolve o problema e fico molhado. Para culminar, um vento forte na hora de entrar no taxi faz o guarda-chuva virar ao contrario. O troco quebrou. Cinco dolares (se eu pensar que gastei o equivalente a R$ 15,00 naquilo) desperdicados em menos de dez minutos. A revista na chegada do escritorio de advocacia justifica-se. O predio e luxuoso demais para deixar entrar um monte de brasileiro. Aqui, os representantes do governo de Pernambuco tentariam vender o Estado como um bom local para investimentos. Bom mesmo tava o suco de laranja e os acepipes colocados a disposicao. Para quem nao tomou cafe.... Agora tenho que terminar porque vao nos expulsar do escritorio. A reuniao acabou faz um bom tempo. Mandei as materias para o jornal. Nem vou poder passear muito porque a noite e a abertura da exposicao dos judeus. Mas isso e assunto para a amanha.

Ultima noticia de hoje: descobri a cura da minha insonia. Basta deixar a TV ligada na programacao dos canais norte-americanos.



Escrito por goethe às 15h39
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primeira carta de paulo aos discipulos

Carissimos,

Esta mensagem vai sem fotos e sem os acentos. Estou na EasyInternetCafe, na Times Square, e no computador dos outros nao tem moleza. Paguei US$ 5,00 para escrever uma materia para o jornal e aproveito o tempo restante para postar no fiteiro, direto da grande maca. A viagem foi cansativa. Fiquei das 11h as 20h30 em Guarulhos para pegar o voo da American Airlines. Fiquei com muita vontade de ver o nome filme de Spielberg com Tom Hanks vivendo uma situacao parecida. Depois foram mais nove horas de viagem ate  aeroporto JFK. Mais quase uma hora dentro de uma van por causa do transito tumultuado. E, para arrematar, o check-in no hotel so seria realizado as 15h. Ainda bem que o velhinho deu um jeito e entrei no quarto as 10h. Neste per'iodo de espera, deu pra deixar as bagagens no hotel e inspecionar as vizinhancas. A primeira visao de Nova York caminhando pelas ruas foi o Empire State coberto pela neblina. Esta apenas a dois quarteiroes. Como n`ao tive retorno do pessoal do governo, resolvi bater perna. Subi no Empire State ate o 86 andar (e o maximo permitido agora, por questoes de seguranca), fui ate o Rockfeller Center, entrei na Saint Patrick Cathedral e desemboquei na Times Square. O tempo todo procurando um local onde pudesse entrar em contato com o jornal. Fiz todo o percurso a pe. Muito bom andar por Nova York, porque nao e uma cidade estranha. Todos os lugares estao na memoria, principalmente por causa de cineastas como Woody Allen e Scorcese.

Pensei que a cidade estivesse vivendo uma paranoia por causa de mais um ano do 11 de setembro. Existe policiamento nas ruas, mas nada tao ostensivo. Os novaiorquinos estao aproveitando o resto da temporada de sol. E havaianas no pe de muita gente, ate de uma mulher com roupa de executiva. A cidade e realmente uma babel. O que e bom porque sempre tem alguem que fala ingles pior do que voce. O problema e o custo de tudo isso. Com o dolar valendo tres reais, todo cuidado e pouco. Entrei hoje na livraria Barnes & Noble e queria pegar tudo o que estava em promocao. Livros de capa dura custando cerca de US$ 5,00. Comprei um maravilhoso, a historia ilustrada da segunda guerra mundial, com centenas de fotos. Depois coloco algumas no Fiteiro.

Por enquanto e so pessoal. Amanha e o dia do evento no Centro de Historia Judeu, mas pretendo conhecer no intervalo o Central Park e, perto dele, o edificio Dakota.

Desculpem estas mal digitadas linhas.

Goethe (from NY to you)



Escrito por goethe às 19h50
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i want to be a part of it

Meus caros amigos, a semana foi bastante tumultuada. Tanto que nem pude manter a média de uma postagem por dia. Mas havia um motivo. Amanhã cedo embarco para São Paulo. De lá, rumo a Nova York. Voltarei na sexta-feira. Recebi um convite para participar da abertura da exposição que comemora os 350 anos da chegada dos 23 judeus que viviam em Pernambuco e que ajudaram a consolidar Nova Amsterdam, como era conhecida Nova York em 1654. É uma história bem interessante, que conto numa reportagem publicada na edição de hoje do DIARIO (http://www.pernambuco.com/diario/2004/09/05/urbana8_0.html). O Fiteiro ficou meio abandonado porque tive que enfrentar filas no Consulado Norte-Americano para tirar visto especial e pagar uma taxa de R$ 310,00 a mais, além de resolver uma série de pendências burocráticas. Pelo menos o blog vai se internacionalizar. Tentarei postar sobre o clima na cidade, às vésperas de mais um ano do 11 de setembro. Aliás, retorno um dia antes. Mandem boas energias para mim. 

New York, New York

(Ebb-Kander)

Start spreading the news
I'm leaving today
I want to be a part of it, New York, New York
These vagabond shoes
Are longing to stray
And make a brand new start of it
New York, New York
I want to wake up in the city that never sleeps
To find I'm king of the hill, top of the heap
These little town blues
Are melting away
I'll make a brand new start of it
In old New York
If I can make it there
I'll make it anywhere
It's up to you, New York, New York.

I want to wake up in the city that never sleeps
To find I'm king of the hill, top of the heap
These little town blues
Are melting away
I'll make a brand new start of it
In old New York
If I can make it there
I'll make it anywhere
It's up to you, New York, New York.



Escrito por goethe às 10h04
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