fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


quando o governo é um negócio daqueles

Em 11 de setembro, nós, norte-americanos, fomos vítimas de um ataque terrível.

Em 12 de setembro, nos tornamos suspeitos.

Nem um único cidadão norte-americano seqüestrou um avião. Ainda assim, o presidente Bush e o secretário de Justiça John Ashcroft, por meio dos poderes conferidos pela Lei Patriótica dos EUA, apontaram 270 milhões de nós para serem vigiados, espionados, rastreados.

Dizer que a ChoicePoint está no mercado de “dados” é um profundo mal-entendido. Esses caras estão na Indústria do Medo. O perigo espreita em todos os lugares. A al-Qaeda é só a ponta do iceberg. E quanto ao entregador de pizza? A ChoicePoint fez uma pesquisa numa amostra e anunciou que 25% deles saíram da cadeia recentemente. “De que pizza você gosta?”, pergunta o CEO Smith. “A que preço? Você está disposto a correr o risco?”.

Mesmo antes do 11 de setembro, Smith era um vendedor de medo sem precedentes. A companhia mandou seu fiel funcionário, Howard Safir, ex-comissário de polícia de Giuliani, advertir o público de Oprah que milhares de “kits de estupro” de DNA não haviam sido testados. O resultado é que os caras malvados estavam livres. Safir não mencionou o lobby da ChoicePoint pelos 775 milhões de dólares do dinheiro dos contribuintes para testar esses kits, mesmo quando um criminoso confessa e é preso.

A ChoicePoint também tem um produto para acalmar as mães aterrorizadas pelas histórias sobre cultos que seqüestram crianças contadas no programa Geraldo: “ChoicePoint Cares”. Esse é o nome do programa de testes de DNA da corporação que ajuda a reunir filhos perdidos e seus pais.

Por trás do ChoicePoint Cares, da identificação de vítimas no Marco Zero e das mentiras sobre os entregadores de pizza estupradores, há uma montanha de pânico. Para um país descontrolado, a ChoicePoint tem o Prozac digital: banco de dados de DNA e certificados de antecedentes criminais para que você não vire refém dos seqüestradores de criancinhas que entregam sua pizza de mussarela. A companhia quer acabar com o seu desconforto enquanto penetra nos seus registros bancários e na corrente sangüínea; convencê-lo de que você quer que eles tenham as informações sobre os seus filhos; encorajá-lo a pensar que registrar todos os seus passos significa proteção, não intromissão, a segurança de um grande irmão gentil para cuidar de você.

A ChoicePoint é um pouco sensível quando o assunto é o negócio do DNA. A empresa insistiu com a minha equipe de pesquisa que só armazena o DNA de criminosos e crianças desaparecidas.

Mas um informante de dentro da ChoicePoint afirma que o presidente contou a ele qual é o plano para longo prazo: “Derek (Smith) disse que espera construir um banco de dados de amostras de DNA de todas as pessoas nos Estados Unidos”, do nascimento à morte e além, ligado a todos os outros dados pessoais. O plano, diz a fonte, está em compasso de espera no momento porque Smith acha que vai enfrentar a “resistência” do público. Assim, a ChoicePoint se preocupa com as “mães deste país que estão lutando contra ameaças”, diz Smith. Mães que, presumivelmente, vão exigir do governo – ou melhor, da empresa privada que fornece ao governo – a armazenagem do seu DNA.

Diferentemente das digitais, o DNA tem um potencial para muito além da identidade: revela do histórico médico à linhagem. Com clientes como o FBI, que vem usando informação e desinformação contra inimigos eleitos – lembro da horrível operação COINTELPRO na década de 1960 -, a história de erros da ChoicePoint, sua distribuição equivocada de dados do Estado e a possível ação de hackers em seus computadores, o banco de dados de DNA “literalmente me deixou apavorado”, afirmou o informante.

PÁGINAS 357 A 359


O livro foi lançado originalmente em 2002. Depois, foi republicado em 2004, com atualização e material adicional, como no caso do Brasil, com detalhes dos bastidores da venda das empresas de infra-estrutura na época do governo Fernando Henrique Cardoso. Greg Palast é norte-americano, mas foi na Inglaterra que conseguiu espaço para publicar suas reportagens investigativas. A Melhor Democracia Que O Dinheiro Pode Comprar traz, em 391 páginas, uma reunião do melhor material produzido por Palast, do escândalo da primeira eleição de George W. Bush ao golpe que quase tirou Hugo Chávez do poder na Venezuela. No meio de tudo, o dedo das grandes corporações financeiras. Não é teoria da conspiração, porque Palast, que também trabalha para a BBC, tem o cuidado de reunir documentos sobre o que denuncia.

Para ter acesso ao material atualizado de Palast, visite o site dele: http://www.gregpalast.com/.

P.S.: Antecipei o comentário deste livro porque ontem o Congresso norte-americano aprovou a "lei da tortura" requisitada por Bush, que agora pode literalmente prender e arrebentar qualquer inimigo.



Escrito por goethe às 09h38
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brasil, abra as cortinas do passado

O Brasil não conhece o Brasil. É letra de música e é verdade. O que vivemos hoje em breve estará nos livros. E como definir estes dias? Nas bancas de revistas, um sinal de como não se repetir. Tem 170 páginas, é fartamente ilustrado e custa R$ 18,90. A Construção do Brasil deve ser encarado como um investimento. É um espelho da nossa formação, com acertos e erros. Personagens da grande e da pequena história, atuando em sociedade. E tornando o Brasil este gigante, continente a caminhar. Com artigos preparados por historiadores de renome, o exemplar é um bom mapa para os séculos 18 e 19. Sim, há saídas.



Escrito por goethe às 00h44
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um aparte, camarada trotsky

Tudo começa com um aparte por ele pedido a Lev Davidovitch Bronstein, o Trotsky. O famoso bolchevique estava no meio de um dos mais longos discursos de sua vida, três horas e trinta minutos de duração, analisando a crise do Partido Comunista Francês e propondo uma solução que reforçasse a linha “internacionalista” em detrimento da “sindicalista”, quando Canellas o interrompe: “Um aparte, camarada Trotsky!”.

Curiosamente, o aparte desta vez lhe é concedido, mas o que diz Canellas naquele momento desagrada a muita gente e gera protestos no plenário. O que disse ele? “Eu disse, em aparte, que Trotsky estava fazendo lavagem cerebral dos presentes e logo apareceram pressurosos tradutores que foram comunicar ao Presidium ter eu me referido ao camarada Trotsky com expressões insultuosas, e citavam à boca pequena os insultos em que, por alquimia dos cortesãos, tinha transformado a expressão francesa bourrage de crâne, que eu empregara no sentido de exposição tendenciosa com o fim de encher a cabeça do auditório impressionando-o a favor da causa que no momento ele, Trotsky, patrocinava”.

Em resumo, Canellas acusava o segundo homem da revolução de outubro a manipular enganar o plenário para conseguir que sua resolução sobre a crise do PCF fosse aprovada. Suas palavras, sobretudo a expressão bourrage de crâne, causam indignação na “esquerda” do partido francês. Em meio ao tumulto, é informado que os tradutores haviam transformado seu aparte em ofensas a Trotsky. Fica preocupado. Chega a exigir da mesa uma investigação para apurar a origem da deturpação de suas palavras. O funcionário do Comitern lhe pede que dê o caso por encerrado, porque nenhum crédito fora dado ao mesmo. Mas, terminada a discussão, não havia dúvida de que, além dos argentinos, Canellas fizera mais alguns inimigos no congresso: os militantes da “esquerda” francesa. Eram 24 os delegados do PCF, boa parte deles deste grupo.

Parece claro, também, que à mesa não agradou o aparte de Canellas porque, depois do incidente, a pretexto de que o tempo era curto e já se prolongava a discussão, consegue aprovar uma proposta que impede outros delegados de se manifestarem. Canellas, obviamente, vota contra. Começa, em seguida, a votação da resolução sobre a “questão francesa”. O que dizia esta resolução? O objetivo da mesma era, claramente, aniquilar, no PCF, os “reformistas” e “sindicalistas” que se insurgiam contra a Internacional Comunista.

PÁGINAS 126 E 127


Em setembro de 1922, o tipógrafo Antonio Bernardo Canellas chega a Moscou para participar do IV Congresso da Internacional Comunista. Aos 24 anos de idade, é um dos mais jovens entre os 394 delegados, orgulhoso de representar o recém-fundado Partido Comunista Brasileiro. No entanto, sua formação anarquista lhe trai. Ao pensar que poderia participar das discussões e influir no resultado do congresso, assina sua sentença. É expulso do PCB e cai em desgraça entre os comunistas, que logo depois teriam que rezar pela cartilha de Stálin. A jornalista Iza Salles recupera, em 220 páginas, este episódio, traçando um excelente painel das lutas operárias no Brasil e no mundo no início do século XX. Não é de hoje que amigos de ontem tornam-se "aloprados" de acordo com as conveniências. Publicado em 2005, este livro serve para jogar luz em cadáveres, talvez para mostrar que os mortos cada vez mais governam os vivos. Ou como dizia o Barão de Itararé (tema para um futuro post), "os vivos estão sendo governados, nos dias de hoje, pelos mais vivos".



Escrito por goethe às 12h43
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tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com minha dor

No dia 20 de julho de 1714, a ponte de San Luis Rey se parte e cinco pessoas morrem na queda. Acidente ou destino? Frei Juniper, que publica um livro contando a vida das vítimas, quer provar que não foi acaso. Deus as uniu por uma razão. É acusado de cometer heresia pelo arcebispo do Peru. Esta produção inglesa de 2004, escrita e dirigida por Mary McGuckian, tem um elenco estelar: Robert De Niro (também produtor), Gabriel Byrne, Harvey Keitel, F. Murray Abraham e Geraldine Chaplin, além da música de Lalo Schifrin. Mesmo assim, foi lançado diretamente em vídeo no Brasil. Trata-se da terceira refilmagem (as outras foram em 1929 e 1944) do romance de Thornton Wilder, que baseou-se em fatos reais e foi ganhador do Prêmio Pulitzer com esta obra. Com excelente direção de arte, é um filme de 120 minutos, mas de questionamentos para a vida toda. 



Escrito por goethe às 15h53
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bota o retrato do velho outra vez

Até então, a oposição esperneara, esmiuçando a administração federal, bradando contra os escândalos que - alguns verdadeiros, outros forjados - realmente comprometiam o governo, mas em escala suportável para um país subdesenvolvido, onde é comum, por força mesmo da sua economia, a corrupção nos escalões mais irresponsáveis do aparelho administrativo.

Os escândalos, contudo, eram insuficientes para derrubar Getúlio Vargas - e até a oposição sabia disso. Por mais que vasculhassem os meandros dos negócios públicos, as investigações e as suspeitas se detinham nos gabinetes de algumas autoridades subalternas. Não chegavam, nem ameaçavam chegar, até ao governante máximo.

A oposição passou então a manobrar com mais habilidade e cautela, com mais objetividade. Tinha, a seu favor, o apoio e o estímulo das forças imperialistas, notadamente as ligadas com o petróleo, já inexoravelmente rompidas como presidente. Poderosos escalões de testas-de-ferro e de intermediários entre as companhias estrangeiras e a economia nacional também aderiam, subterraneamente, a uma campanha de vida e morte para derrubar o homem que, enfrentando todos os riscos, ousara mexer no território sagrado das reservas energéticas, de que o capital cosmopolita há muito se julgava dono.

PÁGINAS 189 E 190


Publicado originalmente em 1967, na revista Manchete, em forma de capítulos semanais, Quem Matou Vargas é legítimo Cony envelhecido, um blend de reportagem histórica e literatura documental. As 254 páginas já haviam sido transformadas em livro em 1972, em plena ditadura militar. Somente em 2004 saiu esta terceira edição, com direito a pequenas atualizações e trechos antes censurados. O livro aborda o período entre duas datas - 3 de outubro de 1930 e 24 de agosto de 1954 - início e fim dos governos Vargas. Cada época tem os escândalos que merece. E Lula bem que queria lembrar Getúlio vargasmente... (este trocadilho, em si, é um pequeno escândalo também).



Escrito por goethe às 11h10
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sem palavras

gracias, quino



Escrito por goethe às 09h25
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se maomé não vai à montanha...

Em tempos de charges contra Maomé, Bush referindo-se a cruzadas nos seus discursos e até o papa Bento XVI provocando a ira dos muçulmanos, pelo menos uma boa nova. Acaba de sair a primeira edição integral em português do Alcorão. O livro - capa dura, papel especial e fitinha amarela para marcar as 1.064 páginas - pode ser obtido gratuitamente, já que a palavra divina não pode ser comercializada. Em verdade vos digo: custa apenas a despesa do frete pelos Correios. De São Paulo para o Recife, via Sedex, desembolsei R$ 34,00. Um bom investimento para quem pretende aprofundar os conhecimentos sobre a fé islâmica. É preciso apenas se habituar em ler no sentido da última para a primeira página, obedecendo a escrita árabe. Os comentários da edição ajudam a situar o leitor no tempo em que Maomé estabeleceu os preceitos.

Os interessados devem preencher um formulário no site da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, cujo link é este: http://www.ccab.org.br/portugues/. Salam.

OBS: Quando estava postando, descobri um erro na capa. Em vez de "Nobres Mesquitas", ficou impresso "Nobers Mesquitas". O mais importante é conteúdo.



Escrito por goethe às 15h36
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