fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


um brinde a nós e a eles

A garçonete do hotel em Tel Aviv me perguntou de que país eu era. "Do Brasil? Eu já pensei em visitar sua terra, mas não quero ser morta por uma ninharia". Ela prefere juntar mais dinheiro e ir para a Austrália. Eu estava em Israel, onde você é constantemente revistado quando entra em algum local público, mas a insegurança está do outro lado do Atlântico. Nos sete dias que passei em Israel andei pelas ruas, mesmo de madrugada, sem medo de alguém aparecer anunciando um assalto com uma arma. Na verdade, me impressionei com o que vi. O país é moderno, organizado e tem uma infra-estrutura de causar inveja, mesmo nos lugares mais ermos. A água é pouca, mas bem utilizada. A imprensa é livre, os jornais criticam o governo e a democracia faz com que os partidos briguem apenas no campo das palavras.

Pensei em encontrar um país mais religioso, mas as pessoas são ocidentais, vestem-se como a gente e gostam de se divertir. Até porque pode não existir um amanhã. Fui a um pub em Tel Aviv, o Mike's Place, que já foi alvo de atentado. Ele foi reconstruído e as pessoas voltaram a freqüentá-lo como se nada houvesse acontecido.

Chegamos em Israel em pleno início do Hanuká, a festa religiosa que celebra a revolta dos Macabeus contra os dominadores gregos. Uma vela acesa a cada um dos oito dias.  Não sei se foi coincidência. Tomara que sim. Creio que boa parcela da população israelense não quer assumir o papel de dominadora dos palestinos. A chance de paz é remota, mas 2005 aponta para negociações que podem trazer um pouco mais de segurança para os dois lados. Brindo antecipadamente com uma Maccabi gelada. Shalom/Salaam para todos nós.



Escrito por goethe às 02h23
[ ] [ envie esta mensagem ]


Uma das visitas mais esperadas por mim foi ao Yad Vashem, o Museu do Holocausto. No início do próximo ano, o acervo será deslocado para o prédio ao fundo. O local é ponto obrigatório para quem passa por Jerusalém. O museu foi inaugurado em 1953. Sua página na internet disponibiliza milhares de sobrenomes de famílias que pereceram na Europa durante os anos 30 e 40 do século passado. Vale uma visita: http://www.yadvashem.org/. Estima-se que seis milhões de judeus foram mortos durante a II Guerra Mundial.

A maior parte do acervo do Yad Vashem é de fotografias e mapas. Os painéis descrevem a perseguição aos judeus antes do início da guerra e encerram com a migração para Israel.  

Além das fotos, o museu guarda as estrelas de Davi usadas pelos judeus e também latas do Zyklon, o defensivo agrícola que os alemães utilizaram como gás tóxico nos campos de concentração.

Estas pedras foram retiradas dos escombros do gueto de Varsóvia e recolocadas como um trecho de rua no museu. Pisando em história, literalmente.

Este é o Jardim dos Justos, onde árvores plantadas homenageiam os não-judeus que ajudaram a salvar muitas vidas durante a II Guerra Mundial. Temos brasileiros aqui. Atrás da pedra, está a árvore de Oskar Schindler, personagem do filme do Spielberg.

Esta é a entrada para a sala dedicada às crianças. Você entra e está tudo escuro e só existe uma pequena passarela. Pequenas luzes se acendem à medida em que uma voz cita o nome, a idade e a nacionalidade de uma criança que sucumbiu nos guetos ou nos campos de concentração. A idéia é simples, mas funciona. É difícil permanecer muito tempo lá dentro.

Por falar em crianças, peguei este detalhe de uma foto grande de pessoas no gueto de Varsóvia. São literamente meninos de rua que perderam os pais e tinham que se virar para arranjar comida. A relação com a nossa realidade é imediata.

Jerusalém vista a partir do Yad Vashem.



Escrito por goethe às 01h54
[ ] [ envie esta mensagem ]


Com menos de 60 anos de fundação, Israel é um país moderno que dinamizou sua agricultura e conseguiu, mesmo com poucos recursos hídricos, abastecer uma população crescente que hoje chega a seis milhões de habitantes. Um dos segredos foi investir em ciência e tecnologia. Um dos orgulhos israelenses é o Instituto Weizmann de Tecnologia. São dez mil estudante no campus da cidade de Rehovot, que fica a meia hora de Tel Aviv. Além da pesquisa em áreas como nanotecnologia (miniaturização), o Instituto Weismann também é referência em ciências da saúde. Chaim Weizmann nasceu na Rússia em 1874, estudou bioquímica na Alemanha e foi professor na Suíça e Inglaterra. Líder sionista, em 1920 conseguiu seu intento de fundar uma universidade em Israel, que na época estava sob controle inglês. Quando Israel declarou sua independência, em 1948, ele tornou-se o primeiro presidente do país. Faleceu em 1952, sendo enterrado no jardim de sua casa, em Rehovot.

No campus do Instituto existe um museu de ciências ao ar livre, onde crianças (e nós, adultos infantilizados) podem realizar experiências com o uso das leis da física. É um espaço lúdico que acabou sendo um bom local para fazer a digestão de um peixe típico que não me fez bem. Na verdade, tratava-se de uma tilápia, que é conhecida em Israel como Peixe de São Pedro. O tempero não estava bom e o bicho era muito espinhento. Todo mundo se deliciou com outros manjares e eu fiquei engasgado com o peixe no prato. Faltou ciência na hora de escolher.

Do Instituto seguimos para conhecer a residência do primeiro presidente de Israel. A casa foi projetada nos anos 30 e segue a escola alemã de linhas retas. A decoração foi mantida como os donos deixaram. Era lá que o casal Weizman recebia amigos e eles tinham muito. Uma das fotos da biblioteca é de Einstein. O filho mais velho de Weizmann foi aviador e morreu combatendo pela Inglaterra na II Guerra Mundial. No dia em que faleceu ele havia escrito uma carta para o pai dizendo que estava tudo indo bem. O velho ficou com o papel na carteira até o fim da vida.

Surgida na Síria, a seita Ba'hai tem seguidores em várias partes do mundo. Seus templos são reconhecidamente jóias da arquitetura. Este em Haifa fica no topo de um morro e é uma das atrações turísticas da cidade. Pena que o flash da câmera digital não era potente o suficiente para iluminar o prédio. Fica aqui a imagem como menção honrosa.



Escrito por goethe às 01h18
[ ] [ envie esta mensagem ]


Fomos a Haifa, a terceira maior cidade israelense, localizada ao norte. É onde se encontra a maior universidade do país, inclusive com um prédio projetado por Oscar Niemayer. Antes de assistir a uma conferência de um professor sobre como a mídia demoniza Israel na questão com os palestinos, visitamos uma aldeia drusa. Os drusos são árabes que não seguem a religião fundada por Maomé. Eles acreditam na reincarnação e a mulher tem liberdade para decidir seu futuro. A guia escolhida pela própria comunidade não podia entrar mais em detalhes, porque o segredo deve ser mantido. A aparência do lugar lembra uma favela de alvenaria, com ruelas estreitas e habitações geminadas. Quando o filho se casa, o pai faz um "puxadinho" e todos ficam em família. Os drusos estão integrados na sociedade israelense, com direito a voto e ao serviço militar. São requisitados para trabalhos na agricultura e construção civil. A melhor refeição da viagem, para mim, foi lá. Grandes bandejas de inox foram colocadas na sala onde estávamos, com direito a música. Muita comida direto da mão para a boca. O tempero árabe é uma delícia. A música tradicional drusa é como a de todos os lugares. As letras são sempre de homens que perderam as mulheres. A incompetência amorosa masculina é universal.

Visitamos um posto de controle na fronteira com a Cisjordânia. Fomos levados antes a uma base do 411º Batalhão de Artilharia israelense. Não permitiram fotos no local. Fomos recebidos pelo subcomandante, Zohar, que tem 26 anos e já é capitão. Na verdade, todos no grupamento são bastante jovens. O serviço militar é obrigatório, dos 18 aos 21 anos para os homens e dos 18 aos 20 anos para as mulheres. Apesar das armas, o local lembra um pouco alojamento de férias. Há máquina de refrigerantes e cada pessoa tenta personalizar seu espaço. Todos sabem que podem ser alvo de um ataque, mas o dever está bem arraigado entre os israelenses. O próprio Zohar reconhece que a maioria da população israelense quer a paz com os palestinos. Seria um alívio para as pessoas e para o próprio governo, que gasta um quarto do seu orçamento com segurança. 

Parte cerca, parte muro, o sistema de segurança erguido por Israel a partir de 2002 conseguiu reduzir o número de atentados nas grandes áreas urbanas. Onde há concreto é porque as casas de judeus estavam se tornando alvo de franco-atiradores. Os palestinos que trabalham em Israel devem apresentar diariamente um cartão de passagem. Quem não tem o documento está proibido de cruzar a fronteira. A tecnologia utilizada impressiona. Basta um menor toque na cerca/muro que um alarme é ativado e uma patrulha do exército chega ao local. Na verdade, uma musiquinha toca no computador. Na base de Kfar Saba, onde estivemos, a banda Queen dava o alerta.

Não houve tempo para entrar em Nazaré. Fica o registro. Assim como as minas que ainda se encontram em trechos da rodovia, devidamente sinalizadas.

No caminho para a fronteira paramos para um lanche. A escolha foi um McDonald's, onde muitos soldados também estavam lá, devorando um McFalafel ou um BigMac mesmo. Descobri este tanque em miniatura bem ao lado do prédio. Trata-se da entrada de um parque temático com vários veículos usados nas guerras que os israelenses travaram com os vizinhos. O pai leva o filho para comer um sanduíche e depois os dois vão conferir os "brinquedinhos".

Não gosto de aparecer muito em fotos, principalmente na internet, mas esta vale pelo registro jornalístico. Estou na fronteira entre Israel e Líbano, com um pé em cada país. Trata-se da cidade de Hadjah, que possui cerca de 1,8 mil habitantes. Entramos no lugar com o ônibus escoltados por dois carros do exército israelense. Hadjah fica no topo de um despenhadeiro de onde se pode avistar as Colinas de Golan, tomadas por Israel da Síria depois da Guerra dos Seis Dias. A major que nos acompanhou na visita disse que o Líbano abandonou a cidade e que os moradores do lado árabe utilizam os serviços israelenses. As pessoas passavam por nós e sorriam, mas não se pode negar que existe o clima de tensão no ar. Israel mantém um posto de controle no local, assim como as forças de paz da Organização das Nações Unidas. Na segunda foto, o ponto escuro ao centro é uma fortaleza mantida pelo Hezbollah. Com um míssel, pode-se atingir as edificações do lado israelense. Não perguntei, mas o aluguel deve ser baratinho, baratinho...



Escrito por goethe às 02h09
[ ] [ envie esta mensagem ]


Jerusalém é cidade mais importante do ponto de vista da religião, mas é em Tel Aviv que o dinheiro é feito em Israel. Mesmo beirando o Mar Mediterrâneo, lembra São Paulo. É onde estão as representações diplomáticas e as grandes empresas. Fiz esta foto logo de manhã e mostra um pouco a beira-mar de Tel Aviv. Ao fundo, a cidade de Yaffo, que surgiu primeiro e é residência de mais árabes do que judeus. Os artistas preferiram instalar seus ateliês por lá. Fizemos apenas uma breve visita de ônibus, mas valeria a pena uma caminhada por suas ruas. Lembra bastante Olinda em relação ao Recife. Vai ver que foi por isso que gostei tanto.

A Prefeitura de Tel Aviv fica no centro da cidade. O prédio se tornou moldura para uma grande exposição de quadros que ocupou todas as janelas. Cada artista de uma região escolheu uma personagem judaica e fez o seu retrato, utilizando a técnica que desejasse. Um out-door na praça em frente traz uma reprodução em tamanho reduzido das obras com a identificação das pessoas. O resultado é muito bonito. Pena que fiz esta foto correndo e não deu para conferir muito quem estava pendurado. Mas é um bom exemplo de como a arte pode ser acessível.

Por trás da prefeitura, perto da área de estacionamento, fica o monumento a Ytzaak Rabin. Foi neste local que ele foi assassinado por um judeu radical. Sempre há flores. As pedras foram dispostas como se o lugar fosse atingido por um terremoto. E foi mesmo. 

Anotei o nome desta rua, mas não consegui localizar no caderno. Trata-se de uma área chique de Tel Aviv onde existe sempre uma feirinha nas sextas-feiras, antes do início do Shabat. Mais uma vez foi necessário passar por uma revista antes de entrar numa área gradeada onde pais e filhos se divertiam com apresentação de malabaristas e grupos de música. As lojas também reservam algumas surpresas. O restaurante onde ficamos caprichou no vinho tinto israelense. Bebi tanto que esqueci o nome. E lembro que perguntei a uma das donas, que era argentina. 

Em Yaffo, fizemos uma visita à única creche em Israel que reúne crianças judias, árabes e cristãs. Ela é mantida por uma organização não-governamental, porque o governo israelense só garante educação gratuita a partir dos cinco anos de idade. As instruções são dadas em hebraico e árabe e os pais estiveram presentes enquanto nós estávamos no local. É um trabalho interessante, mas muito pouco em relação aos povos que convivem na região. Mesmo assim, há esperança. Ainda que tardia.



Escrito por goethe às 01h46
[ ] [ envie esta mensagem ]


A parada para o pernoite foi em Tiberíades (ou Tibérias), à margem do Mar da Galiléia, um lago que faz a divisa entre Israel e Síria, que tem a peculiaridade de ficar situado a 212 metros abaixo do nível do mar. Tiberíades foi escolhida pelos romanos para ser a capital administrativa da Palestina. O lugar é bonito e uma das atrações culinárias é o Peixe de Pedro, que nada mais é do que a nossa já abrasileirada tilápia. A cidade hoje é um local de veraneio, se bem que estava vazia por causa do frio, com temperatura próxima de zero grau. Isso não impediu de tomarmos umas cervejas à beira do lago, com direito a piadas de judeus contadas pelos próprios representantes da Confederação Israelita do Brasil. No final, antes de voltar pro hotel, durante uma sessão de fotos, recebemos a visita de um grupo de adolescentes que estava indo para casa, isso por volta das duas horas da madruga. As meninas, quando souberam que éramos brasileiros, logo falaram de "Terra Nostra", a novela que passa por lá com legendas. Os rapazes só falaram em futebol. Ó nóis na fita. 

Carfarnaum foi um dos primeiros locais onde Jesus pregou, de acordo com o Antigo Testamento. Era a cidade onde morava a mãe de Pedro, o apóstolo que tornou-se o primeiro Papa. A última foto da sequência acima mostra os restos da casa da sogra, onde Cristo filava a bóia. Da cidade de dois milênios atrás só restam ruínas. As paredes mais conservadas tratam-se de uma sinagoga do século V, erguida no mesmo local de uma sinagoga da época de Jesus. Foi daqui que ele passou a ganhar fama. Onde tudo começou e terminou. 

Este foi o local, beirando o Mar da Galiléia, que Jesus fez o milagre da multiplicação do pão e dos peixes. Mais um belo local antes da chegada de grupos de turistas. No lugar do lanche da época, uma barraquinha oferece pistache, tâmaras e biscoitos. Fome por aqui não é problema.

Saindo de Carfanaum, a próxima parada foi o Monte da Bem-Aventuranças, onde o Cristo fez o famoso sermão da montanha. Na verdade, o lugar é um morrinho e Jesus é quem ficou na parte de baixo, com a platéia acomodada na parte superior, para melhor aproveitar a acústica natural. De tanto imaginar, a realidade pode ser tão simples que a mente se recusa a acreditar.

Esta é a igreja do Monte das Oliveiras, onde Jesus ficou até ser reconhecido por Judas e ser levado para o Calvário. Foi onde iniciamos a nossa visita, em Jerusalém, aos lugares sagrados do cristianismo e do judaísmo. A fachada é bonita e o seu interior também. Pena que demoramos pouco tempo porque a programação era extensa e o tempo curto.

Esta é a imagem mais famosa da Jerusalém antiga. Ela figura em cartões-postais e em todas as matérias publicadas em revistas de turismo. Ela é obtida a partir de uma esplanada no Monte das Oliveiras, que fica sob administração árabe. Você pode comprar 30 postais da cidade por um dólar ou pagar cinco dólares para montar em cima de um camelo. Se for apenas fotografar, deve desembolsar um dólar. Aproveitei que o árabe relaxou e fiz uma imagem escondida. Confesso que pequei. Mas foi por uma boa causa. Salaam para ele. 

O verde contrasta bem com o bege das pedras que são elemento principal das edificações em Jerusalém. Começou na época da dominação inglesa e tornou-se lei depois da independência. Todo prédio novo construído na cidade deve ter, na sua fachada, as pedras que são abundantes em Israel. Isto faz com que a cidade seja realmente diferente de todas as outras. O difícil é encontrar uma referência. Não adianta marcar um encontro em frente à farmácia verde que lá não tem.



Escrito por goethe às 23h25
[ ] [ envie esta mensagem ]


Esta é uma das portas de acesso para a cidade velha de Jerusalém que é toda cercada por muralhas. Para evitar problemas, entramos pelo bairro judeu, aproveitando o fato de que estaria tranquilo por ocasião do Shabat. É realmente preciso andar com um guia, porque o risco de se perder é grande. A não ser que você saiba ler placas em hebraico e árabe.

Não é permitido tirar fotos próximo ao Muro das Lamentações. Este terraço é um local privilegiado para se fazer o registro da área mais importante para os judeus em Jerusalém. Eu também coloquei meu papelzinho lá, pedindo modestamente paz para todo mundo. Sei que não vou ser atendido, mas não custa manter a tradição. Coloquei um quipá de papelão para chegar perto das pedras e realmente impressionante a devoção dos mais ortodoxos. Vale lembrar que, para entrar, é preciso passar por uma revista minuciosa. Mas, no último dia, já estava acostumado e levando tudo o que era suspeito nas mãos. Não custa nada ser bem-educado na terra dos outros.

Por ser Shabat, o bairro judeu parecia cidade fantasma. Se aparecia alguém nas ruelas estreitas era para rezar no muro das lamentações. O que chama a atenção é como as casas são bem conservadas em relação à parte árabe. E não há lixo. Por recomendação do guia, procurava-se não fotografar quando um ortodoxo estava presente. Ele podia passar um sermão daqueles. Um pouco de respeito faz bem à saúde. Só faltava um deles morrer de ataque apoplético. Em pleno sábado. Ia ser um inferno.

Andar pela cidade velha de Jerusalém é esbarrar com cenário de filme bíblico. Uma das atrações para grupos turísticos é a Via Dolorosa, o caminho por onde Cristo teria seguido até o Gólgota. Na quinta etapa, onde Simão Cirineu é "convocado" a levar um pouco a cruz, o espaço foi invadido pela excursão de nigerianos. Só se via boné verde no caminho. A minha via-crúcis particular começou aqui.

O local mais visitado na cidade velha é o Santo Sepulcro, um complexo de igrejas administrado por várias irmandandes religiosas. Para os cristãos, é a oportunidade de conferir os últimos passos de Jesus. Não existe comprovação científica de que foi no local onde estão as igrejas que Cristo realmente foi crucificado, retirado da cruz e depois sepultado à moda judaica da época, em um nicho escavado na rocha. Mas para quem em na ressurreição do Messias, não será a ausência de GPS que vai diminuir a emoção.

Esta é a parte do mercado árabe. Onde tive que praticar o esporte da pechincha. Se você olhar para uma mercadoria, prepare-se para ser agarrado pelo dono e só sair depois que perder meia hora discutindo preço. As pilhas da máquina digital acabaram logo aqui. Consegui comprar outro par, mas ainda adquiri dois turbantes que usarei no Carnaval para escapar do local. Encarei a situação como redistribuição forçada de renda. Depois de saber que era brasileiro, virei "my friend" para um monte de vendedor. Eles podiam saber nome de jogador, mas acham que a moeda é dólar. Tive que driblar muito para não depenado. 

A bandeira é da cidade de Jerusalém, com o símbolo do Leão de Judá. Ao fundo, uma mesquita. Por ser sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, Jerusalém tem um regime administrativo diferenciado. Este trecho, por exemplo, é dominado pelos árabes. Vi dois judeus ortodoxos, com o chapéu e trancinhas, andando rápido e desviando dos rostos mal-encarados. Eram jovens. Por isso que dizem que seguro morreu de velho.

Tirei a foto, mas não me perguntem o que este senhor vende. Bíblia, com certeza, não é. Mas, pela pose, o fim está próximo.

No último dia, depois de andar pela cidade murada de Jerusalém, pausa para um falafel e um refrigerante. Não consegui pegar a pronúncia de Coca-Cola em árabe, mas de Fanta eu aprendi: Lu-la.

Antes de voltar ao Brasil, nova revista minuciosa, com direito a olhada nos meus sapatos e revistas que estavam dentro da mochila. A mocinha teve que usar luvas de plástico para afastar minhas cuecas e meias. A coitada não foi treinada para este tipo de arma química. Na escala na Alemanha, cerca de seis horas no aeroporto de Frankfurt. O edifício é imenso, tanto que um trem elétrico liga os dois terminais. Uma simpática exposição de ursinhos ajuda a passar o tempo. Cada escultura representa um país, pintado por um artista da terra. Pena que esqueci de citar o nosso, autor desta original combinação de futebol e sandálias havaianas. Também não vi se o ursinho brazuca usava fio-dental. Entrei no vagão e fui para a fila de embarque. Chega de civilização.



Escrito por goethe às 22h18
[ ] [ envie esta mensagem ]


bilhete aos discípulos

Caríssimos:

Retornei de viagem, mas estou com problemas em baixar as fotos para o meu micro e, depois disso, colocá-las no blog.  Foi tudo muito bom, embora cansativo. Espero que até sexta-feira eu consiga resolver tudo. Shalom, gracias e namastê.



Escrito por goethe às 14h27
[ ] [ envie esta mensagem ]


um pecador na terra santa

Carissimos:

foi um milagre conseguir este computador para mandar uma r'apida mensagem. A programac'ao montada aqui 'e intensa e n~ao sobra tempo para nada. Depois de quase 20 horas de viagem de avi~ao, entre Recife-Rio-Paris-Tel Aviv, desembarquei em Jerusal'em `as 5h20 da segunda-feira. `As 7h j'a havia comptomisso oficial, no Minist[erio das Rela'c~oes Exteriores. E assim se seguiu o dia todo, com direito a cochiladas em meio a entrevistas com pol[iticos e visitas ao Congresso (Knesset). Ontem foi o dia de conhecer o Instituto Weismann de tecnologia e visitar o Museu do Holocausto, al'em de um grande jantar num restaurante 'arabe. Hoje fomos at'e a fronteira com o L'ibano e entramos num posto de controle da famosa cerca/muro que est'a sendo erguida para controlar os palestinos. Estou digitando isto de Tiber'iades, uma cidade que fica 200 metros abaixo do n'ivel do mar, `a beira de um belo lago. Amanh~a ser'a dia de conhecer lugares sagrados do cristianismo. O que estou achando de tudo isso? Apesar do cansa'co acumulado, a experi^encia de conhecer um povo vale a pena. 'E muito interessante ver como o israelense convive com o problema da eterna vigil^ancia. Sinto-me mais seguro aqui do que caminhando pelo Recife ou por outra capital brasileira. Ok, voc^e 'e revistado quando entra em lugares p'ublicos, mas de forma t~ao educada que se acostuma r'apido. Espero que as fotos possam demonstrar melhor o que eu escrevo. No mais, Shalom. E Salaam, porque todos viemos de um mesmo lugar.



Escrito por goethe às 15h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


jerusalem, here i am

Talvez seja um sinal. Alguém realmente lá de cima gosta de mim, além da chefia do jornal. Pela segunda vez no ano embarco, a trabalho, numa viagem internacional. Se contar a minha viagem de férias para Uruguai e Argentina, será a quarta vez neste ano que carimbo o passaporte. Desta vez o destino é Israel, com direito a um passeio de uma tarde em Paris. O convite é do governo israelense e vou numa comitiva com jornalistas escolhidos pela Confederação Israelita do Brasil. Será uma semana de agenda intensa, com direito a passar pelas cidades de Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e Tiberíades. Já recebemos as devidas instruções sobre a segurança. Seremos revistados em todos os lugares que entrarmos. Profissionalmente, é a chance de estar no centro da discussão sobre a questão palestina, apesar de só poder ouvir a versão de um dos lados. Dentro da agenda estão previstas visitas ao muro da discórdia, a uma comunidade árabe e a uma creche onde crianças judias e muçulmanas convivem juntas. Pessoalmente, terei a chance de pisar em lugares cheios de histórias. Espero compartilhar com vocês esta experiência. A câmera velha de guerra já está a postos. Shalom. E Salaam.



Escrito por goethe às 00h37
[ ] [ envie esta mensagem ]


rádio fiteiro volta em ondas curtas

MATTER OF TRUST

Some love is just a lie of the heart
The cold remains of what began with a passionate start
And they may not want it to end
But it will it's just a question of when
I've lived long enough to have learned
The closer you get to the fire the more you get burned
But that won't happen to us
Because it's always been a matter of trust

I know you're an emotional girl
It took a lot for you to not lose your faith in this world
I can't offer you proof
But you're going to face a moment of truth
It's hard when you're always afraid
You just recover when another belief is betrayed
So break my heart of you must
It's a matter of trust

You can't go the distance
With too much resistance
I know you have doubts
But for God's sake don't shut me out

This time you've got nothing to lose
You can take it, you can leave it
Whatever you choose
I won't hold back anything
And I'll walk a way a fool or a king
Some love is just a lie of the mind
It's make believe until its only a matter of time
And some might have learned to adjust
But then it never was a matter of trust


I'm sure you're aware love
We've both had our share of
Believing too long
When the whole situation was wrong
Some love is just a lie of the soul
A constant battle for the ultimate state of control
After you've heard lie upon lie
There can hardly be a question of why
Some love is just a lie of the heart
The cold remains of what began with a passionate start
But that can't happen to us
Because it's always been a matter of trust



Escrito por goethe às 23h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


imagens e palavras

Essas fotos eu descobri com meu amigo Aldo, em Barbalha. Aliás, além dele, só posso considerar como amigo também o Lúcio. Duas pessoas que ainda posso conversar um pouco, mesmo que coisas relativas ao passado. E por falar em passado, é disso que estas imagens contam. Estão meio desfocadas porque apenas usei a máquina digital para fazer o registro, não havia tempo para escaneá-las (acho que já existe este verbo em português). São fotos da década de 60, provavelmente feitas pelo padre Paulo, um dos mentores do Colégio Santo Antônio, que formou muita gente boa, incluindo modestamente este que digita estas mal tecladas linhas. Existem outras dezenas, à espera de uma boa exposição. As fotos têm um pouco de Weegee, pelo fato do inusitado em situações comuns de uma cidade. Ou de um circo. Caro amigo Aldo, espero pelo CD com estas maravilhas devidamente recuperadas. E parabéns ao artista.

Anões retratados como gente grande...

O futebol onde a platéia é quase a rede...

O menino fazendo careta na coroação...

A menina rainha com sono ou com susto?

pernas finas e uma bola

Uma cidade em desfile...

À sombra das meninas em flor...



Escrito por goethe às 23h24
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 


Meu perfil





BRASIL, PERNAMBUCO, Homem, Livros, Música, Filmes
MSN - paulogoethe@hotmail.com



Histórico
01/05/2008 a 31/05/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
01/12/2004 a 31/12/2004
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/07/2004 a 31/07/2004
01/06/2004 a 30/06/2004
01/05/2004 a 31/05/2004
01/04/2004 a 30/04/2004
01/03/2004 a 31/03/2004
01/02/2004 a 29/02/2004




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 lotta continua
 janela pro infinito
 impressões de ontem
 gandalf
 soy loco por ti
 a cara da ana
 spoiler
 no meio de salão
 adorada guadalupe
 lilith
 maricota
 chez nous... rock version
 ressaca moral
 jaca mole
 fotos do glauco
 quem navega é renata
 vindaloo