ordem e progresso
Querem saber os reis se os que provêm nos ofícios são ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: quem não entra pela porta é ladrão e ladrão. A porta por onde legitimamente se entra no ofício é só o merecimento; e todo o que não entra pela porta não só diz Cristo que é ladrão, senão ladrão e ladrão. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez porque furta o ofício e outra vez pelo que há de furtar com ele.
O que entra pela porta poderá vir a ser ladrão; mas os que não entram pela porta já o são. Uns entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo suborno, todos pela negociação. E quem negocia, não mister outra prova; já se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão descoberto.
Sermão do Bom Ladrão Padre Antônio Vieira (1608-1697)
Escrito por goethe às 16h52
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detonando todo mundo

A cena inicial do filme lembra o episódio da morte do brasileiro no metrô de Londres. O grupo do Team America desembarca em Paris atrás de terroristas e acaba destruindo parte da cidade e seus habitantes. Missão cumprida, na visão deles.

Por 107 minutos, marionetes desconjuntadas e com os fios à mostra revelam um mundo bastante próximo da realidade, por mais absurdo que isso pareça. “Team America: World Police”, lançado em 2004, nem chegou às telas brasileiras, saindo diretamente em DVD.

Idealizado pelos criadores do South Park, é escatológico e politicamente incorreto, fazendo piada com os atores engajados de Hollywood e o ditador norte-coreano Kim-Jong II.

Nem pense em deixar os filhos na sala, a não ser que queira ensinar o Kama Sutra com a ajuda dos bonecos.
Escrito por goethe às 17h26
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a simetria como arte

http://www.mcescher.com/
Maurits Cornelis Escher, (ou M. C. Escher, como é mais conhecido), foi um artista que usou o rigor da matemática para construir imagens onde a ilusão é puramente premeditada. O holandês, nascido em junho de 1890, gostava de trabalhar com xilografia e litografia, deixando uma série de trabalhos que encantam gerações. Morreu em março de 1972.
Post endereçado ao amigo Bera, também um artista.
Escrito por goethe às 01h08
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o país da delicadeza perdida

Como estou ainda no mês de aniversário, dá tempo de receber presente. Já escolhi esta lembrancinha simples: os três primeiros DVDs da série de programas dirigida por Roberto Oliveira sobre a carreira de Chico Buarque. Somente na noite deste domingo pude ver justamente o terceiro episódio, batizado de "Vai Passar" e que mostra o papel do filho de Sérgio Buarque de Holanda como compositor e cronista de uma época marcada pelas ditaduras. Unindo imagens de arquivos a um depoimento recente gravado em Roma, o documentário se encerra com um balanço do governo Lula. Chico já revela seu desencanto antes mesmo do escândalo que estourou nas últimas semanas.
E por este programa já escolhi também a trilha sonora desta semana: Risotto Nero, parceria inédita de Chico e Sergio Bardotti. Iguaria fina onde um dos ingredientes principais é justamente lula. Tinta para todos os lados dentro da panelinha.
Escrito por goethe às 00h43
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a roupa é uma extensão da pele?

Tudo começou quando fui convidado para dirigir a peça francesa ART e conheci Helena Montanarini. Essa mulher mudou minha vida. Helena é buyer (compradora) do masculino da Daslu. Daslu é... como explicar? É a loja que vende roupas em São Paulo. Se bem que “loja” seja um termo singelo demais. É uma Versalhes fashion, que reúne todas as marcas que você sempre sonhou e nunca pode comprar. Uma espécie de Meca profana para onde afluem personalidades do mundo empresarial, político e do show bizz em busca de glam. Afinal, roupa é uma extensão da pele...
...
Helena é uma mulher alta, bonita (chiquérrima está implícito), e que é a cara da Marisa Orth. Foi convidada pelo produtor para assinar os figurinos da peça ART. Como diretor, tive que explicar a ela como eram os personagens: um era conservador, de meia idade, alto executivo de uma empresa francesa, o outro um jovem dermatologista em ascensão e o último, um amigo pobre deles, gerente de uma papelaria. Ela mandou na lata:
- O conservador a gente veste de Prada, o dermatologista de Donna Karan e o mais pobre de Richard’s!
Fiquei G-E-LA-D-O! Eu estava todo de Richard’s, que até então achava que me dava status. Ela continuou, com sua frieza milanesa:
- Põe uma calça cáqui nele, uma camisa quadriculada, uma jaquetinha e um Topsider.
Ela me descreveu!
...
Passei a ser cliente de carteirinha da Daslu e me endividar. Afinal, uma camisetinha básica tá por volta de 500, 600 reais. Uma produção completa, com jeans, tênis, meia, cueca e camiseta, não sai por menos de 2.500, no mínimo. Tia Norma protestou:
- Por que você não dá entrada num apartamento, faz uma viagem, em vez de comprar roupas. Você não queria ir para a Grécia?
Eu me tornei dependente. Helena virou minha personal stylist, eu ligava para ela para perguntar:
- Tô pensando em tomar um sorvete na Babuska, que roupa eu ponho?
- Você vai tomar sorvete de quê?
- Estou pensando em tomar de pistache...
- Então põe algo em tons de verde, pra combinar com o pistache. Mas vê se chegando lá não muda de sabor que depois não combina. A menos que seja de goiaba porque verde com rosa é muito chic e lembra a Mangueira.
PÁGINAS 60, 60 E 61
Estava lendo, há duas semanas, este livro de crônicas do Mauro Rasi quando me deparei com esta, escrita em maio de 2000 e intitulada “Bonequinho de Luxo”. Nada mais atual depois da recente prisão da dona da Daslu (aliás, um episódio praticamente superado: a loja não fechou e os ricos continuam tendo acesso a todo o luxo que o dinheiro pode comprar). Autor de peças de grande público, como “A Estrela do Lar”, “As Tias” e “Pérola”, o bauruense Rasi assinava uma crônica semanal no jornal O Globo, de onde saiu esta coletânea lançada em 2003, mesmo ano da sua morte. São textos de um fino humor, mistura de comentário da semana com reminiscências da infância e juventude, tudo mesclado com uma visão ácida de quem não se leva muito a sério. Foi uma grata revelação num estilo tipicamente brasileiro, com direito a compartilhar um lugar entre Rubem Braga e Stanislaw Ponte Preta. O melhor é que este livro não foi adquirido na Daslu. Foi nas Lojas Americanas mesmo, a R$ 9,90.
Escrito por goethe às 00h18
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a volta do malandro

O lottinha voltou, depois de três meses de férias. Para marcar este retorno triunfal, nada melhor do que uma série temática, dedicada totalmente à malandragem. Avise um deputado próximo de você...
http://lottacontinua.zip.net
Escrito por goethe às 23h43
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tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
Bioy Casares – o aristocrático, o intelectual, o conquistador de mulheres Bioy Casares – descreve ou antevê o mundo da vítima comum: uma vítima literária, obviamente, perseguida por infortúnios literários. Um amigo cubano me disse que, em Cuba, Bioy Casares é lido como um fabulista político; suas histórias são vistas como denúncias das condenações injustas, das perseguições, do destino dos exilados e refugiados: “demonstrarei que o mundo, com o aperfeiçoamento das polícias, dos documentos de identidade, do jornalismo, da radiotelefonia, das alfândegas, torna irreparável qualquer erro da justiça, é um inferno unânime para os perseguidos”. O tom (as palavras são ditas pelo narrador) pretendia ser de autopiedade; hoje ele soa documental. Eu me pergunto se Bioy Casares teria pensado nessa leitura, logo ele que considerava o rótulo écrivain engagé um insulto terrível. PÁGINA 20
Alguns dias depois da tragédia, soube que alguém ficara preso naquela manhã dentro de uma livraria próxima ao World Trade Center. Já que não havia nada a fazer a não ser esperar a poeira baixar, ele continuou folheando os livros, em meio às sirenes e aos gritos. Chateaubriand nota que, durante o caos da Revolução Francesa, um poeta bretão recém-chegado a Paris pediu que o levassem a um passeio por Versalhes. “Existem pessoas”, comenta Chateaubriand, “que, enquanto os impérios desmoronam, visitam fontes e jardins”. PÁGINA 70
Nietzsche, em geral pouco generoso em seus elogios, via Goethe como alguém singularmente acima das nacionalidades e das literaturas nacionais. “Goethe”, escreveu ele em Humano, Demasiado Humano, “não é apenas um ser humano grande e bom, mas uma civilização em si”. Se é assim, As Afinidades Eletivas, escrito nos últimos anos de sua vida, pode ser lido como um manual de etiqueta da civilização goethiana. PÁGINA115
Dom Quixote diz a Cardenio que tem “mais de trezentos livros” em casa. Os livros de Cervantes (e sobre Cervantes) ocupam três prateleiras na minha própria biblioteca. Noto que ainda estou com o livro sobre Cervantes que Javier Cercas insistiu em me emprestar. Preciso mandá-lo de volta. Sinto-me desconfortável quando tenho livros de outras pessoas em casa. Quero roubá-los ou devolvê-los imediatamente. Há nos livros emprestados algo do visitante que abusa da boa acolhida. Lê-los sabendo que não me pertencem produzem em mim um sentimento de algo inacabado, usufruído pela metade. Isso vale também para livros de biblioteca. PÁGINAS 150-151
Tenho uma afeição tão grande pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas que sempre me surpreendo ao constatar quão poucos de meus amigos as leram. Presumimos que o que nos dá prazer deve dar prazer aos outros; na verdade, todos acabamos nos dando conta de que nosso círculo particular de companheiros de leitura, daqueles que compartilham nossos amores íntimos, é muito pequeno. (Onze amigos comparecem ao enterro de Brás Cubas quando ele começa a contar a história de sua triste vida – apenas onze.) PÁGINA 203
Alberto Manguel, argentino naturalizado canadense, escreveu mais um belo livro... sobre livros. Durante um ano, entre junho de 2002 e maio de 2003, ele se propôs a comentar uma obra-prima por mês, incluindo suas impressões de releitura numa espécie de diário. Entre os 12 escritores escolhidos, nomes de várias épocas, estilos e nacionalidades, como Bioy Casares, Conan Doyle, Cervantes, Goethe, Dino Buzzati e Machado de Assis. Não é por acaso que Os Livros e Os Dias tem, como subtítulo, a expressão Um Ano de Leituras Prazerosas. São 215 páginas que passam rápido e, ao se aproximar do fim, a vontade é começar tudo de novo. Como num grande romance em carne e osso. Porque este é o nosso papel.
Escrito por goethe às 17h49
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foi um rio que passou em minha vida

À força, quero tomar da vida o que me é de direito, quero que o amor transborde do meu coração, brote e floresça. Há tantos horizontes a serem visitados, tantos frutos a serem colhidos, tantos livros a serem lidos e tantas folhas brancas no registro da vida nas quais escreverei frases nítidas com mãos destemidas. Olho para a água do rio que já está turva pela lama – deve ter chovido nas colinas da Etiópia – e para os homens apoiados nas enxadas ou curvados sobre os arados. Meus olhos se enchem dos campos, estendidos como a palma da mão até a extremidade do deserto onde ficam as casas. Ouço o cantar de um pássaro, o latir de um cão ou o bater de um machado sobre a madeira e me sinto seguro, importante, constante e perfeito. Não, eu não sou a pedra lançada na água, mas sim a semente espalhada no campo. PÁGINA 11
A primeira vez que os navios rasgaram as águas do Nilo, vieram carregados de canhões, não de pão, e as ferrovias foram construídas, na verdade, para transportar tropas. Ergueram as escolas para nos ensinar a dizer ‘sim’ em sua língua. Trouxeram-nos o maior germe da violência européia que o mundo nunca testemunhou igual, nem em Somme, nem em Verdun. O germe de um mal mortal que os infectou há mais de mil anos. Sim, meus senhores, cheguei a suas casas como invasor. Sou uma gota de veneno que vocês injetaram nas veias da história. Eu não sou Otelo, Otelo foi uma farsa. PÁGINA 89
‘Te amo’, me disse. E eu acreditei. ‘Te amo’, eu disse, e fui sincero. Éramos uma tocha em labaredas; as bordas da cama, chamas do inferno. Sentia o cheiro da fumaça, enquanto ela me dizia: ‘te amo, amado meu’, e enquanto lhe dizia: ‘te amo, amada minha’. O universo inteiro, com seu passado, presente e futuro, se reuniu num único ponto – antes e depois dele, nada existiu. PÁGINA 148
O livro estava lá na prateleira das Lojas Americanas, a R$ 9,90, devidamente plastificado para impedir que os interessados dessem uma rápida folheada. O investimento de risco valeu a pena. Tempo de Migrar Para o Norte, do sudanês Tayeb Salih, é uma excelente oportunidade de se conhecer um pouco da literatura feita em árabe. Este romance, escrito em 1966, faz uma reflexão sobre o colonialismo britânico na África a partir do encontro de dois homens que retornam para as margens do Nilo depois de temporadas à beira do Tâmisa. Em 151 páginas, penetra-se num mundo muçulmano de respeito aos mais velhos e onde as mulheres lutam por um maior grau de independência. Seja qual rio for, ninguém sai o mesmo depois de se banhar em suas águas.
Escrito por goethe às 17h46
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um dia de domingo no festival de garanhuns...

O dia começa com o Boi da Macuca, que é flagrado indo para a concentração antes de animar o público que acordou mais cedo no domingo...

Apesar de ser festival de inverno, vale tudo para se proteger do sol numa temperatura de 22 graus...

Um grupo religioso encena uma peça onde conclama todos os espectadores a se confessarem pecadores. O cara da camiseta de propaganda de cachaça vai dar uma pro santo depois para pensar no assunto...

O maracatu Piaba de Ouro abre passagem na avenida Santo Antônio. A menina à frente não faz parte do grupo...

Batidas de bombos e evoluções no asfalto para quem vive entre as canas...

Bonequinhas de pano, a R$ 1,00, compre para ajudar a velhinha...

Gonzaga, morador de Garanhuns, apresenta seu reisado no chão mesmo, já que não entrou na programação do dia...

O colorido de uma tradição que precisa de renovação...

O velho Xaveco, mestre do pastoril profano, mostra a cobra e vende CDs e DVDs. Todo artista tem que sobreviver...

Mestre Salu, no palco, toca a rabeca para o povo que toma sol no quengo. Bem-feito...

O Boizinho da Macuca se mistura na multidão. Quem tem medo de chifre saia de perto...

A galera do rock tinha seu palco alternativo do alternativo. Pelo menos lá tinha tudo pesado: música, Pitú e Schin...

O homem dos capões não tinha nada a ver com o festival. Mas aceitou posar para a posteridade. Vida próspera...

As meninas que participaram das oficinas culturais mostram o que aprenderam em duas semanas. O rapaz de boné tem cara de monitor...

O desfile de encerramento sai do colégio Santa Sofia, bem ao lado da catedral de Santo Antônio, o padroeiro de Garanhuns...

Depois, já quase no final da tarde, o rumo é o parque Euclides Dourado. Fim de trilha para mais um ano...
Escrito por goethe às 19h14
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letras negras sobre fundo branco

Eu não lia livros porque queria compreender como o mundo estava feito. Queria saber como devia viver neste mundo. Perguntava às pessoas e elas não me respondiam. Procurei a resposta nos livros e os livros evitavam-na. Os livros relatavam em detalhes, com muitos detalhes, como se deve viver quando se tem tudo. Os personagens dos livros sofriam, e eu ficava assombrado. Eu, um ser vivo, um ser real, não compreendia seus sofrimentos de papel. Eram feitos de ex-professo, como os professores na escola. Os professores me recomendavam que lesse livros e eu lia. Lia tudo, lia descrições intermináveis e soporíferas sobre as vidas absurdas de indivíduos fracos e preguiçosos.Os professores chamavam de heróis esses seres, eu não compreendia em que consistia seu heroísmo.
D'Artagnan, um herói? Que classe de herói era se tinha mãos e pés?
PÁGINA 15
Eu gostava dos Estados Unidos. Gostava, desde os nove anos. Pois aos nove anos me contaram que nos Estados Unidos não havia deficientes. Eles os matavam. Todos. Se numa família nascia um deficiente, o médico dava ao bebê uma injeção letal.
- Agora vocês entendem, crianças, a sorte que vocês tiveram de nascer em nosso país? Na União Soviética não se matam as crianças deficientes. Vocês recebem aulas, comida e tratamento médico gratuito. Por isso, você têm que estudar muito e chegar a ter uma profissão útil.
Eu não quero que me dêem comida de graça, eu nunca vou poder ter uma profissão útil. Eu quero que me dêem uma injeção. Quero ir para os Estados Unidos.
PÁGINA 44
A mulher tinha vivido tranqüilamente sua longa vida, sem nunca pedir nada às autoridades, e agora, de repente, começou a pedir hora para ser recebida pelo diretor. Passava horas sentada fazendo fila e quando era sua vez pediu entre lágrimas que não a tirassem de seu quarto, implorava que lhe deixassem terminar sua vida em condições normais. Os de cima ouviam impertubáveis suas queixas e rechaçavam seus pedidos, até que finalmente começaram a tirá-la das filas para pedir hora.
Durante a noite anterior à data marcada para seu traslado enforcou-se na maçaneta da porta. A pecadora.
PÁGINA 134

Rubén Gallego nasceu em 1968 em Moscou, quando sua mãe, filha de um dirigente do partido comunista espanhol, entrou em trabalho de parto antes da hora prevista. Dos gêmeos, apenas Rubén sobreviveu, mas com paralisia cerebral que lhe deixou sem movimento nos braços e nas pernas. Depois de um ano e meio, mãe e filho foram separados, sendo que a informação oficial foi de que Rubén teria morrido. Depois disto, Rubén passou sua infância e juventude em orfanatos e asilos, onde presenciou como eram tratadas as pessoas que não poderiam viver em público numa sociedade perfeita. Para escrever as 165 páginas de Branco Sobre Negro, ele usou apenas o indicador da mão direita. Com lucidez, narra sua história e expõe um lado de perdedores, crianças e velhos, que se superaram. Encontrado a R$ 9,90 nas Lojas Americanas.
Escrito por goethe às 14h17
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vou te contar, os olhos já não podem ver

De qualquer maneira, a grande virada aconteceu quando eu, já formado e dando aulas no ensino médio, passava pela redação no instante em que o diretor-proprietário do jornal, Carlos Lacerda, recebia a notícia da morte de Albert Camus e perguntava se havia alguém que pudesse escrever um artigo sobre o escritor francês nascido na Argélia. Eu estava do lado e, como ninguém respondesse, levantei o dedo: "eu".
PÁGINA 34
Naqueles tempos difíceis de viver e trabalhar, Vlado soube viver, trabalhar e morrer com dignidade. Para mim, ele ficou sendo o símbolo da abertura cultural que estava contida naquele número especial de Visão, assim como se transformou, quase vinte meses depois, no mártir da abertura jornalística. Foi a partir do choque causado por sua morte - com toda a indignação e revolta que espalhou - que a imprensa brasileira tomou coragem de avançar até o horizonte do possível.
PÁGINAS 108 E 109
O "caso Pedro Nava" encerra uma das questões éticas mais complexas do jornalismo: os limites entre aquilo que é público e cujo conhecimento é um direito de todos - e um dever do jornalista divulgar - e o que, por pertencer à esfera privada, deve ser mantido como tal. Nava era um homem público que escolheu uma via pública para praticar um gesto que, ele sabia, teria repercussão, chegaria à imprensa e seria investigado em suas causas e motivações. O ato final de sua tragédia foi exposto como um espetáculo de rua.
PÁGINA 173
O tarimbado Zuenir Ventura emulou, neste Minhas Histórias dos Outros, uma espécie de Confesso Que Vivi tupiniquim. O livro de 270 páginas, lançado recentemente pela editora Planeta, é o testemunho profissional do escritor e jornalista, que começou a sentir cheiro de tinta e correr contra o relógio no início de 1960. Ela conta fatos vivenciados – ou vistos de perto – ao longo das últimas décadas. Sabemos mais detalhes sobre os últimos anos de Glauber Rocha, da tortura e morte de Herzog, da bomba do Riocentro e do suicídio de Pedro Nava. Minhas Histórias dos Outros ajuda a engordar a ainda mirrada estante de memórias de jornalistas brasileiros, mas a opção de Ventura ou de sua editora foi de não se aprofundar muito nos temas e garantir um tom mais acessível a todos os prováveis leitores da obra. Em alguns momentos, emociona. Em outros, provoca angústia. A única certeza possível é de que é difícil parar de ler antes de virar a última página.
Escrito por goethe às 14h04
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people say i'm lazy

WATCHING THE WHEELS John Lennon
People say I'm crazy, doing what I'm doing Well, they give me all kinds of warning to save me from ruin When I say that I'm okay Well, they look at me kind of strange Surely you're not happy now You no longer play the game
People say I'm lazy, dreaming my life away Well, they give me all kinds of advice designed to enlighten me When I tell them that I'm doing fine Watching shadows on the wall Don't you miss the big time, boy You're no longer on the ball
I'm just sitting here watching the wheels go round and round I really love to watch them roll No longer riding on the merry go round I just had to let it go
Ah, people asking questions, lost in confusion Well, I tell them there's no problem, only solutions Well, they shake their heads and look at me As if I lost my mind I tell them there's no hurry I'm just sitting here doing time
I'm just sitting here watching the wheels go round and round I really love to watch them roll No longer riding on the merry go round I just had to let it go I just had to let it go I just had to let it go
Escrito por goethe às 09h13
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vaidade, pura vaidade

Quem era esse Afonso? Cristão-novo, fizera parte da comunidade judaica no Recife ao tempo do domínio holandês. Quando da reconquista portuguesa ele, antecipando problemas, decidira deixar Pernambuco. O que motivara uma acerba discussão com seu irmão gêmeo. Felipe propôs que fossem para a Jamaica, onde à época tinha início o tráfico de escravos para as plantações de açúcar. Comércio lucrativo, que ademais lhes proporcionaria o doce sabor da vingança: o açúcar jamaicano começava a concorrer com o açúcar que os portugueses plantavam no Brasil. Mas Afonso recusou a proposta: embora estivesse deixando Recife, não tinha raiva dos portugueses, ao contrário: são nossa gente, argumentava, quando a Inquisição chegar a seu fim nos tratarão como irmãos.
PÁGINA 32
- É por isso que prefiro as lentes - prosseguiu Spinoza. - São feitas de vidro, de material barato, mas uma vez trabalhadas com o rigor que a ciência da óptica exige, transformam-se em um valioso instrumento, muito mais valioso que qualquer diamante. E o próprio vidro, na sua humildade, nos ensina uma lição. Olha pela janela. Verás uma rua, casas, pessoas... Ou seja, a vidraça te mostra o mundo. Mas se colocares atrás do vidro uma camada de prata terás um espelho, e no espelho só podes ver a ti mesmo. O espelho é o símbolo da vaidade pessoal; e a vaidade, por sua vez, é a doença espiritual mais disseminada em nosso tempo, o que explica a quantidade de espelhos que existem por aí, e o enorme número de pessoas que se adornam com diamantes.
PÁGINA 57
Muita gente enriqueceu, graças à descoberta do Gaspar Mendes, que aliás nunca voltou para cá: parece que foi assassinado em Amsterdã, essas intrigas de ju-, desculpe, de cristãos-novos... Mas não era uma riqueza inesgotável. Infelizmente - ou felizmente, para mim felizmente - não era. Digo felizmente porque é muito arriscado para uma cidade depender deste tipo de riqueza. Que em realidade, não serve para nada. O que é que se pode fazer com diamantes? Comê-los? Usá-los como medicamento? O valor que alcançam no mercado é aquele que lhes confere a vaidade humana.
PÁGINA 134
Geralmente livros por encomenda nem sempre saem como o desejado. Além de João Ubaldo Ribeiro, que criou A Casa dos Budas Ditosos para a série Pecados Capitais, desta vez foi Moacyr Scliar quem acertou a mão para fechar a sequência de 5 Dedos de Prosa, da editora Objetiva. Bem ao estilo do gaúcho, Na Noite do Ventre, o Diamante mistura fatos históricos com humor e crítica social. Em 168 páginas ele narra a odisséia não de um personagem, mas de um diamante que sai do Brasil no século XVII e para cá retorna no século XX, alterando o destino de várias pessoas. O melhor do livro é quando surge em cena Spinoza, filósofo expulso da comunidade judaica de Amsterdã por pensar diferente. Na parte final, o livro tem uma pequena queda, mas sem comprometer o conjunto. Polegar levantado para cima.
Escrito por goethe às 08h44
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sem mais delongas

Edição número 3 da EntreLivros nas bancas, desta vez destacando a produção literária nordestina, Walt Whitman, Clarice Lispector, Giuseppe Berto e outras mumunhas mais.
Escrito por goethe às 08h37
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conexão londres, bombaim, recife

Há na Índia de Kipling uma enorme, maravilhosa complexidade que, de acordo com Rohinton, reflete a Índia real (nunca estive lá). Em alguma passagem Kipling diz que há lugares no mundo por onde, se esperarmos o bastante, todos acabaremos passando. Um deles é a King's Cross Station de Londres; o outro é a estação de trem de Bombaim. A Estrada do Grande Tronco do romance soa como um desses lugares. O verso de Eliot - "Eu não pensara que a morte havia aniquilado tantos" - ecoa em mim na afirmação do Lama: "Este é um mundo grande e terrível. Eu nunca pensei que houvesse tanta gente viva nele".
PÁGINA 52
Estava eu, no início da tarde, sacolejando em um ônibus tentando ler o novo livro do Alberto Manguel, "Os Livros E Os Dias". Coincidência porque um dos recentes posts do Gandalf trata justamente de leitura no coletivo, como este blog de certa forma pretende ser. Mesmo em pé, consegui folhear as páginas necessárias até atingir este trecho, que reflete bem a situação do ataque terrorista londrino da semana passada. Nada mais a escrever no momento.
Sobre o livro, mais citações nos próximos dias.
Escrito por goethe às 17h14
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ecos do umberto, minha rainha

A enciclopédia me caía em cima em folhas destacadas, e me vinha de abanar as mãos como se estivesse no meio de um enxame de abelhas. Entretanto as crianças diziam vovô, sabia que deveria amá-las mais que a mim mesmo e não sabia quem chamar de Giangio, quem de Alessandro e quem de Luca. Sabia tudo de Alexandre, o grande, e nada de Alessandro, o meu pequenino.
PÁGINA 26
Disse a mim mesmo: Yambo, você tem uma memória de papel. Não de neurônios, de páginas. Talvez um dia inventem uma danação eletrônica que permita ao computador viajar através de todas as páginas escritas do início do mundo até hoje, e passar de uma para outra com um toque de dedos, sem que ninguém possa entender mais onde se encontra e quem é, e então todos serão como você.
PÁGINA 92
Perguntava-me nos dias anteriores como seria dividido o eu de um menino exposto a mensagens de glória nacional enquanto, por outro lado, imaginava as névoas de Londres, onde encontrava Fantomas que lutava contra Sandokan em meio a uma chuva de maças pontiagudas que afundava os peitos e destroçava braços e pernas dos compatriotas educadamente perplexos de Sherlock Holmes. - e que agora ficava sabendo que, na mesma época, o rádio propunha como ideal de vida um contador sem grandes pretensões, almejando apenas a tranqüilidade de uma periferia. Mas isso talvez fosse uma exceção.
PÁGINA 172
Rumores. Eu os via todos, folheando revistinha após revistinha. Educara-me desde pequeno ao flatus vocis. Entre os vários rumores, sguis me veio à cabeça e minha testa ficou perolada de suor. Olhei minhas mãos, e tremiam. Por quê? Onde eu li aquele som? Ou, quem sabe, seria o único que não li, mas ouvi?
PÁGINA 239
Até queria ir à América Latina, esperando encontrá-la, quem sabe, entre a Terra do Fogo e Pernambuco. Num momento de fraqueza confessei a Gianni que, em tantas aventuras, buscava em cada mulher o vulto de Lila. Queria vê-la ao menos uma vez antes de morrer, não me importava como ela estivesse. Estragaria a lembrança, dizia Gianni. Não me importava, não podia deixar aquela história inacabada.
PÁGINA 291
Revejo uma cena rápida que deve ter acontecido alguns anos antes. Pergunto:
"Mamãe, o que é a revolução?
"É uma coisa em que os operários vão para o governo e cortam a cabeça de todos os funcionários como o seu pai".
PÁGINA 320
Amar uma nuca. E o casaco amarelo. Aquele casaco amarelo com que ela se apresentou um dia na escola, luminosa no céu primaveril - e sobre o qual poetei. Desde então, nunca mais pude ver uma mulher de casaco amarelo sem sentir um chamado, uma insuportável nostalgia.
PÁGINA 413
 
Talvez tenha sido por causa do aniversário, esta época do ano em que você fica mais suscetível a lembranças. Mas o novo livro do Umberto Eco cai como uma luva para quem está sempre se perguntando como é que a história toda termina. O protagonista, Yambo, em pouco mais de 450 páginas, tenta recuperar sua memória afetiva voltando a folhear livros e revistas guardados na casa onde viveu a infância, nos anos tumultuados da II Guerra Mundial. É uma procura onde cada referência desperta uma sensação. Num contexto maior, Yambo representa a transição entre a geração do papel para a eletrônica. E quem já passou dos 30 anos está exatamente no meio disso tudo. Migrei da máquina de escrever para o computador e esta transição nunca foi muito bem digerida. Talvez a minha relação de amizade com Yambo tenha um motivo maior: ele escreve umas poesias horríveis, mas bem intencionadas.
O livro do Eco traz como subtítulo "Romance Ilustrado". Contém dezenas de belas imagens de quadros, capas de revistas em quadrinhos, cartazes. Uma bela edição.
Escrito por goethe às 08h18
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nota de falecimento

Comunico, com pesar, o passamento de meu tênis Rainha, número 41, modelo não informado, que durante dois anos foi companheiro de andanças, tendo pisado o solo de quatro países e inúmeros lugares no interior de Pernambuco. A causa mortis foi um buraco que surgiu no pisante direito, que ameaçava tornar-se uma cratera e já prejudicava a estética. Foi substituído por um Reebok da mesma cor e com um design parecido. Espero que eu tenha a mesma sorte com ele. E que eu possa manter a mesma tradição de fotografá-lo em lugares diferentes.
Escrito por goethe às 08h02
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truta, maionese e brautigan

A capa de Pescar Truta na América é uma fotografia da estátua de Benjamin Franklin na Washington Square de São Francisco, tirada de tarde.
Nascido em 1706 e falecido em 1790, Benjamin Franklin está em um pedestal que mais parece uma casa guarnecida com móveis de pedra. Numa mão ele segura uns papéis, na outra o chapéu.
A estátua fala, na sua linguagem de mármore:
Doada por
H.D. Cogswell
A nossos
Meninos e meninas
Que logo tomarão
Nossos lugares
E passarão.
Em volta do pé da estátua, quatro palavras, voltada cada uma para os rumos do mundo, dizem a leste BEM-VINDO, a oeste BEM-VINDO, ao norte BEM-VINDO, ao sul BEM-VINDO. Bem atrás da estátua tem quatro choupos, quase sem folhas a não ser nos galhos mais altos. A estátua fica em frente da árvore do meio. Em toda a volta a grama está molhada das chuvas do começo de fevereiro.
Ao fundo fica um cipreste alto, escuro como um quarto, quase. Adlai Stevenson discursou debaixo desta árvore em 1956 para 40.000 pessoas.
No lado oposto à estátua tem uma igreja alta, com cruzes, torres, sinos e uma porta enorme, parecendo a entrada de um baita buraco de rato, talvez um desenho de Tom e Jerry, e acima da porta as palavras "Per L'Universo".
Por volta das cinco horas da tarde da minha capa para Pescar Truta na América, gente se reunia no parque do outro lado da rua da igreja, gente faminta.
Era a hora do sanduíche para os pobres.
Eles não podem atravessar a rua enquanto não for dado o sinal. Aí todos correm para a igreja e pegam seus sanduíches embrulhados em papel de jornal. Depois voltam para o parque, abrem o jornal e vêem de que trata o sanduíche.
Uma tarde um amigo meu desembrulhou o seu sanduíche, olhou dentro e encontrou apenas uma folha de espinafre. Mais nada.
Foi Kafka que conheceu a América lendo a autobiografia de Benjamin Franklin...
Kafka, que disse, "gosto dos americanos porque são sadios e otimistas".
PÁGINAS 11-12
Richard Brautigan lançou Pescar Truta na América em 1967. Vendeu mais de dois milhões de exemplares num contexto onde a psicodelia jogava a favor de seu estilo iconoclasta. No dia 25 de outubro de 1984, aos 49 anos, foi encontrado morto tendo ao seu lado uma garrafa e uma pistola. O livro, que teve suas 180 páginas lançadas no Brasil em 1991 pela editora Marco Zero, com tradução do escritor José J. Veiga - um fã declarado de Brautigan - é uma relíquia que reli de estalo. Na verdade, lembrei de Brautigan a partir de uma reportagem, na semana passada, sobre uma biblioteca norte-americana de autores inéditos e obscuros. O coordenador, baseado numa das idéias de Brautigan, sugeria que os candidatos mandassem os textos e também uma maionese de sua escolha, que serve como separador dos livros nas estantes. Só lendo Pescar Truta na América para entender. E esclarecendo: não é um romance.
Escrito por goethe às 01h21
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mostrando a cara a tapa (parte II)

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Van Gogh (1853-1890)

Joan Miró (1893-1983)

Modigliani (1884-1920)

Rembrandt (1606-1669)
Escrito por goethe às 01h06
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pequenos trechos de uma sinfonia urbana

...num abraço apertado de barco contra o cais... EU NÃO SEI QUEM TE PERDEU - PEDRO ABRUNHOSA
...aqui e lá há lacunas mas não há lá iracemas... BANZO - ITAMAR ASSUMPÇÃO

...zapato que en unas horas buscaré bajo tu cama con las luces de la aurora, junto a tus sandalias planas... TODO SE TRANSFORMA - JORGE DREXLER
Escrito por goethe às 15h16
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homenagem desmantelada

DESMANTELO AZUL
Então pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas depois vesti meus gestos insensatos e colori as minhas mãos e as tuas
Para extinguir de nós o azul ausente e aprisionar o azul nas coisas gratas Enfim, nós derramamos simplesmente azul sobre os vestidos e as gravatas
E afogados em nós nem nos lembramos que no excesso que havia em nosso espaço pudesse haver de azul também cansaço
E perdidos no azul nos contemplamos e vimos que entre nascia um sul vertiginosamente azul: azul.
No dia 1º de julho de 1960, Carlos Pena Filho foi vítima de um acidente automobilístico. O carro em que estava chocou-se com um ônibus. Nascido em 1929, tornou-se o "poeta do azul" e patrimônio recifense.
Imagem: Salvador Dalí
Escrito por goethe às 12h57
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