fiteiro
conversa afiada? só no fiado, porque o dono é desconfiado


this must be the place

A capa deste DVD é apenas um plástico fosco, com letreiro clássico, que permite visualizar o colorido do disquinho. Mais um arranjo criativo de David Byrne, o cabeça da ex-banda Talking Heads. Ele gravou este show em 2005, aproveitando a acústica do templo religioso construído em Londres. É neste cenário que apresenta um repertório de 18 composições, pelo menos metade delas da época em que integrava o conjunto nova-iorquino que se antecipou à onda de abrir os ouvidos para os ritmos produzidos em outras partes do mundo. Tanto que, depois com sua gravadora Luaka Bop, Byrne ressuscitou Tom Zé e lançou discos de artistas angolanos, cubanos e venezuelanos. Com direito a instrumentos de corda, este DVD vale os R$ 12,90 gastos no supermercado Extra do Benfica. Pechincha, porque pela internet o preço passa dos R$ 45,00. Os únicos defeitos são a falta de legendas e a incompatibilidade do público com o ambiente. Apesar dos apelos de um Byrne descontraído, poucos tiveram coragem de sacudir o esqueleto em cenário tão solene.



Escrito por goethe às 19h54
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uma história feita de extremos

O alvorecer em 19 de fevereiro proporcionou a primeira visão do sol, e uma fileira de trenós logo se formou à porta do depósito de provisões. Levavam 1.800 quilos de víveres e equipamento, e certa quantidade de pele e gordura de leão-marinho para alimentar os cães, até que Cook encontrasse bois-almiscarados em grande número.

Às oito hora daquela manhã, a última corda foi amarrada e tudo estava pronto – oito trenós com carga total, puxados por 103 cães, conduzidos por Cook, Franke e nove esquimós, “escolhidos a dedo” entre um grande número de nativos que se ofereceram para acompanhá-los. Cook atribuía sua habilidade de “conquistar a amizade e a confiança dos nativos” ao fato de falar sua língua “o suficiente para discutir assuntos corriqueiros”. Também lhe fora útil, desde os primeiros dias no Ártico, ter se interessado por seus costumes e respeitado suas tradições.

As tribos esquimós do norte da Groenlândia não admitiam que a Terra fosse redonda. Em algum lugar da extremidade mais escura do mundo plano, um imenso prego fora cravado no gelo; por isso, “Grande Prego” era o nome que davam ao Pólo. Acreditavam que, de algum modo, esse prego gigantesco tinha caído e desaparecido e, uma vez que ferro era mais importante para eles do que ouro, reconheciam seu valor. Através da tradição oral, sabiam que homens brancos, falando várias línguas diferentes, empenharam-se na busca – em face da constatação do valor do prego -, e também era de seu conhecimento de que muitos desses homens jamais retornaram. Os próprios esquimós jamais saíam à procura do Grande Prego, pois sabiam muito melhor do que qualquer povo dos perigos das longas viagens através do gelo que cobria o oceano mais ao norte do mundo. Preferiam permanecer em terra ou próximo à terra, perto dos campos onde seria possível caçar, obtendo desse modo alimento e roupa. Era de caçar o que entendiam, e quando Cook lhes falou sobre novas terras onde o boi-almiscarado, cuja carne apreciavam, andava à vontade, encantaram-se. Além das ferramentas, armas e outros utensílios que Cook lhes oferecera por seus serviços, eram motivados a tomar parte na expedição em virtude da chance de descobrir novos campos favoráveis à caça.

Ao supervisionar a fileira de trenós que aguardava o sinal de partida, Cook sentiu o “coração disparar”, sabendo que chegara o momento de dar início à sua busca ao Pólo. Os caçadores também demonstravam entusiasmo pelo começo da jornada, e os cães meio selvagens, assimilando a energia dos homens reunidos, latiam, ansiosos por começar a puxar os trenós. Açoites estalaram no ar, e as equipes de cães avançaram.

PÁGINAS 211 E 212


Em 1909, dois norte-americanos anunciaram ao mundo que haviam chegado onde nenhum homem havia posto os pés antes: o Pólo Norte, jóia cobiçada entre os exploradores geográficos. O médico Frederick Cook alegava que atingira seu objetivo em abril de 1908. O engenheiro civil Robert Peary dizia que chegou na área em abril de 1909. Quem tinha razão? Neste livro de 347 páginas, o jornalista Bruce Henderson reconstitui a história desta rivalidade que resultou em perdas de vidas humanas, casamentos infelizes e campanhas de difamação. Com o apoio governamental e um marketing sem escrúpulos, Peary acabou ganhando as honras na época, apesar de não ter apresentado nenhuma prova de que realmente havia alcançado o Pólo Norte. Cook, que perdeu seu material utilizado na conquista pelo boicote do próprio Peary, viu a glória imediata transformar-se em infâmia. Só no final do século XX a situação se inverteu, com o reconhecimento tardio ao feito do médico. O degelo, enfim, começou.



Escrito por goethe às 13h29
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foi um sonho, minha gente

Krank (Daniel Emilfork) envelhece numa nebulosa torre aquática por não poder sonhar e tenta resolver a sua limitação seqüestrando as crianças das cidades vizinhas para lhes roubar os sonhos. One (Ron Perlman), um caçador de baleias, forte como um cavalo, sai em busca de Denree, seu irmão mais novo que fora seqüestrado pelos homens de Krank. Com a ajuda da menina Miette (Judith Vitter), logo eles chegam na cidade das crianças perdidas. Parceria fenomenal de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, os mesmos diretores de Delicatessen e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, apresentam um conto de fadas diferente, repleto de personagens curiosos, acrobacias espetaculares e efeitos visuais inesquecíveis.

O texto do verso deste DVD já resume praticamente tudo. Este filme de 1994 era a obra que eu queria ter feito. Com figurinos de Jean-Paul Gautier e música de Angelo Badalamenti, além da parceria Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Filme que fez parte da programação de arte do extinto cinema Veneza. Entre os poucos extras, um minidocumentário de 13 minutos. Para uma produção deste tipo, o sonho não acabou. 



Escrito por goethe às 15h03
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apocalipse aqui e agora

Preces no delta, preces nas montanhas, preces nos bunkers dos marines da "fronteira" na frente de uma zona desmilitarizada, a DMZ, e para cada prece havia uma contraprece – difícil saber quem estava com a vantagem. Em Dalat a mãe do imperador jogava arroz em seus cabelos para que os pássaros voassem ao seu redor para comer enquanto ela dizia suas preces matinais. Em capelas com ar-condicionado e paredes forradas de madeira em Saigon, os padres do Comando de Assistência Militar do Vietnã, o MACV, teciam louvores ardentes a um doce Jesus musculoso, abençoando entregas de munições, 105s e clubes de oficiais. As patrulhas mais armadas da história partiam, depois de suas preces, para encher de fumaça um povo cujos sacerdotes se deixavam queimar até se tornarem cinzas consagradas nas esquinas das ruas. Nas profundezas dos becos ouviam-se os sininhos budistas tocando pela paz, hoa bien; sentir o aroma de incenso no meio do mais espesso cheiro de rua asiático; ver grupos de ARVN, o exército regular do Vietnã do Sul, aguardando transporte com suas famílias em volta de uma bandeirola de oração em chamas. Sermõezinhos vinham pelo rádio das Forças Armadas a cada par de horas, uma vez ouvi um capelão da 9ª Divisão começar o dele com "Ó Deus, ajude-nos a aprender a viver convosco de um modo mais dinâmico nestes tempos perigosos, para que possamos servir-Vos melhor na luta contra Vossos inimigos...". Guerra santa, jihad dos narizes-compridos que se parecia tanto com o confronto entre um deus que podia segurar a pele do guaxinim na parede enquanto nós a prendíamos e outro cujo desprendimento podia contemplar o sangue sendo derramado por dez gerações, se esse fosse o tempo necessário para que a roda girasse.

E girasse. Enquanto os últimos combates ainda estavam ocorrendo e as últimas baixas sendo contadas, o comando acrescentou Dak To à nossa lista de vitórias, uma decisão automática apoiada pela imprensa de Saigon, mas nunca, nem por um minuto pelos repórteres que tinham visto o ocorrido a alguns metros ou mesmo centímetros de distância, e mais esta defecção da mídia acrescentou mais amargor a uma mistura que já estava azeda, levando o comandante da 4ª a se perguntar bem alto e bem próximo do meu ouvido se nós, os americanos, estávamos ou não todos juntos nessa coisa. Eu disse que achava que estávamos sim. Estávamos com certeza.

PÁGINAS 52 E 53


Como correspondente da revista Esquire, Michael Herr esteve no inferno de Vietnã em 1967. Dez anos depois, lançou em livro sua experiência no front, com uma linguagem que continha a escrita beatnik e um pensamento rock’n’roll. Despachos do Front, com suas 254 páginas, é um mergulho num universo de lama, calor, medo e drogas em plena selva ou pelas ruas de Saigon. Numa época em que os jornalistas podiam acompanhar as ações e não aceitar as versões oficiais. Depois que leu este livro, Coppola convidou Herr para assessorá-lo na elaboração do roteiro de Apocalypse Now. Depois, Kubrick fez o mesmo quando produzia Full Metal Jacket – Nascido Para Matar. Com a tradução de Ana Maria Bahiana, esta versão brasileira é imperdível. Com certeza.



Escrito por goethe às 17h40
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uma história nada pacífica

 

Sábado, 22 de agosto.

Esta manhã desci até o Tenaru com o Tem-Cel. Buckley e o Cap. Moran, o intérprete.

O fedor dos corpos espalhados pela Ponta do Inferno e do outro lado da restinga do Tenaru era forte. Muitos deles jaziam na beira da água, e já se achavam inchados e brilhantes, como salsichas cintilantes. Alguns dos cadáveres haviam sido parcialmente enterrados por areia trazida pelas ondas; era possível ver uma cabeça grotesca, inchada, ou um torso retorcido brotando da praia.

Não era agradável olhar as pilhas de cadáveres na restinga. Mas aquela carnificina era uma pintura pálida, comparada à cena no coqueiral do outro lado da restinga. Aquilo lá era um pesadelo macabro. Vimos grupos de corpos de japoneses despedaçados por nosso fogo de artilharia, os restos fritos pela explosão de projéteis. Vimos ninhos de metralhadora que haviam sido dinamitados, e suas tripulações estilhaçadas, por fogo dos nossos tanques. Os rastros das esteiras de um dos nossos tanques corriam diretamente sobre cinco corpos esmagados, no centro dos quais se encontrava uma metralhadora quebrada num suporte achatado de dois pés.

Em todos os lugares para onde olhávamos, víamos pilhas de corpos; aqui um com a coluna vertebral visível pela frente, e o resto de carne e osso descascado por sobre a cabeça, como as folhas de uma alcachofra; ali uma cabeça carbonizada, calva, mas ainda equipada com os globos oculares carbonizados; entranhas rosas, azuis, amarelas escorrendo; um homem com um buraco vermelho de bala no olho; um soldado japonês morto, usando óculos escuros de aros de tartaruga, os dentes salientes expostos num sorriso sem humor, jazendo de costas, o tórax uma confusão de carne moída. Não se sente horror algum com essas coisas. O primeiro que a gente vê é o único choque. O resto são simples repetições.

PÁGINAS 138 E 139

 


Richard Tregaskis esteve ao lado dos soldados norte-americanos no desembarque em Guadalcanal, cenário de um dos mais sangrentos confrontos da Segunda Guerra Mundial. Como correspondente, não podia andar armado. Escapou de ser alvejado por franco-atiradores japoneses e contou uma história de heroísmo e horror. Seu Diário começa no dia 26 de julho de 1942 e se encerra em 26 de setembro, quando já estava esgotado e louco para sair do inferno. O manuscrito de sua aventura chegou em Nova York no dia 10 de novembro. No início de 1943, era um livro campeão de vendas, mostrando os bastidores de uma guerra travada muito além do Pacífico. Tregaskis depois partiu para a Itália, onde acabou sendo atingido por pedaços de metralha alemã em Cassino, na Sicília. Um fragmento furou seu capacete, atravessando a cabeça de um lado a outro, levando um pedaço de cérebro. Depois de cirurgias e terapia intensiva, conseguiu reaprender a falar e usar a mão direita. Continuou sendo repórter em linhas de frente na Coréia e no Vietnã. Seu legado, no entanto, foi a experiência vivida em Guadalcanal, quando tinha 27 anos.



Escrito por goethe às 13h44
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porque ainda é inverno em nossos corações


No dia 21 os brasileiros fincaram pé no cume de Castelo, passaram a noite lá em cima e pela manhã retomaram o avanço, em direção a Castelnuovo e La Serra. Em Abetaia, o tenente Kleber e seus homens vasculharam o chão, ameaçados de perto pelas minas e armadilhas ainda não desativadas. E as armadilhas se disfarçavam nas coisas aparentemente mais inocentes: num montinho de feno, num esqueleto de granada "esquecida" num peitoril, numa caneta-tinteiro deixada sobre uma mesa, no vão de uma janela, dentro de uma caixinha de metal guardada em qualquer armário. Ainda hoje deve existir lá em Abetaia aquele minúsculo galho de árvore, espetado num monte macio de feno, diante do qual os pracinhas passam sem coragem de sequer olhá-lo. "Aquilo pode ser a passagem para a morte. Ou pode ser simplesmente um galho de árvore espetado num monte de feno. Nunca se sabe", me disse o terceiro-sargento Amadeu Boanerges Cardona Pereira, um pernambucano do Recife. Falemos um pouco dele: é um rapaz meio sarará, o olho esquerdo um tanto enviesado, a quem os pracinhas chamam de "o louco". A isso ele responde que "quem tem juízo não vem para a guerra", e ri, mostrando todos os dentes. O sargento Boanerges já esteve cercado duas vezes pelos alemães, quando em missão de patrulha. De um dos cercos ele conseguiu livrar-se de "lambedeira" na mão e dando berros de insano. Uma bela e atemorizante "lambedeira", comprida como um sabre, que ele trouxe de Palmeira dos Índios. Boanerges tem a sua filosofia: "A gente tem que dar duro, senão eles não respeitam a gente".


A tranqüilidade que recebeu os brasileiros em Abetaia, na madrugada do dia 21, durou precisamente até a meia-noite do dia 23, quando os alemães em retirada desfecharam sobre os pracinhas um violento e concentrado fogo de artilharia. O tenente Kléber e seus homens tiveram que se esconder em seus foxholes, "à espera que as coisas melhorassem". Mas as coisas só melhoraram lá para as duas da madrugada, quando cessou o canhoneio. "A gente nem podia pensar", me disse o tenente Kléber. E o pracinha Geraldo da Costa, um civil de Guiricema, na Zona da Mata mineira, que a guerra convocou, me disse: "Morteiro faz barulho de busca-pé, de rojão. Aprendi isto nas duas horas que passei aqui, na madrugada de 24, debaixo do bombardeio alemão".


É de Abetaia que trago as primeiras lembranças desta última ofensiva: uma bandeira da República fascista de Mussolini, jornais atrasados de Bolonha e Milão, o estojo de munição de uma metralhadora "lurdinha", o distintivo de um SS nazista e, não sei por quê, um volume em alemão das Bucólicas de Virgílio. Trouxe também um folheto de umas cem páginas intitulado Soldaten-Kameraden, da autoria de um tal Andréas Weineberger. Informa-me o tenente Stahl, que entende e fala alemão, que se trata de uma série de exortações ao soldado em luta. A edição é de Munique, agosto de 1943. O penúltimo dono do livrinho (o último sou eu) é um tal de Karl Loezer – caporal de número comprido que não sei se está vivo. Se não estiver, que Deus tome conta da sua alma.


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No inverno de 1944, o sergipano Joel Silveira chegava à Itália acompanhando os expedicionários brasileiros. "Você vá, mas não morra!", teria sido a ordem de Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, cumprida à risca por Silveira. Dono de um texto brilhante por disfarçar tão bem sua lapidação, o repórter tem neste O Inverno da Guerra uma compilação de alguns de seus relatos ao lado dos pracinhas. No total, 171 páginas acabam sendo insuficientes para tanta história. Como ele mesmo reafirma na apresentação deste volume: "não foi um passeio".


O texto de Joel Silveira é um caso único no jornalismo brasileiro. Antes da definição de new journalism ou outras correntes, ele já entendia que o segredo era não transformar as pessoas em personagens. Sua morte aos 88 anos é o simbólico fim do profissional do século XX, aquele que começou batucando nas barulhentas máquinas de escrever em meio à fumaça dos cigarros de uma redação equipada apenas com telefones. Ave, Joel, os que vão morrer te saúdam.



Escrito por goethe às 23h20
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invidie, gelosie e devozione

Casta Diva

(Testo di F. Battiato e M. Sgalambro - Musica de F. Battiato)

Greca, nascesti a New York,
e lì passasti la tua infanzia con genitori e niente di speciale.
Fu un giorno che tua madre stanca dell'America e di suo marito,
prese i bagagli e le vostre mani,
vi riportò indietro nella terra degli Dei.
Eri una ragazzina assai robusta.
Non sapevi ancora di essere divina...
Ci hai spezzato per sempre il cuore.
Ti strinse forte il successo ballò fino a sera con te
la musica non ti scorderà mai.
Viaggiasti e il mondo stringesti.
Ti accoglievano navi, aerei e treni,
invidie, gelosie e devozione.
Un vile ti rubò serenità e talento.
Un vile ti rubò serenità.
Un vile ti rubò.
Divinità dalla suprema voce
la tua temporalità mi è entrata nelle ossa.

Dentro de exatamente um mês completam-se 30 anos da morte de Maria Callas, a divina diva. Foi no dia 16 de setembro de 1977 que a norte-americana de ascendência grega, nascida em Nova York, no dia 2 de dezembro de 1923, encerrava seu ciclo neste plano. Lembrei-me dela ouvindo Gommalacca, disco do italiano Franco Battiato que encontrei num tabuleiro exatamente na cidade natal de Maria Callas. Como estava querendo incrementar o fiteiro, pensei em homenagear Callas e difundir a obra de Battiato disponibilizando o link desta bela música. São 3,3 megas. Outros artistas virão.

http://rapidshare.com/files/49058416/Franco_Battiato_-_Casta_Dive.mp3

A bênção, Joel Silveira, que se juntou a Callas hoje.



Escrito por goethe às 23h39
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bush na babilônia e outras histórias

 

A Segunda Guerra Mundial foi muito mais decisiva na formação do Paquistão do que as verdadeiras necessidades dos muçulmanos. Durante a guerra, Gandhi perdeu a paciência: após a queda de Singapura, ele pensou que o império britânico estivesse acabado e que os japoneses fossem invadir o local. Foi uma operação muito cínica de sua parte, ele calculou que, com a chegada dos japoneses, deveria iniciar um movimento de forma a alcançar alguma posição de força com que pudesse negociar com estes. Assim, Gandhi lançou o movimento Quit India (Saiam da Índia), em agosto de 1942. Os britânicos ficaram chocados, porque antes disso os indianos estavam negociando com seus conquistadores. A posição de Nehru era muito curiosa. Ele disse que a Índia defenderia os Aliados na Segunda Guerra Mundial porque o fascismo era o inimigo – mas que somente uma Índia livre poderia tomar esta decisão; não seria uma decisão imposta. Se vocês saírem agora e derem à Índia a sua liberdade, Nehru sugeriu, a Índia livre decidirá apoiar vocês na guerra. Os britânicos, contudo, não estavam preparados para fazer isso. Eles disseram, em particular: “Vocês conseguirão sua independência no momento em que a guerra terminar, mas nos apóiem agora”. Gandhi, obstinado, negou.

Os britânicos enviaram uma grande delegação para ver Gandhi, um pouco antes do lançamento do movimento Quit India. Em 1942, sir Stafford Cripps e importantes progressistas britânicos foram ao país e prometeram qualquer coisa após a guerra, mas Gandhi se recusou. Quando Cripps disse estar recebendo carta branca dos britânicos, Gandhi respondeu, com sua voz trêmula: “Qual o propósito de receber carta branca de um banco falido?”. Isto é, julgou mal a situação. Ele não era o único. As pessoas achavam que os japoneses viriam e tomariam a Índia, e isso transtornou os britânicos.

Foi quando a Liga Muçulmana foi usada para apoiar a guerra. Ela começou a mobilizar as pessoas, insinuando que se lutassem a guerra, os britânicos teriam um débito com elas. Sempre achei – e muitos historiadores nem mencionam isso – que com este acordo alcançado pela Liga Muçulmana e pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial, num período decisivo para o império britânico, eles foram forçados a dar algo aos muçulmanos, deram portanto este Estado antiquado e mutilado. Vale lembrar que até 1946, um ano antes da partilha, Muhammad Ali Jinnah estava preparado para aceitar algum tipo de solução confederada, desde que – isto foi dito reservadamente – fosse primeiro-ministro da Índia unida. Jinnah estava aflito. Gandhi disse habilmente neste ponto: Vamos fazer de Jinnah o primeiro-ministro; concordem com isso. Nehru e Patel disseram: Não. Como podemos aceitar isso? Então, mesquinharia. Uma mentalidade estreita predominava. Mas, em 1946 – historiadores paquistaneses não gostam de admitir isso, mas é verdade -, Jinnah estava preparado para fazer um acordo, porque sabia qual seria o placar.

Considere a Província da Fronteira do Noroeste. Oitenta por cento da população votaram a fazer de Ghaffar Khan, um líder congressista – esta província dominada pelos muçulmanos votou a favor do Congresso até 1946, e os votos só mudaram com a intimidação pela Liga Muçulmana, que ameaçava, aprisionava e matava as pessoas. Houve um famoso massacre num bazar em Peshawar a fim de forçar as pessoas para outra direção. Não havia um grande apoio para o Paquistão; foi um Estado criado de cima. É por isso que a elite paquistanesa, de 1947 em diante, sofreu do que chamamos de um grande complexo de inferioridade com relação à Índia; temendo que tudo fosse dominado pela Índia; eles não conseguiam vê-la de outra forma. Assim como Israel, formado em 1948; outros Estado confessional fundado de cima, obcecado com o mundo árabe, não consegue pensar em mais nada. E o general Zia ul-Haq, o mais brutal ditador militar que tivemos, costumava comparar o Paquistão a Israel o tempo todo; ele dizia: Como Israel. Somos um Estado duro. Sim, somos Estados confessionários; sim, construiremos exércitos agressivos, e assim por diante.

Desde o início, o Paquistão decidiu que discordaria de tudo o que a Índia apoiasse. Eles se destacariam ao se diferenciar constantemente da Índia. Quando a índia era não-alinhada – quando Jawaharlal Nehru iniciou o movimento dos não-alinhados -, o Paquistão assinou um pacto de segurança com os Estados Unidos; o primeiro em 1951, e outro em 1953. O primeiro-ministro do Paquistão, Mohammad Ali Bogra, liderou uma manifestação em Karachi saudando a chegada do trigo dos Estados Unidos, com placas que diziam “Muito obrigado, Estados Unidos” – foi quando tudo começou. Aos poucos, a ocupação do império britânico terminou, e os Estados Unidos assumiram o controle, assim como fizeram na Arábia Saudita e em muitas outras partes do mundo, e o Paquistão se tornou essencialmente um satélite americano.

PÁGINAS 96 A 99


Em 212 páginas, o romancista e dramaturgo paquistanês Tariq Ali emite opiniões polêmicas sobre seu país de origem, as ocupações norte-americanas no Afeganistão e Iraque, o conflito entre israelenses e palestinos e o papel do mundo islâmico no século XXI. Este livro trata-se, na verdade, da compilação de seis entrevistas concedidas no período de novembro de 2001 a abril de 2004. O que ele aborda continua atual, um panorama lúcido do fracasso da intervenção norte-americano no Oriente e o crescimento da influência dos países asiáticos. Este exemplar foi adquirido por R$ 9,90 no supermercado Extra. Um verdadeiro exemplo de contradição do sistema capitalista. Um post adequado para o dia em que o Paquistão comemora 60 anos de independência. E eles têm a bomba atômica.



Escrito por goethe às 22h42
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no tempo do cinema mudo

Os personagens variam do cantor norte-americano Al Jolson ao cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva. O cenário principal: Rio Branco, povoado do Agreste pernambucano, depois rebatizado com o nome de Arcoverde, pioneiro por abrigar uma das primeiras salas de projeção do interior do estado. O ano: 1917, marcado pela entrada dos Estados Unidos na I Guerra Mundial e pelos lançamentos dos primeiros discos de jazz e samba. O jornalista Carlos Nealdo dos Santos faz sua première na literatura com uma homenagem ao cinema mudo e à cultura nordestina em O pianista do silencioso, vencedor da edição 2006 do prêmio Alagoas em Cena, na categoria romance. O livro de 200 páginas, que chega às livrarias neste mês, tem apresentação do cineasta Cacá Diegues, ilustrações de Léo Villanova e capítulos com títulos de filmes famosos. Uma história que poderia se transformar em roteiro com, além dos citados jazz e samba, forró e xaxado na sua trilha sonora. O autor de 37 anos de idade lançou o livro em Maceió e pretende trazê-lo para o Recife ainda este mês.
A história começa com a chegada do cantor Al Jolson à capital pernambucana, depois de ter o navio em que seguia para a Inglaterra desviado para o Brasil por conta das ameaças dos submarinos alemães. O responsável pela gravação do primeiro disco de jazz nos Estados Unidos – foi ele quem levou a Original Diexeland Jass Band de Nova Orleans para Nova York – acaba circulando pela cidade e, em um café na Rua Nova, escuta Pelo telefone, de Donga e Mauro de Almeida, o primeiro registro sonoro que levava o nome de samba. Pelo percurso da ficção e desconhecimento da língua local, o norte-americano acabaria embarcando num trem ao lado de um sertanejo que recebeu treinamento para operar o projetor do futuro cinema Rio Branco, no lugarejo situado a 270 quilômetros do Recife.
Carlos Nealdo afirma que o fato de Rio Branco abrigar um cinema mudo quando ainda era um povoado perdido no interior de Pernambuco foi o responsável pelo surgimento do livro. Na futura Arcoverde do início do século XX viveria Dago, o protagonista do O pianista do silencioso, responsável pela trilha sonora ao vivo das fitas onde brilhavam estrelas como Chaplin, Francesca Bertini, Rodolfo Valentino e Theda Bara. Filho de um estrangeiro inglês que decidira ficar em Pernambuco mesmo após o fim do seu trabalho na Great Western, Dago seria a ligação entre Al Jolson e o cenário empoeirado de músicas e culinária estranhas.
Resultado de dois anos de pesquisas, O pianista do silencioso traça um painel que cobre os anos entre 1917 e 1934, quando o filme O cantor de jazz, com o já conhecido Al Jolson, é exibido no Rio Branco. É o fim da carreira para o pianista Dago e para uma época que teve, além da guerra mundial, a gripe espanhola e a Revolução de 1930 a marcar corações e mentes do Brasil. Interagindo suas criaturas fictícias com personagens históricas, Carlos Nealdo mostra a consolidação da supremacia norte-americana na sétima arte no momento em que se comemoram 80 anos do lançamento do primeiro filme falado. Tema para uma outra história.

*Publicada no Diario de Pernambuco, no dia 8 de junho de 2007.


Contribuição minha para divulgar a primeira ficção do amigo alagoano, que foi convidado para lançá-la em Gramado, durante o festival de cinema. Em breve em uma sala de projeção perto de você. Enquanto isso, é melhor ler o livro. Vale uma visita também ao belo site http://www.opianistadosilencioso.com/. Tem tudo lá, inclusive um trecho da obra.



Escrito por goethe às 10h17
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um homem e a imensidão do nada

Nas bancas de revistas está à venda uma interessante coleção de seis documentários sobre exploradores. O primeiro é sobre a aventura de Ernest Shackleton, o homem que venceu ao fracassar no seu objetivo. Ao perder seu navio Endurance para o gelo, ele conseguiu resgatar seus comandados depois de cruzar uma região inóspita por quase dois anos. Esta história sempre me impressionou. A ponto de servir como incentivo para reativar o velho fiteiro.



Escrito por goethe às 08h19
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deus salve a américa do sul (parte I)

Três anos depois (2003), o Brasil daria um passo a mais na sua teoria da nova geografia econômica e acrescentaria que “América do Sul” é uma região natural, enquanto “América Latina” foi um conceito inventado para responder a interesses mais políticos do que geográficos. “A América Latina é um conceito superado”, disse o embaixador Rubens Barbosa em conferência acadêmica realizada em Miami em meados de 2003, na qual dividi com ele um painel sobre o futuro da região. “O conceito de ‘América Latina’ foi criado por um sociólogo francês no século XIX, que inventou a idéia quando o imperador Maximiliano se instalou no México e os franceses queriam justificar uma expedição militar ao país com a idéia de expandir seu império aos países do sul. Mas as coisas mudaram muito desde o século XIX, e hoje temos uma nova geografia na região, que faz com que o conceito de ‘América Latina’ esteja completamente desatualizado”, disse Barbosa.

Quando o olhei com incredulidade (mais por ignorância do que outra coisa, porque confesso que até então jamais ouvira algo sobre a origem do termo “América Latina”), o embaixador brasileiro explicou que a região atualmente está dividida em três blocos econômicos, e não apenas econômicos mas também políticos.”Quando falo em separar o conceito de ‘América Latina’ penso também no que fazem os EUA. Não se pode falar de políticas consistentes dos EUA para a América Latina porque não há tal coisa: há políticas para diferentes países ou grupos de países. Nem sequer o Departamento de Estado nos chama de ‘América Latina’. Chama-nos de ‘Hemisfério Ocidental’”. Ainda me recuperando da surpresa, respondi que o escritório do Departamento de Estado responsável pela região chama assim porque inclui o Canadá, razão pela qual dificilmente se poderia chamar “escritório da América Latina”. No entanto, espicaçou-me a curiosidade sobre o tema.

É verdade o que disse Rubens Barbosa? Existe “América Latina” ou é uma invenção dos EUA, refletindo os interesses políticos das grandes potências da vez? A poucos dias da conferência, chamei o embaixador Barbosa e perguntei quem era o tal francês que inventara a expressão “América Latina”. Segundo respondeu pouco depois, tratava-se de Michael Chevalier, intelectual viajante senador francês em meados do século XIX. Acontece que Chevalier era um porta-bandeira dos sonhos imperialistas da França nas Américas e queria provar que a França – e não os EUA – era o país com maiores afinidades com a região. Chevalier argumentava que os países ao sul dos EUA eram latinos e católicos, enquanto os EUA e o Canadá eram protestantes e anglo-saxões. A conclusão lógica dessa divisão das Américas era que a França, a principal potência latina do mundo de então, era chamada a liderar suas nações irmãs nas Américas. (Anos depois, a Espanha cunhou um termo para marcar seu próprio papel de liderança na região: ibero-americano).

Chevalier chegou a convencer Napoleão III a instalar o imperador Maximiliano como uma cunha avançada do que se esperava que ia se converter num imenso império francês no novo continente. Em seus livros A expedição do México (1862) e México antigo e moderno (1863), o intelectual viajante desenvolve uma apaixonada argumentação a favor da criação de um império latino nas Américas. Esse império aumentaria a presença da França nas Américas e serviria como dique de contenção ao que Chevalier chamava de “América inglesa do continente” ou o “império anglo-saxão e protestante” dos EUA.

Chevalier proclamava abertamente suas intenções. Em seu escrito “Motivos para uma intervenção da Europa, ou da França sozinha, nos negócios do México”, disse assim: “A expedição (francesa) tem um fim declarado: pretende ser o ponto de partida da regeneração política do México... e a necessidade de pôr enfim, no interesse da balança política do mundo, um dique no espírito invasor de que há já muitos anos se acham possuídos os anglo-americanos dos EUA.

Para justificar a presença francesa nas Américas, Chevalier explicava que a França tinha um motivo especial, diferente do da Grã-Bretanha e dos países da Europa do Norte, para intervir no novo continente: era parte das “nações latinas”. Segundo Chevalier, a consolidação e o desenvolvimento do grupo das nações latinas eram a condição mesma da autoridade da França. Evitar que os EUA tomassem pra si os países latinos da América devia ser uma prioridade para seu país. A França “se sobressai nas letras, nas ciências e nas artes, sua indústria é cada vez mais fecunda e a agricultura tem um grande futuro, seu exército é numeroso e muito respeitado. Mas, se as nações latinas desaparecessem algum dia da cena do mundo, a França se encontraria em situação de debilidade e isolamento. Seria como um general sem exército, quase como uma cabeça sem corpo”.



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deus salve a américa do sul (parte II)

No entanto, a idéia de que Chevalier foi o primeiro a cunhar a expressão “América Latina” – estabelecida numa monografia publicada em 1965 pelo historiador norte-americano John Leddy Phelan – está sendo cada vez mais discutida. A historiadora Mônica Quijada publicou um amplo ensaio em 1998, intitulado “Sobre a origem e difusão do nome ‘América Latina’”, em que assinala que Chevalier nunca utilizou o termo “América Latina”, e sim que falou dos “povos latinos das Américas” e da existência de uma América que era latina e católica. Segundo Quijada, os primeiros a empregar o termo “América Latina” como tal foram os próprios latino-americanos: ensaístas como o dominicano Francisco Muñoz del Monte, os chilenos Santiago Arcos e Francisco Bilbao e, sobretudo, o colombiano José María Torres Caicedo, que começaram a usá-lo como referência geográfica no início dos anos 1850, alguns anos antes dos escritos de Chevalier. E o fundo ideológico da expressão era exatamente o oposto do que Chevalier tinha em mente e iria refluir, um século e meio depois, na diplomacia brasileira.

“‘América Latina’ não é uma denominação imposta aos latino-americanos em função de interesses alheios, e sim uma expressão cunhada e adotada conscientemente por eles mesmos e a partir de suas próprias reivindicações”, diz Quijada. Os hispano-americanos adotaram a expressão num momento em que os EUA pareciam empenhados em criar um império que se estenderia cada vez mais para o sul do continente, assinala. Nos anos 1950, Washington tratava de construir um canal na América Central que unisse os oceanos Atlântico e Pacífico. E, em meados dos anos 1850, a política externa de Washington provocava ainda maiores temores nos países do sul, quando o pirata norte-americano William Walker se proclamou presidente da Nicarágua e obteve o apoio explícito do presidente dos EUA, Franklin Pierce. Isso, somado à posse de enormes territórios do México por parte dos EUA, após a ocupação do Texas, “levou muitos hispano-americanos a voltarem os olhos para o velho sonho de unificação do grande libertador Simon Bolívar”, assinala Quijada. “A razão principal que inspirava o reaparecimento daqueles ideais era a necessidade, sentida por muitos, de opor ao poderio crescente e à política agressiva dos EUA uma América Hispânica fortalecida pelo esforço comum”.

Curiosamente, a primeira menção encontrada de “América Latina” como nome coletivo está num livro de poesia, diz Quijada. Trata-se do poema “As duas Américas”, do colombiano José María Torres Caicedo, em cuja nona parte aparecem as estrofes: “Lar aza de la América Latina, al friente tiene na raza sajona” (A raça da América Latina tem à frente a raça saxônica). Posteriormente, os livros de Chevalier e a fundação da Revista Latinoamericana em Buenos Aires contribuíram consideravelmente para a difusão generalizada do nome “América Latina”, que, no final do século XIX, já era o termo mais usado internacionalmente para se referir à região.

Ao se confirmarem os últimos estudos, o revisionismo geográfico do Brasil carece de fundamento, por mais que o México tivesse assinado o Tratado de Livre-Comércio com os EUA em 1994. Ainda que o termo “América Latina” seja relativamente novo, como assinalou o embaixador do Brasil em Washington, não nasceu de intenções imperiais, e sim, ao contrário, da intenção dos hispano-americanos de se diferenciar de seus vizinhos anglo-saxões do Norte e de se sentir unidos aos países europeus na defesa de sua religião e de valores comuns.

PÁGINAS 181 A 184


Andrés Oppenheimer é argentino que mora em Miami. Jornalista, escreve para o The Miami Herald e apresenta, na CNN, o programa Oppenheimer Presenta. Este livro de 306 páginas, lançado em 2005 e publicado no Brasil no primeiro semestre deste ano, é o resultado de viagens e entrevistas com personalidades políticas e econômicas de países da América Latina e de países que conseguiram um salto de crescimento nas últimas décadas: Irlanda, Polônia, República Tcheca e China. É um compêndio interessante sobre a desunião e falta de visão histórica de nossos dirigentes (Lula, Kirchner, Chávez, Morales...), cachorros a morder eternamente o próprio rabo. A edição brasileira do livro tem a apresentação de Fernando Henrique Cardoso, mas isso não chega a afastar a leitura deste manual de intenções para o século XXI. Latinos, uni-vos, antes que o façam por nós.



Escrito por goethe às 03h44
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