fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


o outro lado do oscar

ACCEPTANCE SPEECH
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

El día le irá pudiendo
poco a poco al frío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

Ciao! Thank you! Gracias!


Foi desta forma, entoando os versos que escreveu, que o uruguaio Jorge Drexler fez seu discurso de agradecimento pelo Oscar de melhor canção, com "Al Otro Lado Del Río". Isto depois de Antonio Banderas ter destruído a música, por imposição dos organizadores. Foi a melhor coisa que aconteceu na cerimônia. There is a light that never goes out...

Escrito por goethe às 14h50
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só para lembrar

Esta dica encontra-se nas locadoras e, mesmo depois do Oscar de domingo, vale uma conferida apesar da possibilidade de passar em branco na premiação este filme dirigido pelo francês Michel Gondry, responsável por clipes da cantora Björk, dos Chemical Brothers e do White Stripes. Na verdade, "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) concorre a duas estatuetas: melhor atriz (Kate Winslet) e melhor roteiro original (Charlie Kaufman). Aplaudiria se os velhinhos de Hollywood reconhecessem a criatividade de Kaufman, que criou uma história tocante e manteve o mesmo impulso criativo já demonstrado em "Quero Ser John Malkovich", "Adaptação" e "Confissões de Uma Mente Perigosa". Devo dizer também que o filme é estrelado por Jim Carrey, mas ele também tem mérito por não recorrer às costumeiras caretas. Se a história perde o ritmo às vezes, é porque trata-se de uma história de amor. Simples assim.

Feliz é a inocente vestal;
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças;
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.
(Alexander Pope)



Escrito por goethe às 20h15
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a vez do samurai malandro

das coisas

que eu fiz a metro

todos saberão

quantos quilômetros

são

 

aquelas

em centímetros

sentimentos mínimos

ímpetos infinitos

não?

(Paulo Leminski - Caprichos e Relaxos)


Samurai e malandro, o curitibano Paulo Leminski me mostrou um catatau de coisas. Como escrever de forma a parecer tudo muito simples. Hai-kais de Bashô. A leitura ávida de tudo. Livros dele hoje são raros. Por isso que compartilho aqui este belo mostruário, que ganhou capa nova e está à disposição dos neófitos e antigos admiradores. Tem de pouco um tudo da vasta obra de Leminski. Sentimentos quilométricos.



Escrito por goethe às 23h07
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um olhar sobre quipapá

A área onde hoje fica o município de Quipapá integrava a grande faixa de terra que, no passado, foi ocupada pelo Quilombo dos Palmares. A denominação do município é uma corruptela de Quipacá, de origem africana, que significa "refúgio" ou "asilo de fugitivos". O distrito, que integrava o território do município de Panelas, foi criado a 23 de junho de 1857. Ganhou o predicamento de vila a 12 de maio de 1879 e foi elevado à categoria de cidade a 19 de maio de 1900.

 

Localização: Litoral/Mata, microrregião Mata Meridional, 188 km do Recife.
Área
: 257 km2
Solo
: Argiloso
Relevo
: Forte ondulado e montanhoso
Vegetação
: Floresta subperenifólia
Ocorrência mineral
: Constituição argilosa e rochosa
Precipitação pluviométrica média anual
: 1.248,1 milímetros
Meses chuvosos
: Março - Abril
População
: 22.457 habitantes
Dia de feira
: Sábado
Data de comemoração da emancipação política
: 19 de maio
Padroeira: Nossa Senhora da Conceição

 

Fonte: Pernambuco de A/Z (http://www.pe-az.com.br/)



Escrito por goethe às 22h35
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um triste leitor

Vi a notícia faz apenas meia hora. Fui na estante, mas tive dificuldade em encontrar o livro, amado livro. A lombada está desbotada, procurava pela cor lilás que já não tem mais. Bons anos que não folheava estas páginas amarelas. "Três Tristes Tigres" me ajudou a descobrir um novo universo linguístico, produzido por este cubano que deixou a sua terra por discordar da permanência vitalícia de Fidel Castro no poder. Isto depois de ser adido cultural do governo revolucionário na Bélgica. Este livro é considerado um dos maiores em língua espanhola já escritos. E vai continuar sendo. E é citando um trecho dele que me despeço de Cabrera, o Infante. Gracias. Gracias a la vida.


...paredes pintadas de vermelho, degraus forrados de tapetes vermelhos, o corrimão coberto de veludo vermelho e mergulho na música  e no ruído dos copos e do cheiro do álcool e no fumo e no suor e nas luzes coloridas e nas pessoas, e escuto o final desse bolero que diz "Luzes, copos e beijos, a noite de amor terminou, Adeus, adeus adeus", que é o tema musical de Cuba Venegas e vejo que ela cumprimenta elegante e bela e toda de azul celeste de cima a baixo e torna a cumprimentar e mostra a metade dos grandes seios redondos que são como as tampas dessas panelas maravilhosas que cozinham o único alimento que faz dos homens deuses, a ambrosia do sexo, e me alegro que esteja me cumprimentando, sorrindo, mexendo o corpo incrível e jogando para trás a bela cabeça e que não esteja cantando porque é melhor, muito melhor, muito melhor ver Cuba que ouvi-la e é melhor porque quem a vê a ama e quem a ouve, a sente e a conhece já não pode amá-la, nunca.

página 269


1929/2005



Escrito por goethe às 23h55
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cordel do severino

O deputado Biu Cavalcanti

Tornou-se sujeito importante:

Quando ninguém esperava,

Tudo era fava contada,

Virou presidente da Câmara.

Agora manda e desmanda

E fala até em aumento.

Pra quem já lavou jumento,

O reino agora é Brasília:

Emprego pra toda a família

A cidade de João Alfredo

É misto de orgulho e medo

Do homem forte da terra.

O bode pasta e a cabra berra

Oposição manobra em silêncio:

Quem chora não mostra o lenço.

Enquanto outros comemoram,

Severino chamou a senhora

E disse: não prometi um dia

Que eu ia te dar mordomia?

 

O boneco Severinão,

Com seu riso bonachão,

Vai desfilar pela praça.

E o povo fazendo pirraça,

Pra imprensa registrar.

Não tem cheque sem fundo

Que convença um vagabundo

A não celebrar a alegria

da vitória da democracia:

Pode ser careca e velho,

Mas é o rei do baixo clero.



Escrito por goethe às 00h42
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iguais em tudo na vida

Carlos da Silva, 51 anos, aos domingos anima o público magro que visita o Alfredão, restaurante à beira da rodovia em Escada, na Zona da Mata de Pernambuco. Confessa que ganha pouco, mas tem prazer em martelar as teclas surradas do piano Essenfelder que está desafinado. "O dono não quer consertar", resigna-se. Fã dos Beatles, gosta de tocar "Hey Jude", "Let It Be" e até "Yellow Submarine". Um freguês de camiseta vermelha, com a mulher de lado e um bebê no berço colocado em cima da mesa, deixa a cerveja para cantarolar num inglês macarrônico. Carlos não se importa. Aos nove meses de idade, perdeu a visão do olho direito porque o médico receitou um colírio forte demais. Aos dez anos, quando trabalhava numa "casa de família", perdeu o outro olho num acidente doméstico. Aprendeu música de ouvido, primeiro numa sanfona. Quatro anos de estudo no Instituto dos Cegos, no Recife, permitiram que ele dominasse as partituras. Mantém-se como tecladista de uma banda de forró, a "Café Com Mel". Ouviu falar de Ray Charles, sabe que tem um filme contando a história dele. Enquanto isso, trata de viver a sua. No preto e no branco, tudo igual. Carlos e Charles. 



Escrito por goethe às 19h29
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sentado à beira do caminho

Novidades e velharias, todas de boa freguesia: http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 15h12
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muitas felicidades

Eu tinha feito muitos planos para esta data especial. Mas aí entrou Severino Cavalcanti no meio. E acabei tendo que viajar para visitar a vibrante e pujante terra natal do novo presidente da Câmara dos Deputados. Voltei ontem, postei a resenha do livro "Mercador de Café" e nem me lembrei. Agora é que tudo se revelou, como no sonho que tive nesta madrugada. Há um ano, eu criava este fiteiro para divulgar coisas que eu gostava. O início das garrafas ao mar. Escrevia para mim mesmo, mas também para quem estava distante. E então tudo aconteceu. Alguns foram chegando, fazendo visitas esporádicas. Depois, poucos tornaram-se fregueses, sempre dispostos a conferir o que o pouco estoque do fiteiro tinha a oferecer de novo. E aí é que tive que abrir o caderno de fiado.

Amita, Adriana, Bera, Gandalf, Gisele, Juliana, Keka, Luiz, Maria... Os que não foram citados aqui me perdoarão, porque este texto tem que ser de rompante senão perde a validade. Com raras exceções dos amigos de carne e osso, não sei onde moram, como são e em quem votaram nas últimas eleições. Mas sei que partilham da mesma vontade de conhecer de tudo. Acredito que, de alguma forma, este blog teve alguma serventia. Para mim, o fundamental foi que voltei a escrever, depois de exercer várias funções burocráticas.

Estou achando agora este texto muito piegas. Coisa mais besta comemorar aniversário de blog. Mas como isto ganhou vida própria, a culpa não é minha. Quanto a vocês, nem queiram saber de acertar as contas. O caderno de fiado ganhou uma capa novinha. O que não se faz para agradar... 



Escrito por goethe às 19h17
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vai um cafezinho aí?

Rodopiou na tigela, denso, escuro, quente e repugnante. Miguel Lienzo ergueu o recipiente e aproximou-o a ponto de quase mergulhar o nariz no líquido alcatroado. Segurando a tigela, inalou profundamente, sugando o aroma para o interior dos pulmões. O odor pungente de terra e folhas apodrecidas surpreendeu-o. Era como algo que um farmacêutico mantivesse guardado em um frasco de porcelana lascada.

- O que é isso? - perguntou Miguel, contendo a irritação e empurrando a cutícula de um polegar com a unha do outro. Ela sabia que Miguel não tinha tempo a perder, portanto por que o trouxera até ali para ver aquela besteira? Comentários amargos borbulhavam dentro dele, mas não deixou escapar nenhum. Não que tivesse medo dela, mas sempre se pegava esforçando-se para evitar que ela se aborrecesse.

Viu que Geertruid observava a sua silenciosa mutilação de cutícula com um sorriso. Ele conhecia aquele sorriso irresistível e o que queria dizer: que ela estava muito satisfeita consigo mesma e, quando ficava assim, também era difícil Miguel não ficar tremendamente satisfeito com ela.

- É algo extraordinário - disse-lhe Geertruid, gesticulando em direção à tigela. - Beba.

- Beber? - disse Miguel, olhando para o líquido negro. - Parece com a urina do demônio, o que certamente seria extraordinário, mas não desejo saber que gosto tem.

Geertruid inclinou-se em direção a ele, quase roçando em seu braço.

- Tome um gole e então contarei tudo. Esta urina do demônio fará as nossas fortunas.

...

Duas tigelas de barro fumegavam, repletas de um líquido mais negro do que os vinhos de Cahors. À luz mortiça, Miguel segurou o recipiente com ambas as mãos e provou.

Era de um amargo profundo, quase encantador, algo que Miguel jamais experimentara antes. Lembrava chocolate, coisa que provara havia alguns anos. Talvez tenha pensado em chocolate apenas por que as duas bebidas eram escuras e servidas quentes em grossas tigelas de barro. Essa tinha um sabor menos voluptuoso, mais picante e menos intenso. Miguel provou novamente e pousou a tigela. Quando experimentara chocolate, ficara intrigado o bastante para tomar duas tigelas da coisa, o que inflamou o seu espírito de tal forma que, mesmo após ter estado com duas prostitutas satisfatórias, sentiu necessidade de visitar o médico, que restaurou os seus humores desequilibrados com uma boa combinação de eméticos e purgas.

- É feito da fruta do cafeeiro - disse Geertruid, cruzando os braços como se ela mesma tivesse inventado a bebida.

Miguel topara com café uma ou duas vezes, mas apenas como uma mercadoria negociada por comerciantes das Índias Orientais. O trabalho na bolsa de valores não exigia que se conhecesse a natureza de um produto, apenas a sua demanda e, às vezes, no calor da negociação, nem mesmo isso.

...

O aroma do café começou a deixá-lo com a cabeça leve, tomada de algo como desejo. Não, desejo não. Cobiça. Geertruid encontrara algo, e Miguel sentiu aquela ansiedade infecciosa inflando o seu peito. Era como pânico ou júbilo ou algo mais, e ele queria pular da cadeira. Essa energia seria fruto da idéia que ela tivera ou efeito do café? Se a fruta do cafeeiro fazia as pessoas ficarem irrequietas como podia ser a bebida do comércio?

No entanto o café era algo maravilhoso, E se ousasse pensar que ninguém mais em Amsterdã estava planejando tirar vantagem daquela nova bebida, o café poderia salvá-lo da ruína. Durante seis meses desoladores, Miguel sentira-se como se estivesse sonhando acordado. Sua vida fora substituída por um triste simulacro, pela vida exangue de um homem inferior. Poderia o café recuperar-lhe o seu lugar de direito?


Fazia tempo que não via um capítulo inicial de um livro tão instigante, capaz de fazer você permanecer acordado por mais algumas horas além do costume. "O Mercador de Café" é o segundo livro de David Liss, que entra bem no rol de escritores que misturam suspense e tradições judaicas antigas. O protagonista, o marrano português Miguel Lienzo, é um endividado que pretende dominar o comércio de café no mercado europeu. A bebida não fazia parte do cotidiano dos nobres das principais cidades do continente no século XVII. Em Amsterdã, ele tem que enfrentar inimigos, inclusive de seus companheiros de religião. Apesar de não beber café, o livro é encorpado (384 páginas) e pode ser consumido em pequenas doses, para se aproveitar mais o sabor.



Escrito por goethe às 00h18
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resolução de ano novo (de novo)

Mark Twain (1835-1910)

"Trabalhe como se não precisasse de dinheiro.

Ame como nunca se tivesse ferido.

Dance como se ninguém observasse".



Escrito por goethe às 10h26
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no peito dos desafinados também bate um coração

"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e se dispõem as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos). O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotada com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além de se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repeti-lo como um mantra: absolutamente nada é para sempre, nem mesmo os sentimentos que parecem ser (a vida seria um lago estagnado se só existisse o perene). Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse. Todo mundo passa. E é bom que seja assim.
Ailin Aleixo
 
A revista VIP é machista, concordo. Mas este texto, que pode ser conferido na íntegra na edição de fevereiro, foi escrito por uma mulher. E acerta na mosca. Ideal para esta época pós-carnaval. Pós-tudo. E a moça tem um blog, onde outras crônicas legais estão disponíveis. O endereço? http://mulherhonesta.sites.uol.com.br


Escrito por goethe às 18h20
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a onda que se ergueu do mar

Esta imagem, registrada por Arko Datta no dia 28 de dezembro em Cuddalore, na Índia, tornou-se o World Press Photo of Year 2004. Os vivos e os mortos da tsunami são uma tragédia difícil até de dimensionar no número de vítimas, mas possível de visualizar na dor desta mulher. A galeria com as melhores fotos do ano passado pode ser acessada por este link: http://www.worldpressphoto.com/index.php?option=com_photogallery&task=blogsection&id=7&Itemid=87&bandwidth=high



Escrito por goethe às 18h13
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o homem mais sabido do mundo? (parte I)

Nascido Giuseppe Balsamo, em 1743, na cidade italiana de Palermo, ele morreu solitário na fortaleza de Sant’Angelo, por ordem do Vaticano, sob acusação de heresia, em 1795. Neste pouco mais de meio século de vida, Balsamo aprontou muito. Adotou o nome de Conde de Cagliostro e viajou pela Europa, realizando sessões de magia, curando os pobres com remédios produzidos com seus conhecimentos de química e fundando ramificações de seu movimento Maçonaria Egípcia. Foi denunciado pela própria mulher, Seraphina, que também servia como isca sexual para os financiadores de seus projetos.

Cheguei a este livro pelo título, mas de alquimista Balsamo ou Cagliostro teve muito pouco. Mas vale a pena conhecer mais sobre esta figura que despertou a fúria de Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia, além do desejo de Maria Antonieta de vê-lo encarcerado por causa da fraude na venda de um colar. Cagliostro foi fonte da poesia de William Blake e inspirou personagens do Goethe verdadeiro (Fausto) e Mozart (A Flauta Mágica). Se queria tornar-se uma figura lendária, o falso conde conseguiu. E este livro do historiador australiano Iain McCalman conta tudo isto, com direito a ilustrações da época. Um luxo.



Escrito por goethe às 18h04
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o homem mais sabido do mundo? (parte II)

“É um homem cujos simpatizantes consideram sábio porque, quando fala, parece ignorante. É um homem persuasivo porque não domina nenhuma língua. É um homem que as pessoas compreendem porque ele nunca se explica... É um homem que as pessoas acreditam ser nobre porque é rude em seu discurso e em seus modos. É homem que acreditam ser sincero porque tem toda a aparência de um mentiroso.”

Casanova

 

“Charlatão dos charlatões! Uma face prodigiosa de canalhice: um rosto gordo, rude, abominável; úmido, de nariz achatado, gorduroso, pleno de avareza, sensualidade e obstinação bovina: uma fronte impudente, que se recusa a se envergonhar; depois dois olhos voltados para cima, lânguidos e angelicais, como em contemplação e adoração divinas; um toque de enigma, também: no todo, talvez o mais perfeito rosto de um charlatão produzido pelo século XVIII.”

Thomas Carlyle

 

Nascido só Deus sabe onde, mantido só Deus sabe como,

De quem descende – difícil saber;

Lorde Revolta adota-o como amigo do peito

E insanamente ousa defender seu caráter.

Esse autoproclamado conde tornou-se há alguns anos

Um irmão maçom com um nome falso;

Pois muitos nomes ostenta

E em cinqüenta formas como Proteu se apresenta.

“Veja em mim (ele diz) um filho da Dama Natureza

de alma benevolente e maneiras gentis,

em mim veja o inocente Acharat,

que conhece o mistério de fazer ouro;

ostento um coração amoroso, uma consciência pura,

vanglorio-me de um bálsamo que cura qualquer mal,

minhas pastilhas e pós todas as doenças eliminam,

renovam seu vigor e melhoram sua saúde.”

Esse ladino papel o arquiimpostor representa

E assim atrai o fraco e o crédulo.

Mas agora que sua história foi revelada

Surge o descarado hipócrita e tratante;

Primeiro como Balsamo ele experimenta pintar,

Mas fazendo apenas borrões, ele desiste do ofício;

Em seguida, como médico charlatão partiu para o estrangeiro;

E muitos nomes arrolou na lista negra da Morte.

Três vezes visitou as costas britânicas

E toda vez usou um nome diferente;

Os corajosos alsacianos ele facilmente engabelou

Vangloriando-se de fórmulas egípcias da Antiguidade.

O mesmo truque praticou em Bordeaux,

Em Estraburgo, Lyon e Paris também.

Mas o destino reservara para o irmão Mash a tarefa

De arrancar a máscara do vil impostor.

Que todos os verdadeiros maçons prestem atenção à sua história

Sincera!

E que a risada da sátira ponha um fim à fraude!

James Gillray



Escrito por goethe às 18h02
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dub bom pra cachorro

Mistura carnavalesca no lottinha. Pra conferir, clique aqui: http://lottacontinua.zip.net



Escrito por goethe às 04h50
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eles são cariocas...

Pra Que Chorar

Vinícius de Moraes / Baden Powell

Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor

Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode nunca mais dizer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor



Escrito por goethe às 03h22
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una domanda per te

 

Aldo Baglio, Giacomo Poretti e Giovanni Storti são três humoristas italianos que, em 2000, realizaram seu terceiro filme, este "Chiedimi Se Sono Felice". Conheci o trio numa madrugada, zapeando entre os canais de cinema que mais repetem do que apresentam novidades. Perdi o início, mas fiquei muito espantado com a história dos três atores que decidem montar "Cyrano de Bergerac" mesmo vivendo de bico, em profissões como figurante de ópera, dublador e manequim vivo. Este filme merece ser conhecido porque mantém a tradição da boa comédia italiana e porque é difícil não torcer por um desfecho feliz numa história de tanta amizade. Ontem, fazendo hora para assistir a "Sideways" (comentário logo abaixo) passei nas Lojas Americanas e descobri que existia um DVD do filme. Paguei R$ 19,90 por ele, certo de que foi um bom investimento, porque vou vê-lo muitas vezes. Pergunte-me se estou feliz?



Escrito por goethe às 19h18
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desejos engarrafados

Paul Giamatti não concorre ao Oscar de melhor ator pela sua atuação em "Sideways", que no Brasil recebeu o complemento de "Entre Umas e Outras". Quem assistir ao filme vai entender a razão do trocadilho. Interpretando mais um anti-herói americano, Giamatti merecia figurar na lista, a exemplo do seu parceiro de tela, Thomas Haden Church, que conseguiu emplacar seu nome entre os cinco que concorrem a melhor coadjuvante. Os dois atores se complementam e estão muito bem nesta história de amizade, um road-movie em meio às vinícolas da Cailfórnia. Entre idas e vindas, um bom instantâneo dos Estados Unidos, com turistas caipiras, trabalhadores latinos e Bush na tela da TV. O amor é um tema discutido entre degustação de vinhos, uma atração a mais para quem gosta da bebida. Que tipo de uva seríamos? Em todo caso, faço um brinde ao Giamatti, ator que prestei melhor atenção em "Duets" e depois protagonizou "American Splendor", cujo título nacional foi exatamente Anti-herói Americano. Especialista em losers, Giamatti merece um brinde. Saúde a todos que gostam de uma boa safra no cinema.



Escrito por goethe às 19h03
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o ano começa com o galo da madrugada

E este é o ano do Galo. Um novo ciclo lunar para os chineses e, para nós daqui da outra banda da terra, o 2005 verdadeiramente dito. Sorte para todos. Pensei inicialmente em fazer um paralelo entre o galo chinês e o galo pernambucano, o da madrugada, que sai aos sábados de Carnaval. Mas esta imagem animada estava tão legal que fiquei só na idéia. Capturei no site da China Radio International (http://po.chinabroadcast.cn/1/2005/01/26/Zt1@22769.htm), que tem um material interessante para quem quiser saber mais sobre horóscopo chinês. No mais, feliz ano novo. Ou Xin Nian Kuai Le!



Escrito por goethe às 12h42
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pra tudo se acabar na quarta-feira

Marcelo Lyra

Galo da Madrugada

Antonio Tenorio

Galo da Madrugada

Alexandre Auler

Bonecos do Teatro Lobatinho na Guararapes

Alexandre Auler

Caboclo de lança

Marcelo Lyra

Desfile de caboclinhos em Chão de Estrelas

Antonio Tenorio

Boi Teimoso no Pátio de São Pedro

Marcelo Lyra

Encontro do Eu Acho É Pouco com Antúlio Madureira

Marcelo Lyra

Encontro de blocos líricos no Marco Zero

Alexandre Auler

Noite dos Tambores Silenciosos

Este ano trabalhei nos quatro dias de Carnaval. Foi por interesse financeiro mesmo. Dinheiro no bolso, ambiente com ar refrigerado. Porque enfrentar 40 graus no meio da multidão é coisa para super-herói. E Pernambuco já tem muitos. Mas não deixei de me misturar às pessoas no Recife Antigo, no mormaço da noite, vendo os blocos e personagens deixarem sua marca em mais uma folia. E também havia os shows, alguns verdadeiramente marcantes, como o do Silvério e convidados que me fez quebrar a promessa de não entrar no blog neste período. O bom da festa por aqui é que você pode assumir sua fantasia de voyeur, deixando aos outros a tarefa de se acabar no frevo e outros ritmos. É um espetáculo para os olhos. Não existe nada igual. E nem me podem me acusar de bairrismo, porque sou cearense. E as fotos acima, retiradas com o devido crédito do site da Prefeitura do Recife (http://www.recife.pe.gov.br/especiais/carnaval/), comprovam isso.

Adendo: Marcelo Tas, aquele da TV Cultura, está aproveitando bem o Carnaval daqui. Relatos e fotos neste endereço: http://marcelotas.blog.uol.com.br/. Vale a visita.



Escrito por goethe às 13h24
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a multidão me acompanha

Foto: Alexandro Auler (Prefeitura do Recife)

Não resisti. Disse que ia ficar longe do blog no Carnaval, mas não resisti. Tinha que contar essa para os meus amigos, mesmo que eles só leiam depois da festa acabar. Estava na noite de sábado no Recife Antigo, perto do Marco Zero, quando começou o show de Silvério Pessoa, aquele que foi do Cascabulho e que vai fazer uma turnê pelas bandas da Europa. Já tinha me deliciado com os frevos do bloco Eu Quero Mais, no palquinho armado na Praça do Arsenal. Sabia que Silvério iria contar com o auxílio luxuoso de alguns amigos. Um deles, com certeza, seria Lenine. Ajudado pelos arranjos ousados do maestro Spock, Silvério começou a cantar clássicos de Capiba e músicas do repertório dos seus discos Fome Dá Dor de CabeçaMicróbio do Frevo chamando ao palco gente como Lula Queiroga, o mestre Siba (ex-Mestre Ambrósio), a banda francesa Mei Tei Cho, o basco Manu Chao, Antônio Nóbrega e, pra encerrar, o já esperado Lenine.

Foi uma apresentação de encher os olhos e apurar os ouvidos. Amita, Adriana, Bera, Gandalf, Keka, Maria. Queria vocês aqui. E, de certa forma, estavam. Carnaval de Pernambuco é uma experiência única. O momento mais significativo foi a entrada de Siba, que virou realmente um mestre de maracatu. Ele improvisou um coco e, depois de sair do palco, a mesma base rítmica foi aproveitada pelo grupo francês Mei Tei Chao, que criou um rap na hora, feito caldo de cana. A ponte estava feita, a tradição sobrepondo-se à modernidade. Quem encerrou este crossover todo foi Manu Chao, este cidadão do mundo que, ao final, bateu no peito com o punho direito fechado, declarando: "Pernambuco en mi corazón".

Antônio Nóbrega e Lenine fizeram devidas homenagens a Capiba, o criador de frevos, este ritmo tão pernambucano só valorizado em época de Carnaval. A multidão não era tão multidão assim. Tanto que foi possível dançar e acompanhar as apresentações num clima de irmandade que é pouco comum em eventos de grande porte. Silvério parte para a Europa, principalmente a França, com este belo show no currículo. Eu saí com a missão cumprida. De chapéu de sol aberto.



Escrito por goethe às 13h05
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comunicado importante

Em virtude do proprietário do fiteiro ter uma série de compromissos profissionais e sociais com foliões e artistas, acompanhando maracatus, caboclinhos, blocos e coisas parecidas, a página ficará sem atualização até a Quarta-feira de Cinzas. Agradecemos a preferência e informamos que o estoque será renovado, sempre no intuito de agradar aos clientes que já têm carteira de fiado no estabelecimento. No mais, evoé* para todo mundo!

* Grito festivo com que se invocava o deus Baco em suas cerimônias



Escrito por goethe às 10h49
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somos todos pokémons de jesus

A primeira vez foi a bordo de um avião, em setembro de 2004. Na semana passada, numa tela de vídeo maior, somente comprovei a maravilha que é este filme, uma boa pedida para quem pretende se refugiar neste Carnaval. "Narradores de Javé", dirigido por Eliane Caffé em 2003, reúne um elenco que geralmente faz papel de coadjuvante na Globo (José Dumont, Nelson Xavier, Nelson Dantas, Gero Camilo e Matheus Nachtergaele) mas que mostra sua força na tela grande.

A história? Javé, um lugarejo como tantos existentes no Nordeste, vai ser submerso por uma represa. Na tentativa de salvar o pedaço de terra onde vivem, os moradores se mobilizam para colocar, em um livro, os fatos que demonstrariam a importância de Javé. Antonio Biá (Dumont), um dos poucos que sabem escrever, é o encarregado da tarefa. Só que Biá subverte tudo, "floreando" as histórias que lhe são narradas, cada uma trazendo um ponto de vista diferente de alguém que quer se destacar do grupo. 

O filme permite várias "leituras". Dumont encarna muito bem o papel do escriba meio Macunaíma, inclusive criando termos que foram incluídos no roteiro, como "Réveillon de muriçoca", "espermatozóide ninja" e "pokémon de Jesus". Rodado em Gameleira da Lapa, na Bahia, o filme contribuiu para melhorar a vida de quem participou ou simplesmente acompanhou as filmagens. Graças à convocação da produção e dos atores, o lugar passou a se preocupar com a coleta de lixo e reivindicar melhorias junto ao poder público. É tanta história que vou te contar...



Escrito por goethe às 19h32
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quando as ordens geram desordem

Seymour M. Hersh é um senhor de 65 anos. Com uma agenda telefônica recheada de bons contatos, continua exercendo a sua profissão de jornalista investigativo com a mesma vontade que tinha em 1969, quando denunciou um dos maiores massacres cometidos pelo exército norte-americano do Vietnã. Foi através de Hersh que a opinião pública tomou conhecimento de Mi Lai. Nestas três décadas e meia, ele foi responsável por vários furos, sempre denunciando os podres de presidentes como Nixon e, ultimamente, George W. Bush.

Como repórter do jornal New York Times e da revista New Yorker, Hersh foi uma das poucas vozes na imprensa a mostrar os demandos de Bush e sua turminha antes e após o 11 de setembro de 2001, culminando com as invasões do Afeganistão e do Iraque. Este livro, o sexto dele, mostra como os abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib já haviam sido praticados na base de Guantânamo, em Cuba, sendo apenas o resultado do método destrambelhado de governar dos donos do mundo, com todos os interesses econômicos das grandes corporações militares. É uma leitura altamente recomendada, até porque já avisam que o Irã será o próximo alvo da Casa Branca.

Os artigos são reportagens atualizadas, baseadas em fontes que são preservadas. Para quem é profissional da área, é um exemplo de como se buscar a verdade, mesmo que isso demande tempo e ameaças, inclusive de processos. Mas os textos concisos, bem articulados e concatenados, podem figurar com louvor na biblioteca das pessoas inteligentes, exatamente as que visitam este blog. No site da Submarino, o livro de 400 páginas está pela metade do preço, custando R$ 19,80. Vale o quanto pesa.



Escrito por goethe às 18h47
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afinal que o dia dela chegou...

http://www.carnaxe.com.br/afro/orixas/index.html

Dois de Fevereiro*

(Dorival Caymmi/1958)

Dia 2 de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá

Escrevi um bilhete a ela
Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me prometeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou

Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou

Dia 2 de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá

* Esta músca vai para Renata, que lembrou da data e da coincidência com a morte de Chico Science...



Escrito por goethe às 18h26
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