fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


o fiteiro vai se transformar em el fitero

O fiteiro mais uma vez vai se internacionalizar. Agora vai para Uruguai e Argentina. Junto com minha namorada, sigo amanhã para o Rio de Janeiro e depois Porto Alegre, onde de ônibus seguimos para Montevidéu e, de barco, desembarcamos em Buenos Aires. Viagem puxada de 15 dias, nas minhas merecidas férias depois de sete anos sem saber o que é isso. O braço ainda inspira cuidados, mesmo depois da retirada do gesso. No mais, pretendo postar da mesma forma que em Nova York, contando pequenos detalhes do cotidiano fora do país. Desta forma, os fiéis leitores deste blog podem acompanhar as aventuras. No mais, hasta la vista e muchas gracias.



Escrito por goethe às 15h59
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i'm a black and i'm a proud

Cabelo, roupa, discurso, música. Em 1972, cerca de 100 mil negros reuniram-se em Los Angeles para celebrar seus próprio Woodstock e reafirmar sua luta por direitos civis e uma parte maior na divisão do bolo chamado Estados Unidos. Este DVD recém-lançado no Brasil é uma delícia para quem gosta de black music. Além da parte documentário, como depoimentos raivosos contra racismo, tem as apresentações de Staple Singers, The Emotions, Rufus Thomas, Carla Thomas, Albert King e, principalmente, Isaac Hayes. Não conhece? Boa chance de conferir o autor da trilha sonora de "Shaft" em ação. Hoje ele ficou mais conhecido por fazer a voz do cozinheiro tarado da série "South Park". O fino do elenco da gravadora Staxx compareceu ao evento. E o humorista Richard Pryor faz intervenções que provocam risos nervosos. "I'm Black And I'm Proud", já afirmava James Brown na década de 60. Aqui no Brasil todos somos.



Escrito por goethe às 23h40
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tabuleiro também é cultura

 

Entro na megalivraria Cultura e farejo algo familiar... Um estande com exemplares em promoção. Não pude resistir, como bom caçador de ofertas que sou. A maioria dos livros disponibilizados com preços a partir de R$ 5,00 já estava disponível no tabuleiro da Livraria Imperatriz, mas mesmo assim tem muita coisa boa para quem quer economizar e acha que cultura deveria ser mais acessível. Não sei se todas as lojas da rede estão fazendo esta queima, mas recomendo principalmente a série "Mar de Histórias", dez volumes a R$ 16,90 cada com contos desde os mitos gregos até os autores do século XX, numa coleção coordenada por Aurélio Buarque de Holanda. Eu já tenho estes volumes numa edição mais antigas, adquiridos também em oferta na finada Livro 7 (saudades eternas). Acabei adquirindo os dois exemplares acima. ""Pinóquio: um livro paralelo", de Giorgio Manganelli não estava com um preço muito em conta, mas já tinha interesse em comprá-lo e sapequei os R$ 17,90 no cartão de crédito. Para lhe fazer companhia levei junto, por R$ 5,00, "Um Bárbaro na Ásia", do francês Henri Michaux, que traz relatos do escritor na Índia, Japão e China na década de 30. Já Manganelli faz uma releitura de Pinóquio mostrando que literatura não é coisa de criança.



Escrito por goethe às 23h24
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um gesso, um gelo, uma história

O gesso no braço esquerdo incomoda. Desconcentra. O suposto tempo livre demora a passar e nada conforta estar isolado em casa esperando a calcificação. Resta ler, ver algum programa de TV e ouvir música em intervalos de tempo cada vez menores. Foi aí que me deparei com Shackleton. Primeiro no disco de Franco Battiato, o italiano budista que é compositor de mão cheia. Na faixa que encerra o CD Gommalacca, que tive o prazer de encontrar em promoção num tabuleiro em Nova York, lá estava a história do aventureiro inglês que passou boa parte de sua vida na Antártida. Aliás, morreu por lá, no porto de Grytviken, na Geórgia do Sul, de um ataque do coração, aos 47 anos de idade. Deixou como legado a história extraordinária de um fracasso.

Em 1º de agosto de 1914, poucos meses antes do início da I Guerra Mundial, o navio Endurance parte da Inglaterra com uma tripulação de 28 homens, para a última aventura ainda disponível para Shackleton: cruzar a Antártida a pé, numa travessia de três mil quilômetros. A equipe foi escolhida pessoalmente pelo capitão, que já havia participado de expedições anteriores ao continente gelado. Ele sabia que tipo de gente resistiria a todo o tipo de dificuldades.

No dia 5 de dezembro de 1914, o Endurance parte da Geórgia do Sul, depois de uma breve parada na Argentina. No dia 18 de janeiro de 1915, um dia antes do desembarque no local planejado, na baía Vahsel, o navio fica preso em um banco de gelo. A tripulação arma acampamento fora da embarcação, que acaba se despedaçando, isto seis meses depois, em 27 de outubro. Durante todo este período, Shackleton conseguiu manter a moral elevada de seus homens, dividindo tarefas e garantindo a unidade entre oficiais, cientistas e marinheiros. O grupo fica no local até 9 de abril de 1916, quando o degelo obriga todos a embarcarem em três botes salva-vidas. Eles chegam então à ilha Elephant, fora do roteiro dos barcos baleeiros da região. Antes disso, os cães já haviam sido sacrificados e focas e pinguins constituíam agora a principal fonte diária de proteína.

No dia 24 de abril de 1916, Shackleton escolhe cinco homens para uma viagem de barco em busca de ajuda. Sem instrumentos de navegação e apenas com remos, eles conseguem atravessar 800 milhas até desembarcar na Geórgia do Sul, no dia 10 de maio. Shackleton  deixa três homens exaustos na praia e segue, com a ajuda de dois companheiros, pelo interior da ilha, que ainda não era mapeada. Depois de subir e descer montanhas, consegue chegar à estação baleeira e pedir ajuda. Shackleton, mesmo cansado, faz questão de ir no navio de resgate da sua tripulação, na ilha Elephant. Em 30 de agosto, ele constata pessoalmente que todos seus 23 companheiros estão vivos.

O resumo acima foi tirado deste livro, um misto de relato e manual de liderança que peguei no início do ano quando no jornal se tinha o hábito de disponibilizar os exemplares enviados por editoras na redação. Somente na semana passada, com a música de Battiato na cabeça, é que me lembrei dele. Por determinação de Shackleton, cada tripulante tinha um diário de bordo e é através destes textos que sabemos detalhes da aventura. As imagens são do fotógrafo da equipe, Frank Hurley, que teve de deixar boa parte de seu material para trás por causa do excesso de peso. Acho sintomática a foto do grupo acenando para o barco onde Shackleton tentaria buscar ajuda. Poderia ser a última imagem dos dois lados.

O que tudo isso tem a ver com o meu gesso? Mais do que se imagina. Também estou à beira de uma catástrofe psicocósmica. Nada que se ajuste depois. Enquanto isso, que Shackleton sirva de lição. Para todos nós. Amém.



Escrito por goethe às 21h57
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uma canção singela, brasileira

Semana de música brasileira no lottinha desta semana. Vale a pena. Seleção feita com todo amor e carinho. Ou com açúcar e com afeto. Uma coisa assim.



Escrito por goethe às 22h27
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aviso de utilidade pública

TÃO LONGE, TÃO PERTO*

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em blog de amigos

é como pregar no deserto

* Dedicado a Bera e Adriana, porque não consigo abrir deixar nada postado nas suas páginas



Escrito por goethe às 12h04
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a alegria é a prova dos nove (parte I)

Não foi com Manuel Bandeira que eu tive o meu primeiro alumbramento em poesia. Mário Quintana foi um dos responsáveis pela descoberta deste novo mundo em palavras, mas o sacolejo mesmo quem deu foi Oswald de Andrade. O modernista foi o autor da mais simples poesia que já li e que toda vez que penso no seu conteúdo tenho uma visão nova das coisas:

 

AMOR

Humor

 

 

É a primeira do livrinho “Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade”. São 58 páginas de textos e ilustrações que deveriam fazer parte do cardápio oferecido às crianças na escola.

Quer mais um exemplo?

 

AS QUATRO GARES

Infância

O camisolão

O jarro

O passarinho

O oceano

A visita na casa que a gente sentava no sofá

 

Adolescência

Aquele amor

Nem me fale

 

Maturidade

O Sr. e a Sra. Amadeu

Participam a V. Excia.

O feliz nascimento

De sua filha

Gilberta

 

Velhice

O netinho jogou os óculos

Na latrina

 

O motivo de tanto Oswald? São 50 anos sem a presença dele nesta face da terra. O autor de Pau-Brasil, O Rei da Vela e, para mim, Serafim Ponte Grande, faz uma falta danada. Teve uma vida cheia de amores e dissabores, aderiu ao Partido Comunista, sonhou com mudanças revolucionárias mesmo com seu passado burguês. Finou-se no dia 22 de outubro de 1954. Ficaram suas histórias...



Escrito por goethe às 11h30
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a alegria é a prova dos nove (parte II)

 

O tenente disse que, quando ouvir tocar o Hino Nacional nem que seja numa vitrola rachada, pára a guerra e bate continência!

O troço bisonho de recrutas marchou, na poeira das ruas de Santo Amaro. Entre mulatos empalamados, velhos imprestáveis, moços do campo que se moviam duros e imprecisos com um cobertor enrolado a tiracolo, Lírio era um padrão da América fina. Estava na porta do Bar, cercado de curiosos.

Gente desocupada, grupos de moços, famílias, espiavam das janelas e portas o espetáculo. Os homens haviam estacado em linha. Epaminondas gritou:

-         Agora os senhores têm mais meia hora de descanso. Nessa meia hora podem comerem, podem beberem e podem passearem!

(Página 167)

 

 

ABELARDO II – O velho está de tanga. Entregou tudo aos credores.

ABELARDO I – Que importa? Para nós, homens adiantados que só conhecemos uma coisa fria, o valor do dinheiro, comprar estes restos de brasão ainda é negócio, faz vista num país medieval como o nosso! O senhor sabe que São Paulo só tem dez famílias?

ABELARDO II – E o resto da população?

ABELARDO I – O resto é prole. O que estou fazendo, o que o senhor quer fazer é deixar de ser prole para ser família, comprar os velhos brasões, isto até parece teatro do século XIX. Mas no Brasil ainda é novo.

ABELARDO II – Se é! A burguesia só produziu um teatro de classe. Hoje evoluímos. Chegamos à espinafração.

(Página 42)

 

 

Propiciação

Eu fui o maior onanista do meu tempo

Todas as mulheres

Dormiram em minha cama

Principalmente cozinheira

E cançonetista francesa

Hoje cresci

As mulheres fugiram

Mas tu vieste

Trazendo-me todas no teu corpo

(Página 21)

 

Terça-feira

Ando com vontade de escrever um romance naturalista que está muito em moda. Começaria assim: “Por todo o largo meio disco da praia de Jurujuba, havia uma vida sensual com ares gregos e pagãos. O mar parecia um sátiro contente após o coito”.

Nota: não sei ainda se escreverei a palavra “coito” com todas letras. O arcebispo e as famílias podem ficar revoltados. Talvez ponha só a sílaba “coi” seguida de três pontinhos discretos. Como Camões fazia com “bunda”.

(Página 27)



Escrito por goethe às 11h28
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pra não dizer que não falei de cogumelos

Mais dois blogs legais para se visitar: as fotografias de gondim e a enigmática mulher do sapato do bico fino. O trabalho de um eu já conhecia, mas a outra surgiu de repente. Para ver, ler e pensar. A imagem foi surrupiada do blog de gondim, com o devido crédito.



Escrito por goethe às 23h57
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chucrute no lugar da feijoada

O mapa acima foi encontrado na pasta de um alemão, no Rio de Janeiro, durante a II Guerra Mundial. A América do Sul seria constituída por apenas quatro países: Brasil, Argentina, Chile (que ficaria com parte do Peru e da Bolívia) e Nova Espanha (formado por Colômbia, Venezuela, Equador). A Argentina levaria a melhor na divisão, ganhando territórios do Uruguai, Paraguai e Bolívia. Na época, seu presidente, Juan Domingo Perón, era simpatizante de Hitler. Os nazistas tinham planos de transformar a América do Sul em local de expansão alemã. O Sul do Brasil, onde as colônias tedescas já eram grandes, seria a porta de entrada para o domínio ariano num continente mestiço. A história está relatada em um livro recém-lançado, batizado de "Crônica de Uma Guerra Secreta", escrito por Sérgio Corrêa da Costa, que serviu como embaixador brasileiro em Buenos Aires entre os anos 44 e 46. Tomei conhecimento de tudo isto na última edição da revista "Nossa História", que encontrei hoje. Altamente recomendável a partir da leitura de um capítulo do livro disponibilizado pela revista. E aconselho aos interessados no assunto fazer uma visita ao site do hermano Luiz (http://locoporti.zip.net) que abordou recentemente a visão dos europeus sobre a nossa terra. El nombre del hombre es pueblo.



Escrito por goethe às 18h32
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meu sangue latino, minha alma sincera

Mesmo com um braço só, o lottinha mais uma vez foi atualizado. Coloquei mais cinco discos latinos para começar bem a semana. Vale uma visitinha. O endereço está aí do lado. Gracias.



Escrito por goethe às 00h58
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vai um kefir aí?

Essa eu conheci na casa da sogra, em Garanhuns. Ela chama de tibicos, mas pesquisando na internet descobri que o nome mais utilizado é o de kefir, uma palavra derivada do turco keif, que significa "boa sensação". O kefir é um conjunto de bactérias e leveduras que consome açúcar, tanto de lactose (leite), da sacarose (cana de açucar) e da frutose (fruta). Os grãos de kefir eram um segredo dos povos das Montanhas do Cáucaso. Desde a infância, eles tomam o líquido coado depois da ação do kefir, que serve para tratamento de doenças do aparelho respiratório, estômago, intestino, fígado e bexiga. Foi o bispo de Garanhuns, numa viagem a Roma, quem trouxe o tibicos para a cidade. Diabético, ele distribuiu o material a partir da primeira colônia. A madre Teresa de Calcutá foi uma grande incentivadora deste sistema. Nunca se deve vender e sim distribuir para quem precisa o excedente. Vou experimentar fazendo uma colônia de kefir no leite. Depois conto os resultados da experiência. Alguém mais interessado?



Escrito por goethe às 23h42
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que história é essa?

Duas boas publicações podem ser encontradas mensalmente nas bancas de revistas. Foram lançadas quase na mesma época e tratam do mesmo e vasto assunto: história. A edição de outubro de "História Viva" tem um bom material sobre Alexandre, o Grande, mas o filé da revista é o dossiê sobre a Comuna de Paris, com fotos da época, em 1871. Informação valiosa a preço acessível. A outra publicação a que me referi foi a "Nossa História", que trata apenas de episódios nacionais. Também para comprar, colecionar e consultar sempre.



Escrito por goethe às 22h12
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as duas mãos e o sentimento do mundo

O pulso ainda pulsa. Ou melhor, os dois. Graças ao amigo André, que aproveitou para fazer troça desta pobre alma, os seletos leitores deste blog souberam da minha desgraça. Fui inventar de chutar uma bola na pelada tradicional das quartas-feiras e, como já estava desequilibrado, saí andando para trás. Na queda, tentei amortecer o impacto. Saí do jogo, coloquei gelo e fiquei conversando com os amigos. Não pensava que era grave, apesar da dorzinha chata. Cheguei em casa à meia-noite. Às três da manhã fui ao hospital. Pelo raio X, o diagnóstico de fratura no punho esquerdo e torção no direito. Tive que enfaixar os dois braços. Somente ontem é que retirei a tala do direito e engessei o esquerdo. Devo ficar assim por mais uma semana. O pior já passou.

Sei que vocês são pessoas boas e não têm a mente suja como meu amigo André, que é obrigado, por força do trabalho, a enfrentar muito banheiro de churrascaria de beira de estrada. Mantive minha sanidade com uma pequena ajuda da família. Refiro-me aos banhos dos dois primeiros dias. Depois tive a genial idéia de pegar eu mesmo o sabonete com a mão enfaixada protegida por um saco de lixo não usado. Quanto à outra obrigação sanitária, desenvolvi um método que penso em patentear, por isso não entrarei em mais detalhes aqui.

Confesso que, exatamente uma semana fora de internet, fiquei lisonjeado com os comentários deixados pelos amigos, até mesmo o de André. Ficar em casa é bom, mas nestas condições não recomendo a ninguém. Não conseguia me concentrar em nada e pretendo, na próxima semana, voltar a trabalhar. E também a postar, mas vou parar por aqui porque digitar com uma mão só é cansativo. E eu tenho que preservá-la. Gracias, amigos. Hasta a vista!



Escrito por goethe às 21h56
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o difícil era virar a página

A programação da TV é um saco e não conseguia me distrair ouvindo música. A solução estava no papel. Aproveitei a convalescença forçada para colocar a leitura em dia. A biblioteca dentro da minha pequena cabeça cearense ficou mais variada. Digna de um fiteiro.

Já tinha comprado o disco e adquirir o livro do Paulo César de Araújo estava nos meus planos há duas semanas. A encomenda chegou em casa na quarta-feira passada, justamente no dia em que eu me machuquei. A pesquisa sobre a censura enfrentada pelos cantores cafonas na década de 70 é muito bem fundamentada. Difícil foi conseguir segurar o calhamaço de 450 páginas. Serviu para demonstrar que, realmente, o Brasil não conhece o Brasil.

O colombiano Mauricio Obregón foi um apaixonado pelos mares já dantes navegados. Em 150 páginas, ele refaz as rotas dos vikings e polinésios, além de investigar os locais que teriam sido visitados por Jasão e Odisseu. Um texto de quem conhece o assunto mas não não esnoba o leitor. Ainda ficamos sabendo da contribuição do Islã para as grandes navegações. Navegar é preciso. Aprender também.

Como sempre, mais um livro em promoção que valeu o dinheirinho gasto. Me interessei pela possibilidade de conhecer detalhes das vidas de Alexandre, o Grande; Napoleão Bonaparte; Carlos Magno; Eduardo III; Gustavo Adolfo; Júlio César; Gengis Khan e generais norte-americanos (George Patton, U.S. Grant e Douglas MacArthur). Os autores exploram aquele filão de adaptar a arte da guerra ao segmento dos negócios. Mas eles têm razão ao tratar os guerreiros como grandes gerentes. Em 240 páginas, histórias de dificuldades que se transformaram em sucesso. Boa leitura para quem está fora de combate.

A argentina Ana María Shua escreveu este livro em 1997. Como me interesso pelo estilo dos vizinhos do andar de baixo resolvi encarar as 200 páginas. Saí convencido de que deve ser a água que eles bebem. Ok, a história perde fôlego no final, mas a idéia de traçar uma Buenos Aires empobrecida e um maquiador às voltas com uma família em ruína foi muito emblemática. O texto tem bons diálogos e trechos que merecerão citação no fiteiro. No mais, como este livro me foi dado, saí no lucro.

O que vier eu traço. Até livro de culinária. Em tempo de vacas magras, as 300 páginas da obra de Márcia Zoladz, que trabalhou muitos anos na revista Cláudia, ajudam a manter a sanidade. São receitas fáceis e, para quem tem um pé na cozinha, dão água na boca mesmo no papel. Dá pra se fazer tudo com uma mão só. No meu caso, só por garantia, vou esperar um pouco mais...



Escrito por goethe às 20h54
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para não ficar monótono

"Ninguém é indiferente a elogios; mas não há melhor maneira de testar um caráter do que observar a reação de quem recebe um elogio. Causam desconfiança aquelas pessoas que se mostram ansiosas por ser elogiadas, porque não se trata de algo que deveriam querer, mas de algo que deveriam considerar uma sorte receber. Ninguém se sente muito à vontade quando se trata de reivindicar como plenamente justificável o desejo de receber elogios, ou, ainda menos, o talento para se auto-elogiar conhecido como cabotinismo.

Mas e se nosso desejo mais forte fosse o de se elogiado - e, por consequência, de elogiar -, não o de ser amado, ou compreendido, ou desejado, ou punido? Como seria nossa vida? Ou melhor: como seriam nossos relacionamentos? Quanto tempo durariam? Que estariam as pessoas fazendo juntas?

A gente estaria de repente dizendo coisas como estas: nada mais cruel com um parceiro do que ser bom em matéria de fidelidade mas ruim nas celebrações e festejos. Ou então: as pessoas têm casos porque não recebem elogios suficientes do parceiro, ou porque não são elogiadas da maneira como preferem. Ou: não é difícil segurar um relacionamento, mas é impossível celebrar e celebrar e celebrar o tempo inteiro. O aplauso prolongado acaba tendo um efeito duvidoso."

O Adam Philips já figurou nas prateleiras do Fiteiro por causa de outro livro, "O Flerte". Merece um repeteco porque continua atual. O psicoterapeuta inglês escreve bem e seus temas têm relação com uma das nossas maiores preocupações, além de se pentear olhando o espelho: as relações amorosas. Este "Monogamia" é quase um livrinho de bolso com 121 aforismos sobre o tema. São mais questionamentos do que certezas. Foi mais uma pechincha adquirida há algumas semanas, mas só nos últimos dias é que realmente me dediquei à sua leitura. Sinal dos tempos.



Escrito por goethe às 23h38
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é do sonho dos homens que a cidade se inventa

Faz um certo tempo que queria fazer a foto desta rua. Só consegui no domingo, exatamente o dia das eleições para prefeito. Fiquei pensando em como seria bom que todas as vias públicas fossem desta forma. A pressa realmente teria um obstáculo pela frente. Quando estava pensando em postá-la, lembrei-me deste verso do Carlos Pena Filho, poeta recifense que é usado nestes momentos para sensibilizar o eleitor. Ele foi bastante feliz em falar da sua cidade. Eu, nesta circunstância, apenas posso reproduzi-lo, recomendando sua (re)descoberta.

Guia Prático da Cidade do Recife

No ponto onde o mar se extingue
E as areias se levantam
Cavaram seus alicerces
Na surda sombra da terra
E levantaram seus muros
Do frio sono das pedras.
Depois armaram seus flancos:
Trinta bandeiras azuis
Plantadas no litoral.
Hoje, serena, flutua,
Metade roubada ao mar,
Metade à imaginação,
Pois é do sonho dos homens
Que uma cidade se inventa.



Escrito por goethe às 23h26
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quer uma notícia boa?

Depois de mais de um mês sem atualização, o Lotta Continua está com novidades novamente. Como estou numa fase latina, coloquei cinco discos com ritmos sabrosos e calientes. Tem para tradicionalistas e moderninhos. Vale uma passadinha por lá. Gracias. Gracias a la vida.



Escrito por goethe às 04h09
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herrar é umano


HAI-KAI OPORTUNISTA

roubei, sim, admito
mas quem mandou
votar em político?



Escrito por goethe às 15h53
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penso, logo existo

HAI-KAI ILUMINISTA

Desmistificar

é o primeiro passo

para deixar de amar



Escrito por goethe às 02h40
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como el tipo que algún día fui

AÑOS 80

 

Cuando me hiciste llamar
no sospechaba
plastilina con color
ropa interior
recuerdos de allí afuera
cómics de ciencia ficción
vida interior.


Y yo no quiero volver
no me repitas jamás
que no sabes qué hora es
las 7 y 27 o ¿no?
ya terminé....

No te echaré de menos en septiembre
verano muerto veré a las chicas pasar.

Será
como aquella canción
de los años 80,
seré
como el tipo que algún día fui.

Bloody marys en el bar
un dejavu
matrix está cambiando
por la confesión brutal
de tu relato....

Y yo no quiero volver
no me repitas jamás
que no sabes qué hora es
las 7 y 27 o ¿no?
ya terminé....

No te echaré de menos en septiembre
verano muerto veré a las chicas pasar.

Será
como aquella canción
de los años 80,
seré
como el tipo que algún día fui.

 

Achei esta música numa busca pelo Soulseek. Digitei "anos 80" e apareceu esta dos Los Piratas, uma banda espanhola da cidade de Vigo. Muito sintomática para quem vivenciou a década citada. Quem puder baixar, eu recomendo. Estou numa fase de rock latino. Aceito sugestões, doações e reclamações.



Escrito por goethe às 03h08
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malandragem dá um tempo

HAI-KAI NIILISTA

desejo mudo:

um pouco de nada

pode ser tudo



Escrito por goethe às 02h52
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big mac e outras mumunhas mais

Essa imagem eu esqueci de postar na ocasião da minha viagem a Nova York, mas tem relação com o debate com os candidatos a presidente dos Estados Unidos e com os candidatos a prefeitos das capitais brasileiras. Tudo aconteceu na noite de ontem. Lembrei desta foto por causa do pragmatismo norte-americano. Enquadrei esta imagem de uma vidraça de um McDonalds. Enquanto saboreava um BigMac pude ver o movimento de entra-e-sai de uma casa de striptease. Certo, também é um fast-food. O que me chamou a atenção foi justamente a bandeira enorme. Se tiver dólar no meio, tá liberado. É por isso que eles se ufanam daquele país.



Escrito por goethe às 02h36
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