fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


esse coqueiro que dá coco...

O coqueiro desembarcou em 1553 para dar sombra e água fresca, leite, óleo, comida, palha e frescor à costa. As mudas vieram de Cabo Verde, uma das ilhas atlânticas transformadas, pelos lusos, em hortos experimentais de plantas asiáticas. Alastraram-se, principalmente, da Bahia ao Ceará. Vem de longe, da prosa dos colonos, a lenda de que os cocos vieram boiando da África à Bahia, empurrados pelas ondas. Bonito, isso, mas foi obra de português, esse grande mercador de cheiros que trouxe também as palmeiras para embalar o sono dos bebês caboclos que já formavam a tal "gente brasileira". Coqueiros e palmeiras, com seus leques de folhas a balançar ao vento, enriqueceram as paisagens costeiras quase carecas, tal a extração do pau-brasil, dos jatobás e de todas as boas madeiras da terra.

Logo no início da colonização, o algodão nativo foi encontrado e seu cultivo o tornaria produto importante da colônia, exportado para a metrópole no século XVIII. Descobriu-se também um tipo de arroz vermelho, que entrou para a dieta básica do colono até a chegada do branco asiático, via Carolina do Sul, na América do Norte, no mesmo século. O cultivo e a exploração desse arroz foi objeto de ordens e contra-ordens, em momentos diversos: ora estimulados, ora proibidos, ora permitidos nos pedaços de terra não ocupados pela cana.

Lendas se espalhavam sobre as florestas do novo continente, uma delas, a de que em algum lugar, entre as possessões espanholas e portuguesas, existia o País das Canelas, onde a árvore quente e cheirosa do Ceilão era abundante, numa grande extensão de terras protegidas pela mata fechada e por uma intricada trama de rios. Era necessário encontrá-lo a todo custo. Os espanhóis avançavam obstinadamente pelo centro-sul da América descobrindo ouro e prata das civilizações ancestrais e, nessas trilhas, chegavam às especiarias da floresta, à baunilha, ao pimentão, ao cacau, às pimentas. Seria deles o mérito de alcançar as canelas amazônicas.

PÁGINAS 99-100


Ok, o texto merecia ser melhor temperado para tratar de assunto tão apetitoso. Pelo menos a intenção declarada da jornalista Rosa Nepomuceno era a de mostrar ao leitor que o resultado mais duradouro da época das grandes navegações continua presente nas nossas panelas. Com 169 páginas, O Brasil na rota das especiarias apresenta ainda alguns mapas que detalham o ponto de origem de ingredientes comuns hoje em dia, mas que causaram a fortuna e a ruína de muitas almas poucos séculos atrás. Portugueses, neste caso, tinham o paladar mais aberto a experimentações. Pelo menos têm esta história para se vangloriar.



Escrito por goethe às 14h25
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a guerra realmente acabou?

No noticiário, a Ucrânia foi lembrada recentemente por causa de Chernobyl, a tragédia nuclear que completou duas décadas. Na época da II Guerra Mundial, o país foi um dos que mais sofreu, antes e depois dos nazistas ocuparem as planícies mais férteis do Leste Europeu. É neste contexto que Uma Vida Iluminada (Everything Is Illuminated), produção norte-americana que estreou em setembro do ano passado, vale o preço de uma viagem sem sair do sofá. Ao som de uma bela trilha musical, um jovem judeu ianque (Elijah Wood, o Frodo de O Senhor dos Anéis) desembarca em Odessa em busca da mulher que salvou a vida do seu avô durante o domínio nazista. Nesta jornada, é acompanhado por um guia que fala um inglês estropiado e um motorista que finge que é cego, além da cadela Sammy Davis Jr. Jr.. A estréia de Liev Schreiber (ator da série Pânico) como roteirista e diretor deu bom resultado. Uma Vida Iluminada é um filme que trata de uma forma engraçada, mas respeitosa, de mais uma história envolvendo a questão do Holocausto. Seria um filme mais iconoclasta se a Warner não tivesse alterado o roteiro. Basta conferir nos extras as cenas que foram excluídas ou modificadas. Cinema é arte, mas também é dinheiro.

P.S. Se gostar da trilha sonora, clique neste link: http://www.megaupload.com/pt/?d=7SBV47VR



Escrito por goethe às 20h38
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