e a terra gira

 
Foi no dia 29 de abril de 1945 que o ditador italiano Benito Mussolini foi fotografado dependurado próximo a um posto de gasolina na Piazza Loreto, em Milão. Ele já havia sido morto um dia antes, a tiros de metralhadora, junto com colaboradores facistas e a amante Clara Petacci. Ele já não era nem sombra do homem que conseguia hipnotizar os italianos com seus discursos bombásticos e a promessa de um país grande, com colônias na África e domínios da Albânia e da Grécia, em parceria com o aliado nazista, Adolph Hitler. O mundo de Mussolini ficou de cabeça para baixo em pouco mais de uma década. Ao ser morto, ainda exigiu que não fosse atingido no rosto para não danificar sua imagem. Há 60 anos, o mundo começava outra vez uma nova roda-viva.
Escrito por goethe às 19h39
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hay que endurecer...

Cuba é aqui. Ou melhor, em Canguaretama, no litoral do Rio Grande do Norte, a 80 quilômetros de Natal. Desde o ano passado, graças ao ex-prefeito Jurandir Marinho (PDT), Fidel Castro e Che Guevara acenam para os carros que cruzam a BR-101. As duas estátuas, bastante esquálidas por sinal, sinalizam a entrada das escolas que levam os nomes dos guerrilheiros de 1959. Pena que já era noite e o registro fotográfico ficou comprometido. As escolas de ensino fundamental, segundo a placa luminosa, funcionam em regime de tempo integral, coisa rara por estas bandas. Se revolucionou na homenagem, Jurandir Marinho foi deposto pelo voto. Ao tentar ser eleito em outro município, Pedro Velho, acabou sendo o terceiro colocado, com pouco mais de 1.400 votos. Resta saber até quando Castro e Guevara, com seus uniformes verdes de campanha, vão ficar na estrada ou voltar para as páginas dos livros de história.
Escrito por goethe às 22h05
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hai-kai da soberba infame

A tentação é grande:
ser tão humilde
quando mahatma gandhi
A Adriana, do Sou Gente, postou um texto do Gandhi e não resisti. Já estava com esta foto dos pertences dele na cabeça. E aproveitei e fiz mais um hai-kai, também influenciado por Bera, do Impressões de Ontem. Gandhi limitou seus pertences ao essencial: duas tigelas de comida que recebera na prisão, um garfo e uma colher de madeira, seu diário, um relógio, um exemplar do Bhagavad Gita, um estojo de lápis e um par de sandálias de couro e um par de tamancos para banho. O item que mais chama a atenção é a escultura em marfim dos três macaquinhos que "nada falam, nada vêem, nada escutam". Estes objetos, junto com uma roda de fiar simples, à qual se dedicava um tempo todos os dias, fizeram parte do cotidiano de Gandhi até ele ser assassinado, no dia 30 de janeiro de 1948.
Escrito por goethe às 00h05
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as salamandras estão soltas na rua
 
"Queria apropriar-se de cada momento do amanhã de Nuria, temendo que em seu passado já o tivesse traído. Por isso, teve que lhe contar uma infinidade de vezes por que roubou as 28 mil pesetas do pai, a que horas, com que intenções, e explicar por que sabia onde estava a caixa-forte, e a combinação e as razões de não a terem visto nem ouvido. Ela lhe dizia a verdade: lera dezoito vezes Guerra das Salamandras e se sentia cercada por aqueles animais prudentes, eficazes, viscosos, babosos e aterradores que dominavam o mundo e sua casa. Seu pai era uma gigantesca salamandra que lentamente se apoderava do seu cérebro, aconselhando-a e beijocando-a.
Tarsis nunca quis ler o livro. Odiava-o e vislumbrava tudo o que de nauseabundo havia nele. Não era uma abjeta metáfora contra os superdotados. Contudo exigia que ela o contasse a ele. Nuria, morta de sono, devia responder às suas intermináveis perguntas: quem era o capitão Van Toch? Quando chegou ao lago? Por que as salamandras torpedearam um cruzador francês? Quem era seu chefe? Quem o ensinou a escrever? Sabiam falar? Se lhe dizia que lhe contaria tudo de novo no dia seguinte, Tarsis, furioso, acusava: o que é que está tentando me esconder? Aquele livro pestilento tinha-a influenciado mais do que ele jamais o conseguiria.
-Teria que queimá-lo!
Nuria tinha medo de perder aquele romance que tinha “furtado” da Biblioteca de Sitges, quando comprovou que estava esgotado e que a Revista do Ocidente (que o publicara na coleção Romances Estranhos, em 1945), não planejava reimprimi-lo de novo."
Páginas 82 e 83
Este trecho ainda é do livro do Arrabal. Mas foi uma grata surpresa alguém citar a obra-prima do tcheco Karel Capek, o primeiro a usar o termo "robot" no mundo, que ficou bastante comum ao longo das décadas. A Guerra das Salamandras, escrita em 1936, só foi publicada em 1937, um ano antes da morte de Capek. Os nazistas, que invadiram a Tchecoeslováquia, não sabiam do seu óbito, foram até sua casa para prendê-lo, mas não perderam a viagem. Fuzilaram o irmão dele, Josef. Nada para se estranhar de um autor que foi o precursor da moderna ficção científica. Neste livro, que não empresto-não vendo-não dou, ele conseguiu vislumbrar as consequências da II Guerra Mundial, que nem chegou a vivenciar. Ninguém sai incólume da sua leitura. Eu mesmo já percorri os detalhes da aventura iniciada pelo capitão Van Toch duas vezes. Troque as salamandras pelos judeus ou outro povo perseguido e verá como o texto continua atual. Capek é gênio. E humano, não robô.
Como não há garantia de que este livro vai ser republicado, se encontrá-lo já sabe o que fazer...
Escrito por goethe às 23h52
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rei morto, rei posto


MARC AMARY
Se Amary tivesse nascido em pleno Século de Ouro em Salamanca, e para maior desgraça tivesse sido ateu ou agnóstico, só a fé dos iluminados o teria levado a abraçar o cristianismo. Os argumentos escolásticos não o impressionariam, mas sim as razões daqueles homens e mulheres que, comandados pela sublime Maria Cazalla, percorriam Castela, perseguidos pela Inquisição. Não o teria dissuadido o fato de que copularam com asnos coroados de espinhos, antes de se arrepender e rezar. Contudo, a proposição de que Jesus tinha vindo para nos redimir de nossos pecados - e que, portanto, era preciso ofender a Deus da maneira mais bestial a fim de permitir que se realizasse plenamente o divino sacrifício - o teria atraído até transformá-lo em cristão.
Página 71
ELIAS TARSIS
A dois passos da catacumba da rua Noviciado, onde os protestantes esperavam sem esconder que perseguiam o herege, caça esta que era praticada com tanta devoção nos meios de bom-tom, Tarsis e o padre Gregório mantinham conversas perfeitamente insólitas para a época, nas quais freqüentemente o jovem impunha sua violência. E, às vezes, até suas razões.
- Sabe, Tarsis, você é o meu advogado do diabo.
- Padre, diga-me como é que dos quatro evangelistas, só um se refere ao bom ladrão? Não acredito que nada disto seja verdade.
- Por que você me tenta?
- Outra que não compreendo: se o Filho tem uma natureza humana além da divina, como dizem na aula de religião, como é que o Espírito Santo, que é o amor entre o Pai e o Filho, tem apenas uma natureza divina?
- Tarsis, o que você deve fazer é rezar, ir à missa, comungar...
- E não pensar... como as beatas... o que o senhor quer é que eu tenha o mesmo orgulho e a mesma aptidão da maioria dos católicos.
- Cale-se, não diga disparates. Você é quase um garoto.
- Não sou um bebê, nem um idiota: não pode me catequizar com santinho e papel prateado como nas missões.
- Você não crê em Deus?
E aquele rapaz, calculando todos os riscos de sua resposta, como que se suicidando feliz, e adotando o sotaque de seu pai, disse lentamente:
- Tudo o que é nauseabundo, e fétido, e sórdido, e abjeto, se resume em uma palavra... Deus!
E arrotou sonoramente. O padre Gregório pareceu mais desamparado que perplexo. Fez uma longa pausa e, com sinceridade, confessou:
- Você me surpreende... Fico chocado ao ver que na sua idade já saiba utilizar tão corretamente a palavra abjeto.
Páginas 27-28

Dois homens de temperamento distintos se confrontam na decisão do título mundial de xadrez: Tarsis, andorrano, é instintivo. Amary, suíço, é quase um robô. Ao longo da última e definitiva partida, com direito a reproduções do tabuleiro a cada lance, o escritor espanhol Fernando Arrabal descortina as aventuras de juventude de Tarsis e as relações de Amary com o terrorismo internacional. Os adversários, separados apenas por uma mesa, estão próximos e distantes ao mesmo tempo. Lançado em 1982, A Torre Ferida Por Um Raio ganhou o Prêmio Nadal no seu país. As 250 páginas misturam sexo, religião, literatura, política e xadrez num belo painel de fim de século passado. Jogada de mestre ainda maior pelos R$ 9,90 gastos na Siciliano.
Escrito por goethe às 14h41
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a boêmia voltou novamente

Ainda que de forma tímida, ela voltou a escrever. O mundo dos blogs voltou a ganhar a presença de Ludmila, agora com Ressaca Moral. Aproveito a oportunidade para divulgar as novas aquisições deste fiteiro, que estão aí do lado: Sou Gente, Maricota, Mnemônico e Vigia da Natureza. Tudo com certificado de qualidade.
Escrito por goethe às 01h33
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hai-kai da moradia inacessível

de frente pro mar
e, mesmo assim,
ainda longe pra danar
Escrito por goethe às 01h22
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petiscando no bambu bar

Não pude resistir. Num lugar onde não se cobra "côve", temos mais é que fazer o registro. Isto fora outras pérolas no cardápio. Para conferir, só mesmo indo a Garanhuns.
Escrito por goethe às 01h19
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a revolução não será destaque na TV
The Revolution Will Not Be Televised (La Revo)
No podrás quedarte en casa carnal, no vas a poder enchufar sin tu Nissan ni echarte para tras, no podrás estar enganchado por la escuelita y lanzaste por las escuelas con comerciales porque la revolución no se televisará La revolución no será patrocinada por Zerok en cuatro partes en comerciales
La revolución no te mostrará fotos de Fox tocando una trompeta lidiando una carga por parte de Lopez Obrador Ahumada
El niño verde para escuchar discos de Molotov confiscados en un santuario de Tepito
La revolución no se televisará
La revolución no te mostrará “Casos de la Vida Real” con Silvia Pinal y no será protagonizada por Andrea Legarreta, como Becker, Adal Ramones y la Chilindrina
La revolución no te va a quitar el mal aliento
La revolución no te quitará el acne
La revolución no te hará lucir cinco quilos menos porque
La revolución no se televisará No habrá cortos de Boby Larios y Niurka en su nuevo departa en informidad
El noticiero no podrá predecir 24 horas antes quien de los candidatos ganará las próximas elecciones La revolución no se televisará No va a haber cortos de policías abusando de su poder
No va a haber cortos de deputados enseñando como el diablo los trajo al mundo
No va a haber fotos de un familiar tuyo muerto en la frontera porque su gobierno le fayó
La revolución no se televisará ”Big Brother”, “La Academia”, “VidaTV”, otro rollo ya no van a ser tan relevantes y a nadie le importará si le tronaron el ejote a la protagonista de la novela de las 8 porque los mexicanos estarán en la calle buscando un mejor mañana
No va a haber cortos de los niños de la calle flameados de resis ni de Martha Sagun de Fox sonándose la napia
La banda sonora no será compuesta por Memo Mendez Jr y cantado por mijares y .......
La revolución no se regresará después de unos comerciales para apoyar de Teleton ni para como quitar las manchas de la ropa y si tu también eres mexicano no tendrás que preocuparte del tigre mutante, si chocaste o del juego del señor Aldame
La revolución no se toma con Coca-Cola
La revolución no se televisará

A melhor banda latina da atualidade, a mexicana Molotov, fez uma bela versão da canção-protesto de Gil Scott-Heron, originalmente lançada no turbulento ano de 1974. Bem adequada para estes tempos de "América", quase 30 anos depois. E segue oferecida ao meu amigo Luiz, que cobrou a atualização diária deste fiteiro. Missão impossível, hermano. Mas vale como intenção.
Escrito por goethe às 00h53
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beijar sempre vale a pena

A protagonista desta foto de Robert Doisneau resolveu leiloar seu original. Arrancou ontem US$ 212 mil em leilão na França, dez vezes mais do que os organizadores esperavam como lance final. O que demonstra que um beijo sempre é bom. Mesmo se constar como negativo...
Escrito por goethe às 23h56
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promoção é o meu nome

Discos perdidos em tabuleiro encontram seu espaço aqui: http://lottacontinua.zip.net
Escrito por goethe às 23h13
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hai-kai do ratzinger ranzinza

o papa é o alemão?
aceita-se reserva
para a nova inquisição
Escrito por goethe às 22h51
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uma capa, não um invólucro

 
Toda eleição merece contestação. Mas a idéia da edição especial da finada revista Bizz foi interessante: escolher as 100 melhores capas de discos de todos os tempos, ou melhor, dos últimos 66 anos. Antecipo aqui o resultado, porque sei que os interessados vão se interessar mais pelas histórias por trás das imagens e não pelo contrário. Cartola e Velvet Underground na cabeça. Para quem é do tempo do vinil, saudades da época em que uma capa era realmente uma obra de arte. Com as dimensões do CD e seu estojo de plástico, agora é o mesmo que brincar com Playmobil. Miniatura demais. A centena de discos retratados nesta coletânea é até óbvia demais, mas a publicação vale como documento por trazer pequenos perfis dos criadores nacionais e internacionais mais destacados. Entre eles, Elifas Andreato. Quem gosta de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Vinicius de Moraes sabe do que estou falando...
Escrito por goethe às 22h29
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existe vida inteligente em porto alegre

EXAGEROS
Meu amor, por você
Atravesso o oceano a braçadas
Caminho sobre os fios de tensão
Como salada sem tempero
E outros exageros
Meu amor, por você
Aturo conversa fiada
Enfio linha no escuro
Carrego compras, troco chuveiro
E outros exageros
Porque agora eu já posso
Viver sozinho
Mas não vou me desperdiçar
Prometo não ser uma pedra
No seu caminho
Mas sim
Alguém pra você amar
Meu amor, por você
Visito parentes, cumprimento a vizinha
Conservo roupas dobradas
Vou à reunião de condomínio
Descongelo a geladeira, busco a empregada
Chego na hora marcada, desentupo banheiro
E outros exageros
Porque agora eu já posso
Viver sozinho
Mas não vou me desperdiçar
Prometo não ser uma pedra
No seu caminho
Mas sim
Alguém pra você amar

Mais um disquinho que merece ser ouvido. Mais uma turma de Porto Alegre. Pode ser coincidência, mas minha trilha sonora está sendo pautada por lá. Pode ser exagero.
Escrito por goethe às 16h03
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os caminhos de sinatra
Ele viu todos partirem, e cada vez que isso aconteceu ele perdeu apenas uma parte de si mesmo. Todos foram antes, e isso não faz sentido. Deveriam seguir o Líder aonde quer que ele fosse. Mas o Líder não iria para lá de jeito algum, para aquele lugar onde as garotas teriam asas e voariam tocando harpas e outros mais que houvesse. "Não quero morrer porque não vou mais ver as pessoas a quem amo", costumava dizer. De repente, muitas das pessoas a quem ele amava ele já não podia mais ver. Cantando, ele disse, "Muitas vezes pensei em me mandar também, mas meu coração não entrava nessa. Nem ele entrou nessa e nem quis que nenhum dos daqueles outros vagabundos entrasse nessa. Falou isso para todos eles, mas eles iam cedendo, ou desistindo, ou recebiam uma cartada ruim, o que o deixou zangado e magoado. Ex-coroinha que foi, acreditava em Deus, rezava freqüentemente, se arrancava para Palm Springs a fim de assistir a uma missa sempre que podia. "Esses quarenta minutos de serenidade são muito importantes para a vida de qualquer um", disse. Mas nada o ajudou com tantas despedidas! Precisou ficar sozinho. Então, a única vez que quis ficar sozinho.

Preferia ficar sozinho. "É meio assim – é algo pessoal, um momento embaraçoso, eu acho, especialmente para um homem que... É uma coisa muito particular," gaguejou depois que a mãe morreu. Da janela da cozinha da sua casa em Palm Springs, podia ver a montanha que a levou, Monte San Gorgonio, que as crianças renomearam de Montanha da Vovó. Ele se pegava às vezes olhando para ela e sentia lágrimas assomando-lhe aos olhos. Dolly Sinatra era foda, seu filho gostava de dizer. Ninguém lhe deu tanta bronca quanto ela – tampouco houve alguém que o amasse com maior ferocidade. "Ela se refere a mim como Frank Sinatra, usa o nome inteiro", deleitou-se, pouco antes do falecimento. "Quer Ter a certeza de que todo mundo sabe de quem ela está falando. E eu sou o único filho que ela teve!". Por ela, ele faria qualquer coisa, ele fez tudo o que ela o deixou fazer. No dia 6 de janeiro de 1977, fretou um avião para levá-la de Palm Springs a Las Vegas onde faria uma estréia no Ceasar’s. O que caiu no deserto sob a forma de chuva foi gelo, de uma brancura ofuscante; o piloto não viu a montanha. Frank ficou dias a fio sem falar. Deveria ter sido ele, não ela. O pai já se fora oito anos antes, e essa morte calou fundo. A dor desta agora, entretanto, jamais viria a sarar de todo.

O filho de Dean – Dean Paul Martin, o jovem Dino – era na época piloto-em-treinamento. Depois dos funerais de Dolly, onde o pai segurou uma das alças do caixão, ele contou a Nacy Jr. que sabia daquele trecho fatídico. "Aquela montanha não deveria estar ali. Precisa ser retirada. É um perigo para qualquer piloto." Dez anos mais tarde, na cabine de comando do seu caça Phantom da Força Aérea, Dino morreu na Montanha da Vovó. Desde então, o pai de Dino não ligou mais para a vida. Enfurnou-se no que Frank chamou de "sua concha", e ali preferiu ficar. Frank não quis deixar. Em poucos meses, o Líder montou um plano – a Turnê Juntos Outra Vez, vinte e nove cidades durante todo o ano de 1988, o Rat Pack de novo a comemorar, todos grisalhos e cheios de ginga, a fim de recapturar toda aquela gasolina madrasta. Frank falou para Sammy: "vai ser ótimo para Dean. Tirá-lo dali. Só por isso já vai ser legal". Dean falou para Frank, "por que a gente não arranja um bom bar, hein?". Agüentou uma semana na estrada, depois voltou para casa. O âmbar em seu corpo não tinha mais cheiro de suco de maçã e ele estava cansado, cansado demais para fingir que ainda era 1960.

Sammy concluiu a turnê com o Líder – e então, um ano depois, descobriram o câncer de garganta. "Ah, que ótimo! Estou morrendo!", disse ele, conhecendo a ironia. "Agora Frank vai fazer mais dez anos de palco porque eu estou morrendo – você percebe, não é? Frank nunca vai morrer". Ele aceitou poucas visitas perto do fim, mas Frank estava presente, não estaria em nenhum outro lugar. "Você é melhor amigo que tive", disse para Smokey. "Você é meu irmão". Jamais chorou ao pé da cama de Sammy; mas chorou assim que ele a deixou. "Às vezes Frank e papai pegavam no telefone", conta Tracey Davis, "e não falavam. Só ficavam segurando o aparelho. Não precisavam mesmo dizer nada". No pulso minúsculo, durante toda a batalha, usou o enorme Cartier de ouro que Frank lhe dera na turnê da reunião. "Este vai comigo", Sammy instruiu aos seus entes queridos. Quando ele se foi – no dia 16 de maio de 1990 – o relógio foi com ele.
Páginas 239, 242 e 243
O jornalista Bill Zehme, da revista Esquire, conseguiu ter acesso a Frank Sinatra e produziu um belo livro, onde conta a vida do cantor a partir de pequenos conselhos sobre como tratar os amigos, os inimigos, os filhos e as mulheres. São 255 páginas numa edição caprichada, com direito a dezenas de fotos de Phil Stern. Exemplar novinho (as manchas surgiram na digitalização) e preço camarada: R$ 14,99 na Siciliano.
Escrito por goethe às 15h43
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a semana começa na terça

Com atraso, mas sempre à frente: http://lottacontinua.zip.net
Escrito por goethe às 15h05
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um verdadeiro show

Você é fã de John Lennon? Então não vai se arrepender de desembolsar R$ 29,90 por este DVD duplo, que reúne os cinco programas de TV gravados em 1972 onde o casal Lennono (John & Yoko) foi recebido pelo apresentador Mike Douglas, dono do talk-show de maior audiência na época nos Estados Unidos. São mais de 400 minutos com entrevistas de convidados (a maior parte delas pode apertar o acelerador sem remorsos) e apresentações de bandas. O melhor de tudo é o relacionamento escancaradamente amoroso de John e Yoko. É a chance de ver os dois falando sobre tudo, do casamento aos Beatles, passando pela guerra do Vietnã. Logo após os programas, o FBI classificou Lennon como "esquerdista" e ele passou a ser persona non grata na terra dos ianques. Os dois DVDs são documentos históricos, com as performances artísticas de Yoko e a apresentação de Lennon com sua nova banda, a Elephant´s Memory. Além de interpretar várias canções do álbum "Imagine", o casal ainda mostra vídeos que podemos considerar hoje verdadeiros videoclipes. Temos aqui pessoas e não mitos.
O ponto alto de tudo é o encontro de Lennon com seu ídolo, Chuck Berry. E os dois tocam juntos "Memphis" e "Johnny B.Goode".
Interessado? Boa sorte nas Lojas Americanas. E paciência para encontrar um exemplar.
Escrito por goethe às 23h42
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viagem ao redor do corpo

O filme é irregular, mas vale pelo resgate de uma personagem histórica. "Jornada da Alma" (Prendimi l'Anima), uma produção italiana, francesa e inglesa, conta a história do relacionamento entre os psicanalistas Carl Jung e Sabine Spielrein. Aos 19 anos de idade, em 1904, a russa Sabine chegou a Zurique com os pais para tratamento de uma histeria. Foi, na verdade, a primeira paciente de Jung. Discípulo de Sigmund Freud, ele pôs em prática suas teorias psicanalíticas em Sabine. A relação médico-paciente resultou num romance tumultuado. De volta à Rússia, com marido e filha, Sabine engaja-se na revolução comunista e cria uma escola que ficou conhecida como "Creche Branca", porque todos os móveis eram pintados nesta cor. Foi a primeira pessoa a aplicar métodos psicanalistas em crianças. Com a morte de Lênin e a ascensão de Stalin, o trabalho foi interrompido. Judia, acaba morta pelos nazistas em 1942. É o tipo do filme "ame-o ou deixe-o". Faça sua própria análise.

Escrito por goethe às 23h20
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do outro lado do muro

Nós embaixo e vocês em cima, da curvatura das pêras brotando sonhos, em cada copulação uma semente para a próxima unificação, o apuramento, a multiplicação, até que ninguém saiba mais quem somos nós e quem são vocês, e por que não duas árvores, muitas árvores, um viveiro inteiro especializado em pêras de todas as espécies, a destilaria novamente em funcionamento, restaurantes funcionando dia e noite para todos os gostos, até com café da manhã típico dos camponeses de Ribbeck, museu das pereiras, chinelos de feltro para visitar o castelo, o parque para convalescentes, o povoado inteiro de Ribbeck vivendo das pêras, turistas comprando pêras em liquidação, a aguardente de pêra com ou sem pêra na garrafa, um estouro de vendas, cinzeiros, camisetas, copos para aguardente de pêra, discos, o inesgotável motivo de pêras em todos os recantos, até que as pêras nos causassem náuseas, mas é disso que vivemos, e o pessoal da televisão, poetas, publicitários engrandecendo Ribbeck, assim Fontane continuaria a derramar suas bênçãos.
Página 50
...
Já somos dispensáveis segundo os cálculos de vocês, exceto como compradores, porque o que conta é vocês que determinam, e o que pertence a quem é determinado pelos especialistas de vocês, ali floresce a pereira de vocês no nosso povoado, e são vocês que determinam quantas pêras devem crescer, e são sempre vocês que estão com um compasso à frente, um pé à frente do nosso, e um marco mais caro, e um golpe mais duro, e um toque mais variado, nós permanecemos no limbo dos perdedores, onde já nos acomodamos como se ali fosse nossa casa...
Página 74

Ribbeck é um povoado que fica no caminho entre Berlim e Hamburgo. Ficou famoso depois de um poema escrito, no século XIX, por Theodor Fontane, que consolidou a lenda de um rico proprietário de terras que oferecia pêras às crianças. Quando morreu, ele tratou de ser enterrado com uma pêra e a árvore que surgiu do túmulo manteve a tradição. O escritor nascido em Roma em 1943, Friedrich Christian Delius, usa Ribeck para mostrar que a unificação das duas Alemanhas foi um processo que ainda expõe suas cicatrizes ainda hoje.
Logo após a queda do muro de Berlim, um grupo de alemães ocidentais vai até Ribbeck para prestar uma homenagem, plantando uma pereira no local. Um camponês, embriagado pela cerveja e aguardente de pêra oferecidas pelos "irmãos" mais ricos, faz um longo desabafo que ocupa as 96 páginas do livro. É para se ler de um fôlego só. Fosse ele um nordestino, o discurso permaneceria tendo sentido.
Para quem interessar: na livraria Siciliano, esta edição custa R$ 4,99. Pouco mais de um marco, se este ainda existisse.
Escrito por goethe às 22h55
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da série: hai-kai que queria ter feito

Esta é a verdade:
agora sou um homem
da minha idade
(Millôr Fernandes)
Poema lembrado de cabeça, pode haver uma ou outra palavra diferente, mas o sentido é o mesmo. E faz mesmo sentido.
Escrito por goethe às 22h14
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life is a dancehall...

Nunca mais tinha ouvido esta música. Mas ela que está tocando agora é bem apropriada para estes tempos de reposição no Vaticano. E ajuda a divulgar o trabalho de Michelle Shocked, esta doidivanas que usa a bandeira norte-americana em forma de burka. O site dela (http://www.michelleshocked.com/index.htm) merece uma visita. Bom início de semana.

GOD IS A REAL ESTATE DEVELOPER
Michelle Shocked/Mat Fox
God is a real estate developer With offices 'round the nation They say one day he'll liquidate His holdings up on high I say it's all speculation
He may be an absentee landlord Yeah, this may be a low rent universe Well, the roof may need repairs But at least the floor is there And the rent is not due 'til the first
So save one last dance for the Savior When that final Hail Mary is said Life is a dancehall That's why we've got all those Little angels dancing 'round with pinheads, yeah
The Lord Almighty Limited And his chosen elect Sit on the Up On High Development Board Quoting the Bible as they hoard The Good Book has a new look, I suspect
So save one last dance for the Savior When that final Hail Mary is said Life is a dancehall That's why we've got all those Little angels dancing 'round with pinheads
God is a real estate developer...
Escrito por goethe às 00h08
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let's do it, let's fall in love

Na sala escura só vislumbro três pessoas: duas senhoras e um menino. Depois chegaram mais duas amigas de idade avançada. Apenas este seleto grupo para assistir, às 14h, a "De-Lovely", a história musicada de um dos ícones da cultura norte-americana do século passado, Cole Porter. Só fui saber que o filme estava em cartaz no sábado, mesmo assim no Shopping Guararapes, que é o fim do mundo para quem mora no centro do Recife. Por sorte descobri esta sessão única, quase matinê, no Rosa e Silva. Um privilégio poder acompanhar Kevin Kline numa das suas melhores performances, mas o que enche os olhos e transborda os ouvidos são as canções de Porter. De-liciante. Não importa o intérprete (e na tela temos Elvis Costello, Sheryl Crow, Alanis Morisette, Diana Krall, Mick Hucknall, Robbie Williams e Natalie Cole), a sensação é de de-lírio. É melhor parar por aqui, antes que estes trocadilhos em "de" tornem-se de-mais.
P.S. Arrisquei para a minha namorada esta teoria: o menino que estava lá ou era filho de algum funcionário ou confundiu o filme com algum da série Harry Potter. Em todo caso, ele deve ter gostado do mágico Porter.
Escrito por goethe às 23h53
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o milagre da digitalização do som

Discos que eu tinha apenas em vinil foram convertidos para o formato digital. Mais detalhes lá no http://lottacontinua.zip.net..
Escrito por goethe às 23h36
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o pássaro no alçapão (parte I)

Em 1960, o padre Casemiro Campos publicou um clássico da arqueologia religiosa: "À Espera do Noivo", um manual para evitar que as moçoilas se desviassem do bom caminho. Um capítulo da obra, que leva o sugestivo nome de "O Pássaro no Alçapão", foi divulgado na edição número oito da "Oitenta", uma coletânea da editora LP&M. Aproveitei para fazer um breve resumo aqui, como serviço de utilidade pública neste momento em que se discute o papel da Igreja Católica.
Sob o calão de um título vulgar: Agarre Seu Homem, divulgou-se há anos entre nós um livro para mulheres. Teve saída surpreendente. É natural que a mulher procure conservar em seu poder o homem a quem ama. A mulher casada deve preocupar-se em manter, intensificar o amor do marido. Claro, porém, tomando os verdadeiros meios.
Falando, porém, a moças, só nos ocuparemos dessa tendência feminina em relação ao namorado e ao noivo.
Através de palestras, em congressos, inquéritos, confidências epistolares e orais, tenho ouvido sob este particular muitos jovens de quase todo o Brasil:
Moços de nossas principais capitais, de cidades grandes e pequenas, dos lugarejos do interior de vários Estados.
A maioria desses jovens afirma que as moças provocam intimidades torpes, contatos indecorosos. Eles se queixam de que se quiserem manter-se nos limites da decência, a namorada os despreza e vai zombar deles com os outros.
Bem sei que não raro estas declarações deles são meras justificativas. Mas as tenho ouvido muito de jovens sérios, que sucumbem entre os braços da mocinha elegante.
Ontem mesmo um rapazinho sério declarou que foi coagido a cortar relações com uma jovem bonita e rica, pelo constante perigo daqueles encontros levianos.
Para muitas leitoras este assunto é velharia corriqueira. Elas estão plenamente convencidas que este é o grande meio de laçar o rapaz e conquistar um noivo.
Algumas lerão isto durante o dia e à noite vão se entregar à lubricidade do namorado. Tanto pior para elas.
E não são apenas moças criadas em ambientes amorais, não!
Filhas de famílias católicas, ex-alunas (e alunas também) de “colégios de Freira”, cometem semelhantes atentados contra a própria honra, a própria felicidade. Não lhes faria mal meditar estas palavras de Mauriac: “O amor fortifica-se nos obstáculos que se opõem ao desejo. Mas quantos rapazes há que nem mesmo têm a oportunidade de desejar ou sentir sua sede! Habituam-se a desprezar aquilo que encontram no chão, apenas ao se abaixarem”.
Escrito por goethe às 23h56
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o pássaro no alçapão (parte II)

PSICOLOGIA DOS SEXOS
A moça experimenta o instinto sexual, mas lhe desconhece a natureza. Antes, pois, de entrarmos pormenorizadamente nos perigos a que elas se expõem, urgem ligeiras considerações sobre esse poderoso móvel do atrativo entre os sexos.
O instinto sexual compreende três tendências diversas: tendência física, desejo de executar o ato genésico; tendência da alma, ou seja, o desejo de ser amado pela pessoa amada; e, finalmente, o desejo de ser pai ou mãe.
Deixemos de lado a tendência a reproduzir-se nos filhos. Ao nosso estudo só as outras duas importam.
A Moça: Na moça, principalmente enquanto pura, predomina a tendência da alma. São os afetos. “Toda vida de mulher, disse Irvins, é a história de seus afetos”. Há mesmo ainda em nossos dias casos de moças atravessarem o noivado e chegarem ao casamento ignorando as realidades do sexo.
O Rapaz: Muito diversas as manifestações desse instinto no rapaz. Nele predomina a tendência física, o desejo de posse.
Não o satisfazem as carícias da namorada. Impulsos formidáveis de sua natureza, do seu próprio organismo, o impelem à satisfação completa. Mesmo rapazes de boas intenções experimentam perante certas intimidades inocentes para a moça, clamorosa investida de forças instintivas.
O resultado, o mais das vezes imediato de simples “pegar na mão”, costuma ser tal, que não se pode mencionar num livro escrito para moças. O delegado, o médico, o sacerdote já ouviram deles após alguns desastres, começados por um “pegar na mão”: “Eu não pretendia ir tão longe”. Mas foi.
Concluamos este parágrafo com a mais terrível das oposições psicológicas entre o rapaz e a moça: “A mulher, depois de fisicamente possuída, ama loucamente o homem que a possuiu. No homem, costuma dar-se exatamente o contrário. A atração diminui, costuma até desaparecer após a posse”.
Você, leitora, já pensou que, após o desastre, no qual a moça perde para sempre a virgindade, o rapaz vai procurar uma noiva pura, enquanto a pobrezinha fica definhar e aniquilar-se na solidão desiludida?
E O BEIJO?
Quem orienta a juventude topa freqüentemente com a pergunta: é pecado beijar?
Escrevemos para moças inteligentes. É mister dar-lhes compreensão real do sentido do beijo.
O beijo é grande sinal externo de amor. Manifestação corporal de entrega mútua de duas almas, sopro de vida, sinal de adesão incondicional de uma pessoa à outra. Exige o beijo que duas almas se compreendam, que tenham uma em relação à outra os mesmos sentimentos, as mesmas intenções de se unirem indissoluvelmente.
Será fácil à moça averiguar esta igualdade de sentimentos entre ela e o namorado?
Não, senhorita. Se você não quer se comprometer, guarde seus beijos para seu esposo.
Quanto a ser pecado ou não, isto depende muito da natureza do beijo, do grau de atração sexual que existe entre os dois.
Tenho feito numerosos inquéritos entre rapazes. Todos afirmam terem pecado gravemente com esses beijos.
Os bonitões são um perigo. Alguns têm maldade incrível. Só procuram as moças para explorá-las e depois abandoná-las.
Escrito por goethe às 23h54
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o pássaro no alçapão (parte III)

ENGANOS FATAIS
Champlon dizia que a mulher tem uma célula de menos no cérebro e uma fibra a mais no coração.
A cegueira do amor é uma das causas das ciladas fatais em que sucumbem tantas jovens.
a) Sair, só, com ele – No seu interessante livro “O Amor na Era Atômica”, o Padre Desmarais conta o caso de Sansãozinho e Eglandina. Saíram juntos de carro. Quando voltaram Eglandina estava perdida. E eram primos.
b) Caprichos masculinos – Muitas se ufanam do número elevado de namorados que tiveram. Acham que semelhante ventura é prova de personalidade, poder de sedução. Com semelhante ingenuidade só conseguem afastar de si o jovem de boas intenções.
c) Caminho errado e escorregadio – Já vimos acima que muitas moças tentam os rapazes. Às vezes o rapaz toma a dianteira. De início a moça não quer aquilo. Ele insiste. Diz que se ela recusa, não o ama. Promete até casamento. Ela termina cedendo, ansiosa, trêmula. Está rompida a fortaleza do pudor. Dali por diante o sedutor fará dela o que quiser. Mas estão sós, ninguém vê. Coitadinha! Aquilo será divulgado nas rodas de homens à mesa dos bares, no buffet dos clubes ou da boite.
NO CINEMA
É a magna diversão da moça brasileira atual. O teatro decaiu, as festas de salão do século passado caducaram.
A platéia obscura do cinema é o lugar predileto dos namorados modernos.
A maioria dos filmes é portadora da mais brutal característica do ianquismo: a vida erótica de indivíduos imaginários, ou mesmo reais, o lenocínio, o adultério, o divórcio, o nudismo são os temas favoritos das películas. Na tela fascinante, ao som de música lasciva, a mocinha contempla extasiada não os dramas de amor, porém a tragicomédia do sensualismo, glorificada, erigida em norma de conduta.
Um inquérito efetuado num instituto correcional de decaídas revelou dados alarmantes sobre as conseqüências morais do cinema. Eram 78. Setenta e duas declararam que o cinema havia influenciado sobre sua desgraça.
ATRÁS DA CORTINA
Deus é o Senhor. Para o bem da humanidade ele amparou o amor com o preceito imutável: não pecarás contra a castidade. Lei irredutível e eterna como o próprio Deus. Todas estas trucidações do amor são pecados graves: toques em partes por si mesmo excitantes, feitos com intenção libidinosa, abraços e beijos demorados, cheios de sensualidade, são verdadeiros pecados de impureza.
De Deus não se zomba. “Agora o prazer, mais tarde a amargura”.
Escrito por goethe às 23h38
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dia do jornalista (sem diária)

A dica foi passada pela Adriana, do blog Sou Gente (endereço ao lado), num dos comentários do hai-kai do kinder ovo (logo abaixo). Hoje é o Dia Nacional do Jornalista. Não saber disso é típico de quem vive atrás de informação. No meu caso, a vocação veio do nome. Culpa de uma tia que convenceu meus pais de me batizarem como Goethe. Quase um gauche na vida. Os elogios de uma professora por causa de uma redação sobre o "Entardecer" completaram a sina. Sem contar que, por outro texto, ganhei um concurso na minha cidade e o prêmio, um dicionário Inglês-Português, foi entregue pessoalmente pela primeira-dama. E eu que esperava pelo menos uma bicicleta...
Fiz minha inscrição para o vestibular no último dia, enfrentando uma fila um pouco menor do que a Vaticano de hoje, confiando no crédito educativo. Deu certo. Fui aprovado e já ganhei a minha primeira dívida. Quinze anos depois, a tradição continua. Já ocupei vários cargos nas redações, mas ser honesto não mostrou nenhuma compensação. Pelo menos pode constar no obituário.
Descubro que estou ficando velho quando elogio a máquina de escrever. Claro que o computador é mais rápido, mas o defeito dele é justamente este. No velho método, batia-se a matéria em três laudas (uma cópia pessoal, outra para o editor e a última para o copidesque, que enchia de vários sinais feitos a caneta para mostrar em público o quanto você era analfabeto). Demorava uns bons minutos antes de começar a escrever, para deixar o papel o mais imaculado possível. Parece um século, mas em 1990 não havia celular e as pessoas responsáveis pela informação nem poderiam pedir para você buscar os dados na internet.
Posso me considerar um sobrevivente. Não tenho úlcera e nem tendinite. Sou considerado um chato por muitos, mas em compensação tenho uma fidelidade canina para os poucos. Já não acredito mais que se possa mudar o mundo. Mas ainda creio que, um dia, ainda possa redecorar o apartamento.
Vou ter que sair agora. Hoje, Dia do Jornalista, tenho que trabalhar. Gracias a la vida.
Escrito por goethe às 00h16
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um chocolate, uma surpresa

HAI-KAI DA INFÂNCIA TARDIA
nada de novo:
brinquedo repetido
no kinder ovo...
Escrito por goethe às 11h45
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love is strange

"Que coisa estranha é o amor, esta palavra que empregamos normalmente como um eufemismo para o desejo sexual. Minha paixão por Otávio desapareceu. Seu fim foi abrupto. Dias depois do saque de Córdoba, ele me procurou, em lágrimas, num balbucio confuso. Pelo que entendi, Antônio (que andava bêbado e devastador havia uma semana) tinha tentado violentá-lo. A língua do rapaz tropeçava na história. Fui assaltado por um impulso de crueldade, não de ternura. Até hoje não posso explicar a violência da mudança em meus sentimentos. Olhei para ele com desprezo, com repulsa. Talvez ele precisasse da minha ajuda. Eu não tinha ajuda a lhe oferecer. Alguma coisa tinha sumido em mim.
Semanas depois, por ordem de César, ele partiu para retomar seus estudos na Grécia. Foi reunir-se a Mecenas. Em sua companhia ia um jovem oficial de maus modos, por nome Marco Agripa. Fiquei aliviado ao vê-lo partir. Sua presença começava a me constranger. Não existe nada tão morto quanto uma paixão curada. Com o passar dos meses, algo da ternura retornou. Mas em nossa correspondência havia agora uma distância. Nada havia de íntimo em nossas cartas, e eu sabia que quando nos encontrássemos haveria um abismo entre nós, como uma faixa de terra inóspita costeando o mar.
Minha mãe sempre dizia que a luxúria era uma brincadeira a que os deuses se entregavam para nos fazer de bobos e se divertirem. Quando ela recordava sua paixão por César, era incapaz de entender como tinha acontecido.
É resultado de um efeito de luz, da disposição imediata de membros, linhas e postura?
Como é estranho me deter nesta questão hoje..."
Página 136
Escrito por Allan Massie, "César" faz parte da série de 12 livros denominada "Senhores de Roma". São todos romances com a sensibilidade e os detalhes de um historiador. Não por acaso mereceu os elogios de Gore Vidal. César é retratado aqui por Décimo Júnio Bruto Albino, general e almirante, amigo e conselheiro, que tornou-se um dos seus assassinos em 44 a.C. São quase 300 páginas que podem ser superadas em poucos dias. O livro custou-me apenas R$ 9,90, no lugar mais improvável para se encontrar algo do gênero: Lojas Americanas. Vim, li e venci.
Escrito por goethe às 19h06
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we'll be fine (beautifully)

OH FINE
Love you lately Though you drive me crazy But I'll bet it's alright But I'll bet it's alright
Well we entertain it Well I'm … And the planets align Girl, I'll make up my mind No, no, not I
I don't have that sense I don't see at all I will write it down And fight it out
We'll be fine
Beautifully Put it beautifully Girl, you'd say we've arrived And you're coming alive
But it ended into this We've been facing your fears Now I'm neck-deep in mine Thought I'd take back my time now
Only when I'm shaking Then my time is taken I will write it out And find it out
All the way we'll make it Always stop to hate it I won't mind that I Don't time it
We'll be fine
Musiquinha pegajosa esta. Três dias me acompanhando nas andanças por esta cidade. A banda e o disco está lá no lotta. Eu continuo por aqui.
Escrito por goethe às 19h04
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pecado é não assistir
A culpa foi do Papa. Acabei saindo da locadora, na tarde de sábado, com três filmes cuja temática era a Igreja Católica. Bom momento para refletir com imagens. No geral, três histórias que merecem ser conhecidas, com grandes atuações individuais de atores. Para refrigerar a alma.

Michael Caine é o grande nome deste filme dirigido pelo competente Norman Jewinson. Ele interpreta Pierre Brossard, um francês que colaborou com os alemães durante a ocupação nazista. Acusado de ter participação direta na morte de sete judeus, permanece escondido por padres após o final da II Guerra Mundial. Quarenta anos depois, ele é denunciado por crimes contra a humanidade e também é alvo de um grupo que quer matá-lo e deixar uma declaração com os motivos do crime ao lado do corpo. Ao invés de seguir o título em inglês, traduziram o filme no Brasil como "A Confissão". Quatro cruzinhas.

O filme de Costa-Gravas já provocou polêmica pelo cartaz, criado por Oliviero Toscani, o homem da Benetton. A imagem simboliza bem o que representa "Amém". Um oficial nazista, Kurt Gerstein, e um padre jesuíta, Ricardo Fontana, tentam avisar ao Vaticano detalhes da solução final determinada por Hitler para os judeus. Ao longo de duas horas, descobrimos que a burocracia e a diplomacia serão barreiras que significam mais mortes a cada dia. O relatório de Gerstein ajudou a comprovar os crimes praticados contra a humanidade, mas ele, um cristão fervoroso, não teve apoio na época. Quanto ao padre, pôs em prática o que acreditava ser o papel da Igreja. Quatro cruzinhas.

A história eu já sabia por ser a adaptação de um livro que eu havia folheado. "Crime de Paixão" (The Renocking) conta a história de um padre que tem que fugir de sua paróquia, na Idade Média, e acaba juntando-se a uma trupe de artistas saltimbancos. Numa cidade, uma surda-muda é acusada de um crime e condenada à morte. Os atores descobrem que ela é inocente e criam uma peça onde os personagens são as pessoas do local. Paul Bettany e Willem Defoe encabeçam o elenco. Para quem gostou de "O Nome da Rosa". Três cruzinhas.
Escrito por goethe às 03h18
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precisa dizer mais?

http://lottacontinua.zip.net
Escrito por goethe às 02h13
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shalom retroativo
 
A viagem a Israel, em dezembro do ano passado, rendeu frutos. Ou melhor, um simpático livro produzido pela Federação Israelita do Brasil e que foi enviado a todos os participantes. Além de contar detalhes do roteiro, reproduziu trechos de matérias publicadas pelos jornalistas. Num rompante promocional, incluo meu material aqui. A experiência foi muito boa. O grupo também.
Escrito por goethe às 15h27
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e o papa? definitivamente pop?

Talvez a esta altura o João Paulo II, o polonês Karol Wojtyla, já tenha subido aos céus, depois de quase 85 anos nesta dimensão. Se foi importante para a Igreja Católica no final do século XX, também foi prejudicial na mesma medida. Se viajou mais do que todos os antecessores, levando a palavra para os continentes mais pobres, também contribuiu para o conservadorismo que assola os sermões dos padres no mundo de hoje. E se pregou uma vida sem pecados para os outros, pelo menos cometeu um, o da soberba, em não abandonar o posto quando já estava sem condições, só para quebrar os recordes papais. Não papou tudo. O próximo, por favor?
Escrito por goethe às 23h49
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i want you back

O que faz um menino que, em 1971, arranca aplausos do auditório do programa Ed Sullivan, um passaporte para o sucesso nos Estados Unidos?

O que faz um rapaz, já em carreira solo, quando quebra recordes de vendagens de discos e chega a adquirir parte do acervo musical dos Beatles?

O que fazer de um homem de mais de 40 anos que vai a um tribunal responder a perguntas constrangedoras sobre o fato de dormir com meninos no seu parque de diversões particular?
O que resulta de um astro que, durante um vôo, bebe vinho em uma lata de Coca-Cola Ligth?
Escrito por goethe às 23h33
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